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SALMOS – LXXVII – LIDANDO COM O DIA SEGUINTE

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junio 12, 2022 by Bortolato

Salmo 77

Dificuldades todos as têm. Vêm para todos indistintamente. O tempo as traz muitas vezes sem aviso, como um vento impetuoso, mas dependendo da intensidade e insistência deste, já passa a ser um furacão. Como encarar tudo isso com serenidade? Como não se perder a cabeça no meio dessas tempestades?

A vida tem verões e invernos. Tempos de exultação de tanta alegria, e tempos de retraimento e também de tristezas. Situações alvissareiras e também de baldes de água fria se sucedem alternando-se, ora para bem e ora, mal.

A vida não é composta só de vitórias, festas e comemorações, sempre sem nenhum embargo. Até crianças já podem perceber que nem tudo são flores na vida. A arte de viver exige que precisemos saber lidar com os momentos leves e os pesados.

O modo como recebemos os problemas que acontecem na vida pode ser fator determinante para os agravar mais, ou amenizarmos os conflitos internos. Um espírito alegre amortiza dores e sofrimentos, ao tempo em que um coração triste sensibiliza mais o sofredor, fazendo a dor ficar mais extensa e duradoura, podendo alcançar níveis descontrolados.

Uma boa maneira de levar a vida carregando os fardos pesados é lembrarmos da bondade de Deus e dos Seus benefícios. Isto nos anima e nos pode fazer alegrar, mesmo quando as circunstâncias atuais não são boas o quanto desejaríamos que fossem.

A experiência de Asafe, o escritor do Salmo 77 nos dá exemplo disto. As circunstâncias do momento em que obra literária foi escrita são, ao que tudo indica, as mesmas do Salmo 74, quando o autor descreve o quadro da destruição de Jerusalém, a cidade que abrigou a presença de Deus no meio do Seu povo, mas foi invadida e destruída em cerca de 586 A.C.

Os muros foram então derrubados, os guardas da cidade foram mortos; mulheres, jovens e crianças que sobreviveram foram ferozmente seviciados, de forma animalesca.

Muitos amigos, conhecidos e pessoas dantes próximas do convívio também já não mais estavam vivas, depois desse triste episódio.

Para agravar mais a situação, o Templo onde um dia habitou o Senhor, o Criador dos Céus e da Terra, invadido, profanado e destruído com a fúria implacável dos inimigos. Lamentavelmente Asafe chega à conclusão de que o Senhor, a quem ele servia sem cessar junto àquela Casa sagrada, construída somente para Ele, o Deus que era, é e sempre será, único acima de todos os deuses… abandonou a Sua morada, deixando-a à mercê dos destruidores. Era realmente o caso de sentar-se para chorar, como fez o profeta Jeremias…

Aquilo foi chocante. Asafe viveu a sua vida dedicando-se a louvá-Lo com cânticos , regendo hinos de louvor para todos os peregrinos de Jerusalém, espalhando alegrias, e desde aquele momento ele viu não somente a cidade e o Templo, mas a sua própria vida desmoronar.

Ele havia aprendido a buscar a Deus em orações, e, naquele momento, foi o que fez mais uma vez – só que então a sua oração se desprendeu de seu coração de forma diferente.

Até então, ao abrir a sua boca para louvar a Deus, uma alegria vigorosa era comum visitá-lo, invadindo o seu espírito. Era o sentir que o Senhor estava ali, comungando com amor, junto ao Seu povo.

Na verdade Asafe já vinha sentindo nos bastidores que algo de estranho e errado estava já acontecendo. O povo vinha, sim, para as festas sagradas de sábados, luas novas, Páscoas, Primícias e Tabernáculos, mas com os seus corações contaminados de forma muito incrustrada pelo pecado – isso é que entristecia a Deus, o doador da vida, do ar que respiramos, da água e dos alimentos que nos sustentam, pois não? Ele não Se alegrava com um povo nessas condições já fazia bom tempo, e a maioria não se importava com este fato. A idolatria era um peso enorme para o Altíssimo suportar, e esta sempre vinha acrescida de adultérios, roubos, furtos, assassinatos, estelionatos, ações dolosas, e toda uma penca de coisas abomináveis. O recipiente da paciência de Deus estava estourando, e então Ele decidiu abandonar a Sua morada terrestre, e deixar aquele Seu povo acabar de perder-se, e na sequência arcar com as consequências.

