I REIS – XIV – E LÁ VÊM AS MODAS

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abril 9, 2017 by Bortolato

Tendências modais variam como as ondas do mar.  Os tempos passam e conforme passam, eles também mudam, e coisas novas vão acontecendo.

A história nos conta que a humanidade está sob constantes mudanças e nem sempre estas são  para melhor, muito embora haja centenas de promessas de que têm que acontecer para que os rumos a serem tomados possibilitem chegarem a um bom fim.  Mas será tão bom assim?

Se atentarmos para as tendências da moda feminina, veremos que cada vez é notório o quanto abusam de vestes sex appeal, achando que isso é natural, que é bom, que é assim que tem que ser, pois é assim que os institutos de pesquisas o demonstram.

Apelam porque acham que cada um tem que mostrar o que tem, e as qualidades espirituais – por sinal, aquelas que são menos chamativas, principalmente as das mulheres – estas é que ficam num segundo ou terceiro plano, de lado, muitas vezes totalmente esquecidas, como se nada significassem e não tivessem valor algum.

Eis aí o problema: qual é o valor espiritual que é imputado por Deus?   Melhor dizendo, dentro da escala de valores regidos sob a ótica de Deus, qual a importância de cada coisa, e como as avaliamos sob o nosso ponto de vista?   Ele é o Criador, o grande Provedor de recursos, e o grande Salvador, que tudo fez e faz para que o mundo entenda que só tem uma solução para seus problemas:   Ele próprio, o único Deus, digno de todo o nosso louvor, honras e glórias.

O livro de I Reis, em seus capítulos 12 e 13 nos aponta para um fato que ocorreu na história de Israel, o qual bem poderia ter sido evitado se os grandes nomes tivessem o cuidado de não cederem às tendências modais.

Depois de Samuel e Davi, isto é, depois de cerca de cento e vinte anos em que Israel, como nação, andou seguindo às palavras de Deus, reinou Salomão, o qual, para desventura sua e de seu próprio povo nos dias de sua velhice chegou a ceder à idolatria, apesar de todo o bem e das grandes bênçãos que recebera das mãos do Senhor Yaweh.

Morto Salomão, Roboão, seu hedeiro, teve de conformar-se com uma fatídica divisão do reino, o que foi uma obra que Deus operou, com o propósito de preservar ao povo de Judá de ser atingido e punido pelo mesmo mal a que se entregara o falecido rei.

Dez tribos de Israel Norte ficaram nas mãos de Jeroboão, filho de Nebate, o qual passou a governá-las após a declaração da independência do domínio de Judá.   Em que pese isso aparentar ser uma desdita, os registros históricos nos relatam que tal cisão foi profetizada por Aías, um profeta de Yaweh, como um passo que foi tomado pela direção do céu.

Jeroboão, então, assume a coroa de Israel Norte, debaixo de promessas e das mãos de Deus.   Yaweh quis assim, não porque a separação fosse de Sua plena vontade, mas porque o vírus da idolatria já havia invadido a terra, e estava permeando nas mentes de muitos do povo, como uma doença hereditária, e isso demandava algumas tomadas de decisão um tanto drásticas.   O pecado não poderia ficar impune, e a entrega de dez tribos a um israelita que não da descendência de Davi foi um “mal inevitável e necessário” para que o Senhor pudesse prolongar o Seu relacionamento com Seu povo, e além disso as Suas promessas sobre a dinastia davídica ainda estavam de pé.

Após a tomada do poder sobre dez tribos, aí então começaram a surgir problemas que um rei tem que resolver.   Isso é patente e previsível.  Um rei local teria que exercer múltiplas tarefas políticas e jurídicas, pois assim determinava o poder da coroa sobre sua cabeça.

Israel tinha oficialmente somente um Deus: o único, o grande Yaweh, que os tirou da escravidão do Egito, de um modo excepcionalmente marcante, surpreendente e sobrenatural.

Moisés, como profeta da libertação e da peregrinação pelo deserto, lhes deixara a santa Lei, que lhe fora revelada especialmente para pautar os caminhos que o povo deveria trilhar, a fim de que este último pudesse ter condições espirituais de ter o privilégio de caminhar com o Senhor Yaweh.

