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O LIVRO DE GÊNESIS – III

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noviembre 7, 2013 by Bortolato

Campinas 014Gn. 2:1-3 – O SÉTIMO DIA (YOM)

Diz o texto sagrado: “Descansou… Deus…”  O verbo aqui empregado é shavat.  Alguns leem shabbat .  É a palavra que deu origem ao termo “sábado”, que significa “cessar atividades”, pois Deus não se cansa e nem se fatiga (Isaías 40:28).  Ele apenas se deu ao trabalho de abençoar o sétimo dia, porque estava bem satisfeito com tudo quanto havia feito até então.

Vale frisar alguns pontos.  Em primeiro lugar, o descanso semanal não teve, naquele primeiro momento, como objetivo, dar uma folga para recuperação das dores e cansaço decorrentes de algum trabalho.  As dores no corpo, o cansaço e o suor foram trazidos pelo pecado, e antes deste não havia tais sintomas nas atividades do homem (3:17-18).   Depois do incidente do pecado haver-se instalado na nossa natureza, é que o descanso semanal  tornou-se uma necessidade fisiológica para toda a nossa raça, mas o que Deus quis, ao deixar proclamada a instituição do shabbat, foi algo bem mais digno e profundo do que um simples refazimento de forças.

Em segundo lugar, pensemos… O que ocorre quando nos damos a certas tarefas, envidando esforços, objetivando a alcançar certos alvos?  Estamos ocupados com coisas desta Terra.  Distraímo-nos, deixamo-nos envolver, e passamos longo tempo sem sequer pensar que somos criaturas feitas por Deus para louvor da Sua glória. (Rom. 15:6)   Isto nos diz muita coisa – Deus nos fez aptos para o trabalho, mas o trabalho também pode se tornar um empecilho para a nossa comunhão com Ele.   Cada pessoa tem em sua alma um desejo inconsciente de que precisa aproximar-se de Deus com intuito de amá-Lo, ser-Lhe grato, e expressar todo esse amor e gratidão, em palavras, gestos e atitudes; e isto só o poderemos fazer, se separarmos tempo para O estar buscando.

Em terceiro, o trabalho de Deus durante a Criação parou, naquele determinado momento, deixando de focalizar o universo, o mundo, a vida da flora e da fauna, a vida dada ao homem.   Aconteceu um período (yom) de descanso das atividades, para que toda a Sua Criação, espiritual e material, pudesse parar, pensar, meditar, verificar Quem foi o autor de tudo aquilo, direcionando as atenções da Criação para o Criador.  Em outras palavras, o trabalho é algo bom, traduz-se em atividades compensadoras, mas não deve ser motivo para nos afastar dAquele que nos criou e tudo fez por nós.

Um outro ponto é  que necessitamos muito do shavat, pois Deus muito fez por nós, e nós devemos interagir com Ele, dedicando-lhe nossa atenção, nosso carinho, e a nossa devoção. Nós necessitamos mais do shavat, do que Deus dele necessitou.  Notemos que naquele primeiro sábado, não houve uma celebração na Terra, se bem que no céu deve ter havido um grande louvor ao Senhor!   O homem não havia trabalhado naqueles seis dias da Criação, pois que foi criado no sexto yom.  Se ele chegou a trabalhar, foi por menos que um yom, e ainda não tinha que carregar o peso do pecado, portanto, não estava fatigado.  O shabbat veio a seguir-se logo na sequência, no dia seguinte.   Isto nos diz que nossa mais importante tarefa é buscar a Deus, louvá-Lo, amá-Lo, abençoá-Lo, dedicar-Lhe nosso tempo de todo o nosso coração.  É isto o que Adão aprendeu logo no decorrer do seu segundo dia de vida.  Ele nasceu com o sopro de vida que Deus lhe deu, o que já lhe colocou como um filho dependente do Pai, muito ligado a Ele, e com sua alma atada a Ele.   Viver longe dEle era-lhe impensável.   O Senhor era toda a sua riqueza, alegria, e motivo de exultação.  E esta deve ser também a nossa motivação maior.

Adão veio à existência, e logo no seu primeiro dia de vida já teve uma conferência muito abençoada com Deus, que lhe passara uma série de instruções e coordenadas necessárias para o seu trabalho diário, bem como a sabedoria para seu dia com o Senhor, que seria o seu dia seguinte.  Este seria um dia de muita comunhão com Deus, dia de paz e harmonia com o Criador que foi diretamente seu Pai.

Por derradeiro, hoje estamos diante do fato que todo homem precisa parar ao menos um dia por semana para poder continuar sua labuta com mais energia.  É o recarregar das baterias em todos os sentidos: espiritual, físico, biológico, e psicológico.   Em que pese que necessidades humanas de descanso sejam por muitos defraudadas, a nossa natureza corrompida pelo pecado nos faz a cobrança quando há quebra deste princípio.  Hoje, mais que nunca, precisamos deste shabbat, em todos os sentidos, em todas as áreas de nosso ser.

Note-se, ademais, que em todos os dias que Adão viveu no jardim do Éden foram dias em que ele se encontrava com o Senhor, que passeava pelo local pela viração do dia.  Que privilégio!  Conversar com Deus todos os dias!  Maravilha das maravilhas!  Conversar com Ele todos os dias, pela viração do dia, com o seu Criador, o Rei do universo, o Senhor dos Senhores, o único Deus verdadeiro, que deixava todos os Seus afazeres para apenas conversar com o seu filho.   Todos os dia no Éden foram dias santos, abençoadíssimos, cheios da alegria do Senhor!   Não se faz jus, pois, apenas UM dia de dedicação especial, apesar das atividades terem de ser feitas, porque TODOS os dias em que somos visitados por Deus são especiais.  Qualquer dos dias que Adão ali pôde viver, foram mais santos do que os nossos sábados atuais.   A presença do Deus amantíssimo é que nos faz diferenciados, santificados, e abençoados.

