II – I CRÔNICAS – AS GENEALOGIAS EM I E II CRÔNICAS

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diciembre 3, 2018 by Bortolato

Como já temos visto, I e II Crônicas repetem muitas informações já encontradas em I e II Reis, mas existem diferenças de pontos de partida (passado/presente/futuro), estilo (realista/idealista), finalidade (diagnosticicador/encorajador), tom (político/religioso), abrangência, abrangência (reinos de Israel/Judá). Os mesmos fatos são abordados de maneiras distintas, mas ambas as formas nos trazem informes importantes, inspirados pelo Espírito de Deus, que os impulsionou a escreverem essas obras, cada qual a seu tempo.

Um detalhe muito marcante que se mostra em I Crônicas é a presença de genealogias que remontam desde os dias de Adão.

Essas genealogias, muito embora contenham rápidas menções de nomes da História, ainda deixam nas entrelinhas algumas mensagens, as quais vamos identificar e comentar em nosso

texto que virá a seguir.

Os primeiros versículos de I Crônicas, por exemplo, nos mostram os nomes de Adão, Sete, Enos, Enoque e Noé. Como estes iniciam a lista enorme de descendências que vão até Davi (2:15), Zorobabel (3:19) e seus descendentes, isso nos revela a certeza de fé que esses nomes mais antigos não foram mera lenda ou ficção, mas sim, eles eram pessoas reais, que viveram nesta Terra há milhares de anos, quer alguns o aceitem ou não, o que denota que Deus jamais deixou de importar-se com o homem, ainda que decaído no pecado.

Os versos 1:5-23 apresentam uma breve introdução para nos chamar a antenção de que Deus criou a todos os homens do mundo, pois de alguns poucos Ele permitiu que se formassem muitas nações, e prova disso são citados os nomes daqueles que as fundaram.

Jafé teve vários filhos, os quais se assentaram na região caucasiana. Tudo indica que estes tinham pele clara e derem-se melhor com climas relativamente mais frios.

Cão nos dá uma ideia de como cada um de seus filhos constituiu grandes nações: Cuxe, no território da Etiópia; Mizraim, predominantemente na terra do Egito, terra em que até hoje dominam raças marcadas por pele parda; Canaã nas terras da Palestina, um povo que depois foi quase que completamente exterminado pelos israelitas, de modo a não termos hoje muitas informações sobre o seu perfil étnico.

Os filhos de Sem, por sua vez, assentaram-se inicialmente mais ao norte, leste e nordeste da terra