I REIS – XI – QUE MORDOMOS SOMOS NÓS?

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marzo 12, 2017 by Bortolato

I REIS – XI – QUE MORDOMOS SOMOS NÓS?

Quais as possibilidades que temos às nossas mãos?   Estas podem ser poucas ou muitas, mas a questão é: estamos fazendo as escolhas certas para administrá-las?   Dependendo da resposta que daremos, se esta for sincera, estaremos sendo incluídos no rol dos bons ou no dos maus mordomos de Deus.

O autor do Salmo 62:10 nos recomenda: “se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração”…

Muitos ambicionam tornar-se ricos, aliás, riquíssimos.   Alguns o fazem trabalhando muito, ao ponto de até sacrificarem a própria família, menosprezando até aos que o amam.   Outros se dão a atividades ilícitas, como o tráfico de drogas, explorando o ramo da dependência química ou psicológica dos que caíram nas garras do vício.   Outros cobiçam e roubam o que não lhes pertence.  Não é preciso muito para entendermos que a vida destes não vale a pena e o seu fim tem sido fadado a uma guerra onde as recompensas são muito efêmeras e os custos são escessivamente altos.

Deus seria totalmente avesso aos ricos?   No caso, seriam proibidos os frutos obtidos nessa constante busca que mais se parece com uma corrida de obstáculos onde poucos têm tido sucesso?

Não podemos dizer que o Senhor do céu e da terra seria contra homens e mulheres se enriquecerem, pois que Ele mesmo é o maior rico de todos os tempos neste universo infindo, mas há um porém… ou dois, ou mais!

O autor do livro de Provérbios escreveu:

“A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores” (Pv. 10:22)

“O homem fiel desfrutará de ricas bênçãos, mas quem tem pressa de enriquecer não ficará impune.”  (Pv. 28:20)

Por outro lado, o apóstolo S. Paulo escreve em I Timóteo 6:10 que  “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.

O próprio Senhor Jesus advertiu:

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Lucas 9:25)

Sabemos que tanto Abraão, como Isaque e também Jacó foram pessoas muito prósperas, e apesar disso não se deixaram iludir e perder-se por causa de suas riquezas.

O rei Davi também foi muito rico, e seu filho Salomão mais ainda; contudo, o encantamento que as riquezas produzem nos homens traçou histórias diferentes entre ambos.

Tudo o que Davi tinha era apenas uma parte, e na verdade uma menor parte, comparado com o que ele dedicava ao seu Deus.   Não há como se precisar isto quanto a números exatos, mas ele sabia que sua vida, por várias vezes, esteve ameaçada por sérios riscos e por isso sabia bem como valorizá-la como uma dádiva preciosa do Céu, acima de todas as riquezas deste mundo.

Salomão, o autor do livro de Provérbios, recebeu muito mais em riquezas e em sabedoria do que o seu pai, mas existe uma máxima que diz que “aquele a quem muito for dado, muito será exigido”…

A fama da sabedoria e riquezas que Salomão possuiu foi tão grande, que muitos reinos da região do Oriente Médio ficaram cientes acerca da mesma, só por ouvirem falar.  Naquela época não havia jornais, revistas, máquinas fotográficas, gráficas, televisão e muito menos a internet, mas ainda assim as notícias corriam o mundo.

Salomão recebeu das mãos divinas um reino em ascensão econômica de tal modo, que o ouro correu em grandes proporções pelo seu império, ao ponto de desvalorizar a prata.  Sua fidelidade a Deus (enquanto esta durou), adicionada à promessa feita a Davi foi a causa primeira dessa prosperidade.

O comércio estava muito aquecido naqueles dias.   Naus buscavam muito ouro de Ofir, lugar que não se definiu ao certo e cabalmente onde era sua localização.   O que acontecia é que Israel extraía muito cobre da região do Arabá, e isto lhe dava ensejo para trocá-lo por muitas mercadorias, e dentre estas, muitos artigos de luxo.

O resultado destas bênçãos tão copiosas atraía o interesse de muitos povos com relação a Salomão e Israel.   Um desses casos foi o da rainha de Sabá.

A rainha de Sabá foi uma dessas em quem se viu uma grande curiosidade a respeito do filho herdeiro do trono de Davi, e decidiu fazer uma incursão diplomática até Jerusalém – provavelmente estava visando a algum acordo comercial.

Sabá, ou o reino dos sabeus, ficava originalmente ao sudeste da península arábica, em uma região também próspera, jungo ao Mar Vermelho, onde hoje poderíamos localizar mais ou menos na atual região do Iemen.   Sabe-se, porém, que os sabeus também colonizaram terras na Etiópia, de modo que alguns veem a rainha de Sabá também como a rainha da Etiópia.

O fato é que esta rainha, tendo ouvido falar acerca do reinado de Salomão, ficou muito interessada em conhecê-lo, principalmente no que diz respeito à sabedoria daquele rei.

