I REIS –XVIII – TEMPESTADES QUE ACABAM NA PRAIA

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julio 24, 2017 by Bortolato

Traumatizante!   Quem não usou este adjetivo para se referir a um acontecimento passado que lhe trouxe momentos de incerteza, perigo e quase que tudo se perdeu em um só lance?

Lembro-me bem do ano de 1965, final do mês de fevereiro, às vésperas do Carnaval que comemorava o IVº centenário da cidade do Rio de Janeiro.  Foi uma data muito marcante para mim.   Para a “Cidade Maravilhosa” fui eu com meus amigos, a passear.

Em minha infância e adolescência, mal fui informado sobre Deus e Sua bondade.  Eu contava, na época, com dezessete anos de idade, e estava decidido a conhecer o mundo, e esquecer-me de quaisquer traços de religião.   Pensar em Deus, talvez mais tarde, quando a minha cabeça estivesse mais segura sobre o  que fazer quanto a este assunto…  Por ora, eu queria apenas viver a minha vida e ao meu modo…

Aquele Carnaval, aquele feriado, era especialmente o do IVº centenário daquela cidade.   Aquilo deveria ser uma loucura total, assim pensava.  Era o que gostaria de viver, de experimentar, mas um detalhe importante fez com que as coisas não fossem tão bem quanto supunha.

Em um daqueles primeiros dias, não consigo lembrar-me com clareza se no domingo… ou na segunda-feira…  Era uma manhã ensolarada, e a praia nos convidava para irmos a um banho de mar.   Cheguei junto à praia de Copacabana, acompanhado de um amigo carioca que também quis lançar-se ali para umas braçadas.   Para ele, tudo bem, mas para mim, esta não foi uma boa ideia, pois eu não conhecia a força daquela maré, e naquele dia esta puxava com bastante força para dentro.   Mais rapidamente do que estava esperando, após uns poucos lances a nado, percebi que já não mais podia sentir que meus pés alcançavam a areia ao fundo do oceano.

Estando junto ao meu amigo, entusiasmei-me e fui mais a dentro do mar, mas em dado momento senti que precisava voltar.  Tentei dar meia volta, e nadar em direção à praia, mas meus esforços foram baldados.   Em vez de aproximar-me da terra firme, vi que me distanciava cada vez mais.   As coisas não estavam indo bem.   Eu me sentia impotente para lutar contra tamanha força contrária.   Nem pensei em ficar boiando por cima das águas, porque então aí é que eu iria mesmo na direção do alto mar, e tudo o que eu queria naquele momento era sair daquela situação, vencer a maré e voltar a sentir aquela maravilhosa sensação de ter a firmeza do chão debaixo de meus pés.

Conforme continuava a nadar na tentativa de voltar à praia, via que meus esforços eram em vão, até que me cansei, e meus braços já não tinham mais forças para lutar contra aquela adversidade.   Parecia que eu tinha que carregar o peso de uma tonelada em cada braço…

A maré estava puxando-me para o mar a dentro.   Quem pôde me observar bem, também pôde sentir que uma tragédia estava iminente, começando a se desenhar com rapidez, e logo à frente.

Então comecei a afundar.   Afundei uma vez, tampando a respiração.   Voltei à tona, e meu companheiro, sentindo que o mal estava próximo, tentou ajudar-me, mas quase que ele também se ia comigo para o fundo da água.  O que ele pôde fazer então foi só gritar por socorro…

Enquanto isso, só pude inspirar o ar, e forçosamente expirá-lo.  Acabando de soltar o gás carbônico de meus pulmões, o meu peso passou a ficar maior do que o das águas, e afundei outra vez…

Então pude contemplar aquela cor verde translúcida sem fim.   Ali em baixo dágua, tudo era um silêncio completo, e um sentimento de ausência de qualquer recurso que pudesse me salvar.   Estava me sentindo só, sem forças e sem alento.   Minha candidatura à morte por afogamento estava inscrita, e isto era incrível.   Jamais esperava algo assim na minha vida.

