I REIS – VII – É TEMPO DE EDIFICAR

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enero 17, 2017 by Bortolato

Quem quiser agradar a Deus, saiba que tem um excelente desejo.   Se propuser em seu coração aproximar-se do Senhor do Céu e da Terra, poderá preparar-se para um longo caminho, e uma obra gloriosa estará a sua espera.

Antes de tudo, será preciso conhecer a Deus.   Conhecendo-O, poderemos saber como melhor fazermos para que venhamos a cair no Seu agrado e desfrutarmos de uma doce caminhada.

Ninguém se desespere se de início não fizer nem ideia de como começar a agir.   Ele é muito sábio e conhecedor do que se passa em cada coração.  Ele verá o interior de cada alma, e sem dúvida alguma nos conduzirá pelo caminho que já tem preparado para nós, se esta for também nossa escolha.

Os mais antigos povos, infelizmente, já se desviavam dEle, e criaram deuses, acerca dos quais julgavam que estes supririam satisfatoriamente a falta, o vazio na alma que é produzido pela ausência do Todo Poderoso dentro deles.   Isto foi um lamentável erro que provocou um abismo de separação entre os homens e Deus, para tristeza nossa e decepção no coração do Senhor.

Todos os homens deveriam aprender a agir direcionados pelo Espírito de Deus.  Aliás, somente os que são guiados pelo Espírito do Senhor é que são filhos de Deus.   A humanidade pode não estar ciente de que os desejos procedentes da carne estão tendenciosamente comprometidos com o pecado, mas é o que de fato acontece.   Mas o mais importante é que se nos deixarmos ser conduzidos pelo Espírito Santo, os desejos da carne serão deixados para trás, assim como se deixa de comer um prato feito com sobras de dias anteriores, marmitex padrão com arroz queimado, um bife duro como uma sola de sapato, para se ter em mãos, como refeição, uma finíssima iguaria do céu…  Nem é tanto uma questão de capacidade de percepção de uma opção inteligente, mas sim, de uma tomada de decisão acertada.

Quem ignora os toques do Senhor em sua alma, ficará à mercê dos impulsos da carne.  Poderá até achar que está na vereda certa, mas… Há caminhos que ao homem parecem direitos, bons, mas seu fim levam à morte, e a estrada para o Inferno é pavimentada de boas intenções.

Apesar de todo o mal haver prosperado nesta Terra, Ele, Deus, observando a tudo isso, continuou a buscar o homem, no sentido de gênero humano, que se havia perdido, a fim de arrebatá-lo do mundo tenebroso para a luz que ilumina os corações.

Se pudermos notar bem, Ele Se antecipou a dispor-Se a abrir os canais de comunicação com o homem para ter um intenso e compensador relacionamento, interagindo com aqueles mesmos poluídos pelo pecado – porque não há ser humano que não peque.

Observe-se a vida de Noé, Abraão, Isaque, Jacó e tantos outros.   Foram pecadores, os quais Ele logrou entrar nas suas vidas e torná-los em bons homens, amigos Seus, e eles foram salvos da grande condenação por Sua graça.

Com Davi não foi diferente.    Extremamente  ligado com o Senhor, compôs muitos salmos, que nos inspiram e nos movem na direção de Deus.

Davi teve um grande desejo: o de edificar uma casa para o Senhor sentir-Se ali louvado, amado, adorado, e ficar bem com o Seu povo.   Foi pela vontade de dignificar a Ele.    Àquele que lhe mostrou tanta misericórdia e fidelidade – mais que uma gratidão, mas também por achar muitíssimo bom viver bem pertinho da casa onde mora Deus.

Teria sido uma imensa honra e uma grande realização para ele, mas não Lhe foi concedido senão somente preparar alguns materiais para essa grande construção.

Salomão, seu filho, então pôde levar a peito esse propósito.   Contratou trabalhadores e, conforme I Reis, capítulo 6º, no 480º ano da saída do Egito, começou a edificar uma Casa para o Senhor, o Deus de Israel.   (Assim munidos desta informação, datamos o início do Êxodo em 1.447 A.C., aproximadamente.)

Era o quarto ano do seu reinado.   Salomão começou a reinar em c. 971 A.C.  Logo, no ano 967 se dera o início da obra que teria durado sete anos de extensos trabalhos (I Reis 6:1, 38).

