ESTER – II – DEUS TRABALHA EM SILÊNCIO

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mayo 13, 2020 by Bortolato

Ester, capítulo 1º

Não ouvimos os estrondos dados pelas explosões que o Sol nos mostra. Dificilmente vemos um pardal nascer. Quando um tremor de terra abala o nosso solo, não o ouvimos com os nossos ouvidos, mas a terra se racha e abre uma fenda, e logo vemos as coisas balançando e caindo ao chão, dentro de casa – e só depois de se movimentarem as placas tectônicas é que se ouve o barulho dos prédios, pontes, e casas se desmoronando. As nuvens nascem dos vapores que sobem da terra, sem nenhum alarido. Os homens querem saber como apareceu a vida em nosso Universo, mas até hoje ninguém o descobriu. Investigam o mais que podem, mas não chegam a nenhuma conclusão comprovada; vão até a Lua e voltam, mas nada de grandes achados.

Devido ao silêncio com que Deus trabalha em muitos dos casos, as pessoas começam a se perguntar: – “Onde Ele está? Não O vejo, e nem O ouço…”

Em circunstâncias adversas muitos se equivocam, quando pensam que Deus se ausentou ou os esqueceu. Outros, mas enganados ainda, pensam que Deus é o magnífico detetive que vive nos investigando e armando ciladas para apanhar e castigar homens pretensiosos, que se julgam, ao nível da moral, plenamente aprovados diante da justiça divina, merecedores de uma medalha de ouro, desconsiderando que Ele conhece a cada um, cada erro, cada defeito, cada pecado cometido.

Esse tipo de engano já muitas vezes tem sido desmentido, se atentarmos bem para alguns casos esclarecedores.

Maior engano ainda é o daqueles que lutam contra Deus, esperando que a bondade divina os poupará no momento mais cruciante de suas vidas, quando se mostram os mais ardentes batalhadores contra o Altíssimo. Enganam-se a si mesmos, querendo dizer a si próprios que Deus não existe, mas nas horas em que a morte se lhes aproxima, tornam-se fervorosos crentes, com medo do que os está esperando.

Entre essas duas correntes de pensamento já se ergueram e arvoraram muitas bandeiras que infelizmente ignoraram que, Aquele que criou o Universo e o homem apenas os assiste do Seu trono de glória, e silenciosamente, quase que em oculto, aguarda o momento certo de interferir nas suas histórias.

No Livro de Ester, capítulo 1º, vemos uma grande armação de tragédia prestes a precipitar-se sobre as cabeças dos judeus que passaram a viver longe da Terra Prometida, depois que foram conquistados pelos babilônios. Uma trama oculta de terror intentada por Satanás que faria o cativeiro parecer uma brincadeira de criança.

Um povo de costumes diferentes dos outros povos não deixava de relembrar sempre que o cativeiro foi a grande lição que eles tiveram que aprender, de que a causa de suas derrotas não foi outra senão a prevaricação em que caíram, pela força da ação dos corruptores evangelistas da idolatria. Eles cederam à sedução que os povos estrangeiros lhes ofereciam por meio dos seus deuses, pensando que aquilo não teria graves consequências, e pagaram caro por isso.

O cativeiro foi uma lição tão marcante, tão dura e dolorosa, que fez com que os judeus aprendessem de vez por todas que idolatria foi a raiz daquele infortúnio, ao ponto de que, quando algum ser humano mesmo se lhes tentasse impor como personagem divino, os judeus fieis ao Senhor Yaweh então se revelavam inflexivelmente contrários a submeterem-se em adoração aos tais, não importando se com isso rolassem as suas cabeças.

Isto aconteceu muitas vezes na história. Mais tarde, por exemplo, no Império Romano, quando um homem intitulado de César exigia ser adorado em paralelo ou em concorrência com Jesus, o Filho de Deus, muitos cristãos eram mortos, decapitados ou lançados na arena para serem devorados por leões, só porque não consentiam com essa proposta indecente.

