II REIS – XII – DEUS LIVRA OS SEUS FIEIS

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marzo 26, 2018 by Bortolato

É muito bom a gente tratar bem àqueles a quem Deus enviou a este mundo para apregoar a Sua palavra.   Aliás, quanto depender de nós, será bom tratarmos bem a quem quer que seja, tanto com relação àqueles a quem dedicarmos nossa atenção, quanto no que diz respeito a nós mesmos, como a colheita do retorno de uma semeadura.

Como V. tem tratado os profetas do Senhor?

A Bíblia diz que quem der um copo de água a um dos considerados como menores profetas de Deus, não perderá a sua recompensa (Mateus 10:42).   E também que quem honra, recebendo a um profeta do Senhor, na qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo, porque ele é justo, receberá recompensa de justo (Mateus 10:41).

E nem é preciso saber disso para ser recompensado.  O bem que semearmos, colheremos, independentemente de estarmos cientes ou não.

Os primeiros versos do capítulo 8º de II Reis nos mostram uma história que não somente ilustra bem o que estamos afirmando, como também é um dos textos mais claros que nos trazem à luz a importância deste fato.

Sendo Eliseu um profeta do Senhor, cujo ministério foi repleto de maravilhosas intervenções de Deus, ao tomar conhecimento disso uma mulher de Sunem fez questão de abençoá-lo, e o constrangeu a comer em sua casa todas as vezes que o mesmo estivesse passando por ali.   Não satisfeita com apenas isso, a mulher, que era rica, ordenou que se construísse um cômodo com cama, mesa e lâmpada para o profeta, para que, quando este estivesse passando algum tempo naquela localidade, pudesse acomodar-se à vontade – como se fosse propriedade do homem de Deus.

Eliseu, pensando em que poderia ser útil àquela mulher, foi o instrumento de Deus para dizer-lhe que ela, apesar das circunstâncias contrárias, conceberia um filho – e de fato ela pôde abraçá-lo um ano depois.

Quando o menino cresceu, mas ainda pequeno, teve um ataque de cefaléia que o levou a óbito – mas isso foi revertido, porque o Senhor exercia mão muito forte na vida de Eliseu, e o garoto veio a ser ressuscitado.

Os tempos, porém, eram difíceis.    Israel ainda andava nas trevas do baalismo e as bênçãos das chuvas previstas, mais as temporãs e as serôdias de Deuteronômio 11: 11-15, estavam sendo negadas por conta da idolatria em que caiu o povo de Israel, conforme o Senhor prometeu em Deuteronômio 11:16-17.   E assim, chegou para valer uma longa estiagem sobre a terra.

Passado certo tempo e, ao que tudo indica, aquela mulher ficou viúva, fato até certo ponto esperado, pois seu marido já era um homem idoso por ocasião do nascimento de seu filho.

Sabendo que a seca iria durar bastante tempo, Eliseu, que tinha bom relacionamento com a sunamita, avisa-a sobre isto, e aconselha-a a mudar-se temporariamente para terras estrangeiras, porque a fome estava se agarrando à terra de Israel.

A sunamita entendeu o recado, recebendo-o como uma profecia, e mudou-se temporariamente para a terra dos filisteus, lá permanecendo por sete anos.

Ao findar essa fase difícil e a fome em Suném, a mulher então volta para sua possessão, à sua terra e para a sua casa, mas eis que surge um imprevisto:  grileiros!  Eles invadiram a sua herdade.

Tendo chegado com a sua mudança sobre mulas carregadas, ela tem a surpresa de ver que alguém havia tomado posse das suas propriedades.

As propriedades em Israel não podiam ser griladas e nem mesmo invadidas, como se fossem terras de ninguém, pois estava em vigor a divisão das terras que a Lei determinara desde os tempos de Josué.    Havia porções de terra pré-divididas entre os clãs, e entre as famílias, e isto fora feito de forma rígida.   Ninguém deveria cobiçar as terras de seu vizinho.  As messes poderiam ser vendidas, mas não por muitos anos, isto é, até a chegada do ano jubileu, e então as terras teriam que ser devolvidas ao legítimo herdeiro, e assim prevalecia o direito de propriedade sobre a Terra Prometida.

