I REIS – XXIII – OS PODEROSOS TAMBÉM SÃO JULGADOS

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agosto 26, 2017 by Bortolato

O poder nas mãos é como uma fumaça: tem sua origem no fogo de Deus e por um pouco de tempo nesta Terra, para logo ser dissipada no Céu.

O fato é que grandes e pequenos terão que um dia ser levados diante do Trono Branco de Deus para passarem pelo crivo do julgamento das obras que assumiram em vida (Apocalipse 20:12).  E mais: o poder dos poderosos deste mundo cessará a qualquer momento, mesmo neste momento, em um clique, tudo irá mudar, conforme a mão de Deus intervir no curso das suas histórias.

Assim foi com Átila, o rei dos hunos (406453 DC.), com Júlio César (100–44 AC.), com Alexandre Magno (20/21 de julho de 356 a.C.—10 de junho de 323 a.C.), com Napoleão Bonaparte (15.08.1769 a 05.05.1821) da França, com Adolf Hitler (20.04.1889 a 30.04.1945) da Alemanha, com Nicolae Ceausescu (26.01.1818 a 25.12.1989)da Romênia, e com muitos outros.

Por mais poderosos, ricos, insolentes e soberbos que sejam, todos eles terão que baixar à sepultura, assim como aos mais pobres e infelizes plebeus e párias da sociedade, não lhes haverá escape.   Todos estes que reinaram, tiveram de um dia deixar este mundo e irem ao encontro do seu Criador, e serem julgados  pelo que fizeram e pelo que deixaram de fazer.   Os cemitérios são a prova mais inconteste deste fato.   Ali jazem todos os pretensiosos, que agiram como se suas vidas não tivessem fim e como se não tivessem de prestar contas a ninguém sobre seus atos.

Em I Reis, capítulo 22, vemos como o Senhor conduziu o rei Acabe, rei de Israel de 874 a 852 A.C., para esse encontro irrecusável com Ele, ceifando a sua vida que, ainda cheia de projetos, gozava da plenitude de sua força.

Acabe foi um rei julgado como mau perante o Senhor, pois foi o pior de todos os que o antecederam no tocante à idolatria bem como à justiça de seus atos.    Tendo recebido o poder real por herança de seu pai Onri, para reinar sobre a terra que o Senhor Yaweh havia dado ao Seu povo para ali viverem, conhecerem a Ele como Seu Deus e O adorarem, no mínimo em atenção a Suas manifestações de amor, entretanto este rei não aproveitou bem a sua oportunidade.   Muito pelo contrário.

Casou-se com Jezabel, princesa fenícia fanática por Baal, um ídolo terrível que apregoava muita imoralidade, bem como sacrifício de crianças (Jeremias 19:5), e juntamente com esta mulher feita sua rainha combateram ferozmente a todos os profetas do Senhor, chegando a matar a alguns destes.

Depois de haver sido alertado por meio de Elias, que provou a todos que somente Yaweh é Deus, ainda foi Acabe presenteado graciosamente com duas vitórias impressionantes sobre Ben Hadade, rei da Síria; mas nem assim deixou de consentir com que a constante perversidade de Jezabel continuasse a difundir a idolatria na Terra que Deus santificou para o Seu povo.   Ele não entendeu que suas conquistas militares foram dádivas do amor do Senhor por ele e por Israel, convites à Sua doce comunhão, frutos de um amor ao qual esse rei nunca correspondeu.

Conseguiu, ainda, fazendo uma aliança com Ben Hadade, repelir a invasão dos assírios, e ainda continuou a proceder como um rei muito aquém da expectativa divina.

Presumindo ser alguém isento de julgamento por seus atos praticados, deu o seu anel de autoridade para Jezabel engendrar e executar planos para matar a Nabote, o proprietário humano das terras vizinhas ao seu palácio em Jezreel.   Não ficou, porém, sem essa culpa, e Elias o avisou clara e prontamente sobre isso.  Abusos de autoridade têm suas conseqüências.

