ESDRAS – VIII – DESENCONTROS EM FAMÍLIAS

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febrero 25, 2020 by Bortolato

Esdras, capítulos 9º e 10º

São bem conhecidos os casos de famílias, cujos filhos, sobrinhos, ou pessoas de outro nível de parentesco, foram infelizes em suas escolhas, principalmente quanto àquela pessoa que haveria de compartilhar de toda a intimidade a sós e em seu lar, em uma união que era para durar a vida toda.

São casos via de regra lamentáveis, pois naquilo mesmo em que prometiam uma doce ventura, houve um fracasso, provocando um sentimento de frustração no casal desfeito.

Se aceitarmos uma análise honesta e justa, todos os casais têm problemas conjugais em uma ou outra área do seu relacionamento, e sentimo-nos aliviados quando ficamos sabendo que alguns deles conseguiram superar as suas diferenças, fossem estas profundas ou não.

O divórcio, porém, vem sendo uma dura, amarga e às vezes a única opção para muitos, devido à falta de forças, capacidade de tratarem com o assunto e condições para se salvar um casamento. Os pais sofrem, filhos sofrem, e no final todos os que participam do processo, ativa ou passivamente, se veem diante de um problema incômodo em extremo, apesar de que alguns ainda tentam fazer de conta que não se sentem afetados.

Meditamos: de onde vêm as origens desses desastres matrimoniais? Aonde poderemos encontrar a raiz desses problemas?

Diferenças culturais talvez fossem uma das causas que poderíamos apontar, mas este diagnóstico é muito amplo e complexo para fazê-lo como o único fator determinante que arrasta casais para a separação.

Dentro deste conceito, visualizamos um ponto que é muito importante, talvez o que mais influi e conduz às separações: a incompatibilidade de propósitos de vida entre um cônjuge e outro.

Quais seriam o ponto de vista, a visão de vida, as ambições que cada parceiro guarda em seu coração? O que lhes é mais importante? É aí que reside a questão.

Vamos nos ater ao período do namoro. Sem que percebam, as coisas começam a se embromar quando os pares começam a se deixar encantar um pelo outro, e procuram fechar os olhos para os defeitos do seu parceiro, pensando que com o tempo “ele (ou ela) acabará por compreender, chegar à razão, e haverá de converter o seu coração de forma a entrar em harmonia com o meu estilo de vida” – que julga mais adequado – “e então tudo será uma maravilha”. Será mesmo?

Este pensamento é perigoso. Ninguém sabe o quanto a pessoa pretendida se deixará amoldar ou adaptar-se ao novo tipo de vida; e se de um lado se espera assim, como se chegará a um acordo, se o outro lado também desejar “puxar a sardinha para a sua brasa”? Lembramos que cada ser é um universo dentro de seu interior, que guarda segredos impenetráveis, de forma que ninguém poderá sentir-se capaz de induzir seu parceiro para o centro da sua vontade com facilidade, por mais íntimo que este lhe seja.

Em um casamento sempre se joga com ganhos e perdas, o que merece muita atenção e ponderação para que não haja desapontamentos maiores do que as possíveis alegrias vindouras.

Há, por exemplo, um certo tipo de seleção que vemos sendo feita por muitos pretendentes ao casamento. O lance inicial se dá quando se olham um ao outro, mirando para o modelo físico, a figura exterior, intentando captar se agradam ou não aos seus padrões de estética. Daí então, passam para o passo seguinte, que é o daquele esquema de lançamento de charmes para começarem a ganhar pontos no conceito do pretendido parceiro, dentro de uma expectativa de conquista. E aí é que fingem ser aquilo que não são em seus primeiros contatos.

Fato é que a aparência conta muito nesses momentos iniciais. Logicamente ninguém se sentirá atraído por alguém que, dentro de seu conceito, foge completamente ao nível minimamente esperado, neste campo. Todos os futuros nubentes ambicionam acima de tudo que o alvo de sua escolha seja um tipo de beleza que o faça orgulhar-se diante dos parentes e amigos.

Realmente a beleza física tem uma força de atração que hipnotiza completamente aos incautos, de forma que estes ficam cegos para as qualidades e defeitos daquela pessoa que passa a ser pretendida, um objeto de conquista. O problema começa a lançar raízes quando dizem para si mesmos: – “Quero este (ou esta) custe o que custar”.

