II REIS – XXIV- RASGADA A CARTA DO DIABO

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agosto 18, 2018 by Bortolato

Você já deve ter recebido uma carta, um bilhete, ou alguma mensagem virtual, em que a pessoa que lhe escreveu foi usada pelo Inferno. Não? Não se admire se isso lhe vier a ocorrer, pois acontece com muitas pessoas. Algumas ficam aflitas, outras desorientadas, sem saber como reagir. Outras se enfurecem, indignadas, com suas mentes em estado de tempestade cerebral.

Este artigo tem por finalidade prestar-lhe informações que com toda certeza serão muito úteis. Mesmo que sua história de vida desconheça tal situação, grave bem em sua memória as coisas que iremos lhe mostrar agora.

Seja qual for a sua maneira de comportar-se nessas ocasiões, o fato é que Vc. estará sendo colocado em um stress muito diferente dos normais que se enfrenta nesta vida, e precisará ser preparado de maneira também muito especial e extraordinária, a fim de poder confrontar-se com seu inimigo sem perder o espírito de luta, e a visão da vitória.

Muitos há que demonstram nervosismo excessivo, por desconhecerem a força contra a qual estará lutando.

Há quem sequer acredite que o diabo exista. Estes estarão tão desprevenidos como um soldado que se coloca em um front de batalha e ignora completamente que o inimigo já o visualizou, e está preparando o momento certo de lhe alvejar com seu disparo fatal. Ouve vozes ao longe, mas não dá a menor importância para isto. Pois então, quantos e quantos combatentes imprudentes não morreram estupidamente em uma guerra?

Outros ouvem a ameaça, as vozes do inimigo, mas não sabem o que fazer, e tentam agir de acordo com seu entendimento totalmente desinformado a respeito do assunto. Sabe-se de gente que até comprou um revólver para tentar defender-se em algum imprevisto, mas não se dá combate a forças espirituais com armas físicas, e bem assim, força carnal também não tem poder para deter aquilo que um inimigo espiritual é capaz de fazer.

Então chegamos a um ponto em que é mister esclarecermos: inimigos existem, sim, e em algum momento de nossas vidas eles tentarão nos defrontar. Quem pensa que não os tem, está enganado. A morte, por exemplo, é um dos nossos maiores inimigos. E há morte física e morte espiritual, sendo esta última muito mais terrível e duradoura do que a do primeiro tipo.

Satanás é um inimigo muito astuto e feroz, mais do que se pode imaginar. Ele tem milhares de anos de idade, tem muita experiência, conhece muitos truques, vive na dimensão espiritual, chefia uma enorme cadeia de seus correligionários, e tem interesses escusos sobre cada criatura que vive sobre esta Terra. Seus métodos são os mais inescrupulosos quanto possível. Inimaginável a sua maldade. Podemos afirmar que ele é o responsável, direta ou indiretamente, pelo sofrimento que é infringido sobre a população deste globo terrestre.

Um dos métodos mais usados pelo inimigo de Deus é tentar desestabilizar as pessoas, tirando-as do seu normal e do sério. Ele mesmo usa suas falanges, grupos organizados de demônios, para fazer pessoas se desequilibrarem e levá-las ao desespero, enquanto já tem preparado outra casta que segue esta primeira, a qual tentará enganá-las, oferecendo-lhes um falso livramento, tal e qual um cheque sem fundo, no qual muitos creem, e no final acabam se dando muito mal.

Quando a pessoa tentada descobre a estratégia do mal e posiciona-se contrário a suas propostas, rejeitando-as terminantemente, então começa a guerra aberta para valer. E aí chora menos quem pode mais.

Seria um passo em falso querer defrontar-se contra o diabo frente a frente, se não tivermos, assim como ele tem, anjos para assitirem. Ele mesmo é um anjo caído, e possui armas capazes até de matar, se puder achar a permissão de Deus para isto. Se pudermos contar com os anjos do Senhor, então a batalha será enfrentada de forma mais confortável aos nossos corações – mas ninguém se iluda. Não há vitória que não seja precedida de uma luta, e muitas vezes esta luta é feroz, é brutal, sem tréguas, exige nosso esforço, e muitas vezes chega ao limite das nossas forças.

