OS NOMES DE DEUS E A ORAÇÃO DO PAI NOSSO

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agosto 9, 2012 by Bortolato

 

OS NOMES DE DEUS:

 

            Sempre houve uma forte oposição entre o Deus verdadeiro e os deuses.

            Se atentarmos bem para os nomes de Deus, vemos que o próprio livro de Gênesis começa, em seu primeiro versículo mencionando que:

            “No princípio, criou Deus os céus e a terra.”

            A palavra que então intentou designar a Sua santa Pessoa foi escrita em hebraico antigo, a qual, transliterada, lemos “Elohim”.   Assim, aparece o Seu nome em Gênesis, no primeiro versículo da Bíblia.

            Temos, porém, que considerar que, tanto o termo hebraico, como o grego Theos, ambos foram utilizados para denotar, no politeísmo, um deus ou uma deidade (conf. Atos 14:11; 19:26; I Coríntios 8:5; Gálatas 4:8).

            Por causa disso, os judeus se apropriaram da palavra, e os cristãos a retiveram, para denotar o Único e Verdadeiro Deus.   Esta apropriação já é prova de que havia “concorrência” de seres que, antes mesmo da Lei, e até antes de Abraão (que viveu em cerca de fins do século XX e início do século XIX A.C.) havia povos que divinizaram seres espirituais, e, via de regra, faziam estátuas destes par os reverenciar.

            A revelação de Deus a Moisés c. 1500 AC., pois, começou a referir-se a Ele, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó,  pelo nome que melhor lhes pareceu cabível.   Elohim é, na verdade, o plural  de “El”, e este último era usado para designar deidade verdadeira ou falsa, ou até mesmo um ídolo, a quem os homens atribuíram divindade e passaram a chamá-los de “deus”.

            Quanto a esta forma plural, Elohim, muito embora possa parecer referir-se a “deuses”, lembramos que a Trindade Divina já aparece no verso 2 de Gênesis 1:  “… e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas”, e Jesus Cristo pré-encarnado já apareceu, por várias vezes, na Revelação do Antigo Testamento.   Ademais, na língua hebraica há um uso comum das formas plurais para apenas intensificar ou expandir  as idéias expressas no singular.   Assim, o plural é aplicado para enobrecer a palavra, e Elohim enobrece a palavra “El”

            Isto é coerente com a teologia de Paulo, que disse que em Cristo reside toda a plenitude da divindade (Colossenses 2:9).

            Mas estes foram os seus nomes que os homens Lhe deram.   Quando Moisés lhe perguntou qual seria o Seu nome, intentando com isso distingui-lo de outros deuses, e para chamá-Lo de forma adequada e agradável, Ele, o Senhor Deus lhe respondeu:

            “Eu Sou o que Sou.   Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel:  EU SOU me enviou a vós.   E Deus disse mais a Moisés:   Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó me enviou a vós; este é o meu nome eternamente, e este é meu memorial, de geração em geração.”   (Êxodo 3:14,15).

            Assim, a expressão  “EU SOU”, desinência do verbo ser, que alguns transliteram para o português como o nome de Jeová, e outros afirmam que a correta pronúncia seria “Javé”, este seria o nome com que Ele Se apresentou, e assim Ele se distinguiu de outros assim chamados de deuses.

            A própria Bíblia nos mostra que o termo “El” (“deus”) foi dado ao principal deus cananeu, um deus pagão, e a pessoas poderosas sobrenaturalmente.

            Jeremias 10:11 aplica o termo “’Elãhim” para descrever deuses pagãos que não participaram da criação do universo – mostrando intrinsecamente, assim, a secular guerra que há entre Deus, o Criador, e os demais deuses.  O verso seguinte é claro em afirmar que só Ele é quem fez a Terra pelo Seu poder.

            Tão acentuada foi esta diferenciação, distinção, que o Senhor foi conceituado como “Santo” – diferente de todos, separado de todos os homens e de todos os seres deste e do outro mundo.

            Por isso foi ele também chamado de “o Santo de Israel” (Isaías 1:4, e mais outras 28 referências daquele profeta maior).

 

 

OS DEUSES DA TERRA:

 

 

            Com foi, então, que surgiram as crenças nos deuses da terra?    Se estes são concorrentes com o único Deus, como não foram aniquilados e vencidos de vez por todas nessa guerra?

            Realmente, há um só Deus, o Criador, e o grande sustentador da Sua criação.  Não há nenhum outro Todo Poderoso eterno e onisciente.

            O que acontece, então, com a multiplicidade de deuses?

            Baal, o deus fenício, foi prova de que há outros que querem ser ou parecer deuses.  Júpiter era proposto como o “grande deus” romano.   Zeus, assim também o era para os gregos.   Estes foram colocados como “maiorais” entre os deuses, os quais não eram poucos.

            Havia, no entanto, muitos outros deuses, mostra disso é a própria existência do Partenon, ou ainda do Olimpo, que eram tidos por moradas dos deuses.

            Deuses não são humanos, muito embora alguns divinizaram os césares, e atribuíram a Hércules a façanha de separar as terras do estreito de Gibraltar com os seus ombros.    Parece que, na falta de seres extraterrestres, até os terrestres são lançados no Olimpo para se tornarem adorados.    É a necessidade de todo ser humano de apoiar-se em alguém que o ajude nas suas impossibilidades ou fraquezas.   É muito perspicaz notar-se que esse apoio ou ajuda em temos difíceis tem-se tornado uma brecha aberta dentro dos espíritos humanos, por onde alguém perspicaz não deixa de notar isso, e, fantasiado de um deus, ou um enteal, ou um espírito qualquer, por aí percorreu pelo mundo.

Então surgiram as irmãs Fox, em 1848 DC., dizendo que conseguiam manter comunicações com espíritos, o mesmo que acontecia com relação aos precursores da adoração a outros deuses.

O fato é que, quando o homem percebe que existe um mundo espiritual, e que este, em certas circunstâncias, procura manifestar-se materialmente, a dimensão espiritual sempre encantou e deixou pessoas admiradas, pasmas e estupefatas diante de demonstrações de poder, quando não atemorizadas, aterrorizadas e apavoradas.   Fenômenos tais como adivinhações, aparições a humanos, levitação, ou até “materializações” fazem muitos ficar boquiabertos, pois lhes parece algo não natural, ou inédito, que humanos não têm o poder de fazê-las.

            Nessas aparições surgem formas, as mais bizarras que depois são reproduzidas em esculturas, e daí se inicia a idolatria.   Surgem seres animalescos, outros são um misto de animal com humano, outros têm as formas mais inéditas, estranhas, jamais vistas, e outros têm a mesma aparência dos humanos.   Normalmente, os chamados de “maiorais”, ou de “o maior dos deuses” se apresentam como se tivessem forma humana, de tamanho maior que a média dos homens e de um porte tal  e qual o têm os campeões de musculação.    Sim, pois almejam aparentar ser fortes, poderosos e temíveis.    Interessante é notar que esses tais se apresentam assim ante os romanos, os gregos, os nórdicos, os mesopotâmios, os persas, e também os orientais.

            Todos estes seres mostram-se organizados, obedecem a uma estrutura hierárquica, na qual dão lugar a outros seres de menor estatura, aos quais lhes designa certo território ou área na qual devem atuar, exatamente como nos meios militares.   Como são seres espirituais, nada lhes custa transfigurar-se, transformar-se num ser de bela aparência, travestir-se, para mostrar também outras formas, para maravilhar  seres humanos com seus deslumbres, e também com “profundidade de sabedoria”.  Sua sabedoria, entretanto, é mestrada e doutorada no seu maior artifício, que é o engano.

Às vezes a sua área de atuação fica nesta terra, e às vezes fica no ar, no chamado por alguns de “segundo céu”.  Neste segundo céu, revelações de pessoas muito  consagradas a Deus dizem, é onde atuam legiões de demônios.

Sim, chegamos num ponto em que fazemos, temos que fazer separação entre águas e águas.   Muitos dizem já haverem visto seres que atribuem sua origem a outros planetas.   Alguns, vistos em “discos voadores”, insinuam a reforçar a tese que dizia que  “eram deuses os astronautas”.  Seja qual for o nome que se lhes deem, o fato é que os chamados deuses nada mais são senão demônios, i.e., anjos caídos, e como demônios, devem ser tratados como tais (e não como gostam ou pretendem ser tratados, como se deuses fossem).

Alguém dirá a estas alturas: – “Não é possível”, mas continuamos a dizer que são demônios, sim, inimigos do Único Deus Verdadeiro.   E digo mais: cuidado com travestidos, que se mostram como se fossem algo, e na realidade são outra coisa totalmente diversa.

Demônios podem aparentar ser humildes, amorosos, deslumbrantes, espíritos cheios da luz de Deus, cheios de uma deslumbrante sabedoria, inofensivos, camaradas, e detentores das grandes “verdades que Deus não revelou na Bíblia”, espíritos de mortos procurando por seus “parentes” ou “entes queridos”, mas não são nada disso.   Não podemos nos esquecer de que eles são inteligentes, têm um campo de ação maior do que o dos homens, na área do espírito, têm muitos anos a mais de vida, são seres milenares, de forma que, com sua experiência, força, malícia, manhas, astúcia ardilosa, conseguem envolver muito facilmente aos seres humanos, levando-os para o mal enquanto simulam estarem oferecendo sonhos enganosos, fazendo-os acreditar que estão indo para além do céu.

