A BÍBLIA SOB ATAQUES (VI)

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agosto 4, 2012 by Bortolato

QUANTO À MISSÃO DE JESUS, há alguns que queiram crer, e imprudentemente assim o creem, que o relato bíblico que hoje se nos apresenta está muito distorcido pelas mãos de uma igreja corrupta que modificou os relatos originais.   Por este motivo, «reconstroem» e retocam muito do que está escrito, seguindo suas concepções, seguindo princípios que presumem ser superiores a todos os cuidados que homens e mulheres de Deus dedicaram para preservar a Palavra de Deus no decorrer dos séculos, às vezes à custa do sangue e de vidas de pessoas fiéis, e desta forma descaracterizam completamente o que foi originalmente outorgado espiritualmente para edificação e preservação da fé que Ele mesmo, o Senhor, semeou entre os seus.   Seguindo este caminho destruidor dessa fé, falam ousadamente contra o que a Bíblia quis comunicar acerca de Jesus, o Cristo.

Há quem diga, por exemplo, que o Senhor Jesus morreu assassinado, de forma a interromper-se o Seu ministério, como  que num acidente de percurso, num imprevisto, algo não planejado por Deus.

Pois dizer, a miúdo, que Jesus não veio com propósito de morrer numa cruz, seria discordar dos planos divinos, e achar também que o Pai não teve poder para livrá-lo do sacrifício que O levou à morte.

Aqui, temos que ponderar alguns pontos.   Seguem abaixo:

 

  • Ao orar ao Pai, Jesus pediu: “ – Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.” (Mateus 26:39; Marcos 14:36; Lucas 22:42).   Logo, vemos que Jesus, obedecendo ao Seu instinto de sobrevivência, como humano que era (muito embora possuísse concomitantemente a natureza divina), pediu ao Pai que o cálice da morte na cruz lhe fosse afastado.   Na verdade, Ele já sabia que teria que depor sua vida no monte Calvário, e que aquela hora era o ponto nevrálgico de Seu ministério.  Vejamos João 12:27:

 

“Agora o meu coração está angustiado, e que direi?  Pai, salva-me desta hora?  Mas foi precisamente para esta hora que eu vim…”

 

Ele estava se referindo à cruz, sem dúvida.  Isto é confirmado em João 12:32:

 

“Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim”

 

João ainda comenta esta frase no verso 33:

 

“Ele dizia isto para mostrar o tipo de morte que iria morrer.”

Isto Ele disse na última semana de Sua vida, mas já no início de Seu ministério já tinha dito o mesmo (João 3:14-15), referindo-se a Si próprio.

E não se separe o título de Filho de Deus do título de Filho do Homem.   Ninguém mais foi “levantado da terra” para deste modo dar vida eterna aos homens.   Em João 12:34 a multidão entendeu muito bem o que significava “ser levantado da terra”, pois logo aquela turba protestou confusa que o Messias  permanecerá para sempre e concluiu com a pergunta: “Como dizes tu que convém que o Filho do Homem seja levantado?”   Em outras palavras, estavam perguntando: como poderia Jesus morrer e ainda ser o Messias?    Contudo, no verso 12:32 Ele foi bem claro: “Mas eu... levantado da terra, atrairei todos a mim.”

Concluímos pois que, comparada esta palavra com a de João 3:14-15, que um mesmo é o Filho do Homem (e a multidão fez esta ligação em João 12:34), e o Filho de Deus…   Nem Buda, nem Confúcio, nem Maomé, nem Abdruschim, e nem o Reverendo Moon foram crucificados para atrair todos a si, como um cordeiro expiatório.   Este era o desafio da cruz.  Ninguém em sã consciência a deseja, e por isso mesmo somente Jesus aceitou o repto, tornando-Se diferente de todos os demais profetas.   Somente a cruz traria a mostra de que Deus abomina o pecado, com tanta clareza.

O Pai preferiu ver a morte de Seu próprio Filho, a ver todos os homens que tentaram agradá-lo tropeçarem no engano de acharem que sem sangue, sem morte, os pecados podem ser esquecidos da memória divina, e malograrem em suas tentativas de autojustificação, isto é, através de suas próprias obras.   Tentar saltar o abismo de separação, que o pecado cavou entre nós e Deus através de boas obras, é iminente suicídio.  Por melhor que sejam os saltadores, com ou sem vara de apoio, estes fatalmente cairão no abismo, se apoiados unicamente em seus esforços.

Somente o sangue detém a ira de Deus, e isto é claro quando vemos os sacrifícios de Caim e de Abel.

 

 

  • Ao ser preso, Jesus entrega-se sem resistência, para ser julgado e crucificado. Poderia ter Ele corrido e escapado, assim como procedeu o jovem nu (Marcos 14:51-52), mas não o fez.

É notável que Ele, por mais de uma vez, quase foi morto pela turba de judeus legalistas, os quais não entendiam a sua missão.  Mas inexplicavelmente conseguiu escapar das mãos de seus algozes.   É o que vemos em João 10:31, 32, 39, 40 e em João 8:59, e Lucas 4:28-30.   Na verdade, Ele lhes escapava assombrosamente, como se, de repente, se tornara invisível aos seus olhos.

Quando, porém, chegara a Sua hora de subir à cruz, ficou esperando pacientemente aquele grupo de inimigos aproximarem-se para capturá-lo.   Seus perseguidores caíram ao chão ao ouvirem a Sua voz, mas Ele não aproveitou a ocasião para fugir.   Ficou, ainda, aguardando que os soldados do sumo sacerdote se erguessem do chão e viessem prendê-lo.    Malco, um desses , intentou por-lhe as mãos, e Pedro puxou da espada para feri-lo, mas Jesus lhe diz:  “Mete tua espada na bainha.  Não beberei o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11).    Em Mateus 26:53 Jesus ainda complementa:  “ Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e Ele me mandaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?”

Uma legião de soldados geralmente reunia cerca de 2.000 homens (ou mais).  Doze legiões, portanto, importariam em pelo menos 24.000 soldados.  O Pai poderia enviar-lhe mais de doze legiões.    Isto seria muitas vezes, mais do que o suficiente para imobilizar ou mesmo para exterminar cada soldado do sumo sacerdote, e Jesus ainda poderia, se quisesse, zombar de todos que ali tinham vindo, mas não foi este o caminho que Ele, juntamente com o Pai, escolheu.   Conquistar este mundo pela força seria a coisa mais fácil para Deus acabar com aquela rebeldia humana, mas Ele não quis conquistar-nos usando de tal expediente.