Os três companheiros de Daniel: Sadraque, Mesaque e Abdenego foram lançados numa fornalha de fogo ardente por não dobrarem seus joelhos diante da grande estátua criada por Nabucodonozor.

O fato de serem diferentes sempre causava mistos de curiosidade, indignação e maus julgamentos nos corações dos que confrontaram os verdadeiros adoradores do Senhor Deus Criador e Salvador nosso, chegando a provocar episódios chocantes, feitos de encomenda para negarem a sua fé, em que alguns vacilariam, mas muitos enfrentaram firmemente a esses atentados sádicos, provando a todos que eram fieis ao verdadeiro Deus, pois que não há nenhum outro que mereça esse status divino e seja totalmente digno da nossa adoração.

Por volta do ano 485 A.C., um rei de nome Assuero (em hebraico: “homem poderoso” ou “olho poderoso”), cujo nome grego era Xerxes (transliteração da língua persa: Khshayarsha), subiu ao trono do império a Pérsia, herdado de seu pai, Dario I, que falecera. Foi o mais rico e poderoso dos reis persas, que reinou sobre 127 províncias, desde a Índia até a Etiópia, permanecendo no trono por cerca de vinte anos.

Isto pode parecer uma ampla conquista, e foi, sem dúvida, uma grande área do Oriente Médio, mas para Assuero ainda não era o bastante. Ele queria mais. Sua ambição parecia não ter limites, e o seu orgulho parecia inchar-se mais a cada território encampado por seu reino. Isso o levou a encetar várias investidas militares, principalmente no sentido do ocidente. O exército persa era muito numeroso, e seu poderio naval contava com uma enorme esquadra de navios.

Dario I, pai de Assuero, havia sofrido uma derrota diante dos gregos em 490 A.C., mas isso não quebrou de vez com o orgulho persa, e Xerxes, uma vez no trono, parecia ter uma ideia fixa de voltar a tentar invadir a Grécia.

A Grécia, por sua vez, se demonstrou um inimigo muito astuto e batalhador, que não se dobrava diante dos seus invasores, e era como uma pedra incômoda no sapato de Assuero.

Em 483 A.C., na fortaleza de Susã, foram oferecidos nada menos que três banquetes por Xerxes: primeiramente um para seus oficiais militares e políticos mais importantes (1:1-4), o qual inexplicavelmente é afirmado ter durado por cento e oitenta dias. Outro banquete foi oferecido para os cidadãos de Susã, dentro da área da fortaleza, no pátio do jardim do palácio real. (vv.5-8) e um outro foi oferecido às mulheres de Susã (v.9) pela rainha Vasti.

Os seis meses de banquete foi um período que julgamos tenha sido feito com alguns intervalos, para alternarem a presença de alguns enquanto outros continuavam na rotina da guarda e afazeres essenciais, a fim de que a fortaleza de Susã não se fizesse vulnerável para ataques de inimigos, e nada faltasse na economia do reino.

A suntuosidade dessas reuniões era de fazer cair o queixo dos admiradores. O local foi adornado de ouro, pilares de mármore, de onde pendiam esplêndidas cortinas, que a estes se prendiam com argolas de prata.

Sofás de ouro e prata rodeavam a mesa dos banquetes, a qual era toda enfeitada com vasos de ouro e de prata. Pratos de refinada culinária eram acompanhados de constantes ofertas de mais vinho, para todos quantos os quisessem.

Assuero era homem muito vaidoso, mas tinha um objetivo com toda essa pompa: impressionar os seus homens, a fim de que estes fossem contagiados pelo orgulho de serem o reino mais rico e poderoso do Oriente Médio, e assim incutir-lhes o desejo de marcharem contra aquele reino rebelde que lutou até repelir a ousadia e imponência dos persas, que tentaram dominá-los. A Grécia era então a razão da grande frustração do desejo dominador do pai de Xerxes, Dario I, e esse sonho ambicioso foi herdado pelo seu filho.