Jesus mesmo mostrou-nos em Lucas 10:18, Marcos 5:8,9, Mateus 10:1; 12:21-30, que tais demônios são muito maus, são em grande número, são imundos, estão sob o comando de Lúcifer, vulgo Satanás, e Mateus 8:29 diz que podem possuir pessoas humanas.    O desejo de seu principal comandante é exercer o poder, e todo o seu exército trabalha noite e dia para que os seres humanos lhes sejam submissos – e quando percebem que esta submissão não lhes é possível por não terem poder ou autoridade para tanto, não têm nenhum escrúpulo de envidar todos os esforços para  enganar a todos quantos possam fazê-lo.   Não se importam em serem considerados imundos, nojentos, horríveis, indesejáveis ou inconvenientes, contanto que se sintam vitoriosos na tarefa de desviar a humanidade das maiores bênçãos que Deus preparou para os que são seus filhos na concepção mais ampla da palavra.

A bem da verdade, há muito mais pessoas enganadas por ele, esse enganador, do que homens que lhe são submissos – e por isso mesmo, usa de diversos e diferentes tipos de engodo.

Qual o objetivo de tanto engano? Logicamente que o engano induz ao erro e à inverdade.   Obscurecer o caminho verdadeiro, procurando dissimulá-lo, bloqueá-lo e escondê-lo de todos quantos possa fazê-lo, esse é o seu claro alvo.

O segundo propósito de tanto engodo, tão bem arquitetado e produzido nas pessoas é impedi-las de alcançar a verdadeira vida com Deus, que através de Jesus Cristo se nos oferece como a porta estreita e o caminho estreito que conduz à vida eterna – e são poucos os que entram por essa porta e por esse caminho (Mateus 5:13-14).

Disse Jesus: – “Eu sou o caminho, a verdade e a vida;  ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)

“Em verdade vos digo que Eu sou a porta das ovelhas.   Todos quantos vieram antes de mim, são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não as ouviram.” (João 10:7-8)

A quem Jesus se referiu quando disse: “todos quantos vieram antes de mim”?   Certamente que quis referir-se aos espíritos enganadores deste mundo que usaram as bocas de homens para disseminar suas doutrinas; e também aos demônios do engano, que vivem “patrulhando” os ares, os quais inspiraram todos os falsos profetas e sacerdotes dos deuses, seus concorrentes.

Eis que estes querem a perdição de todos os homens, e para isso lutam com todas as suas forças e perseverança.    Satanás foi expulso do terceiro céu, onde habita Deus, e onde está instalado o grande Reino do Filho do Seu amor.    Ali no terceiro céu, todos são muito felizes e cheios da paz.   Não há sofrimento, nem pranto,  nem dor, nem fadiga, e nem frustração alguma.   Isso traz uma inveja terrível ao coração de Lúcifer, que quer que todos os que seguem a Cristo sejam infelizes, e luta com muita garra para desviar o povo que a Deus pertence aqui nesta Terra.

Se desejamos agradar a Deus verdadeiramente, e percebemos que é real a operação do engano neste mundo, e sentimos dúvidas quanto ao caminho que estamos seguindo, ou quanto fé que abraçamos e professamos, devemos orar com toda as nossas forças: “ – Senhor, quero buscar-Te somente a Ti, sem a interferência ou mediação de espíritos enganadores.  Revela-Te, por favor, diretamente a mim, e livra-me do mal em Nome de Jesus.  Seja assim.”

Os profetas de Baal quase conseguiram dizimar com os profetas de Javé na época de Elias, Acabe e Jezabel.   Por quê?   De onde vem esse espírito de antipatia?   Do mundo espiritual – pois que não há comunhão entre luz e trevas.

 E que dizer de James e Jambres, magos do Egito, que pelejaram para que a obra de Deus não se aperfeiçoasse naquele lugar, intentando obscurecer a operação divina que estava sendo feita através de Moisés (II Timóteo 3:8)?   Estavam contra ou a favor da libertação de Deus aos israelitas que viviam como escravos no Egito?   Se lutaram contra Moisés naquele momento, lutaram também contra Deus.

No livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 19, vemos que Paulo teve de fugir de Éfeso, porque muitos adeptos de artes mágicas queimaram seus livros de magia na presença de todos da igreja, e isso certamente provocou muitos ciúmes e despeito de Satanás contra a igreja.   Por isso, levaram o povo dali a clamar por quase duas horas que… “grande é a Diana (a deusa) dos efésios”.   Percebe-se nisto o confronto das forças espirituais: a de Cristo, e a dos chamados deuses.

Não há como negar.   Hoje em dia vemos, por exemplo, na Índia, mais de cem mil deuses são adorados.   E assim como não há comunhão entre luz e trevas, não há comunhão entre os hindus e os cristãos.   Mulheres cristãs são estupradas, pastores são caluniados e presos sob falsas acusações, jovens cristãos são assassinados, e igrejas são depredadas sob a bandeira da intolerância religiosa, e não há “direitos humanos” a quem se possa apelar, nem Cruz Vermelha que os possa socorrer.

Duas bandeiras, aliás, são as maiores responsáveis por esse tipo de perseguição à igreja de Cristo nesta terra:  uma delas é a do radicalismo islâmico.

Qual é a proposta do islã radical?  Que Maomé seja um profeta maior do que Cristo, ao ponto de desprezarem a Bíblia em favor do Alcorão.

Sutilmente, colocam Maomé como o “Paracleto” que veio completar a obra que Jesus “deixou inacabada”, já que Ele veio a ser “assassinado numa cruz”, como que num acidente de percurso.

Ora, o paracleto prometido por Jesus, como sabemos através da Bíblia, é o Espírito Santo, o legítimo substituto de Jesus na Terra.   Muitos já intentaram lograr e intitular-se Seu substituto, usando de insinuação jactanciosa.   O Vicarius Filii Dei legítimo de Jesus, no entanto, é o Espírito Santo, bem como o Paracleto é o Espírito Santo, e Este não Se revelou como pessoa humana de profeta ou líder religioso.   João escreve em seu evangelho, capítulos 14 e 16, bem como o livro todo de Atos dos Apóstolos o demonstram muito bem.

Mas o que é isso, senão desvios da verdadeira fé em Cristo, que é o único e suficiente salvador de todo aquele que nele crer?

Quem inspirou tais desvios da fé para tais atalhos?   Quem lançou névoa no verdadeiro caminho que conduz à vida eterna?   Na verdade, nem Maomé o foi, visto que ele mesmo escreve no Alcorão que Jesus é o único profeta que ressuscitou mortos, curou enfermidades incuráveis, morreu, mas ressuscitou, e um dia há de voltar!  ( Por este motivo, respeitamos e damos ao islamismo não radical todo o direito de proclamar suas idéias, como de fato isto é o que acontece no Brasil, por exemplo).  Logo, quem inspira o radicalismo islâmico, na verdade, é aquele que busca esconder estes fatos aos olhos dos fiéis, para instigar o povo a  uma “guerra santa”, combatendo particularmente aos cristãos, tal e qual Moloque (deus pagão do antigo Oriente Médio), também, pedia o sangue de pessoas inocentes.   

A segunda bandeira que mais persegue aos cristãos nos dias de hoje é a do comunismo ateísta.   Nada contra um regime que queira instaurar maior igualdade de condições para o povo mais carente, saneando a fome, a miséria e a pobreza.

Quando, porém, buscamos nas raízes do comunismo, vemos que este aliou o “combate à burguesia” à filosofia básica socialista, erguendo outra bandeira de “guerra santa”.

Na verdade, não há nenhuma ligação real entre o combate à burguesia, à fome, à miséria e à pobreza, com o ateísmo comunista, exceto que este último, como filosofia, combate a fé em Deus, rotulando-a de “fator alienante da realidade social”, ou ainda, “filosofia política reacionária do Ocidente”.    Debaixo deste rótulo acusador, milhares de cristãos sofreram implacável e cruel perseguição nos países comunistas.

Quem lançou tal idéia?   Os livros de Karl Marx.   Quem era Karl Marx? Filho de judeus, que negou a sua fé e participou de rituais com satanistas, onde encontrou inspiração em seu espírito para “fazer história”, chamando a atenção para o caminho de revoluções sangrentas, e lançar lama na religião, taxando-a de “ópio do povo”.   Veja-se bem aonde foi ele buscar a sua auto-afirmação.   Seus livros foram a fonte primária das idéias que culminaram com as revoluções russa, cubana, vietnamita e tantas outras.   Interessante é notar que o comunismo não trouxe a prosperidade e a erradicação da pobreza nos países por onde penetrou.    O progresso material sempre ficou do lado do mundo livre, mas isso não impediu da esquerda comunista se expandir, e, onde quer que tenha chegado, a igreja foi perseguida barbaramente.    Quem lucrou com isso não foram os pobres e nem os ricos (estes perderam tudo quanto tinham).   Quem ficou feliz com as crueldades nas perseguições à igreja, foi o reino das trevas, estes sim, os verdadeiros inspiradores do sadismo anticristão.

Mais uma vez, vemos subjacente a guerra espiritual, de Javé contra a organização de seu adversário, e contra os deuses.   Esta guerra continuará até o final dos tempos.

De todos esses fatos que mencionamos, depreende-se que:

1.  A igreja de Jesus, o Cristo, não é perfeita, e em alguns momentos tem falhado,  em alguns casos moralmente e em muitos deles, espiritualmente.  Isto porém, não a comprometeu “in totum” em época alguma.   Sempre  houve um remanescente fiel, uma caixa de jóias preciosas, um realce à Criação, no meio de outras pedras falsas.   Por este motivo é que a base e as razões que mostram o cristianismo, sempre progrediu e nunca deixará de impor a sua “marca registrada” no meio de gerações perversas e corrompidas.    Como  Jesus mesmo falou, somos o “sal da terra” e “a luz do mundo” – podemos até ser minoria, mas os cristãos verdadeiros e fiéis sempre farão a diferença.