Se Vc. considera que os inimigos de Deus são os seus inimigos, pode crer que é profundamente odiado pelas hostes do Inferno, e estas tentarão ajuntar anjos (estes caídos) e homens para pelejarem contra a sua vida, e estes não pouparão empenho para lhe fazer sentir-se atacado com furor.

Esta luta é travada de maneira tão invisível, que pode chegar a enganar o guerreiro, que, não percebendo aonde está o inimigo, acaba achando muitas vezes que cessou a peleja, mas será apenas impressão. Pois é, algumas pessoas pensarão que basta apenas colocar-se ao lado de Jesus, que não haverá demônio que consiga derrubá-las. Este é realmente um ponto positivo, mas apenas o ponto inicial de preparação. Agir desta maneira seria como colocar-se do lado correto para atrair a proteção de Deus, mas essas lutas muito raramente são definidas com um só golpe de espada; são repletas de golpes e detalhes que demandam várias providências. O Senhor nos incita a aprendermos a guerrear: como nos postarmos, como utilizarmos as armas da nossa milícia, como nos defendermos e como atacarmos. Isto é um processo. Ter fé é apenas um item dessas providências. Há ainda muitas outras coisas que podemos fazer, até que nos tornemos guerreiros invencíveis como Ele, Deus o é, e quer que sejamos semelhantes a Ele. Somemo-nos ao Invencível General, o Senhor dos Exércitos! Esta milícia tem seus custos, mas promete altas recompensas, de modo que vale muito a pena lutar ao Seu lado.

Para ilustrarmos esta verdade, vamos agora nos fixar um pouco sobre as experiências que o rei Ezequias, um dos melhores rei de Judá, e o que se tornou talvez o mais rico de todos, ao lado de Davi. Ele sofreu terríveis ataques contra seu reinado e contra a sua vida, mas logrou vencê-los, e a sua vitória teve um sabor todo especial, digna de nota, e bem comentada dentro das Escrituras Sagradas.

Consta que ele reinou pelo menos oficialmente desde 715 A.C. Até 686 A.C., em Jerusalém, tendo sido antes disso um co-regente durante alguns anos ao lado de seu pai, o rei Acaz.

Quando subiu ao trono, tratou de refazer a Aliança com o Senhor Yaweh. Isto foi o primeiro passo dado em direção à preparação para resistir e superar os ataques dos inimigos.

Reparou o Templo, formou um grupo de orquestra musical, e também de cantores levitas, que irromperam cânticos de louvor e adoração ao Senhor, atraindo a misericórida divina sobre si e sobre os seus. Está aí um dos princípios básicos para ser vencedor contra as hostes de homens e do inferno: aliste-se já, junto a um corpo de obreiros bem conduzido pelo Espírito Santo.

Ele também Celebrou a maior Páscoa então celebrada, desde os tempos de Salomão. Isto é participar da festa de comemoração pela vitória do Cordeiro de Deus, que foi morto, mas hoje é vivo para sempre.

A Bíblia narra a parte mais dramática da vida de Ezequias nos capítulos 32 de II Crônicas, II Reis 18:13-37, capítulos 19 e 20, e Isaías, capítulos 36 a 38.

Foi no ano 701 A.C., sendo Ezequias o rei. Seu pai havia-se sujeitado a uma vergonhosa condição de rei submisso aos reis da Assíria. Ezequias não se conformou com aquilo, e rompeu os laços de servidão tributária, o que provocou a ira daqueles.

Tendo Senaqueribe subido ao trono da Assíria, encetou e realizou uma campanha militar muito bem organizada contra os povos que não se lhe submeteram de forma incondicional.

Senaqueribe vai até Laquis, cidade fortificada de Judá, ponto estratégico para demonstrar a sua força, intimidar povos, especialmente os judeus, e impedir aos judeus de se comunicarem com outros povos, tais como o Egito, buscando ajuda. O assírio veio para sitiá-la, com um enorme exército.