Na Lei de Moisés ficou bem claro e estabelecido que o povo deveria, pelo menos três vezes ao ano, celebrar festas de alegres louvores ao Senhor, seu único Deus, quais sejam: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos.   Isso não era típico de um modismo.   A Lei chegou para ficar, e não para apenas desfilar pela passarela, ir embora e dar lugar a uma outra moda.

O Senhor os advertiu: os Seus mandamentos, estatutos e preceitos eram perpétuos para Israel.   A Lei jamais deveria ser desrespeitada, nem esquecida, nem preterida, e muito menos abandonada.   A Lei do Senhor era para lhes reger em todo o tempo, sem nunca dar pausa por motivo algum  porque ela apontava para Ele, Yaweh, como o principal valor, a Pessoa Eterna, que nunca passa como uma moda, nunca morreu e sempre existirá.   Não havia motivos para Israel se desviar da atenção que devia dar a Ele.

Salomão, porém, acabou deixando um mau exemplo, pois que transgredira publicamente a Lei.  Cometeu o pecado da idolatria, que fere ao primeiro e ao segundo mandamento da Lei de Moisés.  Isto quer dizer que ofendeu frontalmente à Pessoa mais importante de sua história.

Como as modas deste mundo, que vão e vêm, reapareceu a idolatria.  Isso nunca deveria ter acontecido, mas veio como uma moda que ressurgiu, reviveu depois de muitos anos no meio do povo – e Salomão a legou pública e explicitamente, como aquela semente nociva plantada no espírito dos israelitas.

Jeroboão, por sua vez, aceitou, guardou e consigo levou aquela semente perniciosa, daquela moda ressurgida do passado, quando passou a reinar, em vez de Roboão, ao norte de Israel.

Jeroboão, carregando a semente tenebrosa da moda idólatra consigo, logo que passou a reinar, fez também por manifestá-la, a exemplo de seu ex-senhor Salomão.

Quando chegasse a Páscoa, ou o dia de Pentecoste, ou as semanas da festa dos Tabernáculos, o povo de Israel, em atenção ao prescrito na Lei do Senhor, com certeza iria a Jerusalém prestar seu culto ao Senhor Yaweh, e isto não foi visto com bons olhos pelo novo rei de Israel.   A divisão do reino já havia acontecido, mas o espírito religioso do povo não se tinha desligado de Jerusalém e dos dias de festas sagradas.

Então haveria um movimento enorme de pessoas vindo pelas estradas, vindo de todas as cidades e terras de Israel, em direção a Jerusalém.   Era uma mega romaria, digna de nota, que fazia uma justa contracultura à idolatria.   Aquele magnífico templo, o altar, os sacifícios executados pelas mãos dos sacerdotes de Yaweh, e os ensinos extraídos da Lei eram algo de impressionante, e isso tudo cativava o coração de muitos do povo.

Pois o que acontecia era que o povo não somente ia a festejar ali, com toda a liberdade, e ele, Jeroboão, nem poderia aparecer pisando seus pés sobre a terra de Judá sem ser preso e provavelmente sentenciado à morte.   E como o povo comparecia em massa, era bem possível que Roboão quisesse tirar proveito disso, e começar a discursar difamando ao governo do norte de Israel, estigmatizando-o de apóstata, jogando com palavras o povo do norte contra o seu rei recém dissidente.   Sim, de apóstata, porque Jeroboão não viria a Jerusalém três vezes ao ano, como a Lei o exigia.

E não era somente isto.   O povo também levava ofertas de animais, ou mesmo em dinheiro, para ofertarem às mãos dos sacerdotes, aos olhos de todos.   Isto implicava em aplicação de recursos econômicos para Jerusalém, indiretamente.    A economia passaria a girar rápido, migrando finanças de Israel Norte para Judá.

Jeroboão pesou tudo isso em sua curta visão espiritual do Reino de Deus, e concluiu que toda aquela migração de pessoas, interesses espirituais e riquezas em direção a Jerusalém não lhe seria benéfica.