  1. 2.       As Escrituras Sagradas, embora não a tenhamos hoje nos seus escritos originais, temos cópias antigas que, pela sua data de copiagem (comprovadas pelos testes de Carbono 14), pode-se confiar que não sofreram alterações significativas, mas tendo apenas alguns erros insignificantes, onde o contexto e a semântica nos dão a segurança de que necessitamos para entendê-las de maneira satisfatória.   Críticas tais como: suspeita de adulteração, tradução tendenciosa ou viciada, correções julgadas  como indicativos de erros vitais; e outras do gênero, não têm base sólida para prevalecer.   A insistência nessas teclas apenas colocam os  críticos da Bíblia num posicionamento insustentável e até mesmo ridículo, denotando que seus pontos de vista são movidos a filosofias vulneráveis, unilaterais, que não ponderam o bastante, e que enxergam coisas por metades.
  2. 3.       As filosofias que atacam a Bíblia, rejeitando-a como Palavra de Deus, sempre têm alguma área por onde se fixam, e ali marcam passo, muitas vezes sem querer sair do mesmo lugar.  Pecam e não se dignam a dialogar com sensatez.   Julgam-se “donos da verdade”, e não abrem mão disso.   Seus métodos, não raro, deixam a desejar quanto à abrangência do rol todo onde se deparam os fatos.
  3. 4.       Todo ataque à Bíblia, que a rejeita como Palavra de Deus escrita aos homens, desconsidera que, se estão duvidando, isto é sinal que não têm certeza – e se têm incerteza disso, melhor seria ter mais humildade, pois um disputa ou querela contra Quem ordenou que as Escrituras fossem editadas, é um jogo desigual em autoridade, em força e em sabedoria.   Deveriam ter mais cautela
  4. 5.       Dirão outros: – “Mas eu tenho certeza, e não vacilo em dizer que isso não foi assim, porque não poderia ser assim” (referindo-se à veracidade das asseverações bíblicas).   Estes podem até ser sinceros, mas, diante de tantas evidências e provas que Deus dá de que a Sua Palavra é poderosa, eficaz, cortante e inerrante, e o fato de não terem a menor dúvida, e sim uma certeza irremovível de seu ponto de vista, apenas depõem contra si mesmos, por lhes faltar o uso do bom senso, e desrespeitarem um material que foi colocado e preservado debaixo de muitas pressões político-sociais, e à custa de muito sangue derramado por pessoas que só olhavam para a obediência a Deus, ao compromisso com a verdade, e à responsabilidade que lhes pesou aos ombros.
  5. 6.       Todos os que atacaram a Bíblia, mesmo contra a sua forma, e não ao seu conteúdo, foram inspirados por algum espírito não santo.   O grande autor imanente e inerente das Escrituras sagradas é, no fundo, um só – o Espírito Santo de Deus, que usou das mãos de homens para que o Seu livro fosse escrito como ficou na sua forma final.    Por este motivo, devemos evitar de dar ouvidos a fábulas , UFOs, gnomos, fadas, duendes, espíritos de mortos, ou mesmo de vivos que se julgam os “messias” dos tempos atuais.
  6. 7.       Todo espírito que subestima, desmerece, despreza, pouco ou muito, ou mesmo zomba da pessoa centralizada que se vê na Bíblia toda, Jesus Cristo, não é de Deus , pois o Espírito Santo tem uma função central na terra, nesta era da igreja: glorificar o nome de Cristo (João 16:13-14).   Já o tem glorificado, e muito ainda o quer glorificar.   Algumas vezes as críticas trazem algum demérito à Pessoa de Cristo;  às vezes apenas O ignoram.   Ignorando-O, ou atacando a Sua obra, o intento acaba por redundar no mesmo resultado de toda heresia: afastar o homem do Deus verdadeiro, e colocar a humanidade fora dos planos divinos – o que significa dizer – fora das bênçãos paternas do Senhor.   Há também os que colocam sutilmente Jesus de lado, para dar toda ênfase a alguém que dizem estar no mesmo patamar ou acima do único e legítimo Messias – o Filho de Deus Unigênito.   Outros falam que Jesus está muito alto, sublime, distante do nível dos homens que vivem nesta Terra.   Por isso, propõem uma ou várias pessoas (espíritos) para fazerem o papel de intermediários, e estes é que se comunicariam diretamente com os humanos.    Ledo engano, que não passa de artimanha para substituir a Cristo por outro que não o Espírito Santo de Deus.   Como já temos dito, o Espírito Santo é essencialmente humilde, e prefere sempre colocar-Se numa posição “de lado”, ou mesmo até no anonimato, com a finalidade de ver Cristo crescer mais e mais – tal e qual João Batista fez, quando disse: “convém que eu diminua e Ele cresça” – porque só Ele, Jesus, é o ponto central da Revelação de Deus e só Ele nos dá uma salvação eterna.
  7. 8.       Cristo é o Criador revelado em Gênesis 1:1, pois Ele é o Alfa e o Omega, o Princípio e o fim.   Nele foram criadas todas as coisas (João 1:3; Col.1:16).   Cristo é o Legislador no livro de Levítico, o grande libertador da escravidão do Egito, e de todo o pecado.   É Ele que caminha conosco pelo deserto deste mundo (Números), a dessedentar a nossa sede e nos dar o maná que nos alimenta, dia após dia.   É Jesus que deseja sempre fazer um concerto de paz conosco, através do sangue derramado por Ele mesmo, pelo Cordeiro Pascal que morreu para que não houvesse morte nas casas dos que nEle cressem (conf. livro de Êxodo).   É Jesus que nos promete levar à terra prometida, à Canaã celestial, e como nosso grande General, nos leva à peleja para conquistarmos o nosso alvo como vencedores (conforme vemos no livro de Josué).   Ele é o assim chamado de Anjo, que falou diretamente com os israelitas em Boquim, e fala-nos até hoje, levando homens ao arrependimento.   Ele é o Grande Juiz que levantou a Otniel, Baraque, Jefté, Jair, Sansão, Gideão, e outros que foram juízes levantados pelo Espírito de Deus no livro de Juízes.   Jesus é o nosso Remidor, que paga pelos pecados, a fim de que a nossa dívida seja saldada e totalmente quitada, para termos uma doce herança nos céus, com Ele (cf. livro de Rute).   Ele é o nosso Rei, e nós, seu Israel.  Que reine sobre nós para que seja feita a Sua bendita vontade nesta terra, como o é no céu. (conf. livros de Reis e Crônicas).   Jesus nos livra de todo cativeiro, principalmente o do pecado.   Ele é que reconstrói o nosso Lugar Santo de adoração, sem o qual o povo de Deus não pode viver (cf. Esdras), e também os muros de Sua defesa, defesa de Seu povo e de Sua casa (cf. Neemias).   Jesus é quem desmascara o inimigo opressor, livra-nos de suas mãos, da morte e nos fortalece pelo Seu poder (conf. livro de Ester).   É Jesus que nos acompanha quando descemos ao vale da dor, da enfermidade, das calamidades, das tentações, mesmo quando não nos resta um só amigo solidário.   Ele é o nosso Redentor vivo, que por fim Se levantará para nos dar o final feliz que tanto esperamos (conf. livro de Jó), para nos restaurar a sorte, e recuperar em dobro o que temos perdido nesta vida.   Também é Jesus que nos inspira a cantarmos louvores a Deus, a confessarmos o Seu poder e Sua glória, a orarmos a Ele em tempo de necessidade, nas angústias da alma, e nos leva a sentirmos a vitória do Senhor (conf. Livro de Salmos).   Ele é a Sabedoria de Deus que nos faz felizes nesta terra, quando aplicamos os seus ensinos (Provérbios), e nos leva a meditar sobre as coisas do além, ao chegar os dias finais desta vida (cf. Eclesiastes).    Jesus é o Noivo que ama e anseia por ter Sua noiva, a igreja, bem perto de Si (Cantares).   Jesus é o Servo Sofredor de quem Isaías falou, que levaria sobre Si os pecados do Seu povo.   Ele também é o Renovo de quem Jeremias falou, e a grande esperança para Jerusalém, e para nós, mesmo após haver a queda e destruição (Lamentações).   Jesus é o Messias que virá um dia a este mundo para reinar sobre o trono de Davi (cf. Ezequiel).   Ele é o Filho do Homem, o Homem que virá do céu, que se manifestará no fim dos tempos, para entregar ao Pai todo o reino deste mundo (Daniel), e também é o quarto Homem da fornalha de fogo ardente, que nos salva dos poderes infernais deste mundo.    Ele é também Aquele que ama muito a Seu povo, apesar deste não Lhe ser fiel muitas vezes (cf. Oséias).   É Ele quem enviara o Espírito Santo, e consolará o Seu povo de toda catástrofe, e de todo cataclismo (Joel).   Jesus é o grande profeta que atende ao pobre nos seus clamores, salvando-os das injustiças sociais (Amós e Miquéias).  Ele mesmo enviou Jonas a Nínive para salvá-la e dar um sinal profético de como morreria e depois tornaria a viver, três dias após ter morrido (cf. Mateus 12:38-45 e Jonas). Ele mesmo também foi quem providenciaria a queda de cidades provoadas por homens cruéis e arrogantes, tais como Nínive.   Jesus também atende-nos em meio a problemas de injustiças pessoais agravados  por gentes e nações ímpias (conf. Habacuque).    Jesus é a restauração de um povo castigado por flagelos, desde que este se arrependa (Sofonias).   Ele é o esplendor de glória que realça a beleza de seu santo templo (Ageu); Ele é o Anjo da Aliança que nos descreve Malaquias.   Em Mateus, Ele é o Rei dos Judeus; em Marcos, Ele é o ativo e dinâmico Filho de Deus, cheio de autoridade;  em Lucas Ele é o Salvador de Israel e de toda a raça humana, o Homem perfeito.   João O descreve como o Verbo Eterno e Divino que Se fez carne, mas hoje vive cheio de glórias.   Em Atos dos Apóstolos Ele é glorificado pelas poderosas manifestações do poder  do Espírito Santo na vida dos seus discípulos.   Aos Romanos, Paulo diz que Ele é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que nEle crê”, tanto do judeu como do gentio.    Aos Coríntios, Jesus é Aquele que outorga os dons do Espírito, os quais devem ser submetidos à fé, à esperança e ao amor, sob orientação dos apóstolos.   Aos Gálatas, escreveu Paulo que Jesus é o centro do evangelho e da Bíblia, e não há outro evangelho.   Aos Efésios, Jesus é o cabeça da igreja.   Aos filipenses, Ele é o Senhor, para a glória de Deus, o pai.  Aos colossenses, Ele é o “pleroma”, a plenitude de Deus, a completa revelação de Deus em atenção aos homens.   Em Tessalonicenses, Ele em breve virá para buscar a Sua igreja.   Para as cartas de Timóteo e Tito,  Jesus é o verdadeiro Pastor de nossas almas. Em Filemon, Jesus é o Senhor de todos, inclusive dos senhores de escravos.     Em Hebreus Jesus é o Sumo Sacerdote eterno, da ordem de Melquisedeque.   Tiago diz: Ele nos livra das tentações.     Pedro nos revela que Jesus é a nossa maior esperança!    João , em uma de suas cartas, diz–nos que “A Palavra de Deus” (Jesus) é amor.   Judas nos mostra Jesus, nosso único Mestre e Senhor.   Em Apocalipse, vemos que Ele é o Alfa e o Omega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.

