I REIS – XVI – FIDELIDADE À TODA PROVA

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mayo 18, 2017 by Bortolato

Quem não deseja ver esta virtude nas pessoas ao seu redor?   Desejamos vê-la em nossos amigos, em nossos filhos, em nossos relacionamentos familiares, comerciais, profissionais, em nossos jogos, divertimentos e passatempos, em todas as áreas, enfim.    Quando queremos contratar empregados, quando embarcamos em um veículo de transporte para uma viagem, quando nos colocamos nas mãos de médicos e enfermeiros, esta é a qualidade básica que por costume já é esperado encontrarmos nessas pessoas: uma cumplicidade inspiradora.

Um problema, porém, insurge quando assim procedemos, porque desde que conhecemos pessoas, notamos que existe uma característica não muito louvável em toda a raça humana: todos somos falíveis.   Todos erramos em algum momento, todos estamos debaixo de uma maldição que se chama pecado.   Por mais que nos esforcemos, e por mais que tentemos nos aproximar de um estado de perfeição, de repente, sem aviso, inesperadamente, contemplamos decepcionados que o pecado aflorou outra vez em nosso procedimento.

Em um trânsito congestionado, diante de manobras de transeuntes que põem em risco a própria vida e a dos que estão por perto (inclusive a de nós mesmos ); ou quando nos deparamos com alguém que nos tenta enganar com finalidades escusas;  ou diante de assaltos, roubos, estupros, maus tratos dirigidos a nós mesmos ou a outra pessoa.    O nosso senso de justiça não fica quieto, fica indignado e exige uma retratação e uma reparação dos danos – se é que ainda resta alguma coisa que possa ser reparada.    Lamentamos profundamente.  Não aceitamos tais despropósitos e desrespeitos.   Tudo isso nos mostra o quanto a nossa sociedade está longe de ser aquela parcela da população em que podemos confiar.    Isso tudo inspira desconfianças, ansiedade, desesperança, e um triste sentimento de que a nossa busca por amor nas pessoas fracassou.

É a manifestação da força do pecado original, que nos persegue desde os tempos de Adão.  Nas palavras do Apóstolo S. Paulo:

“Não entendo o que faço, pois não pratico o que quero, e sim o que odeio… pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero.  Portanto, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.”  (Romanos 7:15,19,20 – Edição Almeida, Século XXI)

Apesar de, como seres humanos limitados em termos de padrões morais ideais, almejamos muito a perfeição, e obtemos pouco sucesso, as nossas almas anseiam por encontrar alguém em quem possamos confiar de verdade.   Chegamos até a arriscar, projetando riscos calculados nesta empreitada, pois chegamos à conclusão de que não podemos viver sem depositar um certo nível de confiança em outras pessoas, mas grande é a nossa decepção quando assim o fazemos sem tomarmos medidas de prudência, pois a carne é fraca, e todo homem é falho.

Temos comentado como o rei Salomão começou bem o seu reinado, mas terminou seus dias em desilusões, canseira e enfado, conforme podemos perceber dos seus escritos no Livro de Eclesiastes…

Assim foi também com relação ao seu filho herdeiro do trono, Roboão, o que já temos comentado anteriormente.

Em I Reis, capítulo 15, vemos que o mesmo aconteceu com Abias, o filho herdeiro do trono depois da morte de  Roboão.

Abias era filho de Roboão e de Maaca, uma filha de Absalão, o filho revoltoso que tentou usurpar a coroa de Davi, seu pai.   Roboão gerou vinte e oito filhos e sessenta filhas, mas por amor a Maaca, ele designou a Abias como chefe e príncipe entre seus irmãos, com vistas a mais tarde fazê-lo rei. (II Crônicas 11:18-23)

As Escrituras são claras em afirmar que Abias, em seu reinado, imitou os erros de seu pai.  Abias reinou apenas por três anos em Judá, vindo então a falecer precocemente, quando ainda vivia os dias de sua juventude, não chegando aos seus trinta anos de idade.

O autor do segundo livro das Crônicas nos revela que Abias manteve uma posição muito incisiva no seu relacionamento truncado com o rei Jeroboão, de Israel Norte.   Apesar deste rei de Judá ser extremamente falho no tocante à idolatria, ele arrogava a si o direito de reinar sobre todo o Israel, e, guerreando contra seus irmãos setentrionais, fê—lo em nome de Yaweh, denunciando os erros de Jeroboão e aquela nação dissidente, em desvantagem numérica de 400.000 para 800.000 – e surpreendentemente conseguiu vencê-los, apesar da emboscada sufocante que o Reino Norte lhe aplicara.

O que podemos aprender com esta sucessão de acontecimentos?   Ambos esses reis e seus respectivos reinos foram infiéis ao Senhor, mas no entanto Abias foi favorecido nesse embate de forças militares.   Aonde foi parar o peso da fidelidade, neste caso?

