ESTER – IV – QUANDO INIMIGOS SE LEVANTAM

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mayo 19, 2020 by Bortolato

Ester capítulo 3º

Essa é a hora de pedir socorro. S.O.S. Salve-se quem puder!

É até comum que pessoas de bem, que não desejam o mal a quem quer que seja, vivam descuidados, inocentemente fazendo ideia de que os outros também são assim, mas isto não deve ser adotado como uma constante perspectiva de vida, pois inimigos não faltam, eles certamente se levantarão em algum momento.

Ingenuidade é pensar que os maus não existem, e que todos seres humanos são bons por natureza. Olhem-se as crianças que restaram órfãs, principalmente por onde passou uma guerra. Como disse Jean Jaques Rousseau, “a natureza forma, mas também deforma”.

Por falar em guerra, teólogos do XIXº século tinham a tendência de atribuir uma bondade utópica dentro da natureza humana. Argumentavam que Deus é bom, e foi Ele quem nos criou, mas ignoraram que a nossa raça foi contaminada pelo vírus do pecado. Quando, pois, chegaram os primeiros cinquenta anos do século XX, duas Grandes Guerras abalaram o mundo, e então essa tendência se foi, dando lugar a uma terrível realidade, que abre os olhos para o fato de que o bicho homem é contaminado pela maldade.

Se então alguém diz que não tem inimigos, quem dera que assim de fato fosse. Seria muito bom, mesmo, mas não devemos fechar os nossos olhos e esconder nossas cabeças debaixo da areia, como dizem que assim fazem os avestruzes.

Cada um de nós tem uma alma, um espírito, da qual um anjo caído, Satanás, é o inimigo número um. Quem é esse indivíduo? Alguém que ousou rebelar-se contra Deus lá no lugar da altíssima morada do Senhor do Céu de da Terra. Lá onde Deus assentou o Seu alto e sublime trono,esse tal anjo caído, com suas mentiras e insinuações conseguiu envolver um terço dos demais anjos que Deus criou, ao ponto destes terem que dali serem expulsos.

Até no Céu houve atentados de inimigos; imagine aqui nesta Terra sobre a qual foi lançada a maldição do pecado ( Gênesis 3:17-19).

Em Mateus 4:1-11 lemos que quando Jesus veio a este mundo, Ele foi sondado diretamente por Satanás em três tentativas. Se até o Filho de Deus teve que lutar contra o Seu e nosso inimigo, que se dirá de nós, por melhor que sejamos?

O problema é que esse inimigo não se dá por vencido após sua terceira tentativa baldada. Se ele tiver chance, tentará a quarta, a quinta, a décima, a centésima, a milésima, ou “ene-ésima” vez.

Contam-nos os autores dos Evangelhos que Jesus foi quase morto a mando de Herodes, logo depois de haver nascido (Mateus 2:16); quase foi lançado abaixo do cimo de uma montanha junto a Nazaré (Lucas 4:29,30); e quase apedrejado por duas vezes (João 8:59 e 10:31) pelo povo – isto porque Satanás é o príncipe deste mundo, que jaz debaixo de seu domínio como usurpador. A presença de Jesus neste mundo é o maior problema de Lucifer.

Se lermos bem todo o livro de Salmos, iremos nos deparar aqui e ali, constantemente a queixa do autor, que coloca diante de Deus a presença de inimigos que se levantam por todo lado. Parece que o Salmista não tem sossego. Qual é o problema?

O problema reside no fato de que todo aquele que vive neste mundo e busca a Deus para ser seu Guia, já tem Satanás como inimigo, bem como o mundo enquanto esquematizado de acordo com os procedimentos do anjo caído. Destarte, este é mais um inimigo que temos que enfrentar: o mundo.

A morte também é uma maldição, que dá o ensejo de nos separar de nossos entes queridos que aqui encontramos.

Desta maneira, se alguém acha que não tem inimigos, pois tome muito cuidado, porque está sendo iludido pelo príncipe das trevas. Infelizmente, uma visão imediatista e material desta vida preferirá então viver fazendo parte das obras de Satanás, e assim andando conforme a vontade desse príncipe das trevas. Espaçoso é o caminho e larga a porta que conduz à perdição, e são muitos que entram por ela.