 

 

 

 

 

 

 

 A ORAÇÃO PREFERIDA DE JESUS

 

 

            Dentre os discípulos de Jesus, havia alguns que foram enviados por João, enquanto este estava no cárcere (Mt. 11:1-7).    Isto significa que Jesus e os discípulos de João Batista mantinham certo contato.   Seus discípulos também.     Certa vez, seus discípulos pediram a Jesus que os ensinasse a orar, assim como João Batista ensinava aos seus (Lucas 11:1).

            O que aconteceu então?  João tencionava mostrar aos seus uma maneira de se falar com Deus, e Jesus, percebendo a necessidade, mostrou-lhes uma forma simples, compacta e cheia de importantes significados.  A resposta de Jesus foi uma fórmula que ficou para sempre estampada em livros, mentes de muitos e corações dos crentes que O buscam.   

            Mateus coloca esta fórmula dentro de um contexto que revela algumas maneiras de se orar, às quais Jesus reprovou:  não devemos ser hipócritas, como os que gostavam de orar publicamente para serem vistos pelos homens.  A oração a Deus é algo muito particular, que deve ser feita com o coração despojado das distrações do mundo, inferências que possam prejudicar a nossa liberdade com Ele, de forma a possibilitar uma comunhão mais profunda.   Precisamos desenvolver maior confiança no Senhor.   Como faremos isso, se não confidenciarmos com Ele todos os segredos da alma, franquearmos a Ele tudo o que estiver dentro de nós?    As coisas que são importantes para nós estão sempre nos enchendo com preocupações , e estas tornam pesada a nossa caminhada.   Somente com um colóquio muito livre, franco, e aberto é que poderemos  expor-Lhe tudo o que há dentro de nós mesmos, despejando e derramando-o nas mãos do Senhor.

            Isto não se faz somente pedindo.

            Nossos corações precisam, e devem, antes de mais nada, reconhecer a grandeza, o amor, a nobreza de caráter, a bondade e a misericórdia de Deus, além de Sua glória, seu poder, sua sabedoria, sua onisciência, que se fazem conhecer diante de todos os que O buscam em espírito e em verdade.

            Por  esse mesmo motivo, a nossa oração deve ser muito reverente, e não devemos ser egoístas ao ponto de colocarmos nossos interesses e motivos à frente dos interesses e motivos divinos.

            Antes de Jesus, os judeus e israelitas oravam ao “Senhor dos Exércitos”, ou simplesmente a “Adonai”, o Senhor.

Demonstrando um nível de intimidade muito maior, Jesus começa a oração dizendo as palavras que se referem à pessoa que Lhe é o paradigma de tudo o que é bom, justo, santo, fiel, amoroso, incomparável, e tantos outros predicados.

O temível Javé (ou: Jeová), Aquele que Se revelou o maior de todos, que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos até a quarta geração, mas que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações dos que O amam e guardam os seus mandamentos (Deuteronômio 7:9)!   É com Ele que temos de falar! Nesta oração, devemos nos sentir a sós com Deus.   Não com seus santos, nem com seus anjos, nem com reis, príncipes ou governadores, ou súditos, por mais eminentes que estes sejam.   É com Aquele que tem o poder de, num estalar de dedos, mudar e transformar as nossas vidas.  Aquele que está sobre o trono do Terceiro Céu, diante de quem os mais poderosos têm de se ajoelhar, e confessar que reconhecem sua excelência, sua majestade, sua glória, assim como de fato Ele o é.

            Jesus então resume com maestria suas palavras, colocando-as de forma muito bem ordenadas, com muita clareza, e com um conteúdo muito forte, de peso profundo e, ao mesmo tempo compreensível, tanto ao intelectual como até mesmo ao insensato.   Nem mesmo os loucos errarão, seguindo o Seu caminho.

            Jesus começa, numa expressão felicíssima, que dedica a Deus todo o louvor, e resume toda uma devoção de amor filial, dizendo:

 

Pai Nosso que estás no céu…” (Mateus 6:9) – e ensina-nos assim a nos dirigirmos a Ele.

            Certamente que só o balbuciar ou mesmo o invocar mentalmente o Seu santo Nome de Pai, isso já nos dá certa sensação de paz e uma doce ternura dentro de nosso ser, que transpõe tremendas barreiras que circunstâncias adversas possam representar.

            Isto não é uma pretensão vazia.  É a maneira que Jesus nos deu como Seu testamento, Sua herança: a de sermos filhos de Deus (João 1:12).   É o novo e vivo caminho que Jesus abriu, e deixou aberto, por meio de seu sangue.

            Nenhum sacrifício, seja de bodes, touros, ou quaisquer animais, ou mesmo de homens, sejam jejuns, sejam obras de caridade, seja qualquer tipo de autoflagelo, nem mesmo nossas justiças têm o poder de nos tornar filhos de Deus.

            Somente o sacrifício vicário de Jesus pôde e pode nos dar essa faculdade: de podermos chamar a Deus de…”Pai Nosso”!

            Nada mais legítimo do que gozar desse privilégio, por meio de Jesus!   Afinal, custou o sangue e a vida do Filho de Deus!  Pois isto vale muito!   Experimentemos sempre fazê-lo, louvando-O por tudo o que Ele é, pois é mais que merecedor!

            Que ninguém nos prive de tal prerrogativa.   Se nEle cremos, e recebemos o Seu Filho como Ele é, dentro de nós, clamemos sempre, em todo o instante que o Espírito Santo nos impelir a isto:  chamemo-Lo sempre de nosso Pai.   Isto é muito bom e reconfortante!   O Seu nome tem esse poder consolador.

Se desejarmos andar sempre com Ele, então deveremos estar sempre conversando com Ele.   Este é nosso anseio?   Então esteja sempre, sentado, de joelhos , ou mesmo de pé, falando, mencionando-O com nossos lábios:  “Pai nosso”!

            Quem não fala constantemente com Ele, certamente  que gasta seu tempo falando com outras pessoas, a menos que seja um autista.  As outras  pessoas geralmente não têm muito dEle para dar-nos – e neste mundo não é raro ouvir-se a voz do inimigo.   Por isso, quanto mais falarmos com o Pai, menos estaremos ouvindo ao nosso inimigo.   Fale sempre com o Pai!

            Estas palavras têm um significado singular, pois elas nos levam à origem de todas as coisas.    Cientistas querem pesquisar o universo para perscrutar sobre a gênese do mesmo, como foi que tudo começou.

            A resposta está no Criador.   Ele tudo criou, de forma a realçar a Sua glória.   Apesar da queda do pecado, a natureza ainda nos mostra que Ele é muito grandioso.   Criou o mundo, o mar, a porção seca da terra, as vegetações, os peixes, as aves, os répteis, os mamíferos, tudo isso, e depois de tudo, fez o homem à sua imagem e semelhança (Gn.1.26).

            Não fez nada disso sem amor.    Nada impensadamente, nada sem ter havido uma preparação, e por isso mesmo é que temos este grande planeta como nosso habitat.

            Ele nos criou.   Ele foi que nos fez com características semelhantes às Suas próprias.    Ficamos parecidos com Ele – com cabeça, tronco, membros, olhos, boca, mãos, pés, maravilhosamente feitos conforme Ele assim parece.   Maravilha das maravilhas, que deixou anjos estupefatos diante de Seu poder criador, e de Sua amorosa inventiva.   

            Só o fato da Criação de Deus ser assim, já seria motivo para homens e anjos encurvarem-se, e O adorarem com amor e fervor nos corações.

            Este habitat, contudo, Ele o fez para que nele vivamos.   Estamos atidos à matéria, e vivemos uma vida fisicamente, aqui nesta terra.

            Ele, contudo, tem uma habitação celeste, onde se localiza o Seu trono.   Devido ao incidente do pecado, Sua habitação celestial não está acessível aos homens mortais, pois Sua santidade não tolera, e não convive com um milímetro sequer do mal.

            Quando vemos uma família feliz nesta terra, percebemos que a bênção do Pai está ali.    É a delegação e o compartilhamento da paternidade, que Ele mesmo colocou no homem, de modo que um pai terreno feliz é uma pequena amostra do clima e da felicidade eterna que rodeiam o Pai celeste. 