Ela se preparou muito bem para lograr sabatinar a Salomão com questões difíceis, e muniu-se de uma grande comitiva, com camelos que vieram carregados de muitíssimo ouro, e pedras preciosas.   O brilho daquelas joias parecia hipnotizar a qualquer um que se deixasse encantar pela sua beleza, mas em meio a tantos presentes caríssimos, vieram as perguntas que eram feitas de encomenda para testar o conhecimento e o tirocínio do rei Salomão.   Era o tipo de teste em que grande parte dos que fossem testados seriam reprovados, mas isso não foi em nada difícil para o rei de Israel.

Deus o dotara de grande inteligência e isso ficou notório não somente dentro dos limites da sua nação.   Como arautos de boas novas levassem a notícia, outros povos ficaram sabendo que havia um rei sábio sobre a Terra.

I Reis capítulo 10, verso 1º nos diz que a tal rainha ouvira falar da fama de Salomão com respeito ao Nome do Senhor Yaweh, e por este principal motivo formulou-lhe perguntas tidas como difíceis para o nível que estava ao seu alcance.

A sabedoria vinda do alto mostra-se mansa, condigna no procedimento, revelando por suas obras a sua origem.   Segundo o pastor Tiago, da igreja primitiva de Jerusalém, irmão na carne do Senhor Jesus, a sabedoria do alto é pura, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e bons frutos, imparcial e sem fingimento (Tiago 3:13-17).

As gentilezas diplomáticas foram em muito excedidas no encontro da rainha de Sabá com o rei Salomão.   Ela trouxera 120 talentos de ouro, o que significam cerca de quatro toneladas e meia, além de especiarias em abundância, tais e quais não se conhecera antes em Israel.

Como que em um protocolo de troca de gentilezas, Salomão dera à rainha de Sabá algo equivalente em valor ao que ela trouxera, e ainda muito mais, de tudo o que ela desejou e pediu.

O reino de Salomão recebia anualmente cerca de 25 toneladas em ouro (666 talentos) a título de impostos e taxas, tributos que eram cobrados de todo o povo de Israel e das nações que lhe eram subservientes.   Com tanto ouro assim, ele veio a ostentar duzentos escudos grandes de ouro batido, e trezentos escudos menores, os quais davam uma ligeira mostra de sua glória, uma vez que o ouro não é metal adequado para escudos de guerra e de combates, mas serviam para projetar uma imagem de um reino rico e cheio de esplendor.

Assim, o rei Salomão tornou-se em um ícone, alguém que por sua sabedoria e riquezas excedia a todos os reis de seu mundo e época.   Ele recebia muitos presentes especiais na forma de prata, ouro, roupas, armaduras, especiarias, cavalos e mulas.   Isso, ano após ano!

Com tamanha cavalaria comprada e trazida do Egito e da Cicília, o reino de Israel se fortaleceu e equipou-se também com muitos carros semelhantes às bigas, que vieram mais tarde a ser remodeladas e adotadas pelos gregos e romanos.

Se Salomão tivesse adicionado à sua versátil sabedoria o temor do Senhor, como ele mesmo escrevera em Provérbios 9:10, reforçando a tese de Jó (Jó 28:28), então teria tido o cuidado de não se deixar encantar pelos valores deste mundo, como está escrito em Deuteronômio 17:16-17:

“Não poderá ele (o rei), no entanto, acumular cavalos para si, nem fará  voltar o povo ao Egito para conseguir mais cavalos; pois o Senhor vos disse: Nunca mais voltareis por este caminho.  Também não  tomará para si muitas mulheres, para que seu coração não se desvie; nem ajuntará para si muita prata e ouro” 

Pois é, tendo diante de si disponibilizada tanta fartura e abundância de negócios e oportunidades, Salomão pecou, porque:

A – colocou o seu coração em adquirir muitos cavalos, e ainda os trouxe do Egito, coisa que desagradou a Deus.

B – impondo pesados tributos ao seu próprio povo, tornou-se inconveniente para os seus, especialmente para as tribos ao norte de Israel, que mais tarde cobrariam tais excessos da pessoa de seu filho, Roboão, seu sucessor no trono –  o que desencadeou uma longa guerra que terminou com o estabelecimento da divisão entre o norte e o sul de Israel.   Os tributos lhe trouxeram muito ouro, mas isso também não foi para o bem.