É muito bom salientar que o inimigo de Deus é inimigo da verdade, e portanto mente usando de muitas maneiras para insinuar que vale a pena passar para o seu lado. Acontece que o mentiroso vive espalhando por aí que ele é que é o maioral, e que os seus asselas e associados humanos não sofrerão perseguições, e serão vitoriosos em suas carreiras, que mesmo tendo vida impiedosa e suja, sempre passarão por cima das dificuldades , folgando e usufruindo de todos os prazeres deste mundo material. E mais: propagando esta visão distorcida da realidade espiritual, ele consegue engrossar as suas fileiras ímpias.

Realmente, com seus discursos de empolgação, muito embora vazios de uma visão mais acurada, ele chega a enganar a muitos, pois os homens gerados aqui nesta Terra geralmente nascem e crescem despidos de um discernimento espiritual completo para os alertar quanto a isso.

Antes de tudo seria de muito bom alvitre que se abrissem os olhos de todos, de forma que vejam que os que buscam refúgio à sombra do reino das trevas está, com isto, fazendo-se um inimigo de Deus e de todos quantos adoram ao Altíssimo – e estes últimos são milhares de milhares e milhões de milhões – portanto os partidários do príncipe das trevas estão em minoria, embarcando em uma nau prestes a naufragar. Cuidem-se, pois, para não caírem na lábia do produtor de ilusões e de suas promessas.

O pior, porém, ainda está por vir quando terminar esta vida, pois terão que enfrentar o Supremo Tribunal do Céu, e depois de apurado e exposto tudo quanto fizeram nesta vida, terão de enfrentar uma pena eterna. Realmente, isso não vale a pena. A mídia deste mundo não divulga isto, mas essa é a realidade.

Eles gritarão desesperados – “Como pode ser isto? Como pude parar neste lugar? Se Deus é bom, por que fui então condenado? Se Ele é sempre longânimo, por que o deixou de ser, logo comigo?”

Estes esquecem-se de que Deus é justiça, e a História Sagrada revela que há grande recompensa para os bons, e terrível destino para o maus.

Não estamos usando de pura teoria, ou de meras palavras vãs, ou de pura filosofia, fruto de uma ficção, tal qual as lucubrações que se podem observar neste mundo. O que afirmamos é pura realidade.

Se ainda duvida, quer ver um caso, uma história da vida real, apenas um, em que um homem usado por Satanás se deu mal?

Na verdade, na Bíblia existem vários, mas vamos nos deter em apenas um desses.

Uma das provas de que Deus exerce justiça nesta Terra está escrita no livro de Ester.

Comecemos pelo capítulo 3º de Ester, e depois iremos adiante no mesmo livro.

O povo de Deus que havia sido castigado por sua má conduta, veio a ser exilado para a Babilônia, e tiveram seus sonhos destruídos quando em 586 A.C foi destruído o Templo e a cidade de Jerusalém. Malgrado esse castigo tenha durado por anos a fio, um dia, em 538 A.C o reino babilônico foi tomado totalmente pelo reino da Pérsia, sob o comando do rei Ciro, o qual em 538 A.C permitiu que os judeus pudessem voltar a Jerusalém, para reconstruir o Templo do Deus de Israel.

Alguns judeus, porém, decidiram não regressar à sua Terra Prometida, por razões múltiplas: educação de filhos, negócios, casamentos, empossamento em cargos de confiança do reino persa com irrecusávels responsabilidades, e outras coisas mais. Estes judeus puderam perceber que, por causa do tipo de vida que levavam, celebrando a Páscoa, orando em voz alta, e separando-se de certos costumes dos povos, eles eram observados, marginalizados, e muitas vezes odiados – e, por este motivo, não revelavam suas origens por qualquer motivo, e a quaisquer pessoas.

Por cerca do ano 478 A.C., quando reinava sobre a Pérsia o imperador Assuero, também chamado de Xerxes I, que reinou de 486 a 465 A.C, eis que este decidiu casar-se com a jovem Ester, assim chamada pelo seu nome persa, mas que na verdade se chamava Hadassa, nome que recebeu de seus pais, descendentes da tribo de Benjamin, e dos exilados que vieram para a Babilônia em 586 A.C. Ocorreu tudo muito bem, com o detalhe de que Ester não havia revelado a ninguém da corte persa que ela era descendente de israelitas, que haviam sido deportado juntamente com os judeus.

Ester havia sido criada por seu primo, Mardoqueu, pois que ela havia ficado órfã quando criança, e este a tratava como se ela fosse realmente sua filha. Cresceu, portanto, seguindo as tradições da Lei de Moisés, dentro de um forte temor ao Deus de Israel.

