NÚMEROS – XXIX – UMA VISÃO QUE DEUS DEU/ BÊNÇÃOS EM MEIO A TRAGÉDIAS

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julio 22, 2014 by Bortolato

NÚMEROS – XXIX – UMA VISÃO QUE DEUS DEU/ BÊNÇÃOS EM MEIO A TRAGÉDIAS

Um grande povo, de cerca de dois milhões de pessoas, receberam um presente de Deus – uma terra onde pudessem assentar-se, que tinha que ser conquistada e possuída.

O Senhor, que um dia chamou a Moisés para subir em um alto monte, na terra de Moabe, para dali poder ver a terra a ser possuída, passou-lhe uma visão, e ele viu os confins da terra.    Aquilo lhe parecia um sonho, mas era também um desafio:   Deus convidou os israelitas a crerem, serem revestidos do poder do Alto para a conquista, e encheu seus corações com a iminência esperançosa do que estava prestes a acontecer-lhes.

Seus corações ficaram instigados.   Eram dias como os que acontecem em uma véspera de Natal, quando pais começam a falar a seus filhos que estava chegando o dia, e faltavam poucas horas para estes acordarem com o raiar da luz do sol, despertarem de seu sono da noite, e quando se achegassem junto ao pé da árvore de Natal, veriam o que lhes estava preparado e reservado já dias antes.    As crianças arregalam seus olhos, esfregam suas mãos, batem palmas, dão pequenos gritos de exclamação, e quando veem a promessa realizar-se diante de si, tomam seus pacotes nas mãos e começam a desembalar seus presentes, cheios de expectativas.

Os pais dizem: este aqui é para o fulano, e aquele ali para o cicrano… e aquele outro é da zizinha.

Esta é uma situação semelhante ao que acontece quando lemos Números 34.     A terra já havia sido vista.   Faltava, ainda, saberem o que seria dado a quem.

Seus limites ao norte, sul, leste e oeste estavam delineados.   O rio do Egito ao sul, passando por Cades Barnéia.   O rio Jordão a leste, e o grande mar, o Mediterrâneo, a oeste.   Ao norte, ultrapassavam-se as colinas de Golan, até a entrada de Hamate.

Já duas tribos e meia, Ruben, Gade e meia Manassés, àquelas alturas, haviam recebido as terras a oeste do Jordão, como os seus “presentes” que desembalaram, e já estavam começando a tomá-los nas mãos, e a desenvolver os primeiros contatos com os mesmos, como crianças começando a brincar com seus brinquedos com que foram recém presenteadas.

Para as restantes nove tribos e meia, no entanto, a terra à vista era como uma porção de presentes colocados indistintamente diante de seus olhos.   Ninguém deles sabia, naquela hora, qual porção iria herdar, mas eles sabiam, tinham fé, que estava próximo o dia de alcançá-la e ali poderem assentar-se.

Quanto aos limites propostos em Números 34, há que se considerar que estes eram os ideais, e que os israelitas nem sempre os tiveram sob seu controle.    A faixa de Gaza, por exemplo, esteve muito tempo sob domínio dos filisteus (até mesmo nos reinados de Davi e de Salomão), e a faixa oeste do mar de Quinerete, da mesma forma, nas mãos dos gesuritas.

Quando Jesus, entretanto, nos lega a sua grande comissão, de irmos por todo o mundo, pregando o evangelho (Marcos 16:15; Mateus 28:19), fazendo discípulos de todas as nações, vemos a diferença entre a Velha e a Nova Aliança.   Não há restrições de áreas para o evangelismo em todo o mapa do globo terrestre.   A porta que o Senhor abre, ninguém fecha; e a que Ele fecha, ninguém abre (Apocalipse 3:7).   Fechada foi a porta de Canaã às sete nações da terra de Canaã, e aberta para Israel ali adentrar.   Da mesma forma, o mundo tem que abrir suas portas para que o evangelho seja pregado a toda criatura, para que sejam salvas.