Naqueles banquetes, o vinho era dado à vontade, o que chegava a embriagar a quase todos, e não havia militar que dissesse “não” ao rei, exceto um tio deste, que tentou, mas não conseguiu tirar aquela ideia fixa da mente de Assuero. Diante de tantas honrarias, e empolgados discursos vitorianos proferidos pelo rei, todos os demais foram envolvidos na ocasião, e aceitaram o desafio denominado de “Grécia”.

Dentro da visão de Assuero, no entanto, a Grécia era apenas uma porta de entrada para o restante da Europa. Heródoto descreveu que Xerxes queria invadir a Europa e fazer do mundo inteiro o seu império, e não se importava em passar por cima de quem o quisesse impedir. Ele queria o mundo.

Dentro desse cenário cheio de aspirações, uma figura sinistra procurava sobressair-se na corte. Hamã, filho de Amedata, um agagita. Este adjetivo pátrio nos leva ao nome de um homem, Agague, rei dos amalequitas que lutou contra Saul perto do ano 1.050 A.C., um verdadeiro inimigo de Israel. Hamã estava para subir ao mais alto posto do reino, abaixo apenas do rei: o posto de primeiro ministro. Esse perigo crescia ocultamente, sem que se percebesse, mas Deus já o via com os Seus olhos perspicazes, aos quais nada escapa.

A trama oculta estava para se desprender dentro de poucos anos. Israel estava em grave perigo, sem sequer poder tomar conhecimento disso.

Vale notar que Deus não enviou um raio do céu para matar o agagita. Pelo contrário, deixou-o progredir na sua escalada em busca do poder. Deus age da maneira que escolhe, muitas vezes usando até de homens ímpios, que não O conheceram, para abater a outros ímpios. No passado, Deus havia usado de perversos babilônios para matar e cativar até mesmo a pessoas de Seu povo, por causa dos seus pecados…

Aqueles banquetes então serviram bem para reunir, discursar e convencer ao exército persa para ir em direção à Grécia. Enquanto isso acontecia, Deus usou outras peças do tabuleiro de xadrês que não estavam no jogo programado por Assuero, e muito menos por Hamã.

Foi quando aconteceu o inesperado, algo que quebrou aquele clima de festa e alegria gerada pelo comer e o beber.

A rainha Vasti foi chamada por Assuero para desfilar diante de todo o povo, com o objetivo de mostrar a sua beleza. Ela era, de fato, uma mulher muito linda, mas sentindo-se muito pouco à vontade para mostrar-se diante de persas e estrangeiros ali presentes, e por algum motivo não explicado, ela simplesmente negou-se a fazer parte daquela passarela da vaidade masculina.

Foi gerado um ambiente de vergonha para o rei. Ele havia anunciado a todos que a sua rainha, de quem diria ele, que era a mulher mais bela do mundo, e que logo estaria dando o ar de sua presença diante de todos, para o conferirem, e certamente tecer altos elogios ao excelente bom gosto de Xerxes. Malograda foi essa expectativa, e o rei ficou muito furioso, já tocado pelo vinho, assim como estavam os que o cercavam.

A insistente negativa de Vasti causou revolta nos corações do rei e de seus conselheiros. Irado contra a rainha, formaram um conselho para dar uma resposta àquilo que lhes pareceu um insulto, e chegaram ao consenso de que a mesma deveria perder o seu status de rainha, “a preferida do rei”, e ela nunca mais deveria entrar à presença de Assuero, e o seu cargo real deveria ser dado a outra julgada melhor do que ela (verso 19).

Isto equivalia a um divórcio, no qual a repudiada poderia até continuar a morar na “casa das mulheres”, junto ao palácio, à parte, mas nunca mais seria vista por ninguém mais, tanto da corte cmo do povo, senão pelos eunucos que com ela tratavam; morreria ali, dentro do palácio real, sem mais poder desfrutar das regalias de rainha, em uma prisão domiciliar.

Este incidente foi permitido pela mão de Deus, que enquanto um Hamã corria com seu plano de ascensão ao cargo de primeiro ministro, a impiedade de homens orgulhosos e arrogantes abria caminho para a ascensão de uma nova rainha.

