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NÚMEROS – II – DEUS ORDENA: CONTAR PESSOAS

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abril 7, 2014 by Bortolato

Tenda da Congregação

Por quê? Porque cada um de nós é um ser importante para Ele.   Não somos apenas um número, mas indivíduos  a quem Ele trata um por um, como pessoas, e coletivamente como um povo.

Em Números, capítulo 3, Deus ordena a contagem dos levitas, e lhes confere as atribuições a Seu serviço.   Três eram os filhos de Levi: Gerson, Coate e Merari, os quais deveriam trabalhar junto à Tenda da Congregação, e junto ao pátio que a envolvia, a fim de que tudo estivesse em ordem para a ministração sacerdotal.

O sacerdócio, conforme já anunciado anteriormente, ficaria ao encargo de Aarão e seus filhos.   Estes deveriam ser treinados para se vestirem de conformidade com as especificações que Deus lhes dera.   Seriam ungidos e consagrados para tanto, de modo que outros pretendentes a este serviço de Deus não poderiam invejá-los, e cobiçar suas atribuições, caso contrário, esses tais pretensos seriam mortos (Números 3:10).

O Senhor então esclarece que, como no Egito foram poupados da morte os primogênitos de Israel, Ele os santificou, de modo que  estes seriam os que deveriam ser destinados ao serviço do Tabernáculo, mas então o Senhor faz uma troca:  os primogênitos são substituídos pelos levitas.   Assim, os levitas todos foram escolhidos no lugar dos primogênitos de Israel.   Os animais dos primogênitos também foram preteridos, e escolhidos os animais pertencentes aos levitas.   Para não se dizer que tudo não passou de meras palavras, ambas as partes foram contadas rigorosamente.

Esta troca de escolhidos nos mostra, antes de qualquer coisa, a soberania de Deus.   Quando assim Lhe apraz, Ele aceita substituições, mas somente se estas estiverem em consonância com Seus desígnios.    No Monte Calvário, pois, Ele aceitou  a auto-oferta de Jesus, para morrer em nossos lugar, um só homem no lugar de bilhões e bilhões.   Se pareceu a alguém que Deus abusou de Sua autoridade, fazendo a  troca dos primogênitos pelos levitas, ninguém poderia reclamar da troca radical que Ele fez:   em nosso lugar, somente Jesus!   Para que a Sua graça pudesse ser manifesta neste mundo!   Essa troca substitutiva que tanto nos beneficia, foi um verdadeiro estrondo da bondade, misericórdia para conosco, e de um extremo altruísmo e espírito de sacrifício e de renúncia a Si próprio.   Quem daria um só de seus filhos para morrer em lugar de gerações de homens e mulheres pecadores, rebeldes, sujos pelo pecado, totalmente indignos?   Pois Ele não vacilou, mas no tempo aprazível, planejou, e  agiu como quis, nos dando o maior presente que alguém poderia dar ao mundo: o Seu próprio Filho!  Como não devemos confiar nEle?   Sua afável Oferta de amor nos leva à contrição.  Ele é inigualável em amor por nós.

Em Números, capítulo 4º, há uma distribuição de encargos para os levitas, e estes são submetidos à autoridade de Eleazar e Itamar, filhos de Aarão.

Os sacerdotes é quem teriam de cobrir a Arca da Aliança, bem como os utensílios da Tenda: os castiçais, o altar de ouro, os vasos, e até os pães da proposição.   Nos versos 4:17-20 vemos algo terrivelmente de importância capital: os levitas nunca deveriam, mesmo em serviço, ter a curiosidade de ver, nem de relance, a Arca, e nenhum outro utensílio do Tabernáculo.   Os sacerdotes levíticos, sim, deveriam, com muita reverência, cuidado e zelo, cobrir essas peças com panos azuis, carmesim e púrpura, e ainda por cima destes tecidos, uma coberta de peles de um animal denominado de tahas.

Somente UM sacerdote poderia comparecer perante o Lugar Santíssimo, uma vez ao ano, não sem antes borrifar do sangue, e depois, devagar, com muita cautela, adentrar em um ambiente totalmente tomado pela fumaça do incensário, para não lançar seu olhar sobre a Presença de Deus ali, deparando-se com  o Santíssimo, pois isto seria vê-Lo, dar seu último suspiro e morrer.   Aquela visita única de cada ano devia ser preparada com muito esmero, temor e tremor.  