Ele veio, sim, voluntariamente para morrer na cruz, e o Pai concordou com este plano de resgate da humanidade.   Nenhum pai humano faria isso, mas temos de considerar que o Senhor tem maior capacidade de suportar certas situações do que nós, meros mortais.

 

  • Na cruz, Ele foi escarnecido por seus algozes, que O desafiaram:

 

“Salvou a outros, a si mesmo não pode salvar-se.   É rei de Israel?  Desça agora da cruz, e creremos nele.   Confiou em Deus.    Livre-O agora, se de fato o ama, pois disse: sou Filho de Deus!”  (Mateus 27:42-43)

 

A multidão que por ali passava blasfemava dEle (Mateus 27:39-40) e os assaltantes que com Ele estavam crucificados, também (Mt. 27:44).

Pergunta chave:  O Pai não ouviu a zombaria daquele povo indócil?   Ele não pôde fazer nada por Seu Filho?

Não cremos que as Escrituras tivessem-se corrompido ao ponto de distorcer esta narrativa, mas suponhamos colocar de lado o ponto da infalibilidade bíblica.    Seja como for, o acontecido já aconteceu – Jesus morreu, e isto é inconteste.   Que o Pai consentiu que Ele morresse, isto também o é.    O Pai permitiu que Ele fosse preso, zombado, e assassinado.

A questão que se segue é: se este não era o plano divino, como foi que veio a acontecer?   As trevas têm maior força que a luz?    As revelações de Deus não nos falam assim.   As doze legiões de anjos foram retidas, porque Deus tinha algo em mente.   Conhecedor que Ele é de todas as coisas, logo Ele SABIA que Seu Filho viria a ser crucificado, e isto muito antes que Jesus nascesse em Belém.   A cruz foi, portanto, o caminho que ambos previamente escolheram, tanto Jesus como o Pai.    Tudo já estava planejado de antemão.

Por isso é que o Senhor Jesus e o Pai se fizeram surdos para com as zombarias que o Messias sofredor recebeu na cruz.    Na verdade, estas também faziam parte do “pacote” de pecados que Jesus veio para expiar.

Existe algo na lei de “semeadura e colheita”, ou da “ação e retroação”, ou ainda, como outros queiram, lei da “reciprocidade”, que diz que TUDO que o homem vier a semear, isso também ele o ceifará.

Quem peca, atrai para si a condenação.   Provocou a ira de Deus, e receberá o troco.  Isto está escrito em Ezequiel 3:19 e 18:20:  “ A alma que pecar, esta morrerá”.

Formularemos mais uma pergunta:   Se Deus, o Senhor, ouviu a zombaria de judeus e israelitas contra Jesus na cruz, por que Ele não fez cair imediatamente a Sua ira contra aqueles rebeldes irreverentes?

Se um rei era assim desafiado, todos os que dele zombaram haveriam de arcar com a ira daquele que tinha um exército ao seu comando.

O Rei Jesus foi crucificado e zombado, e o Pai assim deixou que fizessem; e todos os que participaram de Sua execução não foram dizimados porque este era o plano divino.   Os Seus inimigos foram apenas usados como protagonistas da realização daquela cena, a fim de que a morte de Cristo resultasse em salvação eterna para todo aquele que nEle cresse (João 3:16).

 

 

O FILHO DE DEUS E O FILHO DO HOMEM:

 

 

Há quem confira o primeiro título a alguém distinto do Filho do Homem.   Dissociação confusa e desprovida de fundamento sólido na Palavra de Deus.

Várias passagens bíblicas denotam que Jesus, o Filho de Deus, assumiu o título de “Filho do Homem” para Si.   Mateus 16:13-16 é um texto claro em dizê-lo.    Ele, Jesus mesmo, ao falar sobre o “Filho do Homem», o assumiu, referindo-se a si próprio:  …”quem dizeis que Eu sou?”

Em Mateus 12:40 Ele, Jesus, afirma que… “o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra”.   Quem além de Jesus morreu, foi sepultado, esteve Seu corpo no seio da terra por três dias e três noites, para depois disso ressuscitar?

Em Mateus 17:9, outra vez Jesus fala de Sua ressurreição:  “A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos”. Qual o outro profeta que ressuscitou depois de três dias?    Repita-se a lista dos que se propõem como tal, colocando-se acima de Cristo, e veremos que nenhum deles logra caber nesta descrição.

Em Mateus 17:22-23, é reafirmado outra vez.   Jesus profetiza que o Filho do Homem seria entregue nas mãos dos homens, seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.  Ninguém mais, senão Ele mesmo, que profetizou, seria o Filho do Homem.

Mateus 26:23-25 nos mostra com tanta clareza que o Filho do Homem haveria de ser traído por alguém que leva a mão ao prato juntamente com Jesus.   Judas O interpela, querendo obter uma resposta, se ele mesmo seria o traidor, ao que Jesus responde:  “Tu o disseste”.

Marcos 9:12 revela que o Filho do Homem deve sofrer e ser aviltado pelos homens.

Lucas 22:48 mostra-nos patentemente, outra vez, que Jesus é o Filho do Homem, quando no jardim do Getsêmani, foi beijado pelo discípulo que o traiu:  “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?”  Não há como se negar.   Acaso Judas ainda irá beijar outra pessoa para traí-lo outra vez?

João 8:28 – Jesus fala que o Filho do Homem será levantado da terra, e o povo entende muito bem que isto significaria a sua crucificação, ato desonroso de que todos já haviam sido testemunha, pena aplicada comumente aos condenados pelo governo romano.   Esta passagem reforça João 12:32-34, que já temos citado anteriormente.

Ao se atribuir outra identidade ao Filho do Homem, os partidários deste ponto de vista dizem que a missão de trazer juízo sobre a Terra seria deste, e não de Jesus, o Cristo.    Lucas 19:10 contraria esta visão equivocada, pois nos fala que a missão do Filho do Homem foi exatamente a missão de Jesus:  buscar e salvar o que se havia perdido.   E esta afirmação vem escrita logo após a narrativa da conversão de Zaqueu, o publicano.   O contexto não lança esta missão para o futuro, mas é algo que se refere a um acontecimento daquele momento.   Quem salvou a Zaqueu?   Jesus, o Filho do Homem.