Quando Ezequias viu que aquele forte exército de soldados assírios estava acampado em Laquis, bem perto de sua cidade que era a capital do reino de Judá, cerca de 48 quilômetros ao sudeste de Jerusalém, e que foi tomada e ocupada por aquela horda de inimigos, tentou negociar. Entregou trezentos talentos de prata (o que equivaleria a cerca de nove toneladas), e trinta talentos de ouro (quase uma tonelada do metal nobre). Teve de lançar mão da prata e do ouro que estavam na Casa do Senhor, para poder cumprir a exigência de Senaqueribe.

O pior de tudo é que isso não funcionou. Como todo comerciante oriental inescrupuloso, o rei assírio enviou tropas que vieram marchando em direção a Jerusalém, e postaram-se bem nas proximidades da cidade. Queriam invadir Jerusalém, por bem ou por mal, e tomar posse do trono, desfazendo de vez o poder da dinastia davídica, desqualificando-a, e declarando Judá definitivamente uma colônia assíria; eles iriam deportar os moradores judeus dali para a Média e a Pérsia, de onde também trariam outros povos para ali morarem.

Isto significaria que o povo de Yaweh teria que sair da Terra Prometida, que o Senhor lhe dera desde os tempos das conquistas de Josué em Canaã. Causaria um reboliço tamanho, qual um terremoto. Sem se falar em que é que ele faria com a linhagem real, toda a descendência do rei Ezequias. Um futuro tenebroso os estava ameaçando com muita ousadia, violência e arrogância.

Senaqueribe enviara, para encabeçar aquele princípio de sítio, três de oficiais tipicamente de alta patente : Tartã, Rabsaris e Rabsaqué. Estes eram os seu títulos, e não os seus nomes. Vieram com um discurso muito truculento e presunçoso. Não estavam dispostos a negociar, e sabiam muito bem o que eles queriam. Não se deram por satisfeitos com o pagamento atrasado de tributos, e queriam muito mais que isso – queriam o desmonte da hegemonia real de Davi, de vez para sempre! Aquilo foi demais para Ezequias e seus oficiais.

Ezequias não saiu da cidade para falar com aqueles procuradores do rei da Assíria, conforme lhe haviam pedido, mas enviou três de seus homens de confiança. Nenhum deles era revestido de função ostensivamente militar, a fim de não darem a impressão de que Ezequias estava disposto a travar a guerra, viesse quem quisesse, e que estaria pronto para a hora de se ver quem teria mais “poder de fogo”.

Mais um detalhe importante: Ezequias, além de ter de vivenciar um episódio tão dramático para o reino de Judá, ainda estava passando por uma outra dificuldade: ele estava no desenvolver de uma luta contra uma enfermidade letal, que o enfraquecia dia após dia. A Bíblia não nos revela com clareza o diagnóstico dessa doença, mas podemos depreender que era uma síndrome causadora de tumores, provavelmente de natureza cancerígena.

Na ocasião, Ezequias estava tendo certas relações estrangeiras com o Faraó, do Egito, o que foi muito depreciado pelos discursos dos três chanceleres assírios. Mas a fala destes foi muito mais além, ao ponto de atacarem até o Senhor Yaweh, colocando-O como se fora um deus qualquer, e portanto, bastante vulnerável, e incapaz de deter as tropas da Assíria. Foi aí que os três assírios cometeram o seu maior erro. Menosprezaram e ainda zombaram do Deus de Israel, insinuando que o Senhor dos Exércitos se dobraria ante o “invencível poder” do rei da Assíria!!!!!!!!!!!

Muitos pecados um homem pode chegar a cometer, os quais, ainda que passíveis da mais alta condenação, podem deixar atrás um resquício de dignidade, ao ponto de poderem ser perdoados pelo Senhor Todo-Poderoso, mas há pecado que não tem perdão, e a blasfêmia contra o Espírito Santo é o caso.