Meu corpo parecia descer e subir enquanto prendia a respiração.   Movia apenas meus pés, e creio que com isto consegui voltar à superfície outra vez.   Então pude ouvir outra vez os berros de meu companheiro próximo a mim, ainda pedindo por socorro…

Queria ficar ali e respirar à vontade, mas só o que consegui fazer foi inspirar uma vez e a seguir exalar o ar novamente… e afundei de novo!

O mesmo processo ocorreu, como que em um ritual ao qual eu não podia deter.   Fui como que puxado para baixo, e aquele verde solitário do mar lá estava me esperando.   Bati meus pés, continuando na minha tentativa de fazer algo que pudesse me adiantar em alguma coisa, e de repente, pude subir outra vez, e outra vez o mesmo sucedeu.   Gritos do amigo. Inspirei, exalei, e afundei…

Depois da terceira vez que isso aconteceu, eu então senti que meus pés tocaram na areia – no fundo da plataforma marítima, que não pude calcular o quanto estava acima da flor da água.   Olhando para o semi-infinito verde das águas do mar, nessa vez então pensei, indagando-me a mim mesmo:

– “Será que Deus Se esqueceu de mim?” – Era quase uma oração a Ele.   Não sabia o que fazer, e nem mesmo como orar, e nem rezar.   Apenas na minha pura intenção voltava meu pensamento a Ele, sem fórmulas ou rodeios, mas creio que Ele me entendeu.

Na verdade, não sabia o que pensar e muito menos em o que deveria fazer, além de mover meus pés naquela conjuntura.   Clamar a Deus poderia ter sido o meu último recurso, mas nem sabia como exprimi-lo.   Sem seguir qualquer fórmula, penas lembrei-me dEle, naquele momento cruciante.  Não pensava que o jogo já havia terminado, mas pude sentir que estava chegando o meu fim.    Procurava lutar, mas meus esforços pareciam marcar passo, sem sair daquela terrível ameaça.  Estava ainda em dúvida, pois as circunstâncias não me favoreciam nem um pouco, pois o pouco tempo de resistência que me restava e mais a maré concorriam contra mim.

Mas Deus me respondeu!   Não tenho dúvidas quanto a isto.   Sem palavras, sem aparecer visível no cenário, e de uma maneira sutil, mas marcante e muito eficaz, do modo que Ele achou que convinha.

Ao tocar meus pés no fundo, flexionei-os de forma a dar um novo impulso para cima, e continuei batendo-os suavemente, da forma que podia fazê-lo.

Consegui emergir mais uma vez, e então alguém estava me esperando na superfície.  Não era o salva-vidas.  Até hoje ainda não sei quem ele era.  Sequer pude ver o seu rosto.   Por óbvio, não sabia qual seria o seu nome.   Um salvador desconhecido, mas que isso importava naquela hora?   Aquele ajudador foi providencial.

Sei apenas que ele tomou-me pela cintura com um de seus braços, e com o outro ia nadando, enquanto eu podia apenas bater os meus pés na água para tentar colaborar com aquela manobra de salvamento.  Meus braços não colaboravam, mas graças aos céus, já podia repirar.

Aos poucos ele foi conseguindo sair daquela situação, naquele lugar, e aquilo que eu não conseguia fazer com meus dois braços, ele logrou fazê-lo com um só.   O que me foi tão difícil fazer, pareceu ser até fácil demais para ele.

Fui deixado na praia, onde caí ao chão, exausto, mas são e salvo, recuperando o fôlego e as forças.  Depois alguém informou a meus amigos que o meu “salva-vidas” improvisado não sabia nadar direito.   Não era um nadador profissional.  Era um amador, e ainda iniciante.

Voltei para casa no final daquele fim de semana prolongado com aquele feriado, mas então já carregava dentro de mim uma experiência que me impulsionaria a buscar encontrar ao Deus que respondeu à minha oração, usando uma pessoa humana, falível e limitada como eu também, mas oportuno na hora precisa, e incrivelmente eficaz.

Era inevitável refletir sobre aquilo.    Deus lembrou-Se de mim naquele momento dramático.   Ele, na verdade, foi quem me salvara.   Braços humanos de um estranho  também cooperaram naquela operação resgate, mas tudo parecia que estava de antemão engatilhado para o momento certo, aquela “hora H”.    Se passasse daquele estágio, o seguinte seria o além, mas Ele, Deus, não quis assim, para a minha sorte.