Depois que houve a invasão avassaladora dos babilônios, que lançou por terra toda a beleza de um Templo tão especial, a vida do salmista ficou atormentada por um turbilhão de pensamentos.

Asafe ia pelas noites ao seu lugar de repouso, já no exílio, em Babilônia, guardando em sua memória aqueles momentos em que ele viu tudo ser destruído, e os flashes que ele fotografou dentro da retina de seus olhos ficaram retidos dentro de sua alma e passaram a atormentá-lo com muita força. Ele não conseguia dormir(verso 4) e nem controlava aquele sentimento de angústia (verso 2) que não o deixava ficar sossegado. Virava-se em sua cama de um lado para outro, e o sono não o presenteava com um alívio que lhe seria muito bem vindo, aplacando aquela dor na alma.

Tentava orar, falar com Deus, alçava a sua voz, gritava bem alto, invocando o santo Nome, mas não conseguia sequer desabafar, nessa tentativa de lançar para fora de si aquelas impressões que lhe ficaram entaladas em seu coração, como que enroscadas por causa dos seus espinhos. Tudo lhe parecia absurdamente travado. A voz que lhe saía da garganta parecia estar vazia de conteúdo. O som que ele emitia não lograva arrancar-lhe o sentimento de contrariedade de dentro de seu peito.

Você nunca se sentiu desgostoso assim? Tomara que não! Quem dera que não! Um peso terrível oprimia a sua alma, e ele não conseguia desvencilhar-se do mesmo.

A vida, porém, continuava, e mesmo neste esforço inglório lhe tenha sucedido dia após dia, essa luta não cessava.

Contemplando o quadro geral da situação, algumas questões vinham ao coração de Asafe.

  • O que estaria acontecendo? Yaweh nos teria rejeitado para sempre? (verso 7)

  • Ele já não mais será pronto para nos ouvir e atender às nossas orações?

  • Ele nunca mais estará contente quando O buscarmos, mesmo ao som simultâneo, às vezes em uníssono dos clamores de toda a congregação? Ele sempre nos amou e demonstrou-Se afável em inúmeras vezes para conosco…

  • Mas como? E quanto às Suas santas e benditas promessas, não estão mais de pé? Não se cumprirão jamais? (verso 8)

  • Ele que sempre foi benigno, o que será que aconteceu com a Sua benignidade?

  • Ele deve estar muito zangado conosco, e a Sua ira pode estar abafando as Sua misericórdias… não seria assim?

Asafe chega a dizer para si mesmo: -”Deus mudou a maneira de tratar com o Seu povo, e por isso não irá mais nos ajudar como antes.” (verso 10)

Em dado momento, porém, quase esgotado, o salmista pára de lamentar-se e de chorar as suas mágoas. Algo sobe do profundo de sua alma, coisas que estavam bem lá no fundo, coisas que jamais poderiam ser apagadas da sua memória, nem a mais terrível tribulação.

É impossível suplantar-se aquilo que Deus já fez; não há nada que possa apagar os Seus feitos realizados no decorrer da História. Cada manifestação do Seu poder deixou marcas indeléveis. Tais impressões saltam por sobre as circunstâncias de então e estas trazem consigo um rasgo de esperança, um raio de luz que penetra em seu espírito, que espanca e vence as trevas de seu coração.

Como foram magníficos os atos do poder de Deus, manifestos em favor dos Seus escolhidos! Obras impressionantes, impossíveis aos homens, foram realizadas, mostrando a todos que Ele é muito mais poderoso do que tudo quanto se conhece neste mundo, e já demonstrou isto por várias e inúmeras vezes…

Yaweh é o seu nome, que Ele deu a Si mesmo. Ele é diferente, muito diferente de todos seres humanos. Ninguém jamais poderá comparar-se com Ele moralmente, santo, puro, perfeito, imaculado, dotado de um poder inigualável… Sua justiça é incontestável; Sua sabedoria, insondável; Seu amor é a delícia das delícias, intenso como ninguém mais tem ou terá para oferecer. Não! Não há deus tão grande, magno e maravilhoso como o nosso Deus! (verso 13)

Quando Ele veio e pousou seus pés sobre o monte da revelação da Sua Lei, a terra se abalou e tremeu; nuvens grossas e escuras envolveram o pico daquela montanha; relâmpagos cruzaram o céu, iluminando o mundo; trovões ribombaram de tal forma que expectadores desse espetáculo tremeram, e temeram por suas vidas, e não quiseram aproximar-se dEle.