Todas estas passagens contrariam a hipótese de que Jesus e o Filho do Homem seriam duas pessoas distintas, diferentes.

João 3:13 , contudo, pareceu sugerir que Jesus estaria na Terra e o Filho do Homem no céu.   Notamos que esta é a única passagem bíblica que sugeriria tal divisão de identidade.   A comissão eclesiástica que julgou este texto foi pela fórmula que excluiu a expressão “que está no céu”.    Apenas uma minoria aderiu à forma mais longa do versículo.   As cópias mais antigas, isto é, aquelas julgadas mais dignas de serem aceitas, conforme versões críticas de Kurt Aland, Mattew Black, Bruce M. Meteger e Allen Wikgren (**)o indicam, são unânimes em eleger o texto mais resumido.   São algumas delas, os papiros dos evangelhos “p66” (contém os evangelhos, datando sua escrita de cerca de 200 AD);  “p75”(contendo os evangelhos, data de início do século III AD); “Aleph” (manuscrito sinaítico, datado do IV século AD); “B” (manuscrito do Vaticano, IV século AD); “L 019”(manuscrito Regius, do VIII século DC); “W” (Freer Gospels, do século V), além de muitos outros, tais como “Diatessaron c arm” (versão armênia, de data indefinida, mas de provável antiguidade), “Origen (a)” (Apollinaris, de c.ano 390 DC), e Didymus Cyril.     Todos estes suprimem o complemento final da frase do versículo 13º de João, capítulo 3. Já o manuscrito Alexandrino “A*vid”, do século V, aceita o complemento final, omitindo a palavra “está”, o que, segundo a gramática grega, nos dá a entender : “o Filho do Homem que é do céu”.

Para mais detalhes sobre este assunto, remetemos o leitor ao título “SOBRE A REENCARNAÇÃO”, adiante colocado neste trabalho.

______________________________________________________________________ (**) Publicação da United Bible Societies (Londres), 1966, Greek New Testament

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Se, portanto, devemos apelar para as variantes do texto original, vemos que maior peso da verdade propende para o fato de que Jesus Cristo é o Filho do Homem, e ninguém mais.   A abundância de evidências textuais o atestam.   As versões em português apontadas como “boicotadoras” do trecho mais prolongado de João 3:13 simplesmente aderiram ao que os manuscritos mais antigos e mais confiáveis já o haviam feito.   Não vemos nada mais sensato, devido às interpretações esdrúxulas explorarem o que lhes pareceu um corte indevido.

Por que suprimir essa pequena frase que está constando em algumas cópias do Novo Testamento?   A preferência pela forma mais abreviada de João 3:13, que constou entre algumas das atuais versões, baseia-se na premissa de que as confirmações externas ao texto, que têm uma grande credibilidade devida à qualidade do material arqueológico, taxou as palavras “que está no céu” como uma adição interpretativa, a qual reflete uma cristologia que veio a ser desenvolvida só posteriormente, o que nos dá a segurança de glosar, de suprimir a dita expressão.    Como se pode observar, a adição a posteriori  teve origem em um enfoque filosófico que a lançou para tentar legitimar seus posicionamentos.

 

            Por que Jesus preferiu o título “Filho do Homem”, referindo-se a si mesmo?

Havia um acentuado clima de expectativa nas terras da Palestina, naqueles diasem que João, o Batista apareceu fazendo milagres e batizando o povo.   Logo lhe foram

inquirir: – “És tu o Cristo?”   João negou sê-lo.   O povo judeu estava pronto para eleger um “messias” que o libertasse da servidão a Roma.   A seita dos zelotes e a dos sicários era de tal forma combativa e aguerrida que, tão logo os judeus elegessem um rei que se opusesse ao governo romano, num instante estariam de armas nas mãos para levantar um motim e tomar o poder, se isto possível lhes fora.

Quando surgiu Jesus, reunindo uma multidão, curando enfermos e alimentando-os com pães e peixes, logo quiseram fazê-lo rei.   Como Ele não veio para ser um rei à custa de força e do derramamento do sangue de muitos, tão logo sentia a pressão política crescer em torno de Sua pessoa, retirava-se do meio do povo, esquivando-se de um possível levante.

A idéia de “Filho do Homem” era um conceito difundido entre outras religiões de então, mas Jesus adotou-a com características diferentes.

Esse título “Filho do Homem” era conhecido no mundo grego como “Tou Uiou Theou”, nas línguas hebraica (como “Bar Adam”), e aramaica (“Barnascha”).

Jesus, contudo, foi buscar esse termo na literatura judaica, na qual o “Filho do Homem” despontava como um juiz escatológico que surgiria no final dos tempos.

Daniel 7:13 usa a expressão “Filho do Homem”, apontando para alguém que estará vindo das nuvens do céu – alguém que se dirige ao Ancião de Dias, conduzido à Sua Presença, a quem foi dado domínio, glória, e o reino; todos os povos, nações de todas as línguas O servirão.   Seu domínio é eterno, e jamais será destruído.

Consta até na literatura judaica apócrifa de Enoque, 4º Esdras e outras, onde, no fim dos tempos, viria um Ser Celestial sobrenatural, um soberano celestial – e não um rei deste mundo – o que difere de um messias político desta Terra, que venha para destruir os inimigos de Israel numa guerra, para se sobrepor num reino meramente terreno – mas virá para julgar o mundo, e assim realizar os sonhos do povo santo..

Em Marcos 2:27-28, Jesus admite ser o Filho do Homem, e Senhor do sábado, ao ponto de liberar seus discípulos para colher espigas num shabbat.   Em outras passagens, Jesus aplica o título a Si mesmo, como já temos visto anteriormente (mencionamos novamente Mt. 12:31,33  e  Lucas 12:10).

Há, porém, dois sentidos, nos quais Jesus assume ser o Filho do Homem.

Ele intencionalmente trocava a palavra, ou melhor, o título “Messias”, preferindo o de Filho do Homem, por motivos políticos, evitando uma guerra.