Parece que Acabe e os reis do Oriente Médio ficavam, durante cada inverno que passava, avaliando questões internacionais e revendo registros de acordos onde se viam as obrigações que outros reinos deviam cumprir, e, se estas não fossem cumpridas… Guerra!   As guerras eram consideradas um certo tipo de esporte, ou passatempo para alguns reis insensíveis ao montante de vidas que pereciam no seu decorrer.   Logo que chegasse a primavera, as forças armadas já estariam preparadas para os ataques e as defesas…

Assim foi que então Acabe olhou com maus olhos o fato de Ben Hadade não devolver a cidade de Ramote-Gileade, tomada de seu pai Onri, conforme o sírio prometera (I Reis  20:34) – e muito embora tivesse sido seu parceiro contra os assírios, presunçosamente decidiu quebrar  todos os acordos com aquele rei sírio,  e tomá-la pela força, e a qualquer custo.

Nessa época o rei Josafá, de Judá, estava mantendo uma relação diplomática de boa amizade com Israel Norte, ao ponto de Acabe ter cedido sua filha Atália em casamento para o filho de Josafá, e foi visitá-lo in loco.

Eles se encontraram então dentro do pátio de Samaria, próximos ao portal de entrada da cidade, onde ambos estes reis de Israel se assentaram, cada qual em um trono, com toda a pompa de majestade que detinham, na presença do povo local.

Foi a ocasião em que Acabe aproveitou e fez-lhe uma pergunta-convite para participar de uma batalha que tinha o objetivo de retomar o governo de Ramote-Gileade – ao que Josafá lhe responde positivamente, desde que, antes, fosse consultada a Palavra de Yaweh.

A Palavra de Yaweh?   Sim, Josafá queria saber qual seria a Sua Palavra acerca daquele propósito, a fim de poderem partir sem medo para a guerra.

Acabe parecia fingir ter ouvido falar do nome – Yaweh – pronunciado por Josafá, e dolosamente convoca uma porção de quatrocentos profetas para estarem ali para descobrirem e revelarem qual seria a vontade do Senhor.   Mas esses quatrocentos seriam servos de qual deus?   O envolvimento de Acabe e Jezabel com Baal ainda estava muito vivo e ativo…

Um ritual um tanto estranho começa a se desenrolar ali.   Os tais profetas, que a princípio se esperava que fossem do Deus de Israel, dançavam, pulavam, gesticulavam de tal forma que aquele espetáculo mais pareceu um culto a um deus estranho, do que aquilo com que Josafá costumava a presenciar.

Acabe fez uma pergunta: – “Irei à luta contra Ramote-Gileade, ou não?”  – ao que os tais profetas lhe responderam:  – “Ataca, porque Yaweh a entregará nas mãos do rei”.

Josafá se viu incomodado com aquela situação, mas como um bom político e com suas boas maneiras que lhe eram peculiares, lança uma pergunta a Acabe que demonstra claro que não identificou a nenhum dos quatrocentos como servos do único Deus de Israel, e que não estava satisfeito com aquele conclave espúrio espiritualmente:

– “Não há aqui algum outro profeta do Senhor Yaweh a quem possamos consultar?” (v.7)

Que situação! Na terra criada por Yaweh, e conquistada pelo Seu poder para ali coabitar com Seu povo, o rei consulta somente profetas idólatras – quatrocentos deles – e a nenhum profeta do Senhor, o legítimo Deus a quem deviam todo o louvor… Esse estado de coisas não poderia dar bom resultado.

Acabe franze a testa, percebe que não conseguiu fazer Josafá “engolir” aquela situação, e lhe responde que sim, havia ainda um homem por quem se poderia consultar a Yaweh, mas o mesmo costumava falar com ele em tons muito pouco amistosos.    Acabe revela que mantinha certo ódio do tal profeta, porque o tal nunca lhe profetizava o bem, mas só o mal.  Era Micaías, filho de Inlá, um dos prováveis discípulos de Elias que ainda não se intimidava em viver em Israel, apesar de todas as maldades que Jezabel praticava contra os seus pares.   Josafá ainda insiste em querer ouvi-lo, e Acabe, a contragosto, manda chamá-lo.

