ESDRAS – II – REERGA O ALTAR DO SENHOR

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enero 13, 2020 by Bortolato

Esdras capítulo 3

Era o ano de 536 A.C., nas terras de Israel.

Em Jerusalém o Templo do Senhor Yaweh estava em ruínas já fazia cerca de sessenta anos, desde que os babilônios invadiram a cidade e tudo destruíram, deixando um rastro de sangue, tristeza e desolação atrás de si. Foi tudo por causa do pecado em que insistentemente quiseram permanecer…

O povo que ali habitava antes da destruição havia sido, em grande parte, removido para a Babilônia, onde, depois de tanto tempo, estava já acostumado com a terra do seu exílio, e dado ao tempo decorrido, lá estavam levando suas vidas com relativa normalidade, exceto pela profunda saudade que queimava os seus corações.

Dois anos antes, em 538 A.C., o imperador Ciro, que invadiu e tomou posse de todas as terras que faziam parte do império babilônico, decretou que o povo judeu se locomovesse até Jerusalém para tornarem a edificar a Casa do Senhor Deus de Israel, que havia sido derrubada pelos invasores.

Este fato alvoroçou os judeus, que sofriam e lamentavam a perda daquele local destinado à adoração de Yaweh. Eles agora precisavam reunir-se, discutir estratégias e organizar uma caravana que retornasse à sua querida Terra Prometida. Tinham que aprender a lidar com aquela nova situação que lhes sinalizava benfazeja, no meio das grandes turbulências por que passaram anteriormente. Tinham que vender algumas coisas, desfazer-se de outras, e reunir o essencial e levarem para aquela auspiciosa viagem que na verdade era uma nova migração.

Depois de dois anos, isto é, em 536 A.C., enfim, com tudo preparado, chegou o grande dia em que eles puderam por-se no caminho de regresso das terras do cativeiro para sua amada terra dada por Deus. Reuniram seus objetos, suas famílias, e tudo o que tinham colocaram sobre o lombo de cavalos, mulas, camelos e jumentos. Alguns possuíam carroças, e puderam compartilhá-las com seus vizinhos, pois sabiam que o caminho que encetavam percorrer era longo, e assim depois de percorrerem toda a trajetória, chegaram para as suas antigas posses dentro da Eretz Israel.

Eles vieram trazendo seus recursos que angariaram durante aquele tempo de exílio, de onde juntaram peças de ouro, prata, pedras preciosas, e outros materiais, com vistas a doarem-nos amorosamente e cheios de fervor para as obras de reconstrução da Casa do Senhor.

Assentados novamente, cada qual em sua cidade de Judá, eles estavam ansiosos para novamente prestarem cultos de louvor ao Senhor, que os perdoou e lhes deu nova oportunidade de adorá-lo de todo o coração.

Então chegou o mês de Tisri, o sétimo do calendário judaico, no qual deveria ser celebrada a Festa dos Tabernáculos, e também o Dia Nacional da Expiação. O povo que já havia regressado, e estava espalhado pelas terras de Judá, logo se pôs, com coração vitorioso, a caminho, e chegaram em peso para a cidade capital do reino de Davi, cheios de expectativas.

Ainda não tinham o novo Templo, e sim, apenas pedras queimadas, algumas delas quebradas, desgastadas e espalhadas pela localidade.

O altar de bronze anterior tinha sido destruído e as suas peças restantes a que fora reduzido haviam sido deportadas para a Babilônia, mas eles vieram até ali para festejar… a Festa dos Tabernáculos.

Festejar? Como? Como realizar o Dia Nacional da Expiação sem o Lugar Santíssimo, onde a Arca e o propiciatório deveriam estar, e onde deveria ser aspergido o sangue da Aliança? Isto não seria fisicamente possível naquela altura dos acontecimentos, mas como a adoração ao Deus Vivo era e é imprescindível para qualquer criatura, e daí, o que fazer?

A primeira providência a ser tomada era a de levantarem um outro Altar dos holocaustos ao lado do lugar onde dantes ficava o Templo que fora destruído. A esperança deles era forte, capaz de superar até esses detalhes tão importantes, só para poderem de alguma maneira entrar em contato com o seu grande Deus, o Senhor dos Exércitos, com a finalidade de agradá-Lo.