            Que nos chamem de presunçosos, de atrevidos, de tolos, ou de loucos!  Se eu tenho o meu Pai no céu, não posso ambicionar nada melhor!  Pois é com Ele que quero falar, sempre respeitando-O e dando-Lhe o devido louvor.

            Dizer: …”que estás no céu…” significa também que Ele continua soberano, inatingível, vencedor, inabalável, mesmo quando nesta terra existam aqueles que O rejeitem e neguem-se a abençoar o Seu santo nome.   Não Se abala, assim como as rochas do Estreito de Gibraltar ficam firmes ante o arremeter das ondas do mar.   Esta é uma das coisas que nos impelem a mais ainda exaltá-Lo!   Ele é diferente de tudo o que possamos imaginar.   Por isso é que O chamamos de Santo!   Ele é separado das coisas imundas que se sabe que existem. Ele não compartilha de doenças, de pecados, de coisas inapropriadas, inconvenientes, e nem aprova aos soberbos de coração.  Ele não aceita coisas de qualquer jeito, e por isso mesmo é que devemos nos desfazer de tudo o que não O agrada.

            Quando dizemos que Ele está no céu, reconhecemos que Ele é Santo, muito diferente de muitas coisas que existem e acontecem nesta Terra.   Ele nada tem a ver com os frutos do pecado, os frutos da carne, e nem com as obras malignas que possam ser notadas aqui – e ainda possui o poder de aniquilá-los com um simples soprar de Sua boca, ou apenas com um pequeno mover de um de seus dedos.

            Ele está no céu, e isto significa que nós, ao andarmos com Ele, procurando sempre fazer o que Lhe agrada, também iremos um dia andar com Ele no céu.   Isto não é leviandade, porque o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado, e abre a porta do céu, para lá entrarmos.   Podemos nos esquecer, pois, dos nossos pecados, porque o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, é mais poderoso que qualquer elemento químico com função purificadora – pela bondade e misericórdia do Senhor somos lavados de alma, abençoados no espírito, e feitos vencedores!  Não há pecado, por mais terrível que tenha sido feito, que não possa ser apagado de nossas, da sua e da minha vida, para sempre!   Basta haver em nós o arrependimento sincero e real.   Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.  Por este motivo, podemos dizer que somos cidadãos do Reino do Céu, aqui nesta terra.

            Estar no céu denota a Sua natureza excelente, perfeita, pura, imaculada, e que Ele é digno de muito, mas muito louvor, mesmo!    Por todos esses motivos, quando se pronuncia as palavras “que estás no céu”, que nossos corações estejam abertos para amá-lo, louvá-lo e derramar-se em adoração diante da simples possibilidade dEle descer para nos visitar.   Que Ele queira sempre nos visitar para receber todo o nosso louvor, porque este é o ambiente que vamos encontrar no céu!

            Asseverar, pois, que os seres humanos que desejam ser sinceros consigo mesmos, até agora têm mentido diante do Ser Supremo quando se aventuram a pronunciar a oração que Jesus nos ensinou; ou dizer ainda que mentimos em cada palavra da oração quando ousamos proferi-la, como hipócritas, juntando sempre novas culpas por cima das antigas, e acumulando maior peso no fardo para o dia do Juízo eterno, é afirmar algo como um julgamento temerário.

            Novamente, nos posicionamos, nesta questão, de maneira mais cautelosa.   Enxergamos isto sob outro ponto de vista.

            Primeiramente, esta oração foi a fórmula dada pelo próprio Filho de Deus – a quem?  A seus discípulos – aqueles que desejam muito servi-Lo.  Se alguém quiser dirigir-se a Ele, o Pai, através de uma oração, usando esses mesmos termos, mesmo não sendo um coração totalmente convertido e fiel ao Senhor, de algum modo estará aproximando-se do padrão de comportamento de um discípulo seu.   E o evangelho de Cristo é dado gratuitamente a todo aquele que CRER, e é também o poder de Deus para a salvação de todo aquele que em Jesus crer.   Como a vontade de Deus é que todos sejam salvos (muito embora muitos não aproveitem plenamente o favor divino), certamente que muitas orações do Pai Nosso feitas por pessoas  não merecedoras da graça de Cristo serão recebidas perante o Trono do Altíssimo, e aceitas porque feitas com fé e ousadia!

            Por quê?  Porque o coração do Pai é como aquele descrito na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32) – está sempre à espera de Sua geração desviada de Sua presença, e alongada de Sua casa.

            Ao ensinar-nos como devemos nos dirigir a Deus Pai, Jesus está nos fornecendo um valiosíssimo instrumento para exercitarmos a fé.

            E como é que se exercita a fé?

            Assim diremos: é como a prática de um esporte chamado de “tiro ao alvo”.  Ou também como usar-se de arco e flechas para se atingir o objetivo: – chegarmos, então pela graça e pelos méritos do sangue de Jesus, a sermos ouvidos pelo Eterno Pai.

            Nem sempre que se tenta alcançar o alvo, consegue-se chegar à mosca, ao centro – diremos – ao centro da vontade de Deus.   Isto, porém, não é o caso para se desanimar, e sim, para se continuar tentando, até chegarmos ao ponto central.

            Se neste caminho de aprendizado, cheio de tentativas e erros, ficarmos preocupados com “pesos acumulados de culpas” que se adquirem até pelo próprio pronunciar as sagradas palavras sugeridas pelo Senhor e Salvador, ainda que de maneira indigna, estaremos “engolindo em seco” nossa própria sentença de inércia, incapacidade, e de “negociador insensato”.   Seremos tais e quais aqueles que, de medo da severidade divina, esconderam o seu talento, e no final do seu tempo nesta terra, ao terem de prestar contas daquilo que lhes foi dado (no caso, uma oração-chave), até o pouco que tinham lhes foi tomado, e, por cima de tudo, tais servos foram lançados nas trevas exteriores, onde há pranto e ranger de dentes.  Lendo-se Mateus 25:14-30, podemos ver isso claramente.

            Temos de considerar também que fé não é sentimento.  Se quisermos esperar somente os momentos bons, em que estamos calmos, tranquilos e serenos, para podermos usar da oração do Pai Nosso, estaremos invertendo a ordem dos fatores.

            Em primeiro lugar, a nossa fé deve ser operada, puxada pela locomotiva do amor  e a graça de Deus; depois da fé, sim,  é que se podem colocar os nossos sentimentos.   O mesmo diremos sobre  “esperar por intuições”.  Não caiamos neste erro, e nem tampouco no erro de julgarmos as pessoas pelas aparências.   Quem conhece os corações, os motivos reais, as contingências agravantes ou atenuantes das atitudes de uma pessoa é somente Aquele que conhece os pensamentos desde a sua gênese:  – qual a semente que os plantou, e de onde estão germinando nossas atitudes.

            Não cabe a nós, mortais, definir quais serão os atos de justiça ou da misericórdia de Deus.   Quem conhece os pensamentos do Senhor Altíssimo?  Haveria alguém que pudesse subir ao céu para ali sentar-se numa cadeira e anotar  tudo o que Deus diz e aconselhá-Lo como se fora seu psiquiatra, seu psicólogo, ou seu justiceiro?   Ele não necessita desse tipo de pessoa para tomar o Seu tempo assim.  

            Se conhecermos alguém que pareça, aos nossos olhos, ser uma “pedra no sapato” de Deus, quem somos nós para dizer-Lhe o que deve fazer com essa tal “pedra”?

            Deixemos que o Seu amor tão imenso se manifeste a todos indistintamente, e incentivemos a todos, sem exceção, a buscarem-No enquanto ainda é tempo, nunca deixando de incentivar ou proibindo-lhes de orarem.

            Como bem disse o apóstolo Paulo: “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17).

            Proibir ou inibir pessoas de orarem a Deus, é contrariar  o que Jesus tentou incutir aos seus discípulos – a prática constante da oração.

            Se não falarmos constantemente com Quem pode e quer transformar-nos à Sua imagem e semelhança, com quem então falaremos?   Se sob a desculpa de uma falsa reverência deixarmos de manter constante contato com Deus, estaremos à mercê das influências de quem?   Do mundo, ou dos espíritos enganadores.  Se foi isso que alguém tentou fazer , nada mais fez senão o que o inimigo de Deus almeja.

            Se colocarmos o Senhor num patamar inalcançável, cremos que não estaremos errados, mas erraremos redondamente se dissermos que Ele, como Pai Nosso, não  estará atento à oração do mais vil dos pecadores.    Ele não é surdo, tem um ouvido muito aguçado, e pode perceber alguém orando a milhas e milhas de distância.

            Chamar de hipocrisia quando alguém totalmente desmerecedor da Graça divina ousa mover-se na direção dAquele Único que o pode salvar, é castrar a sua grande oportunidade, talvez a última de sua vida ser mudada para melhor.   Isto só pode entristecer o coração do Pai.

 

 

…Santificado seja o Teu nome…

 

            Nossas mentes são muito limitadas para entender plenamente o que significa a santidade do Senhor.

            Somemos os atributos todos que Ele tem, e tentemos imaginá-Lo.

            Ele é cheio da verdadeira justiça, tem todo o poder em mãos; tem o conhecimento de tudo, pois Ele próprio é o autor da criação.    Sua presença percebe tudo o que acontece nesta Terra, nos ares, no firmamento, no mundo espiritual, em todo lugar.   Não há ninguém como Ele.

            Sustenta, na sua misericórdia, os homens na Terra, dá a chuva para os bons e para os maus, e faz nascer o sol tanto para os justos, como para os injustos.

            Como Criador, seus projetos não têm limites.

            Só o que Ele criou nesta terra, já encerra milhares de mistérios aos nossos olhos, até ao ponto em que cientistas dizerem: – “Isto eu não posso explicar e nem compreender”.