E mais ainda:  ao verem a suntuosidade do Templo que Salomão construíra para o Senhor, em pleno funcionamento, o povo de Israel lançaria sua fé e forças, tanto quanto pudessem, em em apoio ao reino davídico de Judá, por amor a Jerusalém.   Isto era o que a capital do reino de Judá significava, ainda, para grande parte do povo de todo o Israel, de norte a sul.

A dinastia sacerdotal que servia em Jerusalém também sofria uma forte pressão da parte de Roboão, estigmatizando ao rei Jeroboão como o perverso, o rebelde, o oportunista e o usurpador da coroa que “legitimamente” por herança deveria pertencer à dinastia de Davi.  E o povo respeitava muito a opinião dos sacerdotes.   Pena que a política muitas vezes não coopera com um espírito devocional bem aberto para o Senhor…

Mas apesar de uma forte corrente idólatra estar correndo por trás dos bastidores, ainda havia muitos que amavam de coração ao grande marco de sua religião:  Jerusalém.

Jeroboão achou que a cultura da Torah, e as constantes visitas a Jerusalém faria com que o povo logo se esquecesse de que tinha sido muito escravizado pelas ordens ditatoriais de Salomão, e, de vez que eram oficialmente livres, não mais se lembrariam de que um dia precisaram dividir-se de Judá, e logo os seus corações propenderiam a apoiar a Roboão – assim poderia haver uma certa pressão no sentido de novamente unir os dois reinos, e retornando o controle político de Israel Norte ao filho de Salomão.   Dentro desse clima, Jeroboão poderia sofrer uma traição, e ser morto por algum fanático, coisa que nunca faltou naquelas paragens do Oriente Médio.

Tudo isso passava pela cabeça de Jeroboão.   Ele se deitava em sua cama, revolvia-se de um lado para o outro, e ficava inquieto, o seu sono era incomodado como por uma turbulência, porque o seu coração estava se deixando perturbar com esses pensamentos.   Ele pensou em tudo isso, e pesou na balança de seu entendimento.   Pensou como homem, e esqueceu-se de entregar o seu caminho ao Senhor, que lhe entregou dez tribos para sobre estas reinar, e que poderia, como Davi, consultá-Lo naqueles momentos de incertezas – mas não o fez, ao que tudo indica.

Sem uma direção segura de Deus para guiar os passos de um rei que governava sobre um povo que era chamado de povo de Yaweh, Jeroboão colocou-se em uma zona obscura, onde perdeu a visão do Senhor, e passou a enxergar as coisas assim como os demais políticos deste mundo faziam, em sua época, e fazem até o dia de hoje.  Qualquer semelhança com algum governante conhecido não passa de coincidência, mas que isto existe, infelizmente existe, sim.

Em vez de consultar Àquele que lhe entregou o poder sobre dez tribos de Israel – pois que a Yaweh Jeroboão devia o fato de ter logrado chegar ao trono daquele reino – ele enfim decidiu optar por negar ao Senhor as honras que eram perfeitamente cabíveis ao verdadeiro Rei Divino.   Sua decisão final foi eivada de uma enorme ingratidão a Deus.

Aquela romaria periódica do povo a Jerusalém, no fundo, tinha um grande motivo: o apego que eles tinham com o Senhor.   Afinal, eles sabiam que deviam toda devoção e toda gratidão a Ele, o seu grande libertador, e o verdadeiro Rei em Israel.   Assim era desde os tempos de Samuel e Davi.   Davi era muito consciente de que Quem de fato deveria reinar em Israel era o seu grande Deus, que andou com o povo desde que saíram do Egito, e passou a coabitar com eles, dentro de uma Tenda, e depois, dentro do Seu santo Templo.

A partir de certo momento, a apostasia de fato penetrou no coração de Jeroboão, porque ele veio a aceitar a ideia de que, para evitar ser traído pelas tendências políticas de vários grupos de pessoas, havia um caminho: dar a Israel Norte outros deuses, e constituir-lhes outros sacerdotes, com outras tendências religiosas.   Que lástima!  Isto foi a causa de um desastre sem tamanho, para Israel.