Dali em diante, a vida continuou, com algumas expectativas, revelando outros problemas, e outras dificuldades.   Tudo servia para um aprendizado longo e ponto a ponto.   Diante dos novos desafios, eu já sabia com Quem poderia contar, e que precisaria encontrá-Lo de alguma forma, a qualquer momento.   Tinha que fazê-lo, pois o fato de continuar vivo, e lutando contra algumas correntezas da vida, só isto já me fazia sentir que Ele me valeria.   Tinha que buscar encontrá-lo, isto passou a ser uma necessidade, e não mais uma mera brincadeira, como a de “cabra cega”.   Era sério.   Não poderia dar em outra coisa.   Tinha que ser.  Os dias se passavam, mas eu continuava lidando com este enfoque, com fé e com expectativas.

Um dia, assistindo a um culto em uma igreja cristã, ouvi o pastor fazer um apelo, chamando as pessoas que precisavam dar um primeiro passo para ir a Cristo.   Pensei naquela hora que ainda era cedo, mas não demorou muito, e em outra ocasião, aproveitei a chance, e decidi: é agora!   Então comecei a seguir a Jesus…

Foi o momento da virada, em que a perspectiva mudaria de direção, pois basta encontrá-Lo, e tudo muda.

O trauma, a ameaça, a semitragédia me despertaram, pois foram marcantes.  Foi uma experiência que não quero nunca mais ter na vida, mas foi um mal que veio para bem.  É assim.   De Deus podemos receber tanto o bem quanto o mal, mas todas as coisas contribuem para o bem daqueles que O amam, e são chamados para o Seu propósito (Romanos 8:28).   Nas palavras de Jó:

“… receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? “  (Jó 2:10)

Às vezes as coisas começam mal, mas temos boas notícias: Jesus veio a este mundo, e tudo mudou…

I Reis, capítulo 17, nos traz um quadro crítico ao extremo, em que o povo de Israel teve de muito sofrer… sofrer por ignorar e não corresponder ao amor de Deus.

Acabe foi coroado rei em Israel , reino do norte, em c. 874 A.C., e, desprezando ao Senhor decidiu casar-se com uma filha do rei sidônio Etbaal, o qual reinava sobre toda a Fenícia.

Acabe foi filho de um rei iníquo, e feito rei de um povo que houvera sido escolhido para ser do grandioso Deus Yaweh – mas Israel se desviara de seu Deus sob o domínio de dinastias idólatras.   Para desgraça de todo o povo, ele, como rei, fez o que de pior se poderia fazer em uma terra que um dia fora escolhida para ser bênção neste planeta: além de institucionalizar a idolatria como religião oficial do reino, sob a influência de Jezabel, sua mulher, empreendeu uma perseguição sem precedentes aos profetas do Senhor Deus, o grande Eu Sou.   Jezabel era fanaticamente baalista, e com sua mente assim formada, parecia ter um alvo que era o de exterminar com a Torah, com os cultos a Yaweh, e… é incrível, mas… ela queria acabar com a vez de Yaweh em Israel!  Isto significa medir forças e lutar contra Deus!

A propósito, era notório que Acabe foi moral e espiritualmente dominado de todo por aquela mulher, o que não foi, definitivamente, para bem de seu povo e nem tampouco o foi para si mesmo.   Ele se deixou tornar em uma marionete nas mãos de uma mulher perversa.

Tendo havido a cisão entre Israel Norte e Judá, perto do ano 930 A.C., Jeroboão já tinha banido os sacerdotes de Yaweh das terras de seu reinado, mas agora, sob Acabe (que reinou de 874 a 853 AC.), era chegada a vez dos profetas de Deus sofrerem em mãos idólatras e assassinas.

Ao se desenrolar esta história, isto se foi tornando em um problema tão grave naquela nação, ao ponto de a fé em Yaweh tornar-se rara, e os Seus adoradores cada vez mais escassos.   Dentre perto de um milhão de homens, havia ali somente sete mil fieis ao Senhor.   Quase se extinguiu o culto ao Senhor que até então os livrara de tantas e tantas vezes das mãos dos seus inimigos que tinham o desejo de matá-los, se não pudessem subjugá-los de modo terrível, violento e humilhante.