Aquele cenário despojado de uma porção de itens ausentes e insubstituíveis, fazia tudo aquilo ficar muito esquisito, estranho mesmo, aos olhos de quem em dias longínquos vinha a Jerusalém para participar da Festa dos Tabernáculos, quando os sacerdotes e levitas dispunham do altar dos sacrifícios, do Templo, onde um deles podia apresentar o sangue dos novilhos e bodes prescritos na Lei de Moisés, no dia primeiro do sétimo mês, naquele mês de Nisri. Não lhes era possível deixar de notar aquela falta do altar e do Templo.

Eles olhavam para o derredor, e viam apenas as ruínas. Nada de Templo, e nem sequer do Altar. Viam aquele cenário desolador com uma lamentação que brotava em seus corações, que crescia a cada instante, e estava prestes a explodir de dentro para fora em tom de desabafo.

Zorobabel, o líder daquela migração, nomeou artífices em metais e lhes pediu: vamos refazer o Altar do Senhor! Esta palavra foi como uma injeção de ânimo nos corações dos que a ouviram. Era o humilde recomeço, um primeiro item de uma reconstrução a ser feita dentro de um período mais curto o quanto possível…

Ah, o Altar do Senhor! Longe de Jerusalém, eles aprenderam, mesmo estando em Babilônia, que cada coração que ardia de vontade e de prazer em louvar ao Senhor, que cada coração de cada um deles era um altar de adoração que se desdobrava para derramar suas ofertas de amor ao seu Deus fiel – mas o Altar físico que deveria estar ao lado do Templo levava este estigma como nenhum outro objeto, e eles precisavam voltar a vê-lo novamente funcionando, cumprindo as palavras da Lei do Senhor.

O Altar do Senhor era o lugar onde o Seu povo se apresentava para prestar-Lhe honras, sacrifícios diários, trazendo ofertas motivadas por diversos sentimentos: sacrifícios de louvor, ofertas de paz, ofertas voluntárias, outras também pela culpa de pecados, e outras por intenção de votos e outras para remir e pagar dívidas junto a Deus.

Hoje podemos levar todos estes sentimentos à presença de Deus, agora já não mais trazendo o sangue de animais, mas invocando o poder redentor do sangue do Filho de Deus, Jesus, o Cristo, e assim servirmos a Ele com grande liberdade de espírito.

Pois isto significa: um lugar onde podemos nos apresentar diante do Senhor para orarmos, falar com Ele, pedirmos perdão, oferecermos os nossos corações integralmente, como sacrifícios em Seu louvor e, em suma, desenvolvermos uma relação de reverente amizade, desfrutando de Sua paz, prontificando-nos a praticar as coisas que glorifiquem a Deus, tais como: renunciarmos ao pecado, pregarmos o Evangelho, sermos sábios e ganharmos almas, anulando e cancelando nossas atitudes erradas, e passarmos a agir como Seus servos presentados pela honra de poder servi-Lo.

Aqueles judeus tinham vindo de longe com Zorobabel para se juntarem, organizados, para adorar o seu Grande Rei, o Senhor dos Exércitos. Eles não voltariam para seus lares ou para lugar algum antes de prestar o seu culto junto ao Altar dos sacrifícios devidos ao Senhor.

Um altar é muito importante para a vida de quem quer que seja. É o lugar da busca pela comunhão, lugar onde se podem oferecer dons ao Deus que nos tem privilegiado com muitos dos Seus dons.

Um altar destruído outrora nos clama pela construção de um novo, pois isto significa o restabelecimento do relacionamento com Deus de maneira expressiva.

Podemos orar a Deus em pensamento, claro, mas isso não ilide a expressão clara e audível, que ecoa em nossos ouvidos e de outrem, e que também chega ao Trono de Deus.

Podemos também orar ao Altíssimo em quaisquer lugares, mas Ele é mais presente em Sua Casa, que ficaria junto ao Altar das súplicas e orações.

Por falar nisso, aquele povo judeu que veio de longe, de Babilônia e de outras localidades, mesmo tendo podido ter o prazer de erigir um altar em Jerusalém, ali mesmo onde o antigo funcionava em todo o tempo, estava ávido para voltar a ter um edifício, ao qual pudessem chamar de Casa do Senhor. Seria um segundo passo para restaurarem os cultos de conformidade com a Lei de Moisés, e afinal eles vieram pelo caminho todo nutrindo este pensamento, e não queriam esperar para receber esta segunda bênção.