A Lei dada através de Moisés estava sendo implantada entre os hebreus.   Estes estavam para se instalar em Canaã, e aplicar a Lei do Senhor.    Então a Lei foi estabelecendo os direitos de cada cidadão, e mostrando, ao mesmo tempo, que todo o direito de posse da terra pertence a Deus, que a criou.   O direito outorgado a homens implica que o poder de outorga está nas mãos de Deus.   Na verdade, no fundo, nenhum ser humano tem direito a posses vitalícias.  A Deus pertence todo o direito, e Ele o concede a quem o conceder.   A Ele, pois, seja o louvor, a glória e a honra.

Números, capítulo 35: Deus transforma tragédias em bênçãos.

Se V. fosse o juiz de intrincados casos de homicídio, e a Lei previsse pena capital aos tais, V. concordaria em mandar para o “corredor da morte” tais pessoas?

Em alguns Estados da América do Norte essa punição é prevista por força de leis em vigor.   Homens e mulheres que, um dia se tornaram homicidas são julgados, e quando condenados são, num passo seguinte, executados.

Essas execuções são embasadas nas próprias leis que homens elaboraram. Também foram aplicadas penas de morte nos dias do Antigo Testamento, em Israel.

Havia vários motivos para aplicação de penas capitais, mas a mais clamorosa, e dramática era aquela que propunha a vingança de um assassinato.   O princípio que rege tal lei é a do clamor do sangue derramado.   Deus mesmo viu o clamor deixado por causa do sangue de Abel, e foi cobrá-lo de seu irmão Caim.

Desde os tempos de Noé, antes do Dilúvio, os homens matavam uns aos outros com tal frequência e facilidade que, enojado dessa violência humana, após o cataclismo, o Senhor ordenou:

Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu, porque Deus fez o homem a sua própria imagem.”  (Gênesis 9:6)

Ao surgimento da Lei do Antigo Testamento o Senhor então AUTORIZAVA que o sangue de assassinatos fossem vingados:

“O vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á.” (Números 35:19, 21)

Esta era a Lei: que criminosos fossem punidos.   Os matadores teriam que ser mortos pelas mãos de homens.

Era época da Lei.   Tinha que ser assim, a fim de que a Terra não se tornasse novamente detestável aos olhos de Deus, ao ponto de ter que sofrer outra catástrofe mundial, como nos tempos do Dilúvio.   Assim foi previsto na época da Lei do Talião.   Era olho por olho, dente por dente, para que ficasse bem claro e estabelecido que Deus estava colocando na Terra o direito de cada um, o que, paralela e implicitamente, coloca o dEle também.

Contudo, as coisas que acontecem não são tão simplesmente contadas, e nem é o que  parece ser.   Há situações que se complicam à medida que certos detalhes vão surgindo – e isso deve mudar também a maneira de vermos e julgarmos.

Certa vez, assisti a um julgamento, onde uma mulher foi submetida a júri por ter assassinado o seu companheiro.    Ela tinha um filho, um menino de cerca de cinco anos de idade, mas coabitava com um homem que não era o pai da criança.   O tal homem se embriagava constantemente, e toda vez que assim chegava em casa, aplicava uma surra sobre a tal mulher, sua companheira.   Ela vivia cheia de hematomas por consequência desse tipo de convivência.   Quando ele falava qualquer coisa irado, logo vinha a série de golpes e pancadas.   Cansada desse tratamento, ela não tinha para onde ir, e a casa onde moravam era seu único lugar de moradia.   O clima de terror foi-lhe invadindo a alma, pois passou a temer por sua própria vida.   Não bastasse isso, um dia aquele homem, ao chegar bêbado em casa e espancar a pobre mulher, ainda ameaçou matar à criança.   Ela, movida pelo medo, tomou do machado de rachar lenha, e aplicou um golpe certeiro sobre a cabeça do infeliz.   Ao ser julgada, o júri a absolveu por maioria de votos.

Como V. a julgaria?   Este foi um caso à parte.   Hoje estamos em outra dispensação de Deus, que é a da Graça.   O nosso espírito está ou pelo menos deve estar estribado em uma outra postura, diferente da que se tinha na época da Lei do Talião.

Apesar de a Lei do Talião prescrever tão dura sentença, de outro lado já havia a previsão de homicídios não intencionais.

Observe-se as tensões.  Não teria havido dolo ou culpa, mas sim, teria havido um acidente, uma fatalidade.