Naqueles momentos tão difíceis para servos do Deus Altíssimo viverem na terra que o Senhor lhes dera para nela habitarem, quando tudo parecia que o sonho de possuírem uma terra onde pudessem adorar ao único Deus verdadeiro estava se afogando nas águas de um mar bravio, despontou uma boa notícia da parte do céu:  um profeta que não tinha temor do que lhe poderia fazer o homem se levanta e começa a dirigir a Palavra ao rei Acabe.   Era de duras palavras, mas ainda havia oportunidade para arrependimento.

Isto significava que Deus não Se havia esquecido de Seu povo Israel, apesar de todos os pesares – mas a manifestação do Seu poder teve de ser enérgica, a fim de fazer sobrepujar aos Seus inimigos.   Deus começou a falar através de Seu profeta Elias, o tisbita, dos moradores da terra de Gileade.

A manifestação de Yaweh foi evidente.   O recado para Acabe foi o de que seu povo teria que passar por um longo período de sequidão de estio.   Nada de chuva, e nem de orvalho.   Somente quando a palavra do Senhor voltasse a falar acerca disso com Elias, é que as coisas poderiam voltar ao normal.

Esta palavra foi um desafio para ambos os lados.   Acabe teria que aceitar aquilo como um ato divino contra seu modo de reinar em Israel, maneira ostensiva de Deus lhe dizer que não se agradara do seu proceder.   Aliás, do proceder da grande maioria do povo.

Tudo aquilo era o modo de Deus falar “basta!” de forma inteligível ao alcance de Acabe e do povo, mas em especial ao rei e… à sua rainha.   Também era a forma com que o Senhor reclamou ser o único Deus daquela terra.

Acabe, porém, não entendeu que estava recebendo um xeque-mate.   Pensando talvez que os deuses aos quais cultuava poderiam oferecer alguma resistência a Yaweh, ainda pensava em perseguir aos seus profetas.   Elias foi procurado por todos os cantos da terra.   Acabe sabia que a seca somente seria vencida, quando a palavra do Senhor voltasse a falar com Elias – portanto, havia pressa de que o profeta fosse encontrado, e forçado a profetizar a vinda das chuvas em Israel.

Aonde andava Elias por esse tempo?  Como poderia ele haver sumido desse jeito?   Acabe estava furioso contra ele – e sua mulher Jezabel o incitava a isto.   Se ele não fosse o homem-chave para a solução do problema, certamente que Acabe o mandaria matar, sem dó nem piedade…  ousadia e falta de escrúpulos não lhe faltariam para tanto.

Procurou entre os mercadores de Israel, mas não o achou.   Procurou também entre outros reinos vizinhos, com os quais mantinha relacionamento, mas nada de encontrá—lo.   Acabe pensava que em algum lugar ele deveria ser visto, pois não poderia deixar de buscar alimento, e se assim fosse, os mercadores que lhe fornecessem o denunciariam, mediante as ameaças do rei.

Acontece, porém, que o Senhor sabe como defender aos Seus, principalmente quando se trata de um servo tão cheio do Espírito Santo, amado Seu, e fiel porta-voz.

O Senhor havia dirigido Elias para o ribeiro de Querite, a leste do rio Jordão.  Era um lugar deserto, na região do semiárido.   E como Elias poderia ser servido de suprimentos para poder viver?  Ali não havia hospedarias, nem restaurantes, e nem mercearias.   Como foi isso, então?   Como Elias teria recebido víveres?

O que ocorre é que Deus é o Senhor de toda a Terra, e as alimárias do campo estão sob Sua autoridade.   Nenhuma fera alcançou ao profeta para matá-lo, e nem feri-lo.   Ao contrário,  para ali foi o profeta a ser servido por… corvos!   Corvos!   Já pensou?   Tais e quais verdadeiros garçons vestidos de preto, toda manhã e toda tarde, lá vinham aquelas aves, trazendo para Elias, nada menos que pão e carne!   Claro, pois assim foi porque Deus lhes havia ordenado.