Daí em diante é que então aparecem as dificuldades. De início estas não se projetarão abertamente, pois ambos procurarão dissimular, a fim de que as mesmas não pareçam tão acentuadas, mas o tempo trará outras que se somarão e então, ai do amor, que será colocado em xeque-mate, e parecerá ter diminuído muito de tamanho.

Para fazermos uma breve comparação, diremos que há um rio profundo a ser ultrapassado a nado por ambos, mas com várias formas de travessia: longitudinal, enviesado, com ou sem pausas, com colete salva vidas ou sem, depressa ou devagar, desde um ponto da margem ou desde aquele outro, etc. Se ambos estão preparados para nadarem lado a lado, um incentivará ao outro, mas se não entram em acordo quanto aos detalhes do transcurso, o plano já surge com falhas, com sérios riscos de não dar certo e com resultados imprevisíveis; e a discordância sobre algum item julgado como importante, se não consertada logo, acarretará em separação.

De fato é mais importante que ambos tenham a mesma visão e objetivos, fixando seus olhos para o mesmo alvo, mas o que mais se vê é o casal se detendo em olhar para os olhos um do outro – neste último caso, basta chegarem os dias de lutas e problemas a serem vencidos, e a união será abalada. A unidade depende de ambos nutrirem os mesmos valores e de empenharem-se na mesma medida de esforços para respeitá-los enquanto buscarem alcançar os alvos pretendidos.

Vamos para o livro de Esdras, capítulo 9º, onde podemos observar um grave problema de famílias acontecendo com o povo judeu que voltou da Babilônia para suas terras em Israel.

O que observamos ali, naquele ano 457 A.C.? Casamentos mistos, que misturaram não somente o sangue, mas também culturas extremamente diferentes em seus princípios. Aquilo não foi nada saudável para a reconstrução do povo judeu.

Aqueles homens vieram de um longo e duro cativeiro, e estavam bem cientes de que aquele desterro humilhante que lhes foi imposto teve uma grande causa que começou a remontar desde os dias do rei Salomão: os casamentos com mulheres dos povos desaprovados por Deus.

Quais pessoas insensatas, eles já de volta às suas terras de antes, que o Senhor lhes dera para viverem, relaxaram novamente na vigilância e na observância desse detalhe decisivo para que pudessem ser felizes.

O que havia de errado com aqueles casamentos? Como já temos comentado, foram seguindo os passos do princípio materialista: “olhem-se os predicados e os dotes físicos, porque quanto ao resto, tudo se ajeita”. Esta foi a motivação que notamos ter impulsionado Sansão a escolher mulheres filisteias, o que o levou a viver constantes conflitos familiares, até ser traído por Dalila, e daí o fim de sua vida logo chegou, prisioneiro, cego, sozinho e rodeado de inimigos.

É aí que mora o perigo.

Quem eram esses povos reprovados por Deus? O que faziam eles de errado? Muitas coisas: prostituição, lascívia, engano, roubos, furtos, adultérios, homicídios, feminicídios, infanticídios, latrocínios, estupros e outras coisas do gênero.

Quantos e quantos não se arrependem, depois de haverem-se casado com alguém. Desiludem-se por completo, e isto passa a pesar-lhes pelo resto de suas vidas, de um modo ou de outro.

Com Vc se sentiria se soubesse que se casou com uma pessoa que tem o objetivo fanático de agradar a um deus que pede os sangue dos filhos de seus adoradores? Isto seria uma desgraça. Não haveria paz dentro do seu lar. Vc não confiaria em deixar seu cônjuge a sós com suas crianças nem por dois minutos. Já pensou no desassossego? Os filhos são a maior riqueza que um casal pode desejar ter como fruto da sua união – mas e se algum dos pais decide matá-los só para agradar aos seus deuses? Isto é inaceitável.

O pior dessa história é que não se trata de nenhum exagero. Foi exatamente isto o que aconteceu entre Israel e os povos vizinhos.