CONSIDERAÇÕES SOBRE UM PONTO POLEMIZADO:

Existe nos dias atuais uma controvérsia sobre qual dia seria o dia do Senhor.  Alguns dizem ser o sábado.   Outros, apontam para o domingo.  Os que dizem ser o sábado, acusam aos cristãos que adoram no domingo, de terem cedido ao deus sol, a dedicação desse dia, pois o imperador Constantino é quem teria instituído a mudança, fazendo um sincretismo religioso que negaria as origens sabáticas nas Escrituras Sagradas.

Temos que atentar, pois, para o fato de que, como os antigos cristãos, da igreja primitiva, começaram a reunir-se no domingo (I Coríntios 16:1-2), bem antes de Constantino reinar, e se o tal imperador houvesse escolhido outro dia da semana qualquer, sem intenções de tentar aproximar-se de prática alguma que tivesse qualquer vínculo com um outro deus pagão que não fosse o Sol, é óbvio que também seria acusado de tentativa de sincretismo religioso com o outro deus, que tinha sido adorado naquele dia da semana, naquela época.

Por outro lado, vejamos: povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses, dedicando o dia de Sábado ao deus Saturno, o que originou em inglês a denominação Saturn’s day, posteriormente abreviada para Saturday, e no holandês Zaterdag, com o significado de “Dia de Saturno”.   Se atentarmos bem, para cada dia da semana havia uma relação do paganismo, dedicando-os a algum deus.  Segundas-feiras, ao deus Lua, terças a Marte, Mercúrio (quarta); Júpiter (quinta) e Vênus (sexta-feira).   E se Constantino quisesse misturar a adoração ao deus Saturno,
escolhendo o dia de sábado para confundir com a adoração a Jeová, ficamos a
pensar se os cristãos que adotaram o sábado não mudariam o dia do Senhor, mas
para outro dia!  Em qualquer dia da semana, houve alguma adoração a deuses pagãos.   Se tivermos preconceitos com relação a essas escolhas, nunca adoraremos a Deus, e se quisermos dedicar ao Senhor algum dia da semana que não foi usado para a idolatria, ficaremos sentindo que não resta espaço para a verdadeira adoração, que ao único Deus pertence – quando todos os dias pertencem ao Senhor da Criação, que conferenciava com Adão em TODOS os dias de sua comunhão no Jardim do Éden.   Nosso Deus é de liberdade, e conforme nos disse Jesus:  “… Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará… Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32,35).

Não poderíamos deixar de tocar num ponto para onde se convergem as coisas, de conformidade com a importância que Deus dá a cada uma delas. Em Mateus 12:1-8 Jesus nos mostra que o shabbat não deve ser usado como a revelação máxima de Deus ao homem, e lembra a todos que houve circunstâncias em que o Senhor mesmo aprovou a violação da referida data, e deixou-nos a máxima que diz: “Misericórdia quero, e não sacrifício”, e “o Filho do Homem é senhor do sábado”.  Na mesma referência, diz: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Marcos 2:27-28)…

Em Colossenses 2:16-17 lemos que “ninguém, pois, vos julgue por causa de  comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

Esta última passagem nos fala para não julgarmos a ninguém por causa do dia da adoração ao Senhor.  Isto vale para ambos os lados.  Como já vimos, todos os dias foram criados pelo Senhor , e todos a Deus pertencem.  Louvável é o esforço de quem queira adorar a Ele no sábado, pois isto foi mandamento da Lei – admiramos o empenho que alguns cristãos fazem para não deixarem que afazeres do dia-a-dia venham a deturpar ou desvirtuar o louvor que devemos dirigir a Deus no Seu santo dia.  Louvável também o é para quem adore a Deus em outro dia da semana, pois estamos na era da Graça, na qual o homem é justificado mediante a fé em Jesus Cristo, e não pelas obras da Lei. (Gálatas 2:16).  As obras da Lei, na dispensação da Graça, devem ser consideradas rudimentos fracos e pobres, que escravizam o homem, apegando-se a guardar “dias, meses, e tempos, e anos”, antagonizando-se com  a boa nova de Cristo (Gálatas 4:10-11).   Os apóstolos, no seu primeiro Concílio, em Jerusalém, decidiram por bem que os costumes da Lei mosaica não fossem impostos sobre os gentios, exceto no que diz respeito à abstenção de coisas sacrificadas a ídolos, bem como sangue e carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas (Atos 15:28-29).

Em Romanos 14:5-6, lemos que  “um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias.  Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.  Quem distingue entre dia e dia, para o Senhor o faz…”  Somos, também, exortados a não julgarmos ou desprezarmos a quem tem posicionamento diferente do nosso nesta área, pois se alguém faz distinção, para o Senhor está trabalhando, e quem não faz distinção de dias, e também está trabalhando, estamos fazendo a obra de Deus.  O Senhor é o justo Juiz, que nos julgará a cada um de nós segundo o Seu poder e sabedoria.

A controvérsia, contudo, prossegue no mundo cristão, quando na verdade não deveria desunir ou dividir irmãos.   Cremos, ainda, que cada qual deve atender ao chamado do Senhor com muita humildade, convencer-se da Sua santa vontade, e permanecer naquilo para o que foi chamado.   Que nossas consciências se apeguem com isenção e legitimidade à santa Palavra de Deus, e esta nos seja o fio de prumo para esta questão – qual seja o Dia do Senhor, seja este muito bem observado, com espírito devoto, e munido de um coração entregue livre e totalmente nas mãos dEle.

 

 


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