O primeiro sentido se refere à Sua obra escatológica, por ocasião da próxima vinda do Filho do Homem, quando Ele será, antes de tudo, Juiz (conf. Mateus 24:27-30, 37;  Marcos 16:13 e Mateus 25:31-46).   Em Marcos 8:38 Ele é quem testemunhará contra aqueles que dEle se envergonharam.

Um outro sentido se refere à Sua missão terrena.   Jesus mostra sua faceta de Servo do Senhor.   Ele é, além de Filho de Deus, um homem, pessoa humana, com todas as limitações da nossa raça, exceto que nunca pecou.    Ele veio também com uma grande missão: humilhar-se a Si mesmo.   Ele olhava para a cruz como que olhando para o ápice de Sua carreira.   A cruz não era compatível com a carreira de um “Superstar”, ou de um rei déspota, ou de um político impiedoso.

Sua escolha, pois, de se autocognominar de Filho do Homem foi a estratégia que usou para escapar da idéia judaica de “messias”, o que O uniu à idéia de “Homem Celestial”, pois o que Ele realmente queria era valorizar a Sua própria humilhação.   O título “Filho do Homem” nada mais é do que intitular-se de “Homem”. (Mt. 8:20)

Quem, além de Jesus Cristo, poderia reunir todos esses predicados e receber tanto o título de “Messias”, como o de Servo do Senhor (Isaías cap. 53), o de Senhor (em grego: Kyrios), como o de Filho do Homem, o de Logos (João cap. 1º),  Filho de Deus e Deus?

Em toda a literatura judaica está comprovado que o Messias sofre, mas triunfa.               Como os judeus poderiam ter corrompido tais conceitos, se quem esperavam era apenas um messias líder militar, conquistador e libertador político?

A habilidade do Mestre Jesus os fez ver, aos poucos, que Ele é digno de todos esses títulos, e nenhum outro homem, cumprindo literalmente as profecias a respeito de todas aquelas esperanças de Seu povo e preenchendo os quesitos de “Luz para o mundo”.

Em Mateus 8:20, Ele diz: “as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.”

Diante de tantas referências em que se confirma e se reconfirma ser Jesus o Filho do Homem, e diante da frágil base em que se firmam os que dissociam o Mestre e Seu título mais humano, não nos resta dúvida alguma.  Iremos rejeitar todas as múltiplas referências nas quais Jesus atribuiu a Si mesmo o título “Filho do Homem”, e nos apoiarmos em um única expressão que não foi trazida dos originais, para daí levantarmos uma doutrina filosófica?   Apoiar esta hipótese falida seria um “non sense”, uma falta de compromisso com a verdade e uma temerária irresponsabilidade espiritual.

 

O FILHO DO HOMEM E O ESPÍRITO SANTO

 

 

Há ainda quem, além de separar a pessoa de Jesus da do Filho do Homem, identifique este último título com a pessoa do Espírito Santo.

Aliar tal deslize (o qual um bom senso crítico rejeitaria cometê-lo) com outras passagens bíblicas, tentando aplicar outros títulos e conceitos a um suposto “alter” Filho do Homem, distinto de Jesus Cristo, também é como tentar pular de um beco sem saída para um precipício.  Alguns há que aliam a idéia de um outro Filho do Homem à de Paracleto, o Espírito Santo.

O Espírito Santo de João 14:16, terminantemente não se trata da mesma pessoa do Filho do Homem.

Por tudo o que já temos visto, o Filho do Homem é Jesus, o Cristo, e o Espírito Santo é outra Pessoa, o Parácleto, o Consolador.

E por que o Espírito é chamado de Consolador?

Porque Jesus, que nos deixou tantos ensinos e maravilhosos livramentos, antes de partir desta Terra, prometeu que não nos deixaria órfãos (João 14:18).    Ele iria para o Pai após sua morte, ressurreição e ascensão.    Depois disso, viria, para consolar o Seu povo, o Espírito Santo, o Consolador.

O Consolador nos fará lembrar de tudo o que Jesus disse (João 14:26; 15:26), glorificando a Jesus (João 16:14), e fazendo o papel de substituto de Jesus nesta Terra.   Em Atos 1:4-5, Jesus revela que o Espírito Santo lhes batizaria não muito depois daqueles dias.   Em Atos, capítulo 2, o Espírito vem e Se derrama sobre os apóstolos e discípulos que esperavam pela promessa do Pai em Jerusalém, confortando-os da perda que sofreram com a morte e separação física de Jesus.

Após o derramar do Espírito Santo sobre os discípulos naquele dia de Pentecostes, as obras que Jesus fazia na Terra começaram a ser feitas pelos discípulos também.    Curas maravilhosas, libertações aliviadoras, a paz de Deus foi despejada do céu à Terra, e muitas criaturas foram transformadas pelo Seu poder.    O povo necessitado não ficou sem o consolo do Senhor, mas continuou a ser visitado.

Não foi a vinda de uma pessoa humana que os consolou, mas um derramar abundante do Espírito de Deus (e por que se chama “Espírito”, senão porque não é pessoa física, e, por conseguinte, não humana?   Não sendo humano, logo, não lhe cabe ser cognominado de “Filho do Homem”).   Nunca houve nenhuma ligação que identificasse ambos os títulos em uma só pessoa, e a própria conotação semântica das palavras já o confirmam serem diferentes um do outro.

As pessoas devem ter cuidado ao aplicar o título de “Consolador”, unindo-o com o de Juiz, pois são duas funções bem distintas.   Ou é bem Consolador, ou bem Juiz.   O Consolador conforta, respeita a fragilidade do próximo, respeita sentimentos, a individualidade e a conformação, a estrutura psicológica dos seres, mormente os seres humanos.   Já o Juiz é aquele que virá no final dos tempos para derramar a Sua ira sobre os pecadores impenitentes.   Jesus foi um grande consolo para Seu povo, durante o Seu ministério nesta Terra, enquanto viveu como o Verbo encarnado.   Enquanto fisicamente ausente, o Espírito Santo é o Consolador que O substitui.   Mas Jesus virá um dia, para julgar a Terra, e ser o Juiz de tudo.

Jesus é o único que poderá unir os conceitos de Consolador e também o de Juiz escatológico, fazendo ambos concentrarem-se em Sua pessoa.  Jesus é o único em muitas coisas e esta é apenas uma delas.