Não haveria chances para se ter paz também, se Vc se sentisse sendo pressionado a ceder aos princípios morais e relgiosos que Vc tem, apenas para satisfazer a um cônjuge que desrespeita ao Deus Único e Verdadeiro, incitando-o a transgredir a leis que dizem para não furtarem, não matarem, não cobiçar aquilo que é alheio, não praticar estelionatos, não trair, não adulterar, e outras coisas mais…

Lembro-me bem do caso de um certo homem que se apaixonou por uma mulher, e passaram a ter um compromisso de relacionamento íntimo, mas ela impudentemente insistia que ele teria que dividi-la com outros: com homens e com mulheres – e assim ela procedia, impondo sua cultura com os seus atos imorais. O homem chegou a enlouquecer, e por fim, matou-a. Assim findou o seu drama interior quanto àquele relacionamento insólito, e começou um outro drama para ele – ter que viver anos na prisão.

Antes que se chegasse neste ponto, o sacerdote Esdras viu que a situação de seus patrícios estava propendendo para um amargo fim, e pasmou-se inconsolavelmente.

Ficou em jejum por um dia, consternado pela falta de discernimento de seu povo. Rasgou as suas vestes como expressão de sua inconformação, humilhando-se quase como um asceta.

Parecia que sua mente havia entrado em um turbilhão de pensamentos negativos, que se perdiam em um círculo vicioso de razões e argumentos, sem contudo encontrarem a solução.

O aspecto positivo disso é que Esdras esteve orando, colocando suas petições insistentemente diante de Deus, como quem se apega a uma tábua de salvação em um mar revolto.

Ele certamente pensava: foi assim mesmo que Salomão acabou-se perdendo, tentando agradar às mulheres estranhas com quem irresponsavelmente se deixara envolver.

Foi misturando-se com aqueles mesmos povos vizinhos que os líderes de Israel acabaram por admitir e absorver certos costumes criminosos, como se estes fossem coisa natural.

Assim foi que o povo anterior ao cativeiro babilônico se perdeu, pois ao aceitarem as práticas dos povos estrangeiros, eles vendaram os seus olhos para a Lei do Senhor Yaweh e tornaram-se tão execráveis ou mais do que os seus povos vizinhos, até então rejeitados pelo próprio Deus.

Ora, foi precisamente por causa daquele tipo de comportamento que aqueles povos tinham sido reprovados por Deus e expulsos da terra da Canaã – e então Israel também contaminado por eles, foi deportado dali pelo mesmo motivo.

Então, só depois de setenta anos de exílio, ALGUNS deles puderam escapar e voltar à Terra Prometida, e lá estavam eles, incompreensivelmente recomeçando o mesmo processo de deterioração moral e espiritual.

Esdras, como sacerdote daquele povo, sentiu fazer parte daquele contexto histórico, e ao tomar conhecimento desses fatos, ficou consternado, em estado de profunda prostração, muito preocupado, sentindo-se desiludido, como fazendo parte de um povo que embarcou numa nau que começa a fazer água por dentro, ameaçando assim um breve naufrágio.

O apóstolo Paulo não aconselhou fazerem separações de casamentos, por piores momentos que estes estivessem passando, mas ao mesmo tempo reconheceu que há casos em que a moléstia é incurável e não convém permanecer no erro; então seria o caso de poder haver separações, a fim de que os crentes tivessem então tempos de paz com Deus e com o próximo.

Esdras esperou até a hora do sacrifício da tarde, e então encontrou o momento certo para elevar a sua voz em oração. O povo que o ouvia reconheceu os seus erros e colocando-se na presença de Deus, assim se puseram como que a esperar por um milagre.

Um por um se foram achegando ao sacerdote, até se ajuntar uma grande multidão, que passou a entender a situação e sentir o peso daquele momento, e começaram a lamentar e a chorar diante de Deus.

Houve uma comoção geral. Aquele povo olhava para Esdras que estava de roupas rasgadas, ajoelhado, rasgando a sua própria alma em altos clamores, ouviram as suas palavras naquela oração, e passou a aderir ao mesmo sentimento de arrependimento e auto-humilhação.

Logo os líderes do povo sentiram que deviam fazer algo para se redimirem, estancarem a sangria, e se apressarem para patentear o reconhecimento do erro, e logo o fizeram. Convocaram uma reunião com todo o povo de Israel. Na verdade, aquilo ecoou pela terra de Judá como uma intimação, e ai dos que não a atendessem. Em três dias vieram todos para Jerusalém.