Séculos mais tarde, Jesus veio a dizer:   – “não andeis ansiosos quanto à vossa vida, quanto ao que haveis de comer, ou o que haveis de beber…   Observai as aves do céu, que não semeiam e nem segam, nem ajuntam em celeiros, mas o vosso Pai Celeste as alimenta.  Não tendes vós muito mais  valor do que elas?” (Mateus 6: 25, 26)

Procurado incessantemente por um rei impiedoso, capaz de matá-lo quando assim achasse por bem fazê-lo, Elias era tido como um proscrito.   Um espinho encravado, uma pedra no sapato do rei, um atrapalho dos planos reais.

Um outro inconveniente, porém, surgiu:  a seca atingiu também o ribeiro de Querite, e a partir de um dado momento, Elias teve que dali sair.   O Senhor mesmo, paciente e cuidadoso para com o Seu servo, lhe fala para dirigir-se para outro lugar.   Para onde?

Onde quer que Elias fosse dentro das terras de Israel, ele teria sido reconhecido.   Vestido de peles de animais, ele levava sempre uma capa, que lhe era muito útil quando vinham as noites frias, e com esta se agasalhava.

Bem sabendo disso, o Senhor providencialmente o envia para uma terra no estrangeiro.  Para uma pequenina cidade da Fenícia, chamada Sarepta, a treze quilômetros de Sidom, na estrada para Tiro.

Logicamente que o Senhor não o enviaria ao rei de Sidom ou de Tiro, pois logo o informariam a Acabe.   A quem foi Elias enviado?   Não para nenhum grande homem, mas a uma pobre mulher viúva, que estava já desesperançada da vida, pois não tinha senão um punhado de farinha em uma panela, e um pouco de azeite em uma botija.

A estiagem havia alcançado também aquelas terras, e aquela mulher temia por sua vida e a de seu filho, de serem vitimados pela fome que campeava aquelas paragens.

Quem, em sã consciência, iria perturbar uma mulher como aquela, pedindo-lhe comida, para lhe ser pesado em hora tão inoportuna?   Mas as misericórdias do Senhor incluíram aquela mulher e seu filho dentro de Seus planos de salvação, e esta foi também uma das razões por que Elias foi enviado para a sua pobre e humilde casa.

Elias a chama, e lhe pede um pouco de água e de pão.   Era a última porção de comida que ela possuía, e o profeta lhe pede exatamente isto.  Parecia ser um non sense, mas esta foi a direção de Deus para o caso.

O profeta então lhe dá aquela palavra que traz o alívio para o seu drama:  primeiramente, um pequeno bolo deveria ser feito para Elias, e depois, para ela e seu filho, pois então veio uma palavra para ela:

“Assim diz o Senhor (Yaweh), o Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija  não faltará, até o dia em que Yaweh dê chuva sobre a terra” (I Reis 17:14)

E assim foi, cumprindo-se a promessa divina, que trouxe a bênção para aquela casa necessitada.   Na hora H.  No último momento da dor, o livramento.   Assim age o Senhor.      As dores aparecem, perturbam um tanto, chegando ao limite da tolerância do ser humano, mas é são essas horas que Ele tem escolhido para atendera às orações de Seus filhos.

A mulher tomou da farinha, e a tirou do seu recipiente, para fazer seus bolos.  O homem de Deus profetizara, e maravilhosamente, parece que teria havido o milagre da multiplicação.   Ela sempre tirava um pouco, a cada dia, mas sempre sobrava outro tanto, que ficaria para um outro dia…   E assim também o azeite.   Ela o derramava sobre a farinha, e este não se acabava!   Ela ficava maravilhada.

Quando então tudo parecia estável, sob controle, apesar da seca, e da escassez de recursos na terra…   parecia que a situação não poderia ficar pior, mas os fatos narrados não nos dizem assim.

Então o filho da viúva veio a adoecer, e, indo de mal a pior, chegou a falecer.   Que tristeza!   E tudo aconteceu logo com aquela pobre viúva!   Um dos maiores traumas psicológicos que povocam maiores dores na vida em uma alma é quando falece um cônjuge ou um filho ou filha.