Certamente que o Senhor daria a Jeroboão todas as diretrizes com a finalidade de tomar os devidos cuidados para não ser traído por seu próprio povo, mas o homem falhou, e desgraçadamente de seu Deus se afastou.   Faltou-lhe fé, fidelidade e coragem para enfrentar o que ele sabia que teria de enfrentar algum dia, e partiu para a opção errada.

Como Salomão já havia deixado introduzir-se a idolatria no meio de Israel, a praga já se havia alastrado anos antes.  Não faltaram influências peçonhentas no sentido de haver pessoas que se ofereceram para viabilizarem cultos idólatras: sacrifícios, orações, preleções e instruções exaltando a uma ou outra determinada entidade idólatra.   Religiões para desviar os homens de Deus parecem sempre surgir aqui e ali, inoculando nas mentes do povo conceitos supersticiosos que abriam brechas para a entrada de espíritos malignos operarem no lugar que pertencia somente ao Senhor Yaweh.

Jeroboão não resistiu às pressões oriundas das trevas, e ele mesmo tomou atitudes que nos custam acreditar:  ordenou a Israel para não irem mais a Jerusalém para adorar a Yaweh.   Ao invés disso, fez o lançamento de dois bezerros de ouro (outra vez? mas de novo!!!!???  Que maldita moda!) como os deuses a serem cultuados – e colocou um destes em Betel, que era a fronteira mais próxima de Judá, e outro em Dã, no extremo norte do território de Israel.   Construiu santuários nos altares das colinas, e constituiu sacerdotes não levíticos, dentre o povo; e também instituiu festa em data escolhida a seu bel prazer.   Isto foi uma queda mais profunda do que a do abismo em que Salomão os havia deixado.

Isto foi uma ofensa ao Senhor Yaweh, que com toda certeza já sabia do acontecido, mesmo antes de tudo isso ser tornado público, e uma apunhalada no coração dos que não queriam corromper-se.

Muitas vezes no passado, Deus lidou com esse velho problema junto a Israel.   Ele teve de muitas vezes admoestar aos desviados, a quem, apesar de tudo, ainda amava.   O Senhor, por amor ao Seus fieis, e por não poder ficar impassível diante da afronta, logo Se manifestou através de um profeta, que se dirigiu a Betel, e lá encontrou, não por acaso, ao rei Jeroboão, o qual estava ali queimando incenso ao deus que adotara.  Foi um momento crítico.

A Palavra do Senhor foi direta, contra aquele altar idólatra, o qual haveria de milagrosamente  partir-se e esparramar ao chão a sua cinza.   E mais falou o Senhor: que um dia um descendente de Davi haveria de profanar aquele veículo de adoração apóstata, queimando ali mesmo os ossos dos sacerdotes que queimavam incenso ao bezerro de ouro.

Foi um impacto.   Ninguém esperava aquilo.   Ocorre que Deus esperou o momento mais palpitante para lançar aquela palavra tão radical, e em um momento em que o próprio rei apóstata estava presente, procedendo um ritual totalmente desagradável ao Senhor Yaweh.

Os sacerdotes idólatras pasmaram.   O povo que pôde testemunhar aquele momento, ficou parado, sem saber o que poderia acontecer a partir daquele momento.   Criou-se uma alta tensão no meio de todos.   Aquela palavra de Yaweh, entregue por um santo profeta Seu, bateu-lhes no rosto como um tapa violento, que derruba qualquer espírito.   Aliás, o espírito daquela cena se transtornou, como se tivesse caído um raio no local.

Jeroboão, sentindo que aquela atitude veio contra os seus atos, levou o caso para o lado pessoal, como que duvidando, mas no fundo também contrapondo-se com o fato de que aquela palavra fosse realmente de Yaweh.   Achou que deveria fazer alguma coisa a respeito, quis ser rápido ao agir, e estendeu a sua mão para aquele profeta de Deus, ordenando a sua prisão.

Qual não foi a sua surpresa, ao perceber que o seu braço ficou estranho, e não mais se recolhia e a sua mão ficou endurecida, como se tivesse secado.  Parecia até que o sangue parou de circular naquela mão.  Naquele mesmo momento, o altar se partiu, e derramou-se a cinza que nele estava, revelando a todos o sinal de que fora o Senhor quem falara.