No caso da sunamita, porém, nada foi vendido ou arrendado, e os posseiros não estavam ali para brincar.   Queriam a terra para si, e não abriam mão de permanecer ali, como se fossem os donos.

A mulher, sem ter outra opção, teve que apelar para a única pessoa no reino que a poderia defender:  o rei de Israel.

Dentro daquela cultura que centralizava os três poderes em um só, a figura de quem a mulher poderia procurar era nada menos que o Rei de Israel, que, dentre outras funções, fazia também o papel de juiz.

A sunamita vai a Samaria com seu filho, este já crescido, com mais de dez anos de idade, e chega ao palácio real, pedindo uma audiência com aquele que detinha o poder de império sobre sua nação.

Ela aguardava à porta a autorização para entrar, e quando a recebe, adentra à sala do trono, onde eram procedidos os julgamentos de causas do povo.

A sunamita estava já com o seu discurso bem preparado para tentar convencer ao rei de que teve de se ausentar do país por sete anos, e agora estava de volta, e pedia reintegração de posse de suas terras.   Ela pensava que teria que se desdobrar em um discurso muito bem elaborado, que contaria a história desde o começo, nos mínimos detalhes, mencionando até mesmo a palavra profética que recebera de Eliseu.

O que aconteceu ali foi outra surpresa, mas esta se fez mais agradável quanto poderia ser.

Naquela sala, onde se assentava o monarca, estava ali o discípulo de Eliseu, Geazi.  Isto certamente se deu quando este ainda não havia sido atacado pela lepra.

Instantes antes, o rei havia acabado de pedir a Geazi que lhe contasse as grandes obras que acompanharam a vida de Eliseu, e, conforme o pedido,  o milagre da ressurreição do filho da sunamita estava na pauta, ainda sendo narrado pelo discípulo do profeta.

Isto não foi coincidência, mas sim, providência divina.

Geazi, ao ver a mulher e seu filho entrando naquele recinto, exclamou ao rei:  – “Esta é a mulher e este é o seu filho!”

Aquele momento foi excepcionalmente providencial.   O rei, tão admirado quanto todos que estavam ouvindo aquela narrativa, então pede à mulher que exponha a sua causa, tarefa que lhe restou bastante simplificada e facilitada.   A mulher sentiu firmeza para discorrer sobre o assunto, sentiu que o Senhor lhe havia preparado o momento certo de defender a sua causa.  Era só confirmar o que já havia sido dito.   Geazi estava ali colocado providencialmente como uma testemunha da história.

Tudo estava dentro das conformidades, em termos de lógica e práticas reiteradas de assuntos jurídicos.   Não havia mais dúvida alguma.   Ela era a mulher, que estava ali juntamente com o seu filho, prova do poder e do amor de Deus em sua vida.   O marido já não estava mais com ela, mas ainda lhe restara um filho, que a haveria de acompanhar por todo o restante dos seus dias.

O rei de Israel então se viu de posse de todos os elementos necessários para proferir uma decisão acerca do caso, e não titubeou.    Decidiu logo que a herdade fosse devolvida para a sunamita, e ainda mais:   que todos os lucros obtidos com a produção extraída daquele solo lhe fossem restituídas.

Um oficial foi chamado àquela sala, e este recebeu diretamente do rei as instruções para que se cumprissem os termos de sua decisão.  Que a herdade lhe fosse devolvida não só de direito, como de fato, e que o valor da produção daqueles sete anos fossem entregues à mulher sunamita.

Deus é pai de órfãos e juiz de viúvas.   Não se pode ignorar isto.

Mais do que uma sentença justa a um julgamento perfeito, o que a sunamita recebeu foi o fruto da sua fidelidade do Senhor.   Ela comportou-se como verdadeira amiga e adoradora do Senhor, ao estender sua mão para Eliseu e os discípulos dos profetas.    Deus não se esquece de Seus adoradores e amigos.

Que sejamos todos verdadeiros amigos de Deus, e seremos todos participantes de Sua glória.


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