II REIS – I – O CONTEXTO DE II REIS

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septiembre 1, 2017 by Bortolato

Qual a razão de ter sido escrito este livro?   

Um livro em que se narram tantos e tantos episódios infelizes que ocorreram em um período de cerca de quase trezentos anos, durante os quais Israel Norte teve dez reis, todos estes reprovados por Deus, e Judá, por sua vez, teve dezesseis reis, dos quais apenas cinco foram considerados bons em termos espirituais.

Foi uma época muito pouco alvissareira, principalmente para o reino de Israel, que começou em cerca de 853 A.C com o reinado de Acazias, o nono monarca do reino norte, até a queda de Jerusalém  nas mãos dos babilônios, em 586 A.C.   Durante este lapso de tempo, houve muitas guerras de Israel com a Síria; em 722 AC. o cativeiro assírio dispersou a nação israelita para muitas outras terras espalhadas pelo Oriente Médio, e o mesmo também ameaçou ao reino de Judá, apenas não logrando cumprir o que estava determinado em seu coração contra este reino do sul porque o Deus de Israel foi o seu ajudador – mas isto ainda não evitou que alguns anos depois viessem os babilônios para levar também os cidadãos deste reino para uma terra longínqua.

No Egito antigo havia um costume: o de escreverem-se os atos heróicos e as vitórias obtidas sobre outros reinos, e de apagarem-se os fatos que deslustraram sua sorte em algum tempo.   Tanto é que o precipitar das dez pragas, a saída do Egito e o longo Êxodo pelo deserto por que passaram os israelitas não se encontram registrados nas crônicas reais daquela nação.   Já com Israel, foi diferente.   O Senhor atuou tanto como seu Salvador, como o seu disciplinador quando o povo precisava ser disciplinado, de modo que nos livros dos Reis de Israel leremos tanto sobre as venturas como sobre as desventuras, com os devidos esclarecimentos das causas.

Duas nações foram levadas em cativeiro para fora de suas fronteiras, deixando suas terras para serem dominadas por outros povos e os chacais.   Muitos dos que eram pertencentes à linhagem de Jacó sofreram o sítio de suas cidades, passaram terrível fome, sede, a vergonha de verem suas mulheres sendo estupradas pelos adversários, a humilhação de se verem dominados por outro país, sendo este idólatra, tendo seus reis sido destronados, e a dor dos órfãos e viúvas verem seus homens fortes sendo mortos diante de seus olhos, pais e mães vendo sua prole morta, esfacelando-se as suas famílias.  Perderam tudo o que tinham em sua terra, para entregarem suas riquezas a quem jubilava por isso, mas era moralmente mais indigno do que eles mesmos.

Isso tudo tinha que ter uma razão.  Não havia como se compreender que o Deus de Israel, que os tinha libertado da escravidão do Egito os tenha abandonado à sua própria sorte, dando-lhes as costas e deixando-os passar por tantas desditas em suas vidas.   O que teria sido?

O cerne dessa questão está na lei da semeadura e colheita.   A santa Aliança entre Yaweh e Seu povo havia sido violada incontáveis vezes.   A idolatria foi a adaga que cortou, com vários e insistentes golpes, os laços de amizade e ternura entre Deus e o povo de Israel.   Havia antes disso uma cumplicidade muito notória, que mostrava o Senhor constantemente livrando o Seu povo em horas de aflição; mas tantas foram essas vezes, que Israel parecia estar assentado na certeza ingênua e abusiva de que logo lhes viria um socorro do céu, mesmo estando estes cidadãos enraizados em hediondos pecados que enojavam a Ele, o seu escudo protetor do mal.   Israel e Judá, em suma, desprezaram ao seu grande Deus, descumpriram a Sua Lei, e pisaram desdenhosamente no santo Concerto.

Isto, sem dúvida, era para que os infratores da Lei do Senhor pudessem ser sacudidos e despertarem do sono espiritual (a idolatria) por que estavam sendo hipnotizados longa e persistentemente.   Era o único jeito de Israel e Judá serem sacudidos, acordarem para o fato, refletirem muito e arrependerem-se, serem contemplados com o perdão, para então poderem voltar à Terra Prometida e ali tornarem a servir ao Senhor, desta vez com inteireza de coração, desfrutando de Sua doce comunhão.

Quem teria escrito II Reis?

Os livros dos Reis foram escritos, sem dúvida alguma, por homens santos, profetas fieis a Yaweh.   O longo período que abrange o livro já denota que não foi obra de somente um deles.  Houve, porém, alguém que compilou todas as narrativas em um livro, dando-lhe a forma final que podemos hoje constatar.

Embora alguns apontem Esdras como o autor final da obra, outros indicam Isaías.  Realmente, podemos entender bem que a seção de 18 a 20 de II Reis recebeu grande influência deste profeta, que repete a narração em seu livro, Isaías 36 a 39 – mas isto só diz respeito ao período de ministério do mesmo, que foi desde o reinado de Uzias (início em c. 740 A.C.) até o de Ezequias, que findou em cerca de 686 A.C. 