Os detalhes da Tenda da Aliança que peregrinou pelo deserto foram todos mostrados pelo Senhor a Moisés, no monte Sinai, mas como Salomão fora dotado de grande sabedoria, o Templo de Jerusalém recebeu os seu detalhes através daquilo que permeou pela mente abençoada que Deus lhe dera.

As medidas da construção obedeceram a uma planta que especificava cerca de 27 metros de comprimento, nove de largura e 13,5m  de altura, considerando-se um côvado de 45 cm.

Qualquer um podia bem perceber que pelas minúcias tão ricas que se aplicaram à Tenda da Aliança, ficou claro que o Senhor é muito rico e santo, e a Sua habitação deveria ser feita de um modo muito, mas muito lindo mesmo, cheio de admiráveis detalhes, um local especialíssimo sem igual na Terra.   E assim foi.

Tanto bem preparada foi a Sua construção, que se tornou desnecessário haver o uso de pregos, martelos e machados.   Tudo foi muito bem medido, e encaixado.   Não se ouviu sequer um instrumento de ferro batendo, mesmo ao levantarem vigas, tábuas e pedras.

A pergunta que vem a seguir então seria :  então Deus se agradara de fato com aquilo que foi feito pela gestão de Salomão?

A resposta está nos versos 11 a 13. “Se andares nos meus estatutos,… meus preceitos… meus mandamentos…”  Esta era a condição para a aceitação.  E depois, sem palavra, mas com manifestações da Sua Presença na casa recém acabada no dia da sua consagração.

Muitos querem erigir um grande altar e um palácio para Deus.   O desejo original é bom, mas temos que considerar que Ele não está tão atento para a riqueza dos detalhes de uma construção material, e sim, de uma espiritual.    Este é o ponto.   Deus não questionou a Salomão por ter arquitetado uma obra faraônica.   A época era de muita riqueza em Israel, e por isso, não era nada demais dedicar o melhor para Quem é o Criador e doador de todas as riquezas deste mundo, porém isto é facilmente ultrapassado pela edificação de um pequeno altar rico no Espírito, e de uma Casa humilde, mas plenamente dedicada, cheia da graça, e da harmonia com os pensamentos divinos.

Vamos, pois, nos ater aos dados mais importantes.

Um cômodo especialmente feito para que as pessoas ali se encontrem com o Deus Único e Verdadeiro, e lá gozarem da maravilha de ser impactado pela presença dEle, isto é que é mais sublime, e a mais recompensadora experiência que alguém possa ter na vida.   Quem já pôde sentir que um dia foi privilegiado pela Sua visitação, certamente que sentiu o Seu amor.  E vale a pena frisar – Ele ama ao seu povo como um todo, coletivamente, e ao mesmo tempo tem um grandioso prazer em dar uma especial atenção a cada uma das Suas ovelhas, individualmente.   É fenomenal, é singular, é majestoso, é tudo isso e mais ainda: Ele é Santíssimo.   Quem O conhece, sabe do que estamos falando.   Quem, pois, reserva um lugar em seu lar para ali encontrar-se e falar com Deus, já tem um Lugar Santíssimo bem pertinho de seu coração – dentro de sua própria casa.

Indo um pouco mais além – nós, os Seus adoradores, somos a Sua Casa por excelência…

E quanto aos detalhes do Templo de Salomão em Jerusalém?

As pedras lavradas que erigiram as paredes foram, no interior do Santo dos Santos, cobertas de madeira, tábuas de cedro desde o chão até o teto.   Isso denota que um dia houve vida naquelas madeiras, as quais eram brutas, cascudas, de forma a machucar as mãos de quem teve de trabalhar com estas – mas os marceneiros as cortaram, tiraram suas cascas e deformidades, e deram-lhe a forma aceitável de tábuas lavradas e polidas, as que, além disso, receberam marcas visíveis de querubins, palmeiras e flores em sua superfície.   Essas tábuas somos nós, que necessitamos morrer para o mundo, e sermos aplicados na Casa de Deus depois de sermos lavrados e lapidados devidamente.

Toda essa madeira, depois de aplicada, era revestida de ouro puro.  O ouro, metal precioso, refinado em fornalha de fogo, que reluz sem negar seu brilho, é como a glória de Deus, que nos é emprestada, à medida que glorificamos Àquele que é digno de toda a nossa devoção.