Detalhe secundário é que as rainhas persas deveriam ser obrigatoriamente de famílias tradicionais da Pérsia, mas as coisas rumaram de forma a atropelar este pré-requisito, de modo diferente do planejado pelos homens.

Depois desse incidente Assuero enviou uma enorme frota de navios para a invasão da Grécia em 481 A.C., os quais não foram eficazes ao terem que se defrontar com os gregos em uma passagem estreita entre o continente e a ilha de Salamina, o que deu ensejo à derrota dos persas.

Salamina tornou-se um marco na história para a Grécia que, ainda que em situação de desvantagem numérica, logrou vencer à orgulhosa frota persa. Os gregos, que sonhavam com ideais de liberdade, lutaram bravamente, e essa batalha foi o ponto de convergência que deu sinais de que uma nova potência político-militar despontava no cenário mundial. Aliás, a Grécia mais tarde veio a invadir e dominar o território persa, sob o comando de Alexandre, o grande.

Destarte nota-se que, embora os homens façam seus planos, estes só virão a confirmar-se se houver a resposta certa dos lábios do Senhor (Provérbios 16:1).

Assuero queria conquistar o mundo, e ser o seu grande imperador, mas acontece que só o Senhor é o grande Rei de toda a Terra (Salmo 47:2).

Assuero impôs altos tributos sobre todo o império, mas suas riquezas e ostentação não lhe deram a satisfação que tanto almejava.

Tantos almejam e lutam para terem mais riquezas e mais poder, mas isso não é tudo nesta vida, porque existem objetivos muito mais nobres, mais justos e mais valiosos.

Hoje se nota que há uma verdadeira pirâmide de uma escala hierárquica onde as riquezas deste mundo são mais abundantes quanto mais perto do pico da mesma, mas isto não se traduz por um espírito satisfeito e em paz.

Disse Jesus em Lucas 16:9: –

  • E vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos, para que, quando estas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos”

Isto significa: nada levaremos desta vida para a eternidade, senão o espírito. Quando este espírito se afina com Deus, e abre o coração para a entrada de Jesus, o Cristo, para sempre será alegre e feliz neste novo viver. Como complemento desta gloriosa condição, todo o investimento material que fizermos em prol do Reino de Deus, injetando-os na vida de pessoas que os necessitaram, será convertido em amizades de radiante convivência quando desta vida nos despedirmos, na eternidade.

Jesus mesmo, que é Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores, deixou toda a Sua riqueza e glória celeste para vir a este mundo, e viver como se fosse pobre, a fim de que pudéssemos participar das Suas riquezas no Céu, salvando-nos do pecado e da ira vindoura.

Reis e reinos ascendem ao poder e caem, deixando à mostra as vísceras da sua fragilidade, para o mundo todo ver. Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma, Napoleão, Hitler, todos capitularam. Enquanto estes buscam dominar um sem-número de pessoas pela força, o Reino de Deus se manifesta entre o Seu povo através da cura de enfermos, expulsão de demônios e salvação de perdidos, conquistando almas de forma humilde, sem alvoroço nem estardalhaço, e quase imperceptível. Em breve, porém…

Jesus, o Cristo, não vai tardar, e no momento aprazível a Deus, voltará a este mundo (pois Ele está vivo, foi morto mas ressuscitou), não mais como sofredor, mas virá para reinar sobre esta Terra que Lhe pertence por direito de Criador.

Com Ele virão os Seus anjos, e reunirá para Si a Sua amada Igreja triunfante, a quem Ele chama de “Sua Noiva”. Os reinos deste mundo cessarão suas sagas e submeter-se-Lhe-ão; todos terão que dizer:

  • Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

Quer participar deste Reino de amor e de luz? Hoje ainda oculto aos olhos físicos, mas em breve, todos o verão chegar sobre o mundo todo. Detalhe: só poderá dele participar quem tiver a sua alma lavada pelo sangue que Jesus derramou na cruz.

Venha a Jesus, para Vc não faltar na participação desse Reino do Céu. Será uma glória, um longo prazer, e um doce gosto poder nos vermos lá.


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