Antiga tradição do Talmude diz ter sido Jeremias o autor da arte final dos dois livros dos Reis, mas Flávio Josefo atribuiu a autoria aos “profetas”.   Realmente, os dados narrados sobre o cerco, a tomada da cidade e o exílio dos judeus nas mãos dos babilônios só poderiam ser tão bem detalhados como o foram, com a colaboração de Jeremias, exceto no texto de II Reis 25: 27 a 30, que certamente foi acrescido por algum discípulo seu.

Data da escrita:

O último acontecimento descrito no livro de II Reis, a libertação de Joaquim da prisão, é datado de 560 A.C.  Logo, o livro foi escrito na sua forma completa até o fim, só depois dessa data.

Como a queda de Babilônia nas mãos dos persas, o que ocorreu em cerca de 538 A.C., não é mencionada no final do livro, crê-se que este tenha recebido sua arte final antes dessa data.   Uma história tão épica como a que os judeus viveram não poderia deixar de mostrar que a mão de Deus ainda agia em favor de Seu povo, muito embora este não fosse digno de reatar a Aliança que um dia fizeram com Ele.  

A queda de Babilônia e o subsequente retorno dos judeus à sua amada Terra Prometida não poderia deixar de ser o objeto de uma manchete sensacional, escrita em letras garrafais, devido à euforia que a notícia causaria, como de fato causou, no meio do povo que alegremente quis retornar à terra que Deus lhes dera um dia.   Logo, este fato deveria ter sido narrado em um epílogo triunfal na final do livro, mas como isto não constou, deduz-se que esta parte da Escritura Sagrada foi finalizada entre 560 e 538 A.C.

O moral da história:

O que aconteceu com Israel e Judá pode ser aplicado muito bem a qualquer cristão dos dias de hoje:  O Senhor Deus promete e dar ricas bênçãos aos Seus que vivem neste mundo, mas isto não é tudo.   As bênçãos de hoje, nesta Terra, estão em uma dimensão muito volátil, porque um dia tudo irá ser tomado pelo fogo, e os elementos materiais, ardendo, se desfarão queimados ( II Pedro 3:10).   Assim, temos que entender que temos a Deus, nosso Salvador, mas também nosso Juiz, que um dia há de julgar tudo quanto fizermos por meio de nossos corpos mortais.   A disciplina faz parte da educação dos servos de Deus, que não tolera o pecado em ninguém, e o cativeiro dos judeus durou nada menos do que setenta anos…  setenta anos de submissão a governos crueis que os dominou sem lhes dar esperança alguma de voltarem à sua terra para desfrutarem das bênçãos que dela puderam advir um dia.

A boa notícia é que a longanimidade de Deus ainda nos visualiza de maneira misericordiosa, de forma a também prover-nos o perdão dos pecados através do sacrifício vicário de Jesus, e a restauração para aqueles que se arrependerem.

Os judeus que tiveram a felicidade de refletir sobre os acontecimentos desastrosos que os colheram, reconheceram seus erros e se voltaram para Deus, anos mais tarde puderam experimentar uma renovação tal que lhes ficou comprovado que, apesar de toda destruição que tiveram de engolir em seco em suas vidas, ainda lhes restou um remanescente que pôde desfrutar da promessa de que nem tudo estava perdido, e que a figueira cortada ainda poderia voltar a crescer e frutificar.

Enfoque escatológico:

Estes livros dos Reis de Israel não foram escritos para apenas nos relatar fatos históricos atinentes ao governo dos monarcas da nação, quer estes tenham sido bons ou ruins.

A oitiva constante é a que nos mostra que tanto profetas, como sacerdotes e reis tiveram suas falhas, pecaram, foram imperfeitos, e portanto não poderiam perpetuar-se com seus erros nesta Terra, como se nada tivessem feito de mau, sem serem punidos por isso,  e colhidos no fim pela morte, que é o salário de todo pecado (Romanos 3: 23).

Em Seu plano multissecular e eterno, a visão de Deus vislumbrava tudo isso; em Sua Onisciência, e em Sua sabedoria já havia planejado oferecer aos Seus o Messias, que é o Profeta, o Sacerdote e o Rei dos Reis, para dar-lhe um governo sem pecado, sem arestas e imperfeições, o qual durará para sempre, sim, nesta Terra em que o fogo ainda há de transformar em uma Nova Terra, tendo como pano de fundo um novo céu.

Antes desse final dos tempos, porém, este mesmo Messias haveria de vir primeiramente para morrer numa cruz, com a finalidade de pagar pelos nossos pecados, o que já o fez, derramando o Seu sangue puro, imaculado, como de um cordeiro; pois Ele é, nas palavras de João o Batista, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.   A Ele, pois, toda a glória, honra e louvor, porque é o Único digno de tomar o livro apocalíptico, e de abrir-lhe o selo, porque foi morto e com o Seu sangue comprou para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. (Apocalipse 5:9).   Aleluia!  Sejamos nós um desses tais!

 

 

 


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