            Além deste universo, Ele criou os céus, e Seu trono está firmemente estabelecido nos terceiro céu.   E além das criaturas terrestres, Ele ainda criou as celestes: os anjos, por exemplo, que têm suas categorias especiais: os arcanjos (anjos criados antes da criação dos céus e da Terra), os querubins, os serafins, e outros, que nenhum homem chegou a ver e nem conhecer.    O número dos anjos que Ele criou é estimado, incerto, mas o evangelista e o profeta, inspirados pelo Espírito Santo de Deus, disse que são “milhares de milhares” (o que equivale a dizer: milhões) e “milhões de milhões” (que equivale a trilhões). (Apocalipse 5:11 e Daniel 7:10).

            Sua justiça é incomparável – não há justiça mais profunda e mais detalhada que a do Seu Tribunal.   Ninguém poderá escapar do Seu fiel da balança.

            Com todo esse Seu poder nas mãos, Ele se nos mostra particularmente terrível em grandeza.   Nem o Sol escapa do Seu alcance.   O universo cabe, como uma gota de água, na palma de uma de suas mãos.

            Sua temível força, incomensurável, é apenas rusticamente ilustrada pela força dos animais selvagens.   Ninguém, em sã consciência e perfeito juízo, coloca suas mãos sobre um leão selvagem, por exemplo, para tentar domesticá-lo, ou domá-lo antes de desacordar o animal, ou mesmo matá-lo.   Se assim tememos a força e a bravura desse felino, réptil ou paquiderme, esta é a lição que nos resta:  muito mais devemos temer a força e a ira de Deus.

            Apesar de tudo isso, Ele tem um atributo que é da maior importância para nós, meros seres mortais.   Ele é todo amor.   Quem O conhece, sabe que Ele não criou seres para a destruição.    Aliás, quem O conhece, já por certo sentiu um profundíssimo amor por Suas criaturas.   Sua bondade jamais planejou todos esses desarranjos que percebemos na Terra.   Ele é benigno, seus atos, afinal, só planejam bênçãos para os que O conhecem e dEle se aproximam.

            Ele também é arrojado e corajoso.   Não reluta e nem mede sacrifícios para alcançar o que deseja.   E o que Ele mais deseja é que todos os que erraram, pecaram, desviaram-se e afastaram-se dEle, arrependam-se  e voltem-se para Ele, através do único caminho que deixou como legítimo para esse retorno:  através de Jesus Cristo, que com Seu sangue derramado, lavou os nossos pecados, fez-nos limpos aos Seus olhos, e abriu o caminho para os portais celestes.

            Nem por isso são todas as pessoas que, apesar de todo esse fantástico e maravilhoso Deus abrir o Seu coração dessa forma, reconhecem sua real condição, de pecadores que necessitam de arrepender-se.   Uns por rebeldia, e outros se acham não muito ou “tão pecadores assim”.   Alguns se vêem como pessoas “boas”, pois não procuram o mal, e justificam-se como bons e justos.   Não reconhecem que nasceram sob o estigma do pecado.   São bons e benignos enquanto não lhe fazem algum mal.   Basta serem feridos, e logo sentem o desejo de fazer justiça com suas próprias mãos.   Não é assim o Deus Supremo.   Ele é longânimo, e pronto a perdoar.   Isso apenas demonstra que TODOS os homens são pecadores e que precisam do auxílio e socorro de Deus, através de Cristo, para serem salvos.

            Estas características tão singulares, sem par, nem precedentes, incomparáveis com as de quaisquer pessoas, faz dEle alguém muito diferente de nós, humanos,  que vivemos ainda no nível da matéria.    Ele atua em todos os níveis possíveis e imagináveis.

            Há um porém em tudo isso.  Quanto Ele Se fez presente para coabitar  com Seu povo de então, Israel, Sua presença marcava simbolicamente no lugar chamado de “Santo dos Santos”, onde só o sumo sacerdote, uma vez ao ano, podia ali adentrar, não sem o sacrifício e o sangue de animais.  Os filhos do sumo sacerdote quiseram,  ali, também eles entrar, e foram totalmente consumidos por um fogo que se irrompeu e os matou (Levítico 10:1-3).

            O que escrevemos acima serviu para demonstrar que Ele é santo, diferente, e quando Ele pretende conviver com homens, estes precisam preparar-se convenientemente.   É preciso trilhar os caminhos que Ele deixou demarcados, e Ele não  aceita atalhos, e nem invasores.   Os que quiserem se arriscar a dar passos que ele não permitiu para chegarem-se, certamente que, além de não lograrem êxito, sofrerão perdas drásticas.

            Se, entretanto, de um coração puro, sem pretensões, senão a de agradá-Lo, alguém se despoja de tudo o que tem nesta vida, só para segui-Lo, trilhando a senda do Calvário, tudo lhe será dado, pois tudo é dado ao que crê e age de acordo com essa fé.   Será um vencedor, feliz, alegre e cheio da graça que lhe foi dada em Jesus.

            Ele preparou moradas para os Seus, junto à Sua própria morada celeste (João 14:1).

            “Santificado seja o Teu nome” significa, pois, reconhecer que Ele é santo, diferente e separado da nossa natureza, a qual é contaminada pelo pecado.   Ele é puro e nós, espúrios; Ele é perfeito e nós, imperfeitos;  Ele é justo e nós, injustos;   Ele é bom, e nós lutamos contra nossa natureza má; Ele é glorioso e nós carecemos da Sua glória;   Ele é o Senhor, e nós apenas servos;  Ele tem todo o poder nas mãos, e nós dependemos da Sua graça para podermos viver.

            Além de O reconhecermos assim, ainda devemos a Ele todo o louvor.   Temos que bendizer-Lhe o nome.  Foi para isso que nos criou.

Quando Jesus inicia esta oração, começa a revelar a Sua relação de amor para com o Pai.

            Há um mistério aqui, quando Jesus Se nos mostra como o Filho.   Não significa que Jesus tenha deixado de existir antes de ser criado.   Há um pormenor que nossa parca idéia apenas vislumbra em sombras, nesse pormenor da Pessoa Divina.   O Pai celeste sempre existiu, e, assim como o Pai celeste é eterno, o Filho também o é.    Como?    Olhemos para o tempo infinito que vai sem fim pelo passado a dentro.    Assim como Ele é eterno sem fim, olhando-se pelo prisma do futuro, assim também o é, olhando-se para o passado.     Ele sempre procedeu do Pai, e sempre procederá para fazer a vontade paterna.

            O único período em que Jesus “deixou de existir”, foi quando Ele morreu na cruz, até o dia em que ressuscitou.   Deixou de viver na carne, mas foi vivificado em espírito, e ressuscitado pelo poder do Espírito Santo de Deus ao terceiro dia.   Por isso é que o Pai lhe diz:  “Tu és meu Filho, Eu hoje te gerei” – porque Jesus teve de ser trazido da morte, e quando isto aconteceu, Ele foi gerado, mas sempre existiu antes disso, e sempre existirá no contínuo amanhã.

            Apesar de participar da mesma natureza divina, Jesus não hesita em louvá-Lo por teu um Nome Santo, que deve ser mais e mais santificado aos olhos dos homens.   Em outras palavras, Jesus, sendo eternamente divino, não arroga a Si mesmo o ser louvado, mas dirige todo o louvor ao Pai celeste.   A Ele, sim, louvemos todos.  Que todos se prostrem, e O adorem.   Adoremos à Majestade, à Sua Excelência, e à Sua santidade.   É o mínimo que podemos fazer.

            Ele busca adoradores que O adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24), isto é, com todo o coração e com a nossa própria vida.   Vivamos para Ele, pois isso cai bem às Suas criaturas.

             

 

 

“…Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu.”

 

 

            Estas duas frases têm muito em comum.

            O desejo de que seja instalado o Reino de Deus nesta Terra é semelhante ao desejo de que a vontade do Senhor seja feita nesta Terra, assim como os santos anjos cumprem-na nos céus.

            O Salmo 47:2 diz que: “O Senhor Altíssimo é tremendo, é o grande Rei sobre a Terra”.

            Na verdade, Ele é e sempre foi o Rei da Terra.  Aconteceu, porém, que, num gesto de confiança, entregou o domínio e o governo deste planeta aos homens, delegando-lhes o Seu poder e autoridade.   Os homens, entretanto, não Lhe foram fiéis nessa mordomia.   Pelas coisas que vemos homens fazendo, e também os governantes daqui, é fácil concluir-se que os homens deixaram de ser fiéis a Deus, e permitiram que Satanás se apoderasse, por força ou por astúcia, do poder terreno.

            De tal monta se alastrou o pecado e a rebelião contra o Rei verdadeiro, que Satan se tornou o “príncipe deste mundo”, conforme Jesus o denuncia em João 14: 30 e 12:31.

            A criação do homem sobre a Terra já foi uma parte do plano de Deus para santificar este planeta, a fim de que nós, humanos, obedientes e submissos à plena vontade divina, o reconquistássemos para o Reino da Sua luz, tomando-o do reino das trevas.

            Quando então o homem falhou, e também este se afastou dos propósitos divinos, o plano geral de Deus teve de convergir para apenas um homem, porque dos restantes não sobrou um só que não pecasse e desagradasse a Deus.   Em Jesus, então, dizemos que se cumpriu a total vontade do Senhor dos céus e da Terra.

            Pensemos bem: por que razão Jesus andou neste mundo curando enfermos, ressuscitando mortos, e expulsando demônios?   Porque as enfermidades e a morte são consequências do pecado, e os demônios fazem parte do reino inimigo, usurpador desta Terra e que luta contra o Reino de Deus.   Jesus veio para desfazer as obras do diabo.  Por quê?  Porque desfazendo-as, então, a nós, que formos alcançados por Ele, é chegado o Reino de Deus e novamente na Terra é cumprida a vontade do Soberano Senhor e Deus dos Exércitos.