Em vez de uma prisão do profeta, ouviu-se um “oh!” – e alguns comentaram: “ai, vejam o que está acontecendo”!   Houve uma surpresa geral.

Jeroboão então reconhece que pecou contra o Senhor, e que somente o próprio Yaweh é quem poderia restaurar-lhe os movimentos normais de sua mão e de seu braço.    Seu orgulho real caiu por terra.   Sua prepotência murchou, e sua voz se afinou.   Seus pensamentos então começavam a entrar em desespero, ao ver que esta situação poderia perdurar assim até o fim de sua vida.

Humilhado, o rei pede ao profeta, àquele a quem tinha dado ordem de prisão, que orasse ao Senhor, o Deus de Israel, para que ele pudesse novamente movimentar sua mão, e que esta não ficasse ressequida.   Que tudo pudesse voltar à vida normal, como era antes do incidente.

As misericórdias do Senhor são tão grandes, e tão incompreensíveis ao entendimento humano, que levaram o profeta a orar, conforme o desejo do coração do rei, e não é que tudo voltou à normalidade, para alívio de todos e principalmente de Jeroboão?

Foi um sinal após o outro.   Não havia dúvidas: foi o Senhor quem enviara o Seu profeta, e aquelas palavras não eram provenientes do coração de um homem, mas originárias do Trono de Deus.   Foram operações de maravilhas que vieram ali para convencer homens de seus pecados, e com vistas a levá-los ao arrependimento.

Tais e quais as milagrosas pragas do Egito eram lançadas e depois desfeitas, uma a uma das nove primeiras delas,  com o fito de impactar e convencer o Faraó a cumprir a vontade de Deus, assim também a mão do rei ressecou-se, o altar se fendeu, e depois da intercessão do profeta, aquela mão voltou ao normal.

Jeroboão, convencido de que aquele profeta era de Deus, quis levá-lo para sua casa, a fim de comerem uma refeição juntos – mas o coração do rei não se havia convertido a Yaweh, apesar dos sinais oferecidos, e o profeta já havia sido advertido por Deus para não se alimentar ali, nem beber água, e nem voltar pelo mesmo caminho por onde tinha vindo.

As más influências corrompem os bons costumes, eis a razão desta exigência do Senhor.    A ocorrência não deveria constituir-se em ensejo para que servos Seus se unissem a idólatras impenitentes.   Era momento de separar-se o bom do mau, de forma que o povo todo ficasse sabendo do ocorrido como foi, e como se desfechou este capítulo da história.   Um rei tem muitos poderes nas mãos, e com certeza, Jeroboão queria trazer o profeta para uma longa conversa, e envolvê-lo em sua astúcia.

Tanto zelo teve o Senhor com atenção para este detalhe, que, indo o tal profeta por outro caminho, ele não daria pistas de que teria um endereço fixo, e assim não teria sucesso alguém que quisesse segui-lo para prestar-lhe homenagens ou lançar-lhe elogios e bajulações.   A glória era toda do Senhor.   É isto que os homens precisam compreender quando uma figura se levanta do meio do povo de Deus, sendo grandemente usado por Ele.    As tendências idólatras dos homens são tão enraizadas dentro dos corações, que sutilmente é possível que a glória do Senhor seja atribuída aos Seus servos que Ele envia em Seu nome.   Essas honrarias são uma armadilha à qual os homens de Deus precisam ficar atentos para não se deixarem enredar nela.

O profeta que o Senhor enviara de Judá para Betel naquele dia teve que pagar com a própria vida para servir de lição marcante para todos quantos queiram ser instrumentos nas mãos de Deus.   Ele foi abordado por um outro profeta de Yaweh, um homem velho que o alcançou porque seguiu-o montado em um jumento.

Assim que o velho profeta pôde encontrar o servo de Yaweh que ia por um caminho diferente do qual por onde veio, ambos mantiveram um diálogo.    O velho queria que o seu colega de ofício voltasse até sua casa e lhe servisse uma refeição – o que foi logo de início descartado pelo que ia em seu caminho, pois que esta foi a recomendação do próprio Senhor Yaweh.