A Arca do Concerto viria a ser colocada dentro daquele Lugar Santíssimo, coberta pelo seu propiciatório, e dali falava o Senhor com os Seus servos.   Fascinante!    Que vivência!  Quem pôde ter um colóquio desses com o Deus de Amor, certamente que nunca mais foi a mesma pessoa.   O amor de Deus nos constrange, e transforma a nossa estrutura interior.   Neste mundo em que a maior falta é do amor,  Ele nos convida a recebermos uma boa “lavada” de Seu amor, que de fato purifica todo o nosso interior.  É como um fogo vivo, que penetra dentro de nossas almas e vai queimando todo tipo de construtos mal instalados, e deixando em seu lugar uma santidade que homem algum possui de si mesmo.   Deixando também a convicção de que, uma vez feita esta obra dentro de nós, nasce com muita força o impulso de amar e adorar a Quem faz isso conosco.   Privilegiados foram os sacerdotes que O ouviram desde o Propiciatório, e mais privilegiados ainda os que hoje tem uma Arca dentro da sala de Deus em sua casa, com a presença do Emmanuel, Deus Conosco.

Interessante notar que o soalho daquele primeiro Templo de Jerusalém foi todo revestido em ouro.  O apóstolo João fala que subiu à Nova Jerusalém, e andou em ruas de “ouro como de vidro límpido”.   Ali não viu nenhum templo, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro (Apocalipse 21:18,22).   A adoração é o clima constante nas plagas celestiais, de forma que nem sol e nem lua são ali necessários para produzir luz, pois a glória do Senhor ilumina diretamente a todo o seu âmbito.   Desta forma cremos que as minúcias aplicadas ao primeiro Templo de Jerusalém tinham o seu paralelo correspondente junto ao santuário do Trono de Deus, e cada detalhe daquela casa terrena reflete, muito embora  toscamente, os detalhes da glória celeste.

Davi não pôde construir um Templo assim deslumbrante como foi o de Salomão, porque ele era um homem de muitas guerras.   Esteve muito tempo ocupado com os combates contra seus inimigos, e inimigos do povo de Deus.   Foi obrigado a derramar muito sangue, o que afinal foi uma forma de punir com morte aos que ousavam desafiar e matar a esse seu povo, e ao nome de Yaweh.

Assim também é importante guerrearmos contra as obras das trevas, mas tal como depois das tempestades vêm as bonanças, e somente após a limpeza do terreno é que se pode começar uma edificação, chegara o tempo de edificar.

A questão que vem pois a seguir nos impele a pensarmos bem se não estamos gastando o nosso tempo apenas para destruir inimigos, para obtermos nossas vitórias, o nosso sucesso, para o nosso proveito, e não nos temos esquecido que precisamos parar um pouco, e nos voltarmos para apreciar com muito louvor Àquele que nos fornece tudo isso, e nos espera em uma sala particular para nos conhecermos melhor…

Salomão foi agraciado pelo fato de poder desfrutar de um tempo de paz em seu reino, e por isso pôde ter liberdade suficiente para encetar e levar a cabo aquela edificação tão importante para o coração de Davi, bem como para um povo que é fiel ao seu Deus.

Que chegue esse tempo também à vida e ao coração dos prezados leitores.

Tempo de aplicarmos nossas forças, nossa disposição, e nossa alegria em construirmos um edifício de amor a Deus.   A Ele devemos tudo o que temos, e portanto não será nenhum excesso ou sacrifício inconveniente nos empenharmos por termos um lugar especialmente dedicado para Ele em nossas vidas, com tempo de qualidade.

Qual é o tempo que temos separado para estarmos em Sua santa presença?

Quais os recursos que temos aplicado para serem usados para Sua glória em nossas vidas e na vida de nossos consortes, filhos, netos, parentes e amigos?

Temos feito isso com amor nos nossos corações?  É o mínimo que Ele espera de cada um de nós.

É tempo de edificarmos um templo, um lugar com um altar, bem caprichado, rico no Espírito, cheio de detalhes de louvores que poderão agradar ao único Deus Vivo e glorioso.  Se V. já fez isso, tenha uma feliz viagem ao Seu lado.   Se ainda não, hoje é tempo…  não deixe para depois.   O agora é nosso amigo, e o depois só vai adiando, e sempre é depois, mas nunca chega lá.

Façamos isso agora.  Hoje é tempo de louvar e adorar a Deus!  Aproveite!


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