Em tudo isso, buscamos achar onde se poderia encontrar uma lealdade sempre fiel a toda prova em alguém.   Se pesássemos esses dois reis em uma balança, veríamos que a infidelidade humana foi muito grave.   Talvez o que poderíamos dizer é que poderíamos até medir seus níveis de infidelidade, mas havia uma outra coisa que determinou o futuro desses dois reinos:  havia uma outra fidelidade em jogo, que considerou tudo desde o início das mesmas: a fidelidade de Yaweh.

A fidelidade do Senhor considerou a fidelidade do rei Davi, que jamais se havia voltado para cultuar a deuses estranhos, e, embora imperfeito, sempre manteve em alta a Lei dada a Moisés como regra de fé e prática para toda a nação.   Davi mantinha uma comunhão muito íntima com Deus, coisa que sempre procurou sustentar em sua vida, e como resultado disso, o Senhor lhe deu a promessa de jamais faltar um sucessor seu no trono de Israel, enquanto Israel Lhe fosse fiel, e se seus filhos pecassem, seriam disciplinados na justa medida.

As infidelidades de Salomão, Roboão e Abias poderiam colocar tudo a perder, mas a longanimidade do Senhor é muito grande, e por isso é que Judá não foi destruída desde aquela ocasião.   Deus considerou que nem todo o Judá se tornara infiel, até então.   Aliás, os sacerdotes e levitas que habitavam no território de Israel Norte foram expulsos dali por ordem de Jeroboão, e para onde migraram?  Para o reino do sul, onde estava o Templo do Senhor, onde os demais levitas viviam e ali se refugiaram.   Também muitos dos fieis seguidores de Yaweh mudaram-se do norte para o sul, a fim de poderem viver melhor com sua fé e obediência à Lei do Senhor.   Abias se ufanava disso, e apesar de ceder a alguns ídolos, ainda se professava ser um servo de Yaweh.   Assim como muitos hoje o professam, confessando serem cristãos verdadeiros, servos do Deus Altíssimo, em que pese seu comprometimento com ídolos.   Este tipo de erro haveria de ser corrigido pela mão de Deus e….

E foi.   Abias só pôde reinar por três anos em Israel, vindo depois disso a falecer.    Esta foi a vara da disciplina que Deus aplicou sobre Judá e sobre a dinastia de Davi.   Se Abias vivesse mais e continuasse a ser aquele rei idólatra como foram Salomão e Roboão, a praga iria espalhar-se pela nação naquele mesmo ritmo, naquele mesmo andar da carruagem por mais tempo, mas Deus, na Sua ampla fidelidade, já preparava um remédio para sanear esse tipo de mau exemplo sistêmico dado ao Seu povo.

Enquanto Abias se detinha em praticar a idolatria, e guerrear contra Jeroboão, o Senhor estava preparando um outro rei para Judá, Asa, o próprio filho de Abias.

Com a morte precoce de Abias, Asa começou a reinar dois anos antes da morte de Jeroboão, de Israel, e reinou por 41 (quarenta e um) anos, cerca de 910-872 A.C.  Ele era ainda muito novo quando subiu ao trono, certamente ainda uma criança, o que fez com que ele tivesse de entregar a administração do reino nas mãos de sua avó, Maaca (I Reis 15:10,13),  a qual continuou a disseminar a corrupção espiritual na terra com sua idolatria.   Desta forma, o reino de Judá ainda estava sob a dominação de um pulso idólatra a contaminar a nação.

Asa, porém, educado nos princípios da Lei do Senhor, cercado de piedosos sacerdotes e levitas de Yaweh, recebeu a devida formação, digna de um rei que reinava sobre um povo que era tido por povo de Deus, e logo pôde mostrar os frutos dessa iniciação espiritual e preparação para ser um bom rei.

Ciente de como era importante o porte e o testemunho do rei de sua nação, ele logo sentiu que as coisas não andavam bem, debaixo do comando administrativo de sua avó, pois estava sendo comprometido o futuro de Judá em seu relacionamento com o seu Deus.   À vista disso, em chegado o momento em que compreendeu o estado dessas coisas, sentiu que, como legítimo herdeiro do trono do reino, deveria tomar uma posição a respeito. Em um ato radical, ele tomou a decisão de despojar toda aquela autoridade que repousava sobre Maaca, sua avó e rainha-mãe.

Maaca havia erigido um ídolo abominável para servir de divindade destinada à adoração em Judá.   Aquilo foi uma das primeiras coisas que Asa atacou para desfazer o peso de maldição que estava caindo sobre o povo.   Por este motivo aquele ídolo foi destruído e queimado junto ao vale do ribeiro de Cedrom.