 

 

 

 

 

O FILHO DO HOMEM E O SENHOR DOS EXÉRCITOS

 

 

Não há, outrossim, nenhuma ligação bíblica direta que transfira o título de “Filho do Homem” para o de “Senhor dos Exércitos”, ou vice versa, mas o título de “Senhor” muitas vezes foi dado a Jesus o Cristo (Mateus 26:22; Luc. 6:46; 24:34; João 13:13; 20:20; 20:28; 21:7, 17; Atos 2:36; 7:59; 9:5; 15:11; 16:31; 19:5; 22:10; Filip.2:11; Colossenses 3:17; I Timóteo 6:14-15).

O título de Rei (conceitualmente é aquele que detém seu exército às suas ordens) foi dado a Jesus, e é Ele quem governará o mundo e o regerá “com vara de ferro”.   A Pilatos Ele disse, quando interrogado: “És tu o rei dos judeus?”    Respondeu-lhe Jesus:  “Tu o disseste” (Mateus 27:11).   João (18:37) mostra-nos que Ele ainda disse:  “para isto nasci, e vim ao mundo”.   A placa “INRI” sobre a cruz o demonstrou (Mat. 27:37).

Os magos do oriente vieram visitá-lo e perguntaram por Ele, chamando-O de Rei dos Judeus, pois viram a Sua estrela desde o Oriente.   Os sacerdotes e escribas do povo confirmaram, então que Ele nasceria em Belém, da Judéia (Mat. 2:1-6).

Então vejamos: quem nasceu em Belém naquela ocasião foi Jesus.  Quem cumpriu a profecia de Zacarias 9:9 na passagem de João 12;15, que dizia que o Rei dos judeus viria humilde, montado em um jumentinho?

Os próprios gentios, quando reagiram ao evangelho em Tessalônica, acusavam aos cristãos de terem “um outro rei”, Jesus (Atos 17:7).

Paulo escreve a Timóteo, denominando Jesus de Senhor (I Timóteo 6:14).

João nos mostra na revelação de Apocalipse (19:13-14) a Jesus, chamando-O de Verbo de Deus (João 1:1-5).   “Os exércitos que estão nos céus seguiam-no”.

Em Apocalipse 19:16, está escrito que “no manto, sobre sua coxa, vem escrito o nome: “Rei dos reis, e Senhor dos senhores”.    E Apoc. 19:15 diz que Ele estará sobre as nações, e as “regerá com vara de ferro”.

Jesus, portanto, é o Rei dos reis, e Senhor dos senhores.    O grande comandante dos exércitos dos anjos de Deus.  É Ele que virá do céu, acompanhado de Seus exércitos (Apocalipse 19:11) para reinar sobre a Terra.

Note-se que não há menção da expressão “Filho do Homem” em o livro de Apocalipse, quando são narradas as profecias do reino milenial de Cristo, e nem no que se fala do Reino eterno de Deus (Apoc. 22:1), pois este título, que denota a natureza humana de Jesus, foi usado como parte estratégica de Seu ministério terreno.

João anela por sua segunda vinda (Apoc. 22:20).  Nessa ocasião, em Sua vinda para estabelecer Seu reino eterno, Ele há de manifestar-se, não maisem carne.   Nãomais à semelhança de homem, pois Ele se fez semelhante a nós, a fim de que nós pudéssemos, por fé e amor, sermos assemelhados a Ele.    Esta Sua missão já foi consumada.

Agora, o Seu trabalho e a Sua atuação entre nós têm outra característica.   Não mais esconderá a Sua glória debaixo do véu da carne, e por isso, o título de “Filho do Homem” perderá o sentido a partir do momento em que se cumprir literalmente a profecia da segunda “vinda do Filho do Homem”.    Passarão, então, a falar do “reino do Messias, o Cristo, o Filho de Deus”.

 

 

 

 

Temos visto o quanto os apóstolos quiseram transmitir fielmente as palavras que viessem a abrir o nosso entendimento para a Pessoa de Cristo.

Quereriam João, Paulo, Pedro, Mateus, Marcos, Lucas e demais apóstolos, escritores sagrados esconder alguma coisa que viesse a esclarecer à cristandade detalhes do Reino de Deus, a ponto de distorcer as palavras de Jesus?   Certamente que não!   E a inspiração do Espírito Santo que eles receberam no dia de Pentecostes, não os guiaria em toda a verdade?   Notemos bem esta promessa de Jesus feita aos apóstolos, conforme João 16:13.

Ou duvidaríamos dos discípulos, pastores, bispos, profetas, doutores da igreja, mestres que sucederiam aos apóstolos no tempo, e diriamos que estes últimos foram os corruptores das Escrituras?

Já temos visto que isto não poderia ter acontecido em tão pouco tempo, a toda a igreja ao mesmo tempo, pois é impossível que os testemunhos de Inácio, Policarpo, Irineu, Papias, e outros que já temos mencionado, teriam sido fraudadores da verdade – quando todos nós – por que não dizer, também alguns não cristãos – muitas vezes sofremos, choramos, padecemos, e alguns até já morreram para não negar a verdade.

Disse Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.    Ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (João 14:6)

Jesus, o Nazareno, Ele mesmo o afirmou.   Por Suas asseverações, Suas obras, Seu legado, diriam alguns racionalistas:   – ou Ele é um louco, ou um fanático, ou um lunático, ou realmente, como Ele mesmo se colocou e se propôs ser, é o Senhor de tudo.   Não se pode negar sua eminência na história.    Não há outra figura na história universal que O tenha superado. Sejam os homens grandes políticos, grandes militares, grandes conquistadores, grandes descobridores, grandes cientistas, grandes líderes religiosos, não há nenhum que se possa dizer ter sido maior do que Jesus.

Não somos racionalistas, mas mesmos estes não tiveram dúvidas em apontar para o grande Mestre da Galiléia como o maior vulto de toda a história.

Jesus, o Nazareno é a Verdade por quem muitos já deram o ser próprio sangue, sem nenhuma exigência ou recomendação a que Seus seguidores assim o fizessem.    O Seu próprio sacrifício mostra o caminho da cruz, e o Seu voluntarismo, Sua abnegação, Sua resignação por sofrer, Seu cativante amor, Seus ensinos bombásticos e Suas virtudes sem comparação constrangem-nos a fazer o Seu querer.    Não há outro igual.