Trazido por mensageiros do rei, Micaías vinha pelo caminho sendo pressionado a tecer boas palavras ao seu soberano, mas apesar de toda a insistência neste sentido, este profeta deixava bem evidente que falaria apenas o que o Senhor Yaweh lhe dissesse.   Micaías era do tipo que não se deixava vencer por pressões, principalmente as que iam contra o verdadeiro Deus de Israel.    Ele estava bem certo do caminho que o Senhor lhe destinara – que bom seria o mundo se todos fossem firmes, incorruptíveis e perseverantes assim…

Chegado à presença dos dois monarcas, Acabe faz a mesma pergunta feita aos quatrocentos profetas que continuavam dançando, gingando, rodopiando, erguendo os braços, fazendo verdadeiro circo de proezas  e profetizando que tudo iria dar certo naquela empreitada de seu rei, aumentando a pressão sobre Micaías, mas…

Micaías, vendo que Acabe queria apenas ouvir as mesmas profecias que ouvira dos demais profetas, muda o seu tom de voz, e fala com ênfase sarcástica, em falsete de ironia, que aquela campanha militar teria todo o sucesso esperado das mãos de Yaweh – mas isto foi de modo tal que todos ali perceberam que o que dizia não era o que ele queria realmente dizer…   Aquela voz surrealista denotava apenas aquilo que tanto lhe pressionaram a dizer.

O rei Acabe, indignado, não aceitando aquela encenação de Micaías, pois que já ouvira aquele timbre de voz antes, indicador de um tipo de brincadeira de mentirinhas de crianças, o repreende, pois que não estava ali para brincadeiras, e ordena-lhe que diga somente a verdade em nome de Yaweh.   Acabe estava tão certo de que o futuro já estava bem delineado em seu favor, que nem hesitou em dar esta ordem a Micaías, mal sabendo o que lhe viria a seguir.

Micaías fala então a verdade.   Ah, chegou a hora da Verdade!  A verdade às vezes dói, e às vezes não é nada daquilo que se estaria esperando.   Ele diz que viu Israel pelos montes, como ovelhas que não têm pastor, o que significa que o seu líder, condutor, no caso Acabe, não estaria mais com elas, referindo-se ao que sucederia no final da batalha.   E o Senhor lhes dizendo que fossem cada qual para sua casa…  Sinal de que o seu rei seria morto, ou aprisionado, ou ferido, incapacitado de liderar o seu povo…  De qualquer forma, isto não seria nada conveniente, algo desastroso para Israel.  Este era um sinal do mal que lhe adviria.

Esta foi a primeira visão do profeta Micaías, que mostrava o estado de coisas na Terra, mas logo a seguir, ele relata ter visto uma outra visão dada pelo Senhor, esta do Céu, a qual confirmaria os termos da primeira, e ainda acrescentaria muitos outros detalhes.   O que seria?

Micaías viu o Senhor Yaweh assentado em Seu trono, cercado de seus anjos celestes em pé, junto a Ele, quando pronunciara um repto: – quem  dentre os presentes seria capaz de enganar a Acabe para este ser levado a atacar Ramote-Gileade, e morra na batalha?   Era a hora de aquele reizinho ser recolhido desta Terra, mas isso teria que ser de uma forma tal a demonstrar que o Senhor estaria cumprindo a Sua palavra dita através do Seu profeta Elias (I Reis 21:19-24).  Não teria que ser através de morte natural.   Não em uma síncope cardíaca, nem por meio de uma doença comumente tida por algo decorrente do ciclo de vida, que chegou anunciando o seu fim.   Teria que ser algo mais drástico, repentino e que deixasse a imagem bem definida de que fora a ação da vara da disciplina de Deus.   Este seria o modo pelo qual todo o povo de Israel entenderia o que agrada e o que desagrada a Ele.

