I REIS – XII – O DIA SEGUINTE DEPOIS DA ILUSÃO

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marzo 21, 2017 by Bortolato

Isto é o que os ilusionistas, os vendedores de sonhos multicoloridos, escondem: o preço a ser pago pelas ilusões.  Só o saberão os que se deixaram iludir, assim que se desfizerem tais ilusões.

Isto é o que os traficantes de drogas não dizem quando conseguem vender a sua mercadoria.

É como faz um vendedor de veículos novos,  limpos, encerados e brilhantes por fora, com sua cabine de bancos muito confortáveis, com um painel de direção cheio de instrumentos que mostram suas luzes em diferentes cores, com os acessórios dos mais modernos, com um motor potentíssimo, capaz de ultrapassar aos veículos mais velozes – mas…  Mas com um defeito que logo transformará o sonho realizado em um pesadelo para quem o comprar: uma ferrugem séria nas partes baixas do carro, comprometendo todo o seu chassis.  Basta remover-se os tapetes e carpetes, e o problema fica bem à vista de quem o queira inspecionar.   De que vale um veículo capaz de voar baixo, se este poderá a qualquer momento ser partido em dois, ou despedaçar-se completamente, pondo em risco a vida dos iludidos transportados?

Diremos que as drogas trazem uma das ilusões mais fortes neste sentido, mas há ainda outras coisas que têm um poder sedutor estatisticamente até mais extensivo.  Quais são estas?

Uma delas é a beleza das mulheres.   Dentro deste pensamento, veremos um exemplo, que foi clássico e muito conhecido do mundo todo.   Até de uma forma gritante O rei Salomão, homem extremamente versado nesta área, escreveu as palavras do rei Agur, que tinham sido ensinadas por sua mãe (Provérbios 31:30):

“A beleza é enganosa, e a formosura é vaidade, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será elogiada”.

Pena que o próprio Salomão tenha-se deixado enredar pelas tantas mulheres que conheceu.

Uma outra história nos deixou um alerta muito forte às nossas consciências:

Certa jovem muito linda, de rara e exuberante beleza, era alguém que um dia trilhava os caminhos do Senhor, servindo a Deus fielmente em sua casa e na igreja.  Ela se enamorou de um rapaz que tinha um sério chamado do céu para ser um ministro do Evangelho do Senhor Jesus Cristo.  Eles namoraram, e se casaram, e o jovem, seguindo o curso de seu chamado ministerial, tornou-se em um pastor, e ambos serviam a Deus com alegria.

Certo dia um “vendedor de ilusões” dela se aproximou e começou a tecer elogios frequentes a sua beleza, que realmente era bastante incomum.   Isso foi só o começo, o princípio de uma série de tentativas, pois o tal tinha um propósito escuso em seu coração: ele queria corrompê-la, e não poupou esforços e paciência para isso.

Em continuidade ao seu plano de galanteador, foi aos poucos minando-a, mostrando a ela o quanto estaria perdendo por ter sido fiel a Deus e a seu marido.

 – “V. poderia ganhar muito, com essa sua beleza…   Nem imagina o quanto…  É incomensurável o seu potencial… seria uma perda não aproveitá-lo…  não acha?”

A vida tem umas fases em que todos passamos por dificuldades financeiras.   Quem não as tem por vez ou outra?    E aí chegam os problemas de limitações que isso traz.  Não podemos dizer que isso não nos incomoda, até certo ponto.

Para ela, constantemente chegavam-lhe aos ouvidos as ofertas fazendo comparações: como eram as coisas, e como bem poderiam ser…

A jovem foi se sentindo tentada.  Achava legítimo sonhar em ser uma estrela de primeira grandeza, conforme as palavras que o tentador lhe mostrava aos olhos, formando aos poucos  um quadro previsto para o seu futuro.  Começou a olhar para o seu marido de então, sua casa, suas posses, suas dificuldades e achar que algo de importante lhe estava escapando das mãos, até que chegou o dia e… ela cedeu!

Ela se separou do marido e foi viver aquela ilusão que comprou do ilusionista.   Mas o seu sonho teve curta duração.