Ele, porém, foi contraditado por muitos durante Sua vida terrena, e hoje ainda o é, por Seus inimigos contemporâneos.   Muitos outros religiosos o fazem hoje com veemência, assim como o fizeram os sacerdetes, os saduceus e os fariseus.

Outros se levantaram desde então para atrair as atenções do povo a si, de modo a parecer tentar ofuscar o brilho de Jesus.

Como se explicam outras “revelações” de Lombisang Rampa, Meishu Sama, Massahara Tanigushi, Buda, Maomé, Alan Kardek, Joseph Smith, Mary Baker, Abdruschim ou Roseles Von Saas?  Mencionamos alguns religiosos aqui, e não outros, sem pretensão de julgar este ou aquele o mais importante, e nem colocá-los em alguma ordem, mas somente para mostrar alguns que foram expoentes, líderes religiosos.   Certamente que alguns outros não mencionados também foram grandes líderes, mas não é este o ponto.   A questão é: – Não foram inspirados por Deus?   Não foram arautos da verdade?

Não podemos nos esquivar de uma questão:   a verdade não se contradiz, ela não aceita conceitos contrários a ela mesma.   A Verdade divina é única, por conseguinte.   Não tem contradição, não se polui, não se mistura com inverdades.  Não precisa valer-se e nem se vale de subterfúgios espúrios, e nem tolera a mentira, sendo esta parcial ou total.  Nem tampouco necessita impor-se pela força, pois a sua força reside no fato de ser a Verdade.

A conclusão a que chegamos é:  quaisquer filosofia, religião ou prática que contraria, combate, põe em dúvida ou nega a Verdade, tem sua parte com a mentira.

Pois bem:  Jesus disse ser Ele mesmo a Verdade.   O Caminho, a Verdade e a Vida.    Ele disse ser o Bom Pastor, que dá a Sua vida pelas ovelhas (João 10:11).   Ele afirma também ser a Porta do aprisco das ovelhas de Deus (10:7).   Ele Se coloca como único, e não há nenhum outro.

Jesus honrou as Escrituras Sagradas, reputando-as de grande valor espiritual, e denominando-as de Palavra de Deus (Marcos 7:13; Lucas 8:11), e por isto temos de concordar que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita para que a leiamos, creiamos, e coloquemos em prática o que ela diz.

Todos os religiosos que combatem as Escrituras Sagradas, Antigo e Novo Testamentos, tentando conspurcar seu conteúdo, distorcendo-as, rebaixando-as e submetendo-as ao enfoque das “revelações” de “profetas” ou “profetizas” desta ou daquela religião, estão combatendo contra Deus muitas vezes com lindas mensagens, doces palavras, belas figuras, e experiências enlevantes, e outras vezes com truculência.

No final, procuram taxar a Verdade como se fossem “mentiras”, com a finalidade de se posicionarem como os “donos da verdade”.    Chegaram, alguns, até ao ponto de quererem justificar seus conceitos e fundamentos, em PARTE, a partir das Escrituras Sagradas, mas assentaram suas bases principais em alicerces furados, corroídos e fadados ao Julgamento e condenação diante do Trono divino.

 

 

O SENHOR DOS EXÉRCITOS

 

 

O Antigo Testamento é repleto deste título, que se refere ao Deus que Se revelou ao povo de Israel.

Por que escolheu Deus a Israel, e não a outra nação?  Certamente que não foi por causa da justiça ou dos méritos do povo israelita.   O discurso do diácono Estevão (Atos cap. 7) o demonstrou.   O Senhor poderia ter escolhido qualquer  outro povo, mas Ele quis ser fiel a Abraão, a Isaque e a Jacó.  E por que Ele quis ser revelado a uma povo, afinal?   Para mostrar-Se ao mundo, que jazia na idolatria, e longe de Seus caminhos.   Para poder revelar Sua glória a muitos, a glória, e o poder que há em Seu nome.

Por que razão Ele mesmo Se deixou intitular de “Deus dos exércitos”?    A resposta está em duas dimensões.

Na dimensão material, os povos antigos viviam em muitos conflitos com seus povos vizinhos.    Quando um destes chegava a desenvolver mais a arte da guerra, tencionando expandir seus domínios e acomodar a população que multiplicava em suas terras, aconteciam campanhas de conquista direcionada a outros povos.

Israel, como povo que Deus escolheu para revelar-Se num sistema teocrático, por várias vezes se via em palpos de aranha, devido a incursões militares que outros povos empreendiam dentro de seu território.    Assim foi com os sírios, os midianitas, os moabitas, os cananitas, os amonitas, os edomeus, os filisteus, os assírios, egípcios, os babilônios, os persas, os gregos, e os romanos.

Muitas guerras ocorreram, e nem sempre os hebreus foram os vitoriosos.

Um detalhe, entretanto, ficou marcante na história desses embates dessas nações contra Israel.   Quando Israel era fiel ao Senhor que os tirou da escravidão do Egito, estes sempre tiveram vitórias, mesmo quando eram em minoria para enfrentar uma imensidão de exércitos inimigos.

São várias as narrativas, algumas delas as mais espantosas, a reafirmar este fato.   Foi o caso de Davi vencer a Golias, de Josafá vencer uma confederação de nações, de Ezequias vencer a Senaqueribe (nestes últimos dois casos, os judeus não tiveram de arremessar uma lança sequer).   Tudo isso sem se contar as façanhas de Josué, na época da conquista da terra de Canaã, sendo ajudado com trovões aterrorizantes, com saraivas mortais, e até com uma parada geral no nosso sistema solar.

Por estes motivos, e muitos outros fatos ocorridos de forma semelhante, é que os israelitas entenderam que verazmente o Senhor, seu Deus, tinha e tem sob seu comando, muitos e muitos exércitos de anjos, que puderam e podem ajudar na guerra.   A guerra dos 6 dias, em 1967, foi uma demonstração disso, usando-se um exemplo mais moderno.   Os números, previsões e estatísticas eram todos favoráveis aos árabes, mas o que na verdade aconteceu foi uma sequência de vitórias israelenses.   Foi o Senhor dos Exércitos cumprindo a Sua palavra, de que seria com Israel na guerra.

Outra dimensão concorre com a material, e nesta é que fica mais claro ainda que o Senhor é o Senhor dos Exércitos.    Esta é a dimensão espiritual.