Os parentes do morto, movidos pela sede de vingança, eram, desde então, autorizados a procurar o agente do homicídio, e sumariamente executá-lo!   Estes tendenciosamente nem sequer aventariam a hipótese de inocência ter ocorrido no que tange à parte do agente da morte.   Sua propensão seria a de buscar a vingança, e nem quererem saber como foi, o que foi, circunstâncias, quando ou onde, se havia ou não o porquê.   É a reação comumente achada dentro dos corações dos parentes do atingido pela tragédia.    No momento em que a adrenalina sobe, sobe também a cegueira moral, e as ponderações são menosprezadas.

Imagine-se, pois, a situação daquele que acidentalmente acabou matando a alguém.   Não teve intenção, mas aconteceu.   Que chance teria de escapar das mãos de vingadores?

Para esses  casos o Senhor, antes de haver a distribuição da Terra entre as tribos, já prevendo tais incidentes, ordenou que houvesse seis cidades de refúgio: três em Canaã e três na Terra de Gileade.

A fim de que não houvesse mais derramamento indevido de sangue inocente, o que fora tido por assassino deveria percorrer certa distância e logo se apresentar em alguma “Cidade de Refúgio”.   Estratégia de Deus, para dar tempo para se aplacarem os ânimos.   Uma realocação da pessoa alvo da ira da família do morto, para evitar o contato direto com os mesmos.  O implicado naquela morte teria de correr para não ser apanhado antes de lá chegar, no seu local de refúgio.

Em lá chegando, então a congregação teria que julgar entre o matador e o vingador do sangue.  E quem seriam os ilustres e respeitados cidadãos que comporiam o júri para a ocasião?   Pois o Senhor mesmo determinara que nessas Cidades de Refúgio, bem como nas outras 41 em Israel, os Levitas seriam os moradores e os líderes locais.    Levitas, homens que não se davam ao trabalho dos campos, semeadura e colheita, mas ao estudo, e aplicação da Lei do Senhor – não somente para defender, pois não era para se defender a culpados, mas para livrar os inocentes das garras dos vingadores.

Aqueles homens que um dia foram infelicitados pela desdita de verem que suas vidas, passiva ou ativamente,  mas acidentalmente coparticiparam, de forma a concorrer com a morte de alguém, com quem não tinham nenhuma rixa ou contenda, se de um lado tiveram suas mentes e corações abalados pelo desastre ocorrido, nas Cidades de Refúgio teriam então a chance de ouvir a Lei explicada minuciosamente, através da instrumentalidade dos levitas, até que morresse o Sumo Sacerdote – mas ali deveriam até então permanecer, a fim de salvarem suas vidas.

Em tudo demos graças.  Uma tragédia pode oferecer uma chance de alguém conhecer melhor a Deus e à Sua Palavra.   Vejamos as palavras do Salmo 9:9:

“O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação”.

Logo, percebemos para que o Senhor quis ter 48 cidades destinadas à moradia dos levitas:  a fim de que estes estivessem espalhados pela terra de Israel, e próximos de todo aquele que, sedento pela Palavra de Deus, pudesse encontrar o que está procurando.

Nisto vemos também que a igreja hoje exerce a mesma função – a das Cidades de Refúgio.   Felizes os que podem encontrar levitas que ensinam, pregam, louvam a Deus, levam o evangelho do Senhor Jesus e encontram a cura para suas almas, e a salvação de Deus, a absolvição de seus pecados.   Bem-aventurados são!

Que o Senhor estenda a Sua beneficência a todos quantos se julgarem infelicitados por algum acidente de percurso, ou desastre em sua vida.   Colocando-se diante dEle, em Sua casa possam aprender, beber de Sua Palavra, do Seu Santo Espírito, sejam recuperadas, restauradas, reerguidas, sejam como José do Egito, que ao nascer dos filhos que o Altíssimo lhe deu, denominou-os:

  1. Manassés (= fazendo esquecer), pois Deus apagou da memória os sofrimentos do seu passado.
  2. Efraim (=duplo fruto), pois Deus o fez frutificar e prosperar na terra onde antes viu a aflição.

Que assim seja. Amém!


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