Um decorrer um tanto estranho então acontece no meio daquela Assembleia santa no Céu.   Anjos sugerem uma coisa ou outra, mas nada que chegasse a convencer que daria certo, quando, no meio das propostas lançadas, um espírito (hebr.: Ruwah) promete enganar e trazer palavras ludibriosas na boca dos profetas de Acabe, de forma a simular um alto astral, para encher o peito dos tais, repassar ao rei um descuidado excesso de confiança, e ir à guerra, onde estaria preparado o fim da vida deste.

Daí decorre um problema teológico misterioso, aparentemente indissolúvel:  quem era esse espírito?   Um anjo ou um demônio?   Há quem defenda a hipótese de que teria sido um emissário de Satanás, assim como aconteceu com o caso de Jó, quando o próprio príncipe das trevas compareceu à presença de Deus quando os Seus filhos se apresentavam perante Ele, para fazer propostas diante do Altíssimo (Jó 1:6-11).   Esta hipótese, porém, é muito frágil, pois que, conforme Jesus mesmo falou, se a casa do Seu inimigo luta contra si mesmo, então esta estaria dividida, mas Satanás não se opõe contra os que são seus (Lucas 11:17-18).   Acabe, afinal, estava sendo muito útil ao reino das trevas com o seu performance pecaminoso, contaminando a todo o povo que lhe era tributário.  A idolatria ainda imperava na terra de Israel, graças à grande abertura que seu rei, infelizmente, lhe tinha oferecido, através da sua própria mulher!  Isto era um quadro que as trevas jamais desejariam fazer com que terminasse naqueles dias.   Acabe ainda tinha saúde e vigor, capaz de fazer imperar a idolatria em Israel por muitos anos a fio.   Isto seria interessante somente ao reino de Satanás, mas não para Deus.   Qualquer proposta para dar fim à vida de Acabe, com toda certeza, não teria vindo do reino das trevas, pois que não fazia parte de seus planos tenebrosos.

Então chegamos à conclusão de que foi um espírito, ou seja, um anjo da parte do Senhor, um santo Seu, que ali estava naquela assembléia para satisfazer a vontade divina.  Deus queria recolher a vida de Acabe à Sua maneira, na Sua soberania, e estava ouvindo a opinião dos Seus filhos.   Aquele anjo sabia como convencer as pessoas na Terra e fazê-las depositar sua fé  em diversas direções, inclusive sugerindo ideias enganosas.   Isto não parece ser compatível com o caráter de Verdadeiro que vemos em Deus, mas foi o que aconteceu.   Esse anjo desceu, foi até a Terra e lá em Samaria convenceu aos quatrocentos profetas de Acabe de que este prosperaria naquela batalha, para que o mesmo caísse ferido e morresse.

Diria alguém: mas nem o Supremo Deus Verdadeiro age sempre no sentido do soprar da verdade?   A resposta é:  não podemos julgar ao Supremo Juiz de todo o Universo.   Ele tem os Seus caminhos que nem sempre são bem compreendidos dentro do parco entendimento humano.  O fato que não podemos negar é que Ele é o Verdadeiro Deus, e não dá a Sua glória a outrem.  Os deuses, estes sim, são os mentirosos quando se propõem como deuses, reivindicando adoração a si.   Esta é a grande mentira de Satanás: anelando por ser como Deus, apresenta-se como um deus, e influencia homens a ter o mesmo desejo (Isaías 14:12-15), de governar pisando sobre raças, cabeças de clãs, tribos, e nações no mundo todo.

E aonde então residiria a sempiterna verdade?   Absolutamente que não nos chamados deuses, que só por assim se intitularem já agem sob a égide da mentira.    Jesus, sim, nos disse:

“Eu sou o Caminho, a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim.” (João 14:6)

Controvérsias à parte, Micaías descreve com exatidão a visão que Deus lhe dera.   Foi, por isto, esbofeteado por um dos profetas enganados que estavam ali presentes, Zedequias, filho de Quenaanã, que o ofende, indiretamente chamando-o de mentiroso, e com isso faz com que todos cressem nas palavras dos quatrocentos – mas isto fazia parte dos planos de Deus, de conformidade com a visão de Seu profeta, e a verdade pura e incontestável seria comprovada no final daquela batalha.