É inegável que o espiritual interfere no material, e isto de diversas maneiras.   Uma dessas maneiras é mostrando força e poder que os exércitos espirituais detêm nas mãos.

A Bíblia revela a existência e a ação dos exércitos de Deus por várias passagens.

  • Uma delas está narrada em Josué, capítulo 5, versos 13-15.   Em Levítico capítulo 18, vemos que diversas recomendações o Senhor faz ao povo israelita, antes de entrar na terra prometida.  No final, nos versos 24 e 30, Ele fala:

“Com nenhuma destas coisas vos contamineis; porque em todas estas coisas se contaminaram as gentes que eu lanço fora de diante da vossa face.

“Portanto guardareis o meu mandamento, não fazendo nenhum dos estatutos abomináveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com eles; Eu sou o Senhor vosso Deus.”

Foi através dos exércitos de Israel que as sete nações cananitas foram vencidas, submetidas e expulsas de Canaã.   Josué era o líder espiritual e militar que dava as ordens de batalha para essa conquista da terra.

Uma das coisas que o Senhor mais abominou naquelas sete nações está descrita no verso 21 do capítulo 18 de Levítico:

“E da tua semente não darás para a fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de  teu Deus: Eu sou o Senhor!”

Esta palavra mostra que havia um principado de espíritos opressores, que pediam sacrifícios humanos a Moloque, entidade demoníaca que recebia tais atos covardes de infanticídio, dentre outras práticas.   Para que Canaã fosse purificada desses pecados, foi que o Senhor ordenou a invasão da terra e extermínio desses povos poluídos por alguns espíritos que se faziam passar por deuses.    Para realizar esta invasão, o povo escolhido para invadir a terra e fazer aquela “operação limpeza” foi o povo israelita, mas este precisava, e muito, da ajuda do Senhor dos Exércitos.   Sem esta ajuda dos exércitos espirituais do céu, a posse da terra seria impossível.    A arqueologia nos mostra quão difícil era Jericó, e outras cidades da região, de serem tomadas, mas os muros daquela cidade ruiu abaixo maravilhosamente.

Antes de proceder ao cerco de Jericó, Josué se viu frente a frente, certamente com Jesus pré encarnado mantendo uma espada desembainhada na mão, a quem ele perguntou: – “És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?”

A resposta foi: “… venho como príncipe do exército do Senhor”.

 

  • Outra evidência da existência dos exércitos de anjos guerreiros de Deus está contida na narração de II Reis 6:8-18.    O exército sírio invade a pequena aldeia de Dotã, onde Eliseu, profeta de Javé, morava com seu discípulo.    O discípulo, tendo-se levantado bem cedo de manhã, avistou o grande exército inimigo que vinha ao seu encontro, e disse a Eliseu:

“Ai, meu senhor! Que faremos?

Disse-lhe Eliseu:  “Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.”   Orou, então, Eliseu, e pediu que se abrissem os olhos do jovem, para que visse – e o moço viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo ao redor deles.    Desceram os carros de fogo, e feriram os sírios de temporária cegueira, a pedido do profeta.

 

  • Quando do nascimento de Jesus em Belém, havia pastores vigiando seu rebanho durante a noite, no campo.    Surgiu-lhes um anjo que os atemorizou pela aparência, para anunciar-lhes a vinda do Salvador, que é o Messias, o Senhor.    Naquele mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais louvando a Deus e dizendo:   “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens.”

 

  • Apocalipse 12:7 a 9 diz que “ e houve batalha no céu:  Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.   E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.”

 

É inquestionável que Deus tem muitos anjos guerreiros a Seu dispor.   E por que esses anjos por vezes aparecem e se manifestam entre os homens, rompendo a barreira que há entre o material e o espiritual?    Porque as guerras de Deus ainda ocorrem, aqui e ali, no globo terrestre.    O Diabo hoje vangloria-se de ter poder e sabedoria maior do que dos homens, e engana e submete ainda a muitos.   A profecia de Apocalipse nos diz que este anjo será vencido pelos exércitos de Deus, chegado o tempo designado pelo céu.    Essa guerra vive acontecendo algures, com confrontos constantes.

Qual o objetivo de Satanás?    Ele quer deter o poder máximo em suas mãos, para afrontar a Deus.    Ele sabe que não é aceito por muitos, e por isso se disfarça para enganar, e extinguir a devoção, a dedicação, o louvor e a servidão a Deus.   Por isso, para ele, o que vale é desviar as atenções devidas a Deus e a Cristo, e atrair os enganados a si, ainda que travestido de “anjo de luz”.

É neste ponto que vemos que querem atribuir a outra pessoa o título de “Filho do Homem”, a fim de repartir a glória de Deus com um “alter” Filho de Deus.   Apegam-se a contradições tais como fazer o “Filho do Homem” (juiz) = Espírito Santo Consolador, tentando aglutinar pessoas, dispensações, conceitos e ministérios diferentes em um só.

Sugerem alguns, ainda, que Filho do Homem=Espírito Santo=Senhor dos Exércitos.   Tudo isto para tentar justificar a existência de toda uma plêiade de fadas, gnomos, “espíritos de luz”, anjos bizarros, alguns chamado de “enteais”, dentre outros seres (o que denominam de “exército de Deus”),  que jamais Deus colocou neste mundo para intermediar as Suas relações com os humanos.

Não questionamos que tais espíritos possam aparecer a alguém e, de repente, desejar manter algum diálogo ou monólogo com pessoas nesta Terra, e tentar passar, a algum “escolhido seu”, ensinos aparentemente sublimes e maravilhosos.   Tampouco questionaremos o fato de produzirem efeitos que convençam aqueles que tais anjos chamam “à luz da verdade”.

O que questionamos é essa chamada “luz da verdade”, em que querem que os homens creiam.    Questionamos a origem dessa “sabedoria”, desses ensinos, dessas doutrinas e dessa revelação.

Veja-se se tais novidades alvissareiras fazem todo um trabalho em que se rotula, menospreza e rejeita a Bíblia como Escritura Sagrada, estigmatizando-a de “coletânea de histórias mentirosas”.

Tal estigma é também repassado aos cristãos, como se fossem defensores do mal, obstáculos e impedimentos para que boas coisas pudessem acontecer na história da humanidade.