C – O pior dos pecados de Salomão: mulheres, literalmente, mil mulheres!  Que loucura!  Onde estava a sua cabeça, quando se envolveu com tantas?    Perdeu o juízo!   Nem os mais afamados playboys do mundo chegaram a tanto!  Aonde ficou o conselho da mãe do rei Lemuel, dado a seu filho  (Provérbios 31:3)?  Isto parece até uma piada!  Alguns diriam que este absurdo só poderia ser contado como uma lenda, mas as Escrituras Sagradas apontam para este ponto como um fato, um fato consumado, e ainda fornece as estatísticas: ele teve setecentas esposas (uma só já não lhe seria o suficiente para lhe dar motivos para preocupar-se e esquentar suficientemente a cabeça?) e trezentas concubinas!    Não bastassem todas aquelas centenas de esposas, ele ainda quis ter mais outras centenas de concubinas!    Esse rei Salomão devia ter sido um fenômeno à parte, em matéria de taxa de testosterona!   Como pôde?    Na realidade, é duvidoso que ele tenha possuído fisicamente a todas elas, e alguma mulher deve ter-se sentido insatisfeita em apenas desfilar, e nada mais, como numa passarela de um desfile de modas, diante do rei de Israel – e, com tantos problemas a serem resolvidos diante dos múltiplos negócios da sua nação, quando foi que ele arranjou tempo para tudo isso?  Aonde foi parar aquela sua exuberante sabedoria, que não logrou afastá-lo de tamanho erro?

O que lhe acarretou ceder a tão mirabolante sonho de amor Eros sob desculpa de “política da boa vizinhança?  Melhor dizendo: o que lhe restou depois de tamanha estultícia?  Ao tornar-se idoso, quando os homens se tornam mais fracos, tanto física como em sua capacidade mental, sua moral se afrouxou, ao ponto de ceder aos apelos insistentes de tantas mulheres idólatras: moabitas, amonitas e de outras nações, chegando até a construir um santuário a Quemós, deus de Moabe, e a Moloque (deus que exigia sacrifícios de crianças no fogo, de acordo com Levítico 18:21; 20:2-5; 2º Reis 23:10; Jeremias 32:35; conforme 2º Reis 17:31).  A Lei de Moisés requeria a morte de quem quer que oferecesse  seu filho a Moloque, e Salomão erigiu um lugar alto a esse deus, em especial, sobre o monte fronteiro, a leste de Jerusalém, ou seja, no monte das Oliveiras (I Reis 11:7).   Não é de se admirar que Jesus tenha sofrido tanto ali, na noite em que foi traído…

O Senhor bem que advertiu aos reis de Israel para não se deixarem seduzir por muitas mulheres.   Mas umas novecentas delas o atormentaram e simplesmente conseguiram, provavelmente por exaustão, corromper o coração do rei – ora, pois, que lamentável insensatez!    Se uma só mulher como foi Jezabel, mulher do rei Acabe e sacerdotiza de Baal, conseguiu fazer tantos estragos espirituais em Israel…   Multiplique-se isto por mil!   Não poderia dar em outro resultado.   Salomão ficou totalmente desequilibrado, agiu totalmente fora de seu pleno juízo.   Depois desse seu exemplo, seu sucessor ao trono, Roboão, também acabou cedendo ao bezerro de ouro.

Salomão, desta forma foi, com certeza, o rei que obteve a maior glória para Israel, mas escorregou em pontos que ele mesmo anteriormente tinha defendido.

A jactância de ter sido o maior não lhe trouxe consequências saudáveis ao coração.

Dinheiro, casamentos, sexo, fama, política e colocar a sua segurança em armas e cavalos, tudo isso lhe veio com abundância tal, ao ponto de esquecer-se e de perverter os valores de Deus, quais sejam, a fidelidade, a humildade, a temperança e a confiança acima de tudo depositada no Senhor dos Exércitos.

“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção no nome do Senhor, nosso Deus” . (Salmo  20:7)

Este é um exercício para apurar a nossa fé, esperança e paciência no Senhor:  pressões podem nos apertar, e estas de fato vêm com o aumento de riquezas, aumento do número de familiares, e de compromissos desta vida – mas quem conhece intimamente ao Senhor, jamais O esquecerá, e sua vida sempre terá um fio de prumo para ser edificada nEle.

Temos que ter consciência de que nada possuímos neste mundo, e por isso mesmo é que daqui nada levaremos.   A quem pertence a prata e o ouro?  Os empregados, os filhos, e as mulheres?  Carros e cavalos, casas, terras, e outros bens?    Nada é nosso, nem mesmo quando dizemos o “sim” perante o altar de Deus, aceitando uma esposa, e o mesmo podemos dizer quanto a esposos.   Tudo isso pertence a Quem os criou.   Se alguém quiser apossar-se de algo sem ter isto em mente, estará praticando um furto espiritual, e quem se vangloriar de ser proprietário de algo estará se expondo a ser um estelionatário perante o Reino de Deus.

Há um detalhe, porém, nesta história: quando aceitamos submeter-nos ao senhorio de Cristo, passamos a ser Seus mordomos, e então podemos dizer como o apóstolo Paulo:

“Tudo é vosso, vós de Cristo, e Cristo de Deus”

Maravilhosa e bendita é esta ligação que nos delega poderes:  nada possuímos, mas ao mesmo tempo, temos tantas coisas nas nossas mãos para cuidarmos.

Sejamos os bons mordomos do Reino de Deus, e benditos eternamente!


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