            Por que Javé é chamado de “Senhor dos Exércitos”?   porque desde a época da queda de Lúcifer, Ele está pelejando constantemente para recuperar o Reino que Seu inimigo tenta usurpar-lhe, comportando-se como um posseiro oportunista, sem direitos e sem escrúpulos.

            Satanás tem disseminado a exploração das paixões da carne, e prometendo coisas mais aos homens, que nunca poderá cumprir, mas assim faz apenas para obter destes a colaboração, a fim de lograr êxito em sua empreitada em prol da perpetuação de sua sinistra vontade – e infelizmente, de muitos tem conseguido alcançar temporariamente este seu objetivo.

            Lançando uma rede de laços e enganos, arrasta com força a muitos, prometendo-lhes a paz e a felicidade, por vezes materiais e por vezes, através de falsas religiões “espirituais”.   De qualquer maneira, desta ou daquela forma, nunca poderão lograr possuir essa eterna paz e felicidade além do rio da morte, e além do Juízo Final.

            No momento em que oramos para vir a nós o Reino de Deus, e para que seja feita a Sua vontade na terra, como ela é feita no céu, exprimimos o desejo de que o Senhor seja o nosso Rei, e nossos corações dão-Lhe as boas vindas com louvores e adoração ao Único que tem todo o direito de reinar sobre nós, e sobre esta Terra.

            Seja assim eliminada toda obra do reino das trevas, e vencidos todos os inimigos do verdadeiro Rei – instaure-se o seu reino de justiça, amor e paz, eternamente.

 

 

“… o pão nosso de cada dia nos dá hoje…”

 

            Já reparou como esta oração é feita para o dia de hoje somente?   Pois nada fala sobre o amanhã.    Isto sugere que podemos fazê-la diariamente.

            Significa também que não devemos ser solícitos quanto ao nosso futuro.   Basta a cada dia as suas dificuldades.   Devemos lutar, sim, pelo nosso pão diário, mas o pão material não deve sufocar a busca pelo espiritual.

            Jesus disse certa vez: – “Eu sou o pão vivo que desceu do céu.   Aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim, jamais terá sede.”  (João 6:35)

            O pão material é importante, sim, para a nossa sobrevivência.   Ele é essencial para a vida.   Precisamos dele para podermos continuar vivendo, sem dúvida.  Contudo, esse pão material não é mais importante que o espiritual.

            Tentado a transformar pedras em pães, Jesus responde a Satanás: – “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” 

            Esta oração, sucinta em número de palavras, resumiu também este detalhe importante: que possamos receber o pão espiritual em primeiro lugar, e depois, então, o pão material.

            Esta frase é uma petição inserida depois que louvor foi dirigido ao Pai, Seu nome foi santificado, expresso o desejo de vivermos em Seu santo reino, e a Sua vontade feita para satisfação do céu e dos crentes fiéis.

            Por que pedirmos algo que Deus sabe ser uma das coisas das quais mais necessitamos?   Na verdade, Ele já no-lo tem dado muitas vezes, antes mesmo que conhecêssemos as palavras desta oração.   Antes que nascêssemos, o nosso alimento já nos era dado, repassado pelo ventre de nossas mães.   Depois que nascemos, muitas e muitas vezes, Deus nos deu o alimento material, para que com ele fôssemos crescendo, pois Ele é bom, e está sempre pronto a nos dar aquilo de que precisamos.

            Quando adquirimos o entendimento, então é chegada a hora de sabermos que Ele almeja que peçamos o nosso pão diário.   Sim, para ficarmos cientes de que é Ele quem o providencia – desde a água da chuva, que molha a terra, faz vingar o grão do trigo, do milho, do arroz, de todas as plantas, e faz também com que cresçam, floresçam, deem o seu fruto, o qual colhemos e dele sai o pão, alimentos de toda sorte, e com isso, somos os felizes supridos pela mão do Senhor – e por isso também devemos agradecer a cada vez que somos alcançados com a bênção de uma refeição!   Ingrato e infeliz é o povo que não reconhece isso, e que ingere seus alimentos como um animal que não sabe  levantar sua cabeça para louvar ao seu Criador.

            Da mesma forma, deve-se agradecer a Jesus pelo Seu sacrifício, por sua maneira divina de doar a vida, de revelar-Se a nós, de manifestar-Se em nossas vidas, de mostrar o Seu carinho e desvelo.   O amor de Deus é como a chuva que cai – é o princípio da bênção sobre o nosso viver, é a condição “sine qua non” para sermos felizes.   De Seu amor é que advém todo o restante:   a família, a casa, a saúde, tudo o que nos dá motivação para vivermos.    É do Seu amor que provém o nosso pão espiritual, o Pão da Vida, Jesus, que vem a nossa salvação, a nossa vida eterna, o céu, a alegria celeste, e assim somos alimentados no sentido mais profundo da palavra.

            É Ele também que nos dá a semente da sua Palavra, para a semearmos pelo mundo, e por isso devemos pedir:

            – “Dá-nos o pão nosso de cada dia!”

 

 

 

 

 

 

           

 

“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores…”

           

 

 

            Perdão!   Esta foi a mais forte expressão do amor do Pai.   Sabemos que o pecado gera a autodestruição do homem, além de contaminar aos seus próximos.   O pecado gera culpa perante Deus e Suas criaturas.   A violência, por exemplo, é apenas uma parte de todo o rol de coisas que desagradam a Deus, mas só esta já é suficiente para prejudicar gerações sem fim.   Acrescentem-se os roubos, as críticas destrutivas, as agressões com palavras, as tramas, e todo tipo de maldade, enfim.

            Cada pecado contra os próximos nos torna devedores a estes, quer seja a dívida moral, espiritual, ou mesmo estipulada em valores econômicos.   Em cada caso, vemos uma pendência como que lançada a débito, em nossa “conta corrente”.   Esta nossa conta corrente é muito bem controlada pela contabilidade celeste, e tendenciosamente usada pela controladoria do inferno.

            A cada ato em que lesamos ou ferimos o nosso próximo, o Pai celeste fica sabendo, e se entristece com nossas atitudes descabidas.  Quando isso acontece, ficamos duplamente devedores: ao nosso próximo, e a Deus!…

            Tendo ciência de que jamais poderemos pagar todas as nossas dívidas, Deus enviou o Seu próprio Filho para ser o nosso remidor completo da inteira conta devedora.

Jesus, assim como Boaz resgatou a herdade para Noemi e Rute, veio para resgatar-nos de todo pecado contra o Pai.

            É assim o coração de Deus!   Não poupa gastos e nem esforços para Se abrir em compaixão, e fazer com que sejamos resgatados, e redimidos perante a Sua presença.   O Seu reino é um reino pleno de amor, e Seu amor é visto e refletido em todos os Seus súditos.

            A bondade de Deus é vista sem limites.   De todos os nossos pecados somos salvos, sejam estes grandes ou pequenos, graves ou suaves.   Sem que houvesse Seu perdão, nossas vidas seriam possivelmente dizimadas até o fim, assim como aconteceu com os pecadores da época de Noé.

            O Seu perdão nos ensina a sermos, também, perdoadores tal como Ele é.

            O reino de Deus é assim – de generosidade em generosidade, de ato de bondade em ato de bondade, são desfeitas as rixas antigas, os desafetos, a falta de amor, a falta de compaixão, e a falta de perdão.   Como Jesus teve de nós compaixão, perdoando-nos na cruz, o Pai atendeu ao Seu pedido: – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

            Foi com este mesmo espírito de perdão que o diácono da igreja, Estevão, sofreu, por sua vez, um martírio, perdoando aos que o apedrejavam, e ainda pedindo ao Pai que não lhes imputasse aquele pecado – aquela execução sumária, sem piedade, e nenhum pingo sequer de condescendência.   Ao orar assim, o pai ouviu a Sua oração, e estabeleceu um plano de resgate à vida de Saulo de Tarso – um dos seus algozes naquele momento.   Saulo foi, então, buscado pessoalmente por Jesus ressuscitado, atendeu ao apelo do Senhor, e foi transformado em Paulo, o apóstolo das nações.

            Paulo vai, então, pregando a palavra de Deus, pregando a Cristo, e vai sendo perseguido também, mas vai perdoando àqueles que o maltratam.   Muitos se vão convertendo a Jesus, e o perdão de Deus vai cada vez mais se espalhando.   Deus vai perdoando em Cristo aos maus que se arrependem e se convertem, e estes novos perdoados, vão perdoando também.

            Temos, entretanto, que entender que esse perdão é condicional e extensivo.  Assim que o recebemos, ficamos penhorados nas mãos de Deus, que nos deu o Seu perdão remidor.    Agora, então, o que Ele quer é que perdoemos a todos quantos nos tenham trazido quaisquer tipos de males.

            E se algum de nós não quiser abrir mão e ceder no seu direito de requerer a paga de algo que alguém nos deve?  Neste caso, não estaremos aceitando a condição de recebermos o perdão de Deus: a condição de que termos a compaixão de aceitar os nossos devedores, e perdoá-los.    Isto é simples, na matemática do céu: tal atitude mesquinha não cabe dentro do Reino de Deus.   Neste caso, cancela-se o perdão de Deus, e volta toda dívida a ser ativada.   No céu só estarão os perdoadores, porque estes foram perdoados.  Não há filhos “preferidos” ou protegidos, que entraram pela porta dos fundos.  Aliás, não há portas alternativas para lá entrar-se  – nem mesmo a das boas obras.  A única porta é Jesus (João 10:9-10).