Os levitas, não os sacerdotes descendentes de Aarão, portanto, jamais deveriam sequer olhar para a Arca e seus acessórios, antes de esta ser completamente coberta.   Após a cobertura com peles de tahas, (em hebraico, tahas pode significar texugos ou dugão, mamífero pertencente à família do peixe-boi), então vinham os filhos de Coate, tomariam das varas de transporte cobertas de ouro e os moveriam de um lugar para outro, com o sério e impressionante detalhe de que não poderiam sequer tocar nos objetos sagrados.   Se o fizessem, morreriam – foi o que aconteceu com Uzá, cerca de 400 anos depois, que foi ferido imediata e fulminantemente pelo Senhor (II Samuel 6:1-6).

O que depreendemos desses nuances da Lei de Deus é que realmente, nenhum homem verá a face de Deus, e viverá, a menos que esteja contemplando a face de Cristo, o Deus Filho, o qual se manifestou em carne, e viram a Sua glória, glória do Unigênito do Pai (João 1:18).

 

Números, capítulo 5

º, versos 1 a 4, nos trata de leis sobre higiene.   Há uma ordem de cunho sanatório e preventivo, a fim de que a lepra, ou o fluxo de sangue, ou o tido por imundo por tocar em cadáver não contaminasse a outrem, e se espalhasse no meio do povo.

Os israelitas tiveram de agir de forma a excluir tais pessoas do seu acampamento.   Isto não significava que tais pessoas fossem rejeitadas por Deus, pois quando Jesus veio a este mundo, atraiu a todos os enfermos de várias moléstias, e os curou.   Aqui, mais uma vez vemos a limitação da Lei, e a excelência da graça de Cristo.   A Lei ordenava, a fim de que não houvesse impureza no arraial de Deus, que essas pessoas fossem segregadas à parte do restante do povo, mas Jesus não somente mostrava compaixão pelos impuros, como os purificou, para glorificar a Deus.   A graça de Cristo nos mostra que a misericórdia do Senhor sempre foi um forte traço do coração de Deus, sempre plena e abundante.   Aonde quer que Jesus esteja, ali não haverá enfermidade ou impurezas da carne que resistam.   Ele nos traz cura, purificação, restauração de vida, libertação do pecado, e alegrias sem fim.

Em Números 4:5-10, lemos sobre a lei da Restituição.

Quando alguém tomasse emprestado, ou detivesse em suas mãos algo alheio e não o restituísse, ou por algum motivo ficasse com algo que não lhe pertencesse, prejudicando assim ao seu próximo, tinha a oportunidade de mostrar arrependimento, devolvendo o retido, acrescido de um quinto do seu valor.

Poderia dar-se o caso em que a pessoa a quem era o valor devido não se achar mais; então a entrega deveria ser feita a um parente próximo; e se este também não fosse encontrado, a restituição pertenceria ao Senhor, a ser dada nas mãos dos sacerdote, juntamente com uma oferta de um carneiro como propiciação pela culpa.

Isto significa que nada nos pertence, mormente aquilo que era de outrem.   Não devemos ficar, em hipótese alguma, com aquilo que não nos pertence.   O que devemos ao próximo, seja restituído.   O que a nós nos for confiado por Deus, um dia deixaremos nesta Terra, e nada levaremos para o além-túmulo .   A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.  Tudo é dado ao que crê, mas desse tudo não levaremos nada material para a vida eterna.   Precisamos, por isso, saber dar o devido valor a cada coisa nesta Terra.   Saibamos possuir tudo, sem nada termos, pois tudo é nosso, e nós de Cristo, e Cristo de Deus.

Números 5:11-29 – Uma suspeita intrigante.

O casamento é um dos pactos que os homens devem honrar e respeitar, pois traz no seu bojo uma promessa de amor e de fidelidade ao cônjuge, a toda prova.   Um casamento é uma figura de algo muito sublime, no fundo.    Deve durar  até que a morte separe, mas prefigura o casamento  de Cristo com Sua noiva, a igreja, e este é de duração eterna.   É uma união de pessoas que por princípio devem amar-se até o fim de suas vidas, até a morte.  Cristo, o noivo, amou e ama incondicionalmente à sua igreja – e esta, individualmente, deve amá-Lo da mesma forma.

Se parte do povo de Deus não amá-Lo de todo o coração, de todo o entendimento, com todas as suas forças, estará tentando um enlace incompleto com o Senhor.   Não será uma união muito abençoada, pois a bênção maior está na comunhão completa e profunda que se espera de uma casamento – um Noivo muito cheio de amor e até paixão por sua noiva, e uma noiva que deve nutrir o mesmo sentimento para com o seu noivo, para acontecer um casamento feliz.

Quando um amor não é correspondido, pode haver traição, adultério.   Isso é algo muito pesado, difícil de ser suportado pela parte traída, e altera completamente a vida dos cônjuges.