Foi uma situação difícil, que os levou a tomarem uma decisão drástica, coletivamente: a de despedirem as mulheres estrangeiras com seus filhos.

Por que os filhos também teriam de serem despedidos? A razão disso é que estes eram criados pelas mulheres, aquelas mesmas que lhes incutiam ideias pagãs e criminosas nos corações das suas crianças, de modo que até estas estavam já comprometidas com a corrupção dos bons costumes.

Difícil, não? Mas eles o fizeram, cientes de que estavam tendo que assim procederem a fim de prestarem um serviço à nação e a Deus.

O maior problema seria se alguém soubesse que a união que mantiveram com as mulheres estranhas não carecia de tamanho rigor, pelo fato de as mesmas realmente não representarem qualquer perigo de trazerem costumes perniciosos ou contrários à Lei do Senhor. Afinal, foram os casos no passado, de Raabe, a ex-meretriz, e de Rute, a moabita, que se adaptaram perfeita e agradavelmente à vontade do Senhor Yaweh – mas temos que concordar que estas não se enquadravam nas estatísticas gerais dos demais casos, pois faziam parte das raras exceções.

Dentro desta questão, se levantaram Jônatas, filho de Asael e Jeasias, filho de Ticva, discordando da maneira tão radical de tratarem com as suas mulheres, acerca das quais alegavam não serem prejudiciais à fé e à prática da Lei do Senhor. Isto não ficou sem uma cobertura de testemunhas. Eles, no final, receberam total apoio de dois levitas: Mesulão e Sabetai (Esdras 10:15).

Como a tribo levita era encarregada de transmitir a Lei do Senhor para o povo, o apoio dado a Jônatas e a Jeasias ficou como válido, e estas duas famílias não tiveram de ser desagregadas..

Isto serve também a todos os povos gentios, os que não descendem da linhagem de Abraão, Isaque e Jacó, até os dias de hoje. Insurge, porém, que hoje vivemos em outro tempo: o do Novo Testamento. Assim, se temos, ou não temos o sangue hebreu, temos aberta uma alternativa obrigatória a todos os povos: abandonarmos as práticas que Deus desaprova, e buscarmos agradá-Lo em todas as coisas, mesmo sabendo que ainda necessitamos de luz aliviadora para nossas consciências e poder para rompermos com o passado e sermos livres.

Mas isto não é tão fácil para quem se acostumou a viver no pecado, pois sente-se escravizado pelo mesmo.

O nosso passado pode nos acusar, e nos querer amarrar a práticas abomináveis ao Único Deus, o Santo de Israel, e isto é gravemente doloroso – mas Ele franqueou um caminho para todos os que se arrependerem: o caminho da cruz de Jesus.

Jesus, o Cristo, derramou Seu precioso sangue com o firme propósito de abrir o caminho que nos conduz ao Pai. E este sangue tem todo o poder para libertar ao mais vil pecador. Este sangue é a prova mais estupenda e inconteste do amor de Deus, que deseja que todos nós sejamos salvos.

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Cristo é a solução para as famílias desagregadas, para reunir as divisões mais acentuadas. Ele é o padrão de vida para o estabelecimento de uma cultura sadia aos olhos de Deus, dentro de cada lar.

A Sua cruz é a ponte que Ele colocou para abençoar casais, pais, filhos, e desfazer a infelicidade que este mundo impõe aos seus habitantes.

Precisamos olhar bem para Jesus, pois nEle encontramos o caminho mais feliz ofertado a todos, sem exceção.

Problemas, decepções, desencontros, desventuras, tristezas, fraquezas, são todos vencidos pela cruz, que se fincou na terra para esmagar as obras do mal.

Este é o convite, e também o desafio: quem atendê-lo, terá um fim feliz, e a recíproca também é verdadeira: quem não o atender, continuará sendo infeliz.

Sejamos felizes com Jesus, o Cristo, que Se deu em uma cruz por nós, abrindo a porta de nossos corações para Ele entrar, fazer uma faxina, e implantar a alegria do Reino de Deus dentro de nossas almas.


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