Na tentativa de dividirem com a pessoa de Cristo as honras de um pseudo Filho do Homem, estão fazendo exatamente aquilo que Deus lhes ordenou que não fizessem – colocar alguém no lugar do Senhor – isto, em outras palavras, é idolatria, e adoração a falsos deuses.

Onde foi que já se viu um apóstolo Paulo pregando outros deuses, tais como Zeus, Apolo, ou Mercúrio, que seja?   O livro de Atos dos Apóstolos mostra bem ao contrário o que aconteceu em Listra, cidade da Ásia Menor, na província da então Galácia (Atos 14:11-18).

Certamente que o Senhor Deus é o Senhor dos Exércitos.   Existe, contudo, um outro exército, do príncipe das potestades do ar, de quem Paulo fala em Efésios 6:12, que tem toda uma hierarquia de “principados” (Autoridades governantes, Gr.=Archás), “potestades” (Poderes inferiores a Archás, mas superiores ao que se segue. Gr.=exousías),  “dominadores do mundo” (Gr.=kosmokrátoras).

Em Efésios 1:21, as mesmas primeiras palavras são mencionadas para designar os poderes angelicais santos, ou seja, Archés, Exousías, e acrescidos de Dynameos (seres dotados de poder e grande autoridade oriunda de Deus), e Kyriotetos (poderes angelicais que possuem domínios).   Note-se bem: as palavras diferentes denotam hierarquias e funções diferentes.

Como vemos, existem dois exércitos, que se posicionam antagonicamente um contra o outro, sendo um do Senhor dos Exércitos, e o outro é de seu contrário, o qual funciona em paralelo, como rebelde à ordem estabelecida.    Um é do governo oficial, de Deus, e o outro é o da guerrilha espiritual, que deseja se apoderar de tudo, e este é dirigido por Satanás.

O exército clandestino se formou de anjos, espíritos rebeldes a Deus, os quais disputam o poder desta Terra acirradamente, o que explica haver tanto mal em nosso planeta, malgrado o Senhor dos Exércitos não interfira para salvar senão àqueles que estariam dispostos a posicionar-se ao Seu lado, ainda que aparentemente sejam os mais diminutos e insignificantes do mundo..

Do lado das trevas, há Lúcifer, que dividiu o mundo em cinco partes, para tentar dominá-lo com a ajuda de outros quatro príncipes:  Leviathan, Astaroth, Belzebu e Asmodeo, mas sabemos que estes atuam em toda a Terra, com diferentes nomes, conforme alternam de uma região para outra.   São maiorais sobre os demais demônios.   Só para melhor identificação, Leviathan é o que atua muito na América Latina, e está associado com o elemento água.   Ele comanda boa parte das legiões de demônios que atuam junto às águas.   Basta prestar atenção sobre os principais deuses cultuados no Brasil:  a “Aparecida”, que saiu das águas, a Iemanjá, e a Iara (a mãe d’agua).  Asmodeo, outro maioral dos demônios, tem muita atuação nos ares, e sua área principal é na América do Norte.   É só notar como os furacões, e fortes ventos assolam aquela área todos os anos.   Asmodeo é mencionado no livro apócrifo de Tobias e também no Talmud judaico.

O único e verdadeiro Deus, porém, não tem o interesse de mencionar ou enaltecer os seus anjos maiorais, devido ao problema que ocorre quando alguém tende a idolatrá-los, sugerindo que seriam iguais ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o que seria uma distorção de propósitos.  Todos os que estão de Seu lado já têm grande recompensa, de modo a não necessitarem ambicionar maiores glórias.  A Bíblia fala somente de Gabriel, que O assiste pessoalmente, e de Miguel, o guerreiro que já enfrentou a Lúcifer, disputando pelo corpo morto de Moisés (Judas, verso 9), tem-no enfrentado outras vezes, e ainda o expulsará dos domínios do ar (Apoc. 12:7-9).

Nessa guerra constante, o exército inimigo de Deus usa de todo subterfúgio, e não tem nenhum escrúpulo – a mentira é uma de suas estratégias preferidas.   Inverter valores, por consequência, o faz com muito afã e maestria.   Assim, esse exército do poder paralelo patrulha os ares que circundam este mundo, dia e noite, sem parar.   De outro lado, os exércitos de Deus continuamente também batalham neste globo, mas usando somente de métodos aprovados pelo Senhor, o verdadeiro Senhor dos Exércitos.

O trono de Deus está no céu.    Existem vários níveis no céu.   O Apóstolo Paulo disse ter conhecido alguém que esteve lá, no terceiro nível, isto é, no terceiro céu, onde ouviu palavras inefáveis, as quais não são franqueadas aos homens mortais.   Isto caiu bem de acordo com as revelações que mais tarde João, outro apóstolo, recebeu, conforme Apocalipse 10:1-4.

As revelações recebidas pelos apóstolos, discípulos de Cristo, foram, pois, fielmente preservadas por estes.    Ninguém, melhor do que eles recebeu as mais profundas revelações de Deus.   Se examinarmos bem e atentarmos para o final da vida de cada um deles, veremos que os mesmos pagaram um alto preço para mantê-las fielmente inalteradas, pois sabiam muito bem que triste destino têm aqueles que fazem por adulterar a Palavra de Deus.   Apocalipse 22:17-20 promete que  se alguém acrescentar alguma coisa à Santa Palavra, Deus acrescentará as pragas da profecia de Seu livro.   E se alguém tirar quaisquer palavras do livro de Sua profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa.

Apesar que existe uma advertência tão veemente, é a decisão de cada um sobre qual rumo tomará.    Satanás e seus anjos decidiam rebelar-se e batalhar contra seu próprio Criador.   Assim, Jesus nos manda semear a boa semente, que é a Palavra de Deus.    Esta semeadura deve vingar na forma de uma boa lavoura e uma boa colheita para o Senhor Deus.   O seu inimigo semeou o joio que, segundo a parábola, é muito semelhante ao trigo, mas que para nada serve, senão para ser separado quando vier a colheita (o fim do mundo) e ser lançado no fogo.    Enquanto não vier a ceifa, o joio cresce, e está enganando aos olhos do mundo que observa a lavoura de Deus à distância, isto é, sem acuidade, e sem conhecimento do que é joio e o que é trigo (Mateus 13:24-30).


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