Passados sete meses da chegada do povo às terras de Judá, eles não perderam mais tempo. Já estavam com a planta do edifício nas mãos e puseram-se à obra.

A primeira parte da construção consistia no lançamento dos alicerces. Ao terminar de lançá-lo, ao som de pratos musicais e cânticos de louvor pela misericórdia do Senhor, que os perdoou e lhes permitiu o seu retorno e reatamento da antiga Aliança, o povo que presenciou este ato teve reações diversas, fazendo surgir uma situação no mínimo confusa.

Os mais velhos deles, que viveram dias em que o antigo Templo estivera em pé, ao verem que se iniciava uma reconstrução da Casa do Senhor, deixaram aflorar o peso do drama que os atingira, e comoveram-se, exibindo uma explosão de choro em bem altas vozes.

Era o choro proveniente de uma comoção que os tomou naquele momento. Choro de sentirem que toda a angústia que viveram sem terem o privilégio da Presença de Deus junto ao Seu povo naquele lugar, uma vez que o Senhor lhes permitiu voltarem a poderem usufruir daquela alegria perdida, e gozarem das bênçãos de voltarem a caminhar com o Altíssimo como Seu povo por Ele escolhido, na Terra que Ele lhes prometera no passado, podendo então logo passarem a festejar a Páscoa, o Pentecostes, e os Tabernáculos, isto era-lhes uma glória.

Sacerdotes e levitas cantavam, naquela solenidade do lançamento da pedra fundamental, e o povo como um todo prontamente respondia àquele doce chamado: o de reerguerem a Casa de Deus, para Ele tornar a coabitar com o Seu povo.

Os mais jovens, porém, muito embora não tivessem conhecido como era o Templo que foi construído por Salomão, tinham em seus corações conservar aquela bênção de Deus contida na Lei de Moisés, e por ser-hes aquilo um evento inédito, uma realização de um sonho idealizado, louvavam alegres em alto e bom som, de forma que o barulho santo foi ouvido pelos povos que estavam ao derredor – um som de muito choro e de alegres cânticos e brados de louvores, compondo um mix um pouco indecifrável para quem o ouvia de longe, e estava sem saber do que se tratava.

Eis aí uma questão inegociável: os judeus ainda estavam com medo dos inimigos de Judá, os quais, no dia da destruição de Jerusalém, até ajudaram os babilônios naquela sórdida ação, fazendo ruir os sonhos de muitos adoradores de Yaweh. Estes estavam vivendo ali por perto, mas era impossível ocultarem ou inibirem a vibração e o júbilo do povo que foi duramente castigado, mas agora voltava para novamente viverem em suas terras, para agradarem e glorificarem ao Senhor e à Sua Lei. Aquilo foi público e notório. Muitos povos o ouviram, e ficaram sabendo que os judeus haviam chegado para ficar.

Como ficou aquela situação, pois, dos judeus sem o Templo de Jerusalém?

O profeta Ezequiel, em cerca de 594 A.C lhes deu a resposta a esta indagação.

Portanto dize: Assim diz o Senhor Yaweh: Ainda que os lancei para longe entre as nações e ainda que os espalhei pelas terras, todavia lhes servirei de santuário, por um pouco de tempo, nas terras para onde foram.” (Ezequiel 11:16)

Eis o exemplo acontecido na História dos Hebreus.

Podemos aplicá-lo nos dias de hoje, em que sabemos que cada cristão é um templo ambulante, onde Deus deseja sempre habitar. ( I Coríntios 3:16; 6:19,20)

E o que é esperado desses tabernáculos que são os corpos humanos? Deus espera o nosso louvor constante, do profundo de nossas almas.

Louvemos a Deus, sempre alegrando os nossos corações à medida que Ele se move em Espírito dentro de nós. Façamos uma festa para a presença do Todo Poderoso, que quer habitar dentro de nós. V. já fez o convite todo especial para a entrada de Deus no seu coração? Não? Pois então faça-o já – e se já o fez, não permita que Ele se vá.

Deixemos de lado o nosso passado de erros, desacertos e desconcertos, e olhemos para a bênção que Jesus é para nós. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida; e ninguém irá ao Pai se não for por meio dEle.

Peça sempre a Deus para que Jesus seja o seu Senhor, e Ele também será o seu Salvador.

Abraços.


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