            No Reino eterno de Cristo, não há discípulos que não O sigam, ou rebelem-se, pois todos os seus são muito felizes em fazer a Sua santa e bendita vontade.   As nossas dívidas perante Ele são muito maiores do que aquilo que alguma pessoa nos deva.  Não há como lamentarmos por perdermos algo que era nosso por direito legal, porque muito além do que pensamos estar perdendo, é o que vamos ganhar.

Este é o jogo contábil que o Senhor faz com as nossas dívidas. Se entrarmos nele, não nos é dado requerer algo que nos devem.  Não nos é dada a opção de deixarmos de perdoar.

Tudo tem um custo, e o perdão também o tem.   Talvez tenhamos de nos esforçar para perdoar uma dívida enorme que alguém não nos pagou, lesando-nos.   Aplicaram-nos um calote.   O nosso perdão a essa pessoa custará, para nós, o abrir mão de recebermos o que cremos que nos pertence – talvez algo como uma soma muito grande de dinheiro, ou um imóvel, ou um objeto de cobiçado valor, algo que nos significa um enorme sacrifício.

Pois o perdão de Deus também tem um custo.   Ele arcou com a dívida de nossos pecados, pagando-os com o sangue e a vida de Seu Filho Jesus.    Não há como se comparar o tamanho dos sacrifícios, o dele com o nosso.

            Quem puder receber isto como um grande prêmio, bem maior que o de loterias do mundo, estará vivendo, já, uma boa porção do Reino de Deus na terra, e ainda receberá o céu.

 

 

 

“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal…”

 

 

 

            Esta frase denota que, pior do que ser lesado, injustiçado ou amaldiçoado é o cair em tentação.

            “Não nos deixes”, significa: não nos abandones à nossa própria sorte, pois precisamos de toda a força do Senhor para estarmos firmes e resistindo aos males deste mundo.

            Quem dera que todo cristão estivesse andando por caminhos onde estivesse a salvo de investidas, setas venenosas, ameaças, e afrontas do maligno.    Seja como for, estamos neste mundo.   Jesus não pediu ao Pai que nos tirasse do mundo, mas que nos livrasse do mal (João 17:15).

            Satanás é ardiloso, e certamente que já destacou seus emissários para lançar laços para nos prender, e deter a nossa caminhada junto a Jesus, rumo ao céu, e junto a Jesus.

            Ora confrontando-nos, ora tentando fazer-nos humilhados, ora tentando difamar o verdadeiro Caminho, ora tentando distorcer valores, ora tentando obstruir nossos passos, ora lançando névoa e cegueira para nos enganar, assim é esse contumaz adversário, e ele está neste mundo onde vivemos.

            Não temos meios de descobrir o que o inimigo das nossas almas tem tramado, com sua mente maquiavélica.  Certamente que não são boas coisas.   Ele está ativo neste mundo.   Ele ainda não está preso, e não foi ainda, até o dia de hoje, lançado no lago de fogo e enxofre.

             O que podemos fazer é pedir ao Senhor que nunca nos desampare, mas com a mesma intensidade dos ataques das forças contrárias, sejamos revestidos do poder do alto para oferecer resistência à altura, e ficarmos firmes na fé, como vendo o invisível.

            Que Ele nos dê alento, força, sabedoria e entendimento para sabermos escolher a melhor estratégia – a de Deus – para vencermos.   Assim devemos pedir.

            “Livra-nos do mal” – Podemos entender o mal de diversas maneiras.  

O mal  pode ser uma opção, nas tentações.   Opção esta que pode ser tomada em uma encruzilhada da vida, onde devemos assumir um caminho, e não podemos nos esquivar dessa decisão.   Neste caso, a oração que pede para nos livrar de todo o mal é sinônima de um pedido de sabedoria, para que a luz do Senhor nos esclareça, e possamos enxergar bem cada alternativa, com bastante cuidado, e vermos qual será o fim de cada um deles, com que consequências haveremos de conviver depois de assumida a vereda, afinal.

O mal é também visto como um evento catastrófico qualquer.   Algo que costumeiramente se chama de desgraça, uma desdita, uma desventura, uma calamidade pública, um fogo de provação que nos pode levar às lágrimas, à tristeza, e à confusão de idéias.    Isso, na verdade, seria apenas parte do jogo que Satanás tenta impor às pessoas para que estas, ao chegarem como que empurradas, ou arrastadas ao vale da decisão, sintam-se desamparadas por Deus, e induzidas a duvidar, para que estas tomem caminhos errados.   Esta é a vontade do inferno, que ninguém se achegue a Deus, e desviem-se dos sagrados caminhos que conduzem ao céu.

O mal é também uma organização espiritual.    Paulo o chama de “hostes espirituais da maldade”, juntando-as com os principados, as potestades do ar, os príncipes, e seus subalternos militantes.   Todos já ouviram falar de “máfia”, uma organização humana que atua acintosa e malignamente, oprimindo a tantos quantos lhe pareçam mais fracos, e guerreando contra os que lhe representem qualquer barreira contra os seus propósitos.   Pois bem, o mal é quem inspira a máfia, e procura lhe dar força, no afã de dominar o mundo.

O mal é, também, algo prestes a revelar-se num evento escatológico como nunca antes, em toda a Terra.   Isto se dará numa época em que todos os moradores deste globo terão que participar de um processo apocalíptico, o qual há de vir como o cartão de visitas de um julgamento que estará muito próximo.   Mais do que um simples julgamento, esse processo culminará com o Juízo Final.    Neste Juízo Final, muitos serão condenados ao lago de fogo e enxofre, onde estarão a besta, o falso profeta, Satanás e seus anjos.  Lá haverá pranto e ranger de dentes, os vermes devoradores não morrem, e o fogo não se apaga.   O pedido de livramento é, então, para que sejamos isentos ou absolvidos de um julgamento duro, inflexível e condenatório, cuja decisão final não terá retorno, e por isso precisamos evitá-lo.   Não podemos nos esquecer de que só o Senhor é Quem poderá nos livrar disso.

Não temos poder em nós mesmos para defrontar tal organização.   Se o Senhor não for por nós, ora diga Israel… Mas o Senhor sabe disso também, e nos ouve quando clamamos por seu socorro: – “Socorro, Senhor, livra-nos do mal”!

 

 

 

“Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre”

 

 

            Após lançarmos os mais essenciais pedidos, os que mais definirão o nosso bem estar temporal, bem como o eterno, Jesus nos ensina a maneira de encerrarmos essas rápidas palavras.

            Quando nos aproximamos de Deus para com Ele falarmos, as nossas almas necessitam dobrar-se em reverência e adoração, e por isso é que as primeiras palavras  da oração glorificam incondicionalmente ao Pai nosso.

            Não há como achegarmo-nos a Ele de outra forma.   Serão rejeitados os que negligenciarem esta maneira, esta liturgia.    Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.   Se Ele expulsou os anjos que se rebelaram contra a Sua soberania, o mesmo fará com os que ousarem peitá-Lo.   Quem reconhece a superioridade, a sublimidade, a luz de glória mais excelente, as virtudes insuperáveis do Senhor, deve ter o equilíbrio mental de procurá-Lo, dedicando-Lhe todo o louvor, e toda a honra, antes de mais nada.

            O que nos leva a procurar por Sua presença, entretanto, é o nosso estado de carência.   Carecemos da Sua glória.  Carecemos de poder para resolvermos todos os nossos problemas.   Carecemos de santidade em nossos corações.   Carecemos de Sua presença em nossas vidas.   Dependemos dEle para tudo, nesta nossa peregrinação terrestre.   Carecemos de Sua força e de Seu poder.   Tudo Ele tem nas mãos, inclusive nosso próprio ser.    Por isso, sem Ele, nada somos, e nem seremos.   A nossa esperança, portanto, é que Ele nos acolha em Sua misericórdia e amor.

            Sabedor de toda esta nossa condição, Jesus nos deixou este modelo de oração, revelando-nos que devemos nos aproximar dEle nos termos iniciais da Sua fórmula.  Após isto, lancemos nossas petições – que Ele nos dê sabedoria e entendimento para fazê-lo de tal modo que possamos  achar graça aos Seus olhos.

            Estando à presença do Rei de toda a Terra, e tendo com Ele conversado, chega o momento, então, de nos retirarmos da sala do Seu Trono.   Como devemos fazer isso?

            Nenhum súdito interrompe bruscamente o diálogo com seu rei, simplesmente dando-lhe as costas, e retirando-se.   Isto seria um abuso, uma falta de etiqueta, de educação, enfim, de bom senso, e motivo para que, quando de uma outra feliz oportunidade, um outro achegar-se, o súdito seja barrado, pois passaria a ser visto com maus olhos.

            Os sacerdotes levitas, quando viram a glória do Senhor encher o templo, não podiam manter-se em pé, e não puderam sequer permanecer no Lugar Santo, que ainda era a antesala do Lugar Santíssimo.  Quando a fumaça celestial envolveu o templo, os sacerdotes tiveram de se retirar, andando de ré, para não dar as costas ao Altíssimo.  Isto é prestar a devida honra, homenagear a quem de direito.   Isto é louvor.

            Devemos, portanto, louvá-lo, reconhecendo a Sua glória e o Seu domínio, o Seu poder, motivos por que dirigimos a Ele essa oração.

            Daí vêm os termos:  “ porque a Ti pertence o reino, o poder e a glória para sempre.”  Não devemos dar-lhe as costas, pois se nos aproximamos de frente, é nesta mesma posição também que temos que nos despedir temporariamente, ao afastar-nos do Seu Trono…

            Que Ele sempre tenha tempo e ouvidos para nos ouvir novamente.   Que todos os dias de nossas vidas nos aproximemos dEle, pois que já nos deu como formular as nossas palavras para entrarmos, falarmos, e sairmos do Seu Lugar Santíssimo, o Santo dos Santos.

 

 

 


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