Acabe imediatamente manda prender Micaías e forçá-lo a um regime de restrição de alimentos, dando-lhe somente pão e água, até que voltasse da vitória que lhe estava sendo prometida pelos quatrocentos.

Impressiona-nos que Josafá, ao presenciar esta cena, ainda fecha os olhos para a profecia de Micaías, o único profeta do Senhor Yaweh que ali estava,  e resolve que iria a Ramote-Gileade ao lado de seu compadre idólatra!   Então por que pediu ele para que se consultasse um profeta de Yaweh?   Contradições que vemos às vezes nos mais crentes filhos de Deus.   Que fazer?   Parece que todos têm lá os seus defeitos, mas ele também pagou um alto preço por sua tolerância e conivência para com os maus.

Acabe, tratando das últimas providências para sair a campo com seu exército, quis enganar a Ben Hadade – e de quebra, também a Josafá.   Como?  Pediu a este que vestisse sua armadura real, enquanto que ele mesmo iria se disfarçar como um militante qualquer naquela guerra.   Artifício para não atrair a atenção de Ben Hadade, que com toda certeza iria querer atacá-lo com força – o que também significaria que, debaixo da vistosa armadura e vestes reais, Josafá passaria a ser o alvo mais visualizado naquele combate.   Astúcia maligna, expondo o seu aliado como o maior candidato a morrer alvejado no seu lugar, mas esta estratégia não funcionou como o esperado…

As tropas de Israel e Judá então se deslocam para a cidade de Ramote-Gileade.   Lá foram eles, um grande exército, ou melhor, dois deles, mas aparentemente havia somente um rei que se deixou ver como tal no meio da soldadesca: Josafá.   Acabe, covardemente, se vestiu de tal maneira que não era distinguido entre os demais.

Ben Hadade estava furioso contra Acabe.   Ele sabia que o rei de Israel era aquele que estava por trás daquele confronto de forças, pois bem se lembrava das promessas feitas, e não cumpridas, a Acabe.   Ele sabia, também, que bastava capturarem ou ferirem a Acabe, e o sítio terminaria e os de Israel e Judá voltariam para suas casas.

Ben Hadade ordenou a todos os seus chefes e oficiais que concentrassem suas forças em direção a Acabe, e somente contra Acabe.   À distância, viram o brilho de uma armadura real tipicamente israelita, e cercaram o tal, mas este não passava de Josafá.   Foram-se aproximando cada vez mais, e foi quando o rei de Judá, vendo que sua situação estava ficando perigosa, clamou em alta voz, e o Senhor o ouviu.

Acontece que Josafá, apesar de suas dúvidas e vacilações, era um verdadeiro servo de Deus, e por isto não seria esquecido de Seu Deus naquele confronto. Os capitães sírios, ao ouvirem seus brados, e estando perto ao ponto de identificá-lo devidamente, perceberam estarem perseguindo o alvo errado, e desviaram-se dele, passando a procurar aonde andaria o rei Acabe, mas não o encontravam.

Quem achou a Acabe foi uma flecha disparada quase que ao acaso, sem destino muito certo, que incrivelmente voou, fez o seu percurso de uma parábola, subindo e descendo, e acertou em uma das juntas da sua armadura, por onde penetrou causando séria ferida.   Diria alguém que foi o produto do acaso?   Mas como então considerarmos as profecias de Micaías?   Não há como negar:  o Senhor estava por trás deste aparente “acaso”.

Acabe se ressentiu do golpe, e viu que não poderia mais estar à frente da batalha.  Pediu, então, ao condutor do seu carro, que o retirasse do front e o colocasse mais à retaguarda, onde ficou ainda assistindo o combate, mas sangrando sem parar, até vir a óbito.

Seus oficiais, cientes do ocorrido, retiraram suas tropas do redor da cidade, e, ao chegarem ao acampamento,  houve um consenso de que era hora de desistirem do sítio de Ramote-Gileade. Ao por do sol, vendo que a noite se aproximava, passaram uma ordem a todos, para levantarem o acampamento e voltarem para suas casas.  Estava encerrada aquela guerra.