Sua carreira não logrou ser tão brilhante o quanto lhe parecia promissora.   Os anos foram chegando, e aquela beleza passageira a abandonou para o resto de sua vida, e com isto, também se apagou todo o brilho do seu sucesso, que desvaneceu como uma névoa que aparece pela manhã e com o correr do dia, retira-se e vai embora.

Ela terminou assim os seus dias, e então teve que enfrentar o Juízo de Deus após esta vida.   Aonde ela se acha agora?   Por não sermos os seus juízes, não poderemos definir bem o destino de sua alma, mas com certeza não é aconselhável estar na sua posição,  com uma triste expectativa do que ela viria a receber.

Diz um velho ditado que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” – portanto é nosso dever não ficarmos expostos a águas perfurantes com constância, porque isto certamente não acabará bem.

Em I Reis, capítulo 11, podemos contemplar o que aconteceu ao rei Salomão depois de ceder às muitas mulheres e à idolatria.  Sabe como foi o seu “dia seguinte”?

Salomão, que fora visitado por Deus em sonhos por duas vezes, ocasiões em que recebeu vívidas promessas condicionadas à sua fidelidade ao Senhor.   Recebeu honras, riquezas e sabedoria como nenhum outro de que se tenha notícia, ao que se sabe, pelo menos no seu mundo de então.  Depois dele, talvez Nabucodonozor tivesse chegado perto disso, nos quesitos de honras, poder e riquezas, mas não em sabedoria.

O rei Salomão casou-se por nada menos que setecentas vezes, com mulheres diferentes!  Incrível, não?  E teve, além dessas esposas, mais trezentas concubinas!  Não se sabe como ele conseguiu chegar a esta cifra!   Teve mulheres de várias nações vizinhas, que não eram fieis ao Senhor Yaweh, mas serviam aos seus deuses.  Para satisfazê-las, na velhice construiu templos e altares idólatras e encurvou-se diante dos seus deuses.

Em certa feita, o Senhor lhe falou então que lhe tiraria o reino e daria boa parte deste a um servo seu.

Que vantagem lhe deram todas aquelas mulheres idólatras?   Apenas alguns momentos de prazer, uma certa paz efêmera com povos vizinhos e uma porção de filhos.  Que mais?

Sim, depois disso, inimigos começaram a erguer-se do nada contra Salomão.  Hadade, o edomita, e Rezom, rei da Síria, foram seus detestáveis adversários em todo o tempo restante de seu reinado.

E não foi só!

Um homem valente, capaz e laborioso, chamado Jeroboão, ao qual Salomão colocara somo administrador dos trabalhos forçados, certo dia, saindo um dia de Jerusalém por um certo caminho, encontrou o profeta Aías. Este tomou uma capa nova e a cortou em doze pedaços, entregando dez dos mesmos a Jeroboão, significando que tal homem herdaria dez doze avos do reino de Israel.

Esta foi uma ação de Deus, que se cansara da idolatria de Salomão.

Ao saber disso, o rei Salomão ficou furioso e procurou até matar àquele seu servo.  À vista disso, Jeroboão fugiu para o Egito e ali ficou refugiado, até a morte do rei que o perseguira.

Salomão não se deu conta de que Jeroboão não era um problema pontual, mas sim, uma consequência do estado espiritual decadente em que se prostrara.

Jeroboão foi bem recebido por Sisaque, o rei do Egito, mas ao se cumprir a morte de Salomão, a profecia de Aías, na sequência, se cumpriu.  Dez tribos ao norte de Israel adotaram a Jeroboão como seu rei, para frustração e desencanto de Roboão, o filho herdeiro de Salomão.   E mais: o filho herdeiro, que ficou apenas com o trono de Judá, além de ter ficado com só duas tribos sob seu comando, cinco anos depois foi atacado por Sisaque, por quem foi assediado e derrotado.

Quanto vale ser fiel ao Senhor?   Deus está olhando do céu para a terra, procurando achar um justo.   Os anjos de Deus se empenham à busca de um homem ou mulher que sejam justos.  “Procura-se um justo!”  Assim procedem os anjos até os dias de hoje.

As recompensas à fidelidade ao Senhor só poderão ser bem avaliadas, se somadas com as da eternidade.  Isto se torna incalculável.   Ninguém poderá saber o quanto.