A saída do Egito já tinha sido fantástica; um sonho que parecia ser impossível de se realizar, mas se concretizou, porque Ele saiu do Céu para ir salvando o Seu povo.

Ao serem cercados e acuados pelo exército do Faraó naquela praia junto ao mar Vermelho, Ele fez com que as águas se repartissem (verso 19); ainda que Ele estivesse invisível aos olhos humanos, tomou a Israel pela mão, usando apenas a boca de dois homens limitados como todos os demais, Moisés e Arão. Eles profetizaram, o povo os ouviu, e o restante Ele fez conforme a Sua palavra. (verso 20)

Pergunto, pois: quais as imagens que você guarda na sua memória agora? As ruins ou as boas?

Devido aos altos e baixos desta vida, todos veremos momentos bons e maus, que nos produzem flashes que nos vêm aos nossos pensamentos, ora uns, e ora outros.

Os bons momentos, leve-se em conta, direta ou indiretamente, foram permitidos ou concedidos por Deus. O Seu amor os fez chegarem até nós.

Quando, porém, chegam os maus dias, não devemos nos permitir que estes apaguem o brilho daquilo que nos foi dado vivermos para a nossa alegria. Quando aquelas alegrias que tivemos anteriormente se forem embora, tenhamos em mente que se as nossas esperanças e a nossa fé estão firmadas nas promessas divinas, ainda podemos esperar por uma virada, pois Deus é fiel, e tem prazer em oferecer vitórias aos Seus filhos.

Leia a Bíblia e verá quantas viradas Ele já fez acontecer para aqueles que nEle depositaram as suas esperanças.

Se porventura sentimos que de fato chegamos ao ocaso da vida e que as nossas esperanças não mais podem estribar-se no tempo breve que nos resta aqui, tenhamos, pelo amor do nosso Pai Celeste, a certeza de que a nossa vida futura, depois desta, nos espera com recompensas inefáveis, no Seu reino cheio de luz.

Não pensemos que o fim desta jornada terrena é o fim de tudo. Não é! O apóstolo S. Paulo bem nos avisou que… “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Coríntios 15:19)

As alegrias desta vida são passageiras, e esta efemeridade nos aponta para uma verdade que diz que temos que andar amparados por fé, e não por vista, e nem por sentimentos.

Jesus nos observa do Céu e procura nos mostrar a porta que conduz à vida eterna.

Jesus é o maquinista do longo e grande trem que conduz aos que pela fé engatam o seu vagão à Sua locomotiva, e seguem para a Nova Jerusalém. Vamos lá! Façamos isto! Não há outro melhor do que Ele, e nem semelhante. Não há outro igual e nem paralelos.

Eis que este trem está passando por toda parte. Quem tem corações abertos para o Espírito de Deus, poderá não vê-lo, mas ele é real, e com toda certeza poderá embarcar nele pela fé.

Mas como está escrito: as coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam, mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”. (I Cor. 2:9,10)

Não tenha medo. Afaste de si todo o preconceito contra as coisas de Deus, porque estas diferem muito das desta Terra; as que são de Deus durarão por toda a eternidade. Não se pode compará-las com estas que aqui vemos, e, decidindo toda a questão, as de Deus são as incomparavelmente melhores.

Aonde você deseja investir tudo o que tem? Em algum patrimônio terrestre? Veja bem, pois que o patrimônio celeste é muito mais excelente e duradouro. As riquezas desta vida terrena ficarão aqui, assim atestam as sepulturas.

Esqueça as tristezas da vida. Estas um dia irão passar. Apegue-se a Quem pode dar-lhe uma vida mais abundante e prazerosa: Jesus, o Cristo. Céus e Terra podem passar, mas Ele não passará.

Juntemo-nos a Ele, e conheçamos as alegrias que nunca mais cessarão.

Comece hoje mesmo. Agora. Ore agora a Deus, e peça-Lhe esta vida abundante e especialíssima. Ele a tem nas mãos para lhe dar. Creia, confie e veja o que Ele fará em sua vida.


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