O corpo de Acabe foi levado a Samaria, onde o sepultaram, e o carro de guerra que o trazia foi levado a um açude próximo à cidade onde, ironicamente, era ali onde as prostitutas, figuras muito ativas durante o seu reinado devido à libertinagem que Baal estimulava, também se lavavam.

O carro estava incrustado de sangue que, em parte secou-se e em parte ainda brilhava no fundo do veículo.   Os servos de Acabe começaram a lavá-lo, e enquanto escorria aquela água avermelhada, chegaram-se cães para lamberem-na, cumprindo a terrível profecia que Elias revelara àquele rei insensato (I Reis 21:19).   Admiravelmente o lugar era o mesmo onde os cães lamberam o sangue de Nabote e sua família, mas esta era apenas uma parte daquela profecia.

Assim acabou um reinado de vinte e dois anos de corrupção, idolatria, injustiças sociais, feitiçarias e opressões intermináveis; mas a semente do mal infelizmente ainda estava enraizada na família de Acabe.  Os seus filhos e Jezabel ainda detinham o poder político nas mãos – mas isso duraria por pouco tempo.   Logo se cumpriria à risca a palavra de Yaweh, que disse que a descendência de Acabe seria totalmente destruída.

Quanto a Josafá, pelo fato de ser aparentado com Acabe, também sofreria as consequências que convergiam para a sua descendência, mais tarde.   A sua própria nora haveria de ordenar a matança de todos os seus netos, candidatos ao trono.  Josafá teve, contudo, boas experiências em seu relacionamento com o Senhor Yaweh, com grande livramento das mãos dos povos vizinhos, e seu fim foi bem diferente do de seu compadre, pois morreu aos sessenta anos de idade, aparentemente em paz, deixando um bom legado espiritual para seu povo.

Em tudo isso, vemos confirmada a palavra que diz que aos homens está ordenado viverem uma vez (Hebreus 9:27) e que bom é lembrar-se do Criador nos dias da mocidade , porque Deus levará a juízo tudo o que foi feito, e até tudo o que está oculto, quer seja bom, quer seja mau (Eclesiastes 12:1, 13-14).

A justiça dos homens é muito falha, e por vezes tendenciosa e subornável, mas a justiça de Deus coloca todos os feitos dos homens devidamente na balança para pesá-los, e dar a Sua sentença final.

Mas como está escrito que não há um justo sequer, um só que faça sempre o bem e nunca se corrompa (Salmos 14 e 53), o fiel dessa balança sempre irá mostrá-la carregada do lado negativo por todos os pecados cometidos individual e coletivamente, um por um, cumulando as culpas de cada indivíduo, de forma tal que as boas obras praticadas por este jamais poderão superar os frutos da índole perversa que reside nas suas almas…  e ninguém escapará dessa medida!

Esta é a parte mais terrível da história da humanidade.  Todos teremos um final de vida nesta Terra, e todos seremos julgados, tendo o peso dos pecados a nos acusar implacavelmente.  Mas felizmente, esta é apenas uma parte dessa história.

Deus enviou Seu Filho Unigênito a este mundo para cuidar dessa parte infeliz de nossas vidas.   Jesus morreu em uma cruz, onde derramou o Seu santo sangue para ir de encontro a esse julgamento pelo qual teremos de passar.

Quem recebe ao Filho de Deus como seu grande e onipotente salvador, recebe a graça de Deus de ser verdadeiramente Seu filho e o Seu sangue nos purifica de todo pecado.

“Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, assim como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:6,7).

Que resta a nós, então?

Buscarmos a Jesus, e Sua comunhão, para começarmos a viver com Ele aqui nesta Terra, o que há de culminar com nossa remissão dos pecados, e redenção eterna.

Orando!  Ore assim agora: – Senhor Jesus, eu abro a porta do meu coração, e peço-TE que me recebas em Tua comunhão.  Limpa e lava-me de todo pecado, dá-me uma alma pura, através do Teu sangue, e também um lar em Teu Reino eterno, pois não poderemos viver sem Ti.  Amém!

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor!

 

 

 

 

 


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