E em que consistiria o pecado contra o Espírito Santo, senão atribuir a demônios uma obra operada pelo Senhor – o que significa dizer que um espírito espúrio e decaído teria o condão de realizar as coisas que Deus realiza – e também significa rebaixar o Deus Altíssimo ao nível de demônios, ao ponto de poder-se confundir as duas distintas fontes de poder. Pois foi isso mesmo que os diplomatas assírios o fizeram, por quatro vezes neste seu primeiro ato falado.

Eles criticaram e desprezaram a fé que Ezequias tinha no Senhor, dizendo inicialmente que foi esse rei de Judá que tirou os altares e os santuários de Judá, para que toda adoração viesse a convergir até Jerusalém.

Falaram mais arrogantemente ainda, os três assírios, desafiando a Ezequias para enfrentar em campo aberto apenas dois mil soldados da cavalaria da Assíria, como que dizendo que o rei de Judá não teria tantos cavaleiros para tal confronto, uma vez que estavam buscando ajuda do Egito.

Esta prédica intimidadora foi proferida em hebraico, em mui alto e bom som, para que todos os judeus que estivessem sobre os muros de Jerusalém a ouvissem. Os diplomatas judeus, ao pedirem que seus opositores falassem em aramaico, ainda receberam a dura resposta de que todos os judeus haveriam de comer suas fezes e beber da própria urina, e por isso, que todos eles soubessem da desdita e a vergonha a que estavam se submetendo. Isto foi um enorme desacato, em termos de diplomacia.

Aquela tagarelice continuou ainda, tentando persuadir ao povo que a tudo aquilo assistia de sobre o muro, sorvendo toda essa amargura, minando a fé nos corações fracos.

Os três judeus por fim entram na cidade,e tentaram colocar tudo aquilo da maneira que ouviram e lançá-lo ao rei Ezequias, que ficou no palácio muito preocupado com a situação. Ao ouvir a nova Ezequias, consternado, rasgou suas vestes, e pôs sobre si um pano de saco, e assim se dirigiu ao Templo do Senhor, enviando o grão-mordomo, o seu escrivão e o seu cronista até o profeta Isaías para este inteirar-se do ocorrido.

Isto é fé. Muito embora entristecido por demais com aquelas palavras sem a mínima consideração, Ezequias sabia que o seu Deus tudo pode, nada Lhe é impossível, e foi consultar ao porta-voz de Yaweh, em última análise, foi consultar ao Senhor.

Buscai ao Senhor enquanto se pode achar; invocai-O enquanto está perto…

A resposta veio de imediato. O Senhor, Deus do Céu e da Terra, fala e traz um conforto enorme para os corações que estavam aflitos naquela hora.

Yaweh, que é Deus presente em todas as circunstâncias, disse a Ezequias que não temesse as palavras ditas pelos assírios, as quais tiveram a audácia de afrontar até mesmo ao Deus vivo, porque Ele, o Senhor, iria colocar um espírito de alerta e sobressalto no coração de Senaqueribe. Este ouviria algo que o faria correr de volta para a sua terra, onde ele seria morto a espada.

Senaqueribe mandou escrever em inscrições assírias que ele havia cercado Ezequias como um pássaro dentro de certo tipo de gaiola, em Jerusalém, mas que ocorreu a seguir?

Senaqueribe saiu de Laquis e foi sitiar a Libna, uma outra cidade do Sefelá, que se localizava naquelas proximidades, e ali ouviu falar que Tiraca, o rei da Etiópia, viera para guerrear contra ele. De posse desta informação, querendo apressar a tomada de Jerusalém para adquirir uma posição estratégica mais privilegiada, este então envia uma carta endereçada a Ezequias.

Qual o teor dessa malfadada carta?

Parecia até que Senaqueribe havia adivinhado que Ezequias naquele momento já havia recebido uma profecia do Senhor, prometendo-lhe vitória, e tranquilizando-o. Isto não foi por acaso. O diabo também tem seus informantes, quer sejam homens, quer anjos, e já estava ciente do fato, e veio mais uma vez tentar derrubar a fé no coração do rei de Judá.

Aquela carta fez um retrospecto das jornadas dos reis da Assíria pelas nações daquele Médio Oriente, mencionando oito reinos que sucumbiram aos seus pés, não tendo podido resistir-lhes.