No Antigo Testamento era prescrita a sentença de morte a quem quer que se entregasse a tal tipo de traição.   Tudo muito rígido, para mostrar que o Senhor sofre, quando é traído por algum de seus filhos.   Ele é uma pessoa, e não mera influência ou poder não identificado, não é tampouco um todo ou conjunto indivisível, fundido de coisas e pessoas.   Ele tem sentimentos.   Ele sofre, e o adultério é algo que revela que Ele detesta a infidelidade, ao ponto de ter que punir aos infratores.

Assim, quando alguém peca neste sentido, deixa a outra parte prejudicada ao extremo, e não há como desfazer tal prejuízo, tanto quanto não se pode recolher palavras, uma vez proferidas.

O tratamento veterotestamentário para esse tipo de ultraje é drástico.   Semelhantemente, a suspeita de adultério era alvo de procedimentos rígidos.   Contudo, quando o fato não fosse comprovado, mas persistisse a suspeita, havia apenas uma opção: entregar o problema nas mãos de Deus.   Esta entrega, então, se atinha em feitos cerimoniais.    Interessante notar que não se menciona mulheres que suspeitassem de seus maridos, o que cremos que se deva aos costumes de poligamia e de concubinato, pertinentes à época e lugar.   No caso autóctone, porém, o marido desconfiado traria uma oferta de farinha de cevada ao sacerdote, vindo acompanhado de sua mulher, a qual  portaria nas mãos a oferta.   O sacerdote tomaria de suas mãos a oferta, e faria com que a mulher bebesse de uma água que, dentro de um jarro, conteria também uma pequena porção da terra do Tabernáculo.   Haveria uma conjuração concorde entre o sacerdote e a mulher implicada, de que em caso de culpa, esta sofreria as consequências de uma maldição que deformaria o seu corpo, e a tornaria estéril.   Feito isto, o sacerdote então  entregaria a oferta ao Senhor, ficando claro que se a mulher não tivesse sido infiel, nenhuma praga lhe acometeria, e ela conceberia filhos normalmente.

Mais uma vez vemos o quanto Deus fazia sagrado o chão do Tabernáculo.  Até o pó, que dali fosse tomado, era santo, e por este motivo é que este ato, que por muitos pudesse parecer  anti-higiênico,  era obedecido com muita fé e temor.    As mulheres inocentes nada tinham a temer.   As culpadas sofreriam de certa disfunção fisiológica, mas nada se menciona a respeito de serem levadas a apedrejamento – mesmo porque o juízo de Deus já se teria lançado sobre sua vida, pois uma mulher estéril, e de corpo deformado, seria uma mulher já tratada com menosprezo, não somente pelo marido, mas também pela sociedade que a cercava.

Vale comentarmos que esta passagem se reporta somente aos casos de adultério por parte das mulheres, restrição devida a alguns fatores:

  • A cultura da sociedade tribal da época considerava que os homens podiam casar-se com mais de uma mulher, além de poder adotar concubinas – daí tornar-se mais difícil de ser configurado os casos de homens adúlteros.  O caso do rei Davi foi tratado por parte de Deus de forma especial, expondo o que foi ocultado, e trazendo consequências funestas ao seu reinado;  mas a sentença de morte por apedrejamento era o tratamento dado para delitos desse tipo, de forma que os homens não eram acusados de “suspeita”, mas condenados ao apedrejamento, nos casos comprovados.
  • Este trecho bíblico está prefigurando o amor e o casamento de Cristo com a Sua igreja, que, no caso, poderá ser fiel ou não; e em se dando o caso de a noiva, a igreja, ser infiel, sobre esta repousariam maldições atraídas pelos seus pecados.
  • Notar que Cristo é um, e a Sua noiva é um conjunto de pessoas salvas, tratadas com livramento da morte eterna individualmente.   Ele é eternamente fiel, mas a Sua noiva teve que ser purificada de seus pecados, de sua infidelidade a Deus.  Percebe-se então uma certa diferença entre o espírito da Lei e o de Jesus.   No A. Testamento, qualquer adultério devia ser julgado e sentenciado com morte lenta, pedra por pedra; e em caso de suspeita, com uma maldição condicional da qual a mulher (figura da igreja) só ficava livre se de fato não havia cometido o delito.   Já Jesus perdoou à mulher adúltera, e oferece seu sangue purificador até para casos que permaneceram em oculto, quais, na verdade, estão muito claros aos Seus olhos que tudo veem.   A excelência de Jesus é notória e muito sublime.   Bem-aventurados os que choraram por seus pecados, reconhecidos de que, sem a Sua graça, nada seriam senão pecadores condenados, e que entregaram-se em Suas santas mãos.


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