A coroação de Ester levou-a a uma conquista muito cobiçada por muitas jovens que gostariam imensamente de ocupar o alto posto ao qual ela logrou alcançar. E assim, ela vivia restrita à casa das mulheres do rei Assuero, bem rodeada e servida por servas e servos eunucos da confiança do rei, mas gozando de muitas regalias e privilégios à altura de uma rainha da Pérsia.

Este casamento misto, entre um rei idólatra e uma jovem temente ao seu Deus Yaweh, muito embora tenha obedecido a protocolos próprios de um povo distante da Lei do Senhor, estava sendo bem cuidado e observado pelos olhos do Deus dos Exércitos, e assim foi.

Aconteceu, porém, que dentre os conselheiros do rei Assuero, um homem chamado Hamã veio a galgar a importante posição de primeiro ministro, ao cabo de poucos anos. Esta sua ascensão deu-lhe o condão de usar o anel do rei para expedir os decretos que achasse de relevância ou até de sua conveniência, bastando para isto que seus argumentos convencessem ao monarca para assumir seus propósitos como se fossem decisões ruminadas e tomadas pelo próprio trono da Pérsia.

Quem era esse homem, chamado Hamã? Quais eram as suas origens? Suas crenças, e seus métodos de tratar com os que julgava serem seus inimigos?

A Bíblia o menciona como sendo “filho de Amedata”, e “o agagita”. Segundo Josefo (Antiguidades, XI. 6. 5), este último adjetivo se refere a um amalequita, presumivelmente descendente de Agague, um antigo rei dessa nação.

Os amalequitas foram descendentes de Amaleque, filho de Elifaz e neto de Esaú, aqueles não respeitaram e nem se incomodaram em estarem atacando e ferindo um povo a quem o Senhor Yaweh havia tirado do Egito com mão fortíssima de poder. Na época, cerca de 1.491 A.C., o povo estava acampado em Refidim, de onde houve o milagre da água que verteu da rocha. O ataque decerto foi para repelir os israelitas dali, de modo que aquela fonte de águas ficasse sob o poder dos amalequitas. O povo de Israel, recém liberto dos chicotes dos feitores do Egito, mal sabia como defender-se, e para reverter essa situação, o Senhor milagrosamente deu vitória aos israelitas enquanto Moisés levantava a sua mão do alto de um outeiro (Êxodo 17:8-13).

Tal invocação do profeta de Deus movia os Céus a agirem em favor de Israel, de modo que os amalequitas de então foram vencidos, mas a atitude destes inimigos do povo do Senhor foi mais que uma questão entre essas duas nações. Todos à volta ficaram sabendo da passagem pelo Mar Vermelho sob a ação poderosa da mão de Yaweh, e os amalequitas não pesaram o fato de que estavam ferindo ao povo a quem Deus libertou, e os estava guiando pelo deserto. Ferir ao povo de Deus é ferir também a Deus.

O caso parece ter definido as coisas : amaleque desrespeitou ao Senhor, antes de desrespeitar a Israel, e seu ataque foi covarde, sem motivo justificável, e desafiador. Como julgamento divino, Amaleque deveria ser riscado do mapa (Êxodo 17:14 e Deuteronômio 25:19).

Amaleque, pois, foi definido como um inimigo de Deus, e como tal, deveria ser extinto, através das mãos do povo de Israel. Em I Samuel 15, o Senhor ordena a Saul que atacasse de forma a exterminar com os amalequitas. Saul não foi fiel nesta tarefa, e muito embora tenha feito um trabalho extensivo, não os exterminou, e ainda poupou ao seu rei, Agague, de quem se entende que Hamã descendeu.

Em I Samuel 30 lemos que por cerca de 1.010 A.C., os amalequitas invadiram a Siclague, cidade que na época era moradia dos homens de Davi, durante a ausência destes, e saquearam tudo, levando as mulheres e crianças. Davi os perseguiu, e os alcançou, livrando as famílias israelitas, e ferindo-os a todos quantos pôde defrontar – mas quatrocentos jovens amalequitas puderam fugir montados em camelos. Isto significa que apesar de vencidos e quase exterminados, eles continuaram a viver como povo nômade, sempre planejando o mal para os povos a quem odiavam.

Esses amalequitas tornaram-se ferozes inimigos de Israel e do Deus de Israel, que aliás é o único Verdadeiro Deus, pois os demais intitulados de deuses não passavam de plágios imitadores, sem a qualificação necessária para assim serem denominados. Os chamados de deuses, na verdade eram demônios que assumiam versões diferentes, de acordo com o histórico cultural de cada povo com vistas a receberem adoração (I Coríntios 8:4 e 10:19-20).