Asa ainda pôde restaurar o culto ao Senhor e a adoração no Templo, os sacrifícios previstos na Lei de Moisés, coisas que já estavam caindo no esquecimento, pois que até os utensílios do Templo em Jerusalém tiveram que ser recolocados nos seus devidos lugares, para serem novamente utilizados como parte dos rituais sagrados.   Isto ele fez para benefício espiritual de todo o Judá.

Não obstante, a imperfeição que se nota em cada ser humano também se fez notar na vida de Asa, apesar de sua fidelidade ao Senhor Yaweh.   Um homem pode começar bem uma tarefa, mas nem tudo o que ele faz é endossado por Deus, e é bom notar que existiram altos e baixos dentro das gestões dos reis judeus.

Ao haver enfrentado a um exército de um milhão de soldados etíopes e trezentos carros de guerra, foi atendido em uma oração humilde mas determinada diante de Deus, o que repercutiu em vencê-los e pô-los em retirada, obtendo dali um grande despojo dos bens de seus inimigos.    Quando, porém, chegou o trigésimo sexto ano de seu reinado, foi ameaçado por Baasa, filho de Jeroboão, que vinha com seu exército auxiliado por Bem Hadade, rei da Síria.   Que fazer?  Desesperar—se?  Isto seria inútil.   Muito útil seria então confiar no Senhor, e entregar-se à Sua direção.  E o que foi que fez Asa?    Em vez de confiar no Senhor como fez contra os etíopes, enviou presentes ao rei sírio, confiando em uma aliança que futuramente significaria muitas perdas e destruição para Judá.

Com a efetivação dessa aliança desaprovada por Deus, Asa foi repreendido profeticamente pelo servo de Yaweh, Hanani, o que não lhe pareceu bem aos seus olhos, e,  desgostado disso, interpretando o fato como uma falta de respeito contra o poder de império, lançou o tal  em uma prisão.   O rei Asa, aliás, também chegou a oprimir a alguns outros do povo por esse mesmo tempo.

Um outro detalhe aconteceu no final de sua vida.   Tendo ficado doente dos pés, Asa viu-se necessitado de uma cura.   A doença foi persistente, foi avançando até tornar-se bastante grave.   Ao que tudo indica, ele estava perdendo a circulação em seus membros inferiores, e médicos e remédios foram buscados, mas não lhe trouxeram a saúde que havia perdido.   Nada contra ir ao encontro de médicos, pessoas tecnicamente bem informadas acerca do tema que é o funcionamento saudável do corpo humano, mas o ponto em que Asa tropeçou foi que não buscou ao Senhor nesses seus dias de enfermidade.   Há coisas que médicos não conseguem resolver, mas Yaweh, que é médico de médicos, não foi acionado, e com isso, Asa veio a falecer aos quarenta e um anos de seu reinado.

Durante o seu reinado, a idolatria foi combatida publicamente, como ponto positivo para Asa, muito embora certos lugares altos onde o povo se entregava a cultuar deuses estranhos não tivessem sido extinguidos.

A idolatria no reino de Judá, pois, não havia sido exterminada, e isto viria a se tornar em uma pedra de tropeço para o povo daquela terra.   Alguns reis de Judá, outrossim, voltariam a entregar-se à idolatria, testando a paciência e a fidelidade do Senhor Deus, fato que mais tarde viria a desencadear em morte nas cidades e em um exílio em massa fora de seu território.

A fidelidade de Deus, no entanto, ainda trouxe, em cerca dos anos 5 A.C. até 29 D.C. a presença do Rei dos Reis, Jesus de Nazaré, filho de Davi e o Filho de Deus, para vir a esta mundo nos trazer Sua salvação, e prometendo a nossa redenção final, quando Ele vier outra vez para reinar neste mundo, segundo a Sua promessa, em Jerusalém.

Ainda que imperfeições humanas tenham transtornado a sorte do povo de Deus, a verdade é que, mesmo sendo os homens infiéis, Ele permanece fiel, e a Sua promessa feita para Davi, ainda está de pé.

Se esta é a bênção que está preparada para reis imperfeitos, como de fato o é, eis que nos resta uma grandiosa opção:  a de sermos fieis a Ele, procurando ser como Ele é – certos de que nunca sequer O igualaremos, jamais O superaremos, mas podemos nutrir toda a certeza de que teremos a Sua ajuda nesta senda até o fim, e a vitória será daquele que nEle crer e persistir em segui-Lo.   A recompensa está prestes a ser distribuída, pois Ele está às portas, bem perto de descer a este mundo para reinar.

Se já nos comprometemos com Jesus e renegamos este mundo, será lindo o nosso futuro.  Parabéns aos que assim procedem hoje, pois terão grande recompensa.

Busquemos a Jesus agora, vale a pena insistir.

 


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