“Como está escrito:  As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração humano, são as coisas que Deus preparou para os que O amam.” (I Coríntios 2:9).

Se alguém quiser apostatar da fé, que saiba o grande erro que comete, pois tudo isso envolve ganhos e perdas que envolvem esta vida e a de além.

Se alguém quiser ser fiel, que espere no Senhor, e verá a diferença entre o que serve e o que não serve.

O que está longe dos olhos de muitos é que muitas  vezes estão tentando solucionar seus problemas, tratando-os pelos sintomas, e não pelas causas destes.

A idolatria é a causa de muitos desses problemas.  A Bíblia está repleta de advertências contra esta raiz do mal.

O que as pessoas podem ver são apenas os efeitos em suas vidas.  Trabalhar duro num jardim para cortar o caule de pragas daninhas, isso não resolverá nada; apenas dará uma enganosa ideia de que tudo voltou a ficar bem.  Ledo engano.

A cobiça dos olhos sobre as várias vaidades da vida foi o mal que levou Salomão às centenas de mulheres que o corromperam em sua velhice.  No livro de Eclesiastes, ele descreve como também se deu ao vinho, à loucura, à vaidade de ser autor de grandes obras, possuir muitas riquezas, muitas mulheres, muitos divertimentos e prazeres – mas tudo isso não lhe deixou senão um sentimento de insatisfação final.  Ele mesmo condenou em sua conclusão:

“Vaidade de vaidades, tudo é vaidade”  (Eclesiastes 1:1 e 2:3-11)

O vazio existencial lhe chegou ao coração como as sombras da noite.

Que adiantou a Alexandre, o grande, ter conquistado tantos povos para o domínio dos gregos?   No final, nada.  Ele só guerreou muito, matou muita gente, e depois… o seu fim chegou-lhe precocemente, de tal forma que nem pôde deixar a sua coroa para seu descendente.

Salomão se foi, assim como Alexandre, e as respectivas glórias que tiveram nesta Terra.  Mas e depois?  o que lhes veio depois?

No seu livro de Eclesiastes, Salomão resume sua vida de realizações.  “Viveu como um nababo”, seria uma expressão de pouca qualidade e quantidade para descrever como foi.   Viveu intensamente, sim.   Teve momentos bastante excitantes, mas vamos nos ater ao seu fim.

Talvez alguém esteja pensando que foi deslumbrante, mas poderíamos dizer isto?

Foi um “grand finale”?  Uma apoteose?  A imaginação das pessoas viaja em termos de maior abundância, maiores glórias, mais emoções compensadoras, tudo muito mais do que já tinha sido experimentado, o auge de sua carreira… mas não foi assim para Salomão.

Não foi um final crescente.  Pelo contrário.  Não foi com orgulho de tudo o que fez, apesar das grandes realizações.   O livro de Eclesiastes nos revela que não foi com sentimento de grande satisfação, com pompas sem fim, mas… com canseira e enfado, visualizando uma perspectiva que os jovens não gostam de vislumbrar: o dia em que terão que partir do mundo dos vivos.

Ele teve tempo de pensar bem e pesar tudo na balança.  O que fez e o que deixou de lograr.  Olhou para trás e viu que nem tudo que fez foi bom.

Dizem alguns que “nem tudo o que reluz é ouro”, e podemos acrescentar que “todo ouro do mundo não é luz”.  Ele desejou poder voltar atrás no tempo e fazer muitas coisas de modo diferente, mas isso não é dado a nenhum homem mortal.

Ao olhar para trás, ele pôde entender que melhor é para os jovens se estes se lembrarem do seu Criador nos dias da sua mocidade, nos dias de sua maior força e de seu grande potencial da vida – antes que a vagarosidade dos minutos do tempo os engane, e venham a concluir muito tarde que, na verdade, a existência passa muito rápido, e o que de melhor se pode fazer, dentre todas as coisas é:

“Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos…” (Eclesiastes 12:13)

“Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más…” ( Ecles. 12:14)

Hoje temos a revelação de Cristo, o Filho de Deus que Se fez homem, viveu e morreu para nos resgatar da condenação.   Que O busquemos e tenhamos uma vida cheia de grandes propósitos com Ele a nos guiar até o fim, e … uma grande e feliz eternidade aos leitores!


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