Quando da diáspóra dos judeus, através da invasão babilônica a partir de 606 A.C., outros povos também foram deportados, e miscigenados. Os amalequitas também sofreram com aquela invasão, e migraram para outras terras onde procuraram adaptar-se dentro da cultura dos seus dominadores, mas o ódio para com Israel continuava fervendo em suas veias, profundamente enraigado em seus espíritos. Nem o tempo conseguiu desfazer aquele preconceito racial.

Eis, então, Hamã, um amalequita, dotado de grandes poderes e exaltado com grande honra pelo rei Assuero, com a faca e o queijo em suas mãos, ansioso por ver correr o sangue judeu em todo o Império Persa, de 127 províncias, desde a Índia até a Etiópia.

Era uma questão de tempo, e de oportunidade para realizar seu intento macabro. Seu espírito estava armado, e aguardava a chance de armar a população contra os filhos de Jacó. Bastaria uma ação da pena de escritor, selada com o anel do rei nas mãos de Hamã.

Resumimos o final dessa conjuntura histórica, lembrando que outros povos que também oprimiram a Israel foram julgados, e à medida que o Senhor enviava juízes, homens inspirados e visitados pelo Espírito divino, todos estes foram vencidos e alguns deles dizimados. Foi o caso do povo da Mesopotâmia, chefiado por Cusã-Risataim (Juízes 3:7-11), Moabe, chefiados por Eglom (Juízes 3:12-30); os filisteus (Juízes 3:31; 11:1-40; 14 a 16; todo o livro de I e II Samuel); os midianitas (Juízes 6 e 7); os amonitas, os egípcios, que foram seus escravizadores, e muitos outros povos da mesma maneira, de modo que os amalequitas foram apenas uma parcela de gentes que se voltaram contra o povo do Senhor Yaweh.

Os judeus não somente sobreviveram à trama de Hamã, como estão vivos até o dia de hoje. Depois desse episódio da sua história, ainda vieram a Jerusalém para a reconstrução dos muros que haviam sido derrubados.

Em 444 A.C o rei Artaxerxes concedeu a seu copeiro a autoridade para ir a Jerusalém e reconstruir os seus muros, e assim o povo de Deus voltou a poder adorá-lo com liberdade em sua própria terra.

Esta escolha e chamada de Deus ao povo judeu, porém,não foi uma discriminação bairrista, pois hoje algumas coisas mudaram.

Com o advento de Cristo, uma nova página foi aberta, e todos os povos são convidados a pertencerem ao único verdadeiro Deus, Criador, Provedor, e Salvador. Não há mais barreiras de fronteiras ou de raças. Todos foram convidados – Cristo é o paradigma, o padrão e a esperança para todo aquele que nEle crê, e assim, de todos os povos há os que O seguem, fieis, sem hesitação, e sem voltar atrás. A estes também é estendida a mesma proteção que foi dedicada a Israel, pois não há mais distinção entre judeus e gentios – mas nem todos deste mundo atendem-Lhe ao convite, que tem embutida a salvação e a vida eterna.

Hoje o povo que segue a Cristo é a menina dos olhos de Deus, e quem toca em Seu povo, toca na sua própria menina dos olhos (Zacarias 2:8). Têm os seus nomes escritos na palma das mãos de Deus (Isaías 49:16). E mais: estas promessas não se limitam somente a esta vida terrena, pois continuam firmes e continuarão por toda a eternidade.

Como podemos ver, não há como evitar sermos perseguidos por inimigos neste mundo, mas podemos ter ao Senhor, Deus que escolheu Israel, para ser o nosso Deus, e Ele passará a ser o nosso defensor.

Há porém um único caminho para tanto, conforme disse Jesus:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.”

Vamos pois a Jesus, e o Deus Todo-Poderoso será um escudo de proteção contra os inimigos. Para isto Jesus morreu, em nosso lugar, para que fôssemos justificados diante do Pai.

Precisamos ir a Ele, comprometermos nossas vidas com Ele, e o futuro será indizivelmente maravilhoso, com ou sem lutas e provas neste mundo aqui, pois Ele promete nos aliviar o nosso fardo, à medida que aprendemos humildemente, como Ele foi humilde e manso de coração.

Ele está entre nós, e vive. Ele ressuscitou, e os que nEle crerem, ainda que um dia venham a morrer, também um dia receberão a ressurreição e a vida eterna.

Venham todos a Jesus, o Filho de Deus, o nosso Salvador.


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