Mas ah, por que a dúvida, a falta de fé e o menosprezo pelas palavras do Senhor podem enlaçar até àqueles que com Ele mantêm íntimo contato?   O velho profeta, mentindo, lhe disse que o Senhor lhe havia falado que o profeta mais jovem poderia voltar e alimentar-se em sua casa.

O fato é que o homem voltou, comeu e bebeu na casa do velho profeta, desvalorizando a palavra que Deus lhe havia dito, e crendo na palavra de um reles ser humano.   Quando Deus fala, é sempre bom obedecer, mesmo quando homens queiram obscurecer aquilo que Ele diz, até mesmo quando usam o Seu nome para tanto.

Que desdita!  Logo depois de comer e beber, o Senhor usa o mesmo velho profeta para repreendê-lo e avisá-lo de que a morte estaria à sua espera, ali, longe da casa de seus pais.   Dito e feito.  Ao sair dali, um leão o atacou.   Interessante notar que o felino feriu somente ao profeta, deixando ileso o jumento em que este havia montado.   E ainda mais: o corpo do profeta, o leão e o jumento estavam ali mesmo, no mesmo lugar.   Não foi para devorar a carne do homem que o atacara.

O velho profeta, ao saber disso, foi até o lugar onde o fato se dera, e encontrou ali o homem, o leão ao seu lado, e o jumento, todos juntos, estranhamente dividindo o espaço em paz, como se os animais tivessem sido cúmplices daquela morte.

Mais estranho ainda é que o leão não se opôs ao velho que tomou o cadáver que apanhou e colocou-o na montaria que estava ainda ali, sã e salva!  Levou-o à cidade para chorar e lamentar por ele, e então sepultá-lo.

Isto foi algo de fantástico.  Inédito.   Nunca se via coisa igual.

Profetas!  Profetas!  Profetas!   O Senhor está a chamar profetas para levarem a Sua Palavra a um povo que carece dela.  Ele quer que Seus profetas falem sóbria, justa, exata e somente segundo o que Ele lhes fala, sem acrescentar e nem omitir palavras.  Quem prevaricar contra este princípio, terá de arcar com as consequências.   A Sua Palavra é a verdade, e o que a contesta é mentira, é falsidade.   Não somente isto, mas também que sigam corretamente as Suas instruções, a fim de que depois da profecia ser entregue, as coisas não se compliquem.  Ele é Deus zeloso pela Sua palavra, e zela para cumpri-la (Jeremias 1:12).   Quem souber aplicar isto ao seu coração, fará muito bem, tanto para si mesmo, como para outros.

O Senhor Yaweh chamou a Isaías, e não o obrigou a ser um profeta.  Ele proclamou: “ A quem enviarei, e quem há de ir por nós?”   Isaías Lhe respondeu prontamente:   “Eis me aqui, Senhor, envia-me a mim”(Isaías 6:8).   Foi uma resposta opcional, mas que teve consequências tremendas na vida do profeta, e de todo o povo de Judá, de Israel e de várias nações.

Isaías teve, a exemplo do profeta rebelde que citamos acima, que pagar um alto preço por sua escolha.  As profecias que teve de repassar às pessoas e povos muitas vezes não foram bem recebidas, mas o melhor de tudo é que ele se tornou um verdadeiro pregador evangélico, de lindas boas novas, o profeta mais neotestamentário de todo o Velho Testamento, portador de  promessas maravilhosas a um povo que não soube valorizá-las a seu tempo como deveria.  Contudo, deixou o seu legado: a poderosa, linda, penetrante, perfeita e inigualável Palavra de Yaweh, o Senhor dos Exércitos.  Santa, sagrada Palavra é esta, e Ele nos conclama a observá-la e obedecê-la, para o nosso próprio bem.

“Não apagueis o Espírito; não desprezeis as profecias, mas, examinando tudo, conservai o que é bom; evitai tudo que é mau”  (I Tessalonicenses 5:19-22)


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