Quando chega a hora de uma tragédia, todos pensam:  aonde foi que eu errei?   O que foi que eu fiz, ou deixei de fazer para que as coisas tivessem chegado a este ponto?  E agora, para não piorar mais ainda, que espécie de mantra devo eu rezar, assumindo o “meã culpa”?

Aquela mulher olha então para Elias, o profeta que veio a morar junto à sua casa, dentro de seu terreno.   Ele é representante do Deus de Israel, o Deus que afogou ou os egípcios no fundo do Mar Vermelho, que abriu o rio Jordão para o Seu povo passar a exterminar com as sete nações que habitavam em Canaã… sem falar-se de Jabim de Canaã, de Eglom de Moabe, de Cushã-Rizataim da Mesopotâmia, e outros que experimentaram a espada do Senhor em suas gargantas…  porque eram pecadores!    Eles haviam pecado contra o Deus de Israel e contra o Seu povo escolhido, pagaram com a vida, e agora, um representante desse terrível Deus estava morando às suas portas – e o seu filho querido foi atingido pela ira dEle, era o que pensava a mulher.   Por quê?   E por que eu?   E por que meu filho?

Será que não teria sido necessário passar o sangue de um cordeiro nas vergas das suas portas, a fim de que o anjo exterminador não viesse para matar ao seu primogênito, e ela não teria sido advertida quanto a isto?

Ela cria coragem, e indaga acerca de seus temores ao homem de Deus.   Pergunta-lhe o que ele teria contra ela, e qual teria sido o seu pecado, para ter sido visitada daquela maneira tão terrível, levando-a a uma dor tão insuportável.   Ela estava sofrendo e muito, sem dúvida, e tinha medo que pudesse vir a sofrer ainda outras tragédias na vida…

Elias apenas lhe pede: – “Dá-me teu filho!”

Ela não hesita.  Se o profeta de Yaweh lhe pedia o menino, era melhor obedecer.   Ele já estava morto…   O que quer que Elias fizesse com o corpo, não poderia ser pior do que a morte que o colhera.

Afinal, Elias era um profeta, e não um simples profeta.  Ele já havia demonstrado isto.  Mas agora, que a morte já havia colocado o seu selo sobre aquele pobre menino, o que mais poderia ser feito?

Um momento de indagação passou pela cabeça daquela mulher, mas como Elias era Elias, o servo do Deus Altíssimo, criou-se uma expectativa, uma esperança ainda um tanto nebulosa mostrando sua luz sobre aquela situação.   Não se sabia o que viria a acontecer, mas ela confiou aquele corpo inerte de seu filho nas mãos do profeta.

Elias tomou-o em seus braços, e passo a passo dirige-se para o quarto onde ficava o profeta.   Deitou-o sobre a sua própria cama.    Orou.   Falou com o Deus a Quem ele servia.   Ele conhecia bem o seu Deus, e que as Suas misericórdias são muito grandes – e o seu Deus também o conhecia.

Ouviu-se no céu uma petição erguida desde o interior de uma cidade próxima a Sidom.  Elias pedindo pela vida de um menino.  Não era um menino de Israel, mas sua pobre mãe tinha fé suficiente para aceitar o que quer que o Deus de Elias resolvesse fazer com ele, na Sua compaixão.

Milagrosamente o menino voltou a respirar, e reviveu.   Ao entregá-lo de volta à sua mãe, esta enche seu coração de fé – fé no Deus Vivo, e de que Ele é poderoso para fazer tudo quanto aprouvesse fazer através do ministério de Elias.   Ela  então o confessa, rendendo o seu louvor a Yaweh, e agradecidamente, ao profeta.

É um intrigante paradoxo.   Não fosse a fome, e nem o sol causticante, nem a idolatria de Acabe e Jezabel, não fosse a perseguição de caça ao profeta, e ela não teria conhecido a Elias, não teria conhecido que o Deus de Israel é Deus também para todos os povos.

Seja qualquer que seja a dificuldade por que o leitor esteja passando, esta passagem bíblica é uma exortação a crermos, a provarmos e vermos que o Senhor é bom!


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