E mais uma vez Senaqueribe pisou em falso, colocando a Yaweh no mesmo patamar dos deuses daquelas nações, e ousando afirmar que o mesmo aconteceria com Jerusalém. Era, já, a quinta vez em que o rei assírio ousara falar em tom de desprezo pelo Deus de Israel. Isto é realmente muito perigoso… na verdade, é tão fatal quanto um tiro no próprio pé, ou na sua própria cabeça.

Se Vc. recebesse então uma carta do diabo, ameaçando-o haver chegado o seu fim, dizendo que seus sonhos da parte de Deus se desfizeram, o que você faria?

Se a sua fé no Senhor já estivesse em baixa estação, passando por um período de congelamento, talvez você entregaria os pontos, desistindo de tudo, e submetendo-se a uma situação vexatória.

Se a sua fé, porém, ainda que pequena, está viva e tendente a crescer, provavelmente faria o mesmo que fez Ezequias: levou aquela carta à Casa do Senhor, aonde Ele prometeu estar, e a exporia ali, diante dEle, esperando pela apreciação do Todo-Poderoso, derramaria o seu coração diante dEle em uma fervente oração, e aguardaria pela resposta.

Desta vez a reposta não tardou…

Mais uma vez falou o Senhor através do profeta Isaías, filho de Amoz, o qual enviou um recado ao rei Ezequias, dizendo que ouviu a sua súplica a respeito daquele malfazejo rei da Assíria, e então colocou mais algumas coisas, como por exemplo, a percepção da maneira hostil e escarnecedora com que foi escrita aquela carta.

O Senhor também assumiu que a arrogância foi dirigida contra o Trono do Altíssimo. Acerca disto Ele disse, em versos de estilo poético, em tom sarcástico, até apimentado, que a Virgem, filha de Sião, isto é, Jerusalém, que foi ameaçada por estupradores estrangeiros, ela meneia a cabeça, desprezando e escarnecendo das ameaças feitas, malgrado toda a impáfia usada na aproximação.

O Senhor disse ainda que foi Ele mesmo quem deu aos assírios o poder de invadir, assolar e reduzir cidades fortificadas a montões de ruínas – e este foi o único e exclusivamente único motivo pelo qual eles, os Assírios, tiveram tanto sucesso, enchendo outros povos de pavor e vergonha, como se nada fossem, mas… porém… contudo… todavia…

Entretanto, o único Deus Verdadeiro ouviu as presunçosas palavras dirigidas contra Ele, o Altíssimo, e era já a hora de serem colocados os pingos nos ii. Eis aí o grande perigo: homens usarem de palavras acintosas contra o Todo-Poderoso. Ele não deixa passar em branco tais atitudes da loucura humana… ai dos arrogantes…

Então, o Senhor disse que colocaria um anzol no nariz e um freio na boca de Senaqueribe, e o puxaria de volta pelo caminho de onde veio. Palavras simbólicas sobre o que realmente estaria sendo preparado para o rei da Assíria, que não perdeu nada por esperar, mas quando a mão interventora de Deus agiu, houve uma reviravolta total na história da Assíria.

A extensão da destruição sobre a terra de Judá pela campanha assíria já havia causado um estrago enorme, mas a promessa era de que o que escapou, tanto em termos de moradores que restaram da matança e do exílio, o que estimamos ser apenas um terço da sua população, lançaria suas raízes para baixo e colheria dos seus frutos que vingariam para cima.

Mais específico ainda foi o Senhor, dizendo que Senaqueribe e os seus soldados não entrariam na cidade de Jerusalém, e nem sequer teriam a força para atirar uma flecha que fosse contra seus muros. Nem ostentariam ali seus escudos, e nem teriam a manha ou condições de construir rampas de ataque ao seu redor. A razão disso? Como e por que isto se daria assim?

Resposta:

Porque Eu defenderei esta cidade para livrá-la por amor de Mim e por amor do meu servo Davi.” (II Reis 19:14).

A maneira pela qual a Palavra de Deus se cumpriu foi surpreendente.

Senaqueribe foi deitar-se em uma noite com os seus planos ainda vivos em sua mente, pensando em estratégias para fazer frente a Tiraca, rei da Etiópia, e pensando ainda em lograr êxito no sítio de Jerusalém, estava cheio de expectativas de êxito, vitórias e mais vitórias, umas após outras; mas ao acordar no dia seguinte, pela manhã, tudo o fez mudar completamente.

Um, e apenas um dos anjos do Senhor, talvez o mesmo que executou a morte dos primogênitos do Egito, saiu naquela noite a visitar o acampamento dos assírios.

Cento e oitenta e cinco mil dos seus soldados, jaziam mortos, cada qual em seu lugar, inexplicavelmente. Foi um assombro. A aparição daquele anjo foi terrível. A morte ia colhendo soldados e mais soldados, como se fossem pencas de frutos maduros nas mãos do ceifeiro, que os largou ali onde estavam… Os pouquíssimos restantes que notaram o que ocorrera, apressaram-se a sair dali, e voltar para a Assíria. Senaqueribe, envergonhado, foi juntamente com esses, como se houvera dado muito mal em uma batalha fulminante… e lá se foi para a eternidade aquele enorme exército poderoso que ele comandava…

Na pressa de sair daquele acampamento, Senaqueribe deixou ali, todas as peças de ouro e de prata que havia acumulado naquela sua campanha, inclusive aquelas que ele tomara de Jerusalém, quando enganosamente simulou uma negociação com Ezequias. Aquela “coisa” ia matando seus compatriotas com tanta rapidez, que os remanescentes daquela praga só tiveram tempo de correr para salvar as suas vidas… Eles foram rapidamente às suas montarias, e trataram de fugir, fugir, fugir, e era só com isso que seus pensamentos, cheios de medo, tomavam conta de suas mentes.

Com quem ficou toda aquela riqueza? Para quem Senaqueribe ajuntou tantos e tantos valores? Para o seu reino? Ou para algum de seus filhos? Não. O dono da prata e do ouro, o Criador de todas as pedras preciosas que se descobriram neste mundo, as entregou nas mãos de Ezequias, que então tornou-se o rei mais rico daquele Médio Oriente…

Para os judeus, este capítulo bastaria se fosse encerrado por ali, mas o Senhor quis que algo mais acontecesse, em decorrência do fato que deixou aos assírios estupefatos.

Senaqueribe tinha lá também o seu deus, chamado de Nisroque, ao qual era agradecido pelas suas venturosas campanhas militares mundo afora, e a quem atribuía todo os seus sucessos.

Era então chegada a hora de um ajuste de contas com um rei que recebera de Deus toda a força e a glória para ser um imperador temido em toda a sua região, que, em vez de reconhecer o verdadeiro Senhor que lhe concedera um brilhantismo tal, estava adorando a Nisroque, deus que não passava de outro como os outros, dos povos a quem vencera.

Foi quando dois de seus filhos, rebeldes e envenenados pelas circunstâncias que os envolveram na época, o assassinaram e fugiram para a terra de Ararate.

CONCOMITANTEMENTE, UMA OUTRA CRISE:

Foi bem naqueles dias que Ezequias caiu enfermo de morte em seu leito de dor, ensejando a um triste crepúsculo de um reinado de um homem que foi totalmente fiel a Deus, como poucos.

Médicos tentaram reanimá-lo, mas em vão. Seu estado piorava cada vez mais, até que ele mesmo chegou a duvidar se conseguiria levantar-se daquela cama. Sim, isto pode acontecer com os mais fieis servos de Deus. Ninguém se iluda ao ponto de achar que nunca será acometido por enfermidades, porque estas infringem sérios problemas tanto a homens de Deus, como a outras pessoas deste mundo. Sob este Sol, não há privilegiados…

Recordamos que Isaque ficou cego antes de falecer; Jacó previu sua morte e antes que esta o colhesse, convocou a todos os seus filhos para os abençoar, e em seguida morrer. O profeta Eliseu também ficou enfermo de morte em seu leito, quando pôde ainda mais uma vez profetizar ao rei de Israel, Jeoás.

Ezequias também estava então enfermo, e o profeta Isaías, ao visitá-lo, entregou-lhe uma palavra que o rei não teve estrutura para recebê-la de boa mente, pois que ele estava oficialmente no trono havia apenas quatorze anos, e havia vivido até então por trinta e nove anos. Estava, portanto, ainda nos anos em que homens desfrutam do seu maior vigor, e recebera uma sentença de morte, proveniente da boca de Deus.

Ele vinha desempenhando um papel significativo, na condução de seu povo para a fé e a adoração a Yaweh, com um zelo e amor muito grandes. Fez o que muitos não fizeram, para atrair aquela população para a Casa do Senhor. Era realmente muito fiel a Deus, sem haver em que o contestar.

Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” , foi a palavra que recebera….

Aquilo chocou a Ezequias. Não era o que ele estava esperando, principalmente porque, em parte devido a seus afazeres, e também ao tempo tão ruim e desafiador que teve de viver, ele não havia ainda conseguido sequer gerar um filho que o pudesse sucedê-lo no trono.

As promessas de Deus a Davi, porém, não lhe eram ignoradas. Ele sabia que um descendente de Davi haveria de substituí-lo no trono – mas quem? Se então ele teria de ser recolhido pela mão do Senhor, por certo que não haveria de ser nenhum filho seu. Quem então? Um sobrinho? Um primo? Um irmão? E qual seria a educação que o tal haveria recebido, para assumir tão grandes responsabilidades, diante de uma terra que necessitava de urgentes providências no sentido de ser restaurada dentro de pouco tempo?

Ele sentiu que não tivera tempo e condições para preparar um herdeiro que regesse dignamente o povo de Deus, e, partindo logo, como estipulara a profecia, ele viu que suas expectativas de vida estavam todas naufragando.

Ora, o fato de um rei deixar uma descendência gerada de seus lombos era um fato que denotava que a mão de Deus o estava abençoando. Por isso foi que Davi exultou, ao saber da boca de Deus que não somente um filho de sua descendência direta, bem como toda a sua linhagem estava abençoada pelo Senhor, e que Um deles haveria de reinar para sempre…

Ezequias, sentindo-se pequeno demais, sem forças, sem ter outra opção e sem ter como questionar a respeito, virou o seu rosto para o lado de sua cama, e chorou muito, muitíssimo, orando, e fazendo apenas aquilo que podia fazer, submisso e lembrando-se de que havia sido muito fiel a Deus até aquele momento. Ele colocou-se totalmente nas mãos de Deus, sabendo que o seu futuro só seria abençoado por Ele, tanto nesta Terra, como na eterna dimensão do espírito.

Era o que o Senhor estava esperando que fizesse, para então mudar o rumo dos acontecimentos e de sua história.

O profeta Isaías ainda estava saindo dos jardins do palácio, quando o Senhor lhe diz para voltar, pois tinha uma nova palavra endereçada ao rei:

Assim diz o Senhor, Deus de teu pai Davi: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Eu te curarei, depois de três dias subirás ao Templo do Senhor. Acrescentarei quinze anos à tua vida; e livrarei a ti e a esta cidade por amor de Mim e por amor do meu servo Davi”. (II Rs. 20:4-6)

Após esta palavra, apenas uma pasta de figos foi untada à úlcera, e ele se recuperou.

Ezequias ainda teve a liberdade de pedir um sinal que fortalecesse a sua fé, e o Senhor o deu: a sombra do ponteiro do relógio solar do rei Acaz andou para trás, em vez de seguir o roteiro normal, por dez graus, ou sejam, vinte minutos. Isto foi coisa de somenos para o grande Criador do céu, da terra, do sol, e de todo o sistema do universo. Ezequias o observou, constatou a maravilha, creu e recebeu o milagre de sua cura.

Para agradecer esta grande benevolência, ele foi ao terceiro dia a adorar a Deus, agradecido.

O DESCUIDO DE UM REI ABENÇOADO:

Depois de ter sido curado e ficado livre da grave ameaça de Senaqueribe, Ezequias parece ter sido atingido por uma síndrome: a do homem que foi marcado para vencer a tudo e a todos, e até a morte se dobrara diante de si. No lugar onde o seu coração deveria ter-se tornado mais apegado humildemente ao Senhor, ele passou a nutrir um sutil sentimento que o fez cair no engodo da vaidade pessoal.

Os medos então, aproveitando o momento de fraqueza do império assírio, tomou-o, avassalando-o e assim a ameaça que tanto fez Ezequias e seus oficiais tremerem, repentinamente se desfez por completo.

Um outro império, porém, estava crescendo: o da Babilônia. Seu chefe de Estado enviou embaixadores para visitar a Ezequias, e tentar estabelecer uma aliança com o reino de Judá. Merodaque Baladã até enviou presentes ao rei Ezequias, que recebeu com honras àquela comitiva.

Inadvertidamente, Ezequias, cheio de orgulho, mostrou-llhes as riquezas e o poder que detinha em suas mãos, sem nada lhes esconder.

Foi um passo mal dado. Isto não se faz a um reino vizinho; seria como que mostrar aos bandidos aonde se esconde o ouro a ser roubado. Revelar segredos de Estado. Infelizmente, foi um ato muito impensado.

Novamente o profeta Isaías foi usado pelo Senhor para mostrar que Ele de tudo sabe, pois que é Onisciente. Voltou o profeta outra vez à presença do rei Ezequias, desta vez para lhe dizer que a Babilônia um dia haveria de voltar a Jerusalém para buscar e levar toda aquelas riquezas que o rei e os seus antecessores conseguiram acumular até aquela data.

E mais: dos descendentes de Ezequias, alguns seriam levados para serem eunucos do palácio do rei de Babilônia.

Parece que os melhores homens de Deus têm lá as suas fraquezas, e estas, por vezes surgem à tona como que a demonstrar que todos pecaram e destituídos estão da glória divina. Considerando isto, o Senhor apenas prometeu a Ezequias que este haveria de ter paz em todos os seus dias, até o fim de sua jornada terrestre – ao que o homem agradeceu.

A vida, as lutas e os desafios do rei Ezequias realmente denotaram que ele era um homem de Deus. O que mais deve chamar a nossa atenção é o fato de o Senhor ser tão bondoso e misericordioso, tal como aconteceu.

O fato mais importante é que, quando alguém se esforça e procura agradar a Deus com todas as suas forças que tem, acaba encontrando a Sua graça em algum momento de sua vida, apesar de que todos os seus feitos, ainda que hercúleos ou prodigiosos, não chegam a juntar méritos suficientes ao ponto de merecer a bênção divina. O mais importante é a Sua imensa graça.

E quando o diabo vier com os seus asseclas, rápido para atacar, com toda a sua fúria, vangloriando-se de todas as vantagens que alega ter em suas mãos, procurando intimidar e difundir terror, eis que os fieis servos de Deus têm os mesmos privilégios que recebeu Ezequias.

Talvez alguém tenha realmente contraído uma dívida impagável junto ao seu inimigo, e por isto sinta que agora sua vida acabou. Relaxe, pois temos Alguém que já pagou a maior dívida de todas em nosso lugar: Jesus, o Cristo, o qual, tendo tomado a cédula de crédito que estava nas mãos do diabo, Ele a tomou, e riscou-a com o Seu próprio sangue, cravando-a na cruz. (Colossenses 2:14) Está paga a dívida.

O diabo já lhe escreveu uma carta, um bilhete, ou simplesmente um recado ameaçador? Um só anjo do Senhor nosso Deus será o suficiente para acabar com a força de um exército de cento e oitenta e cinco mil contrários.

E quando uma doença incurável vier a pousar sobre o corpo de um humilde servo de Deus, bastará uma simples pasta de figos para desfazer milhares de problemas que possam ameaçar a sua vida…

Assim é o Senhor, o nosso Deus. A Ele, sejam dadas todas as honras e glórias, porque realmente Ele de tudo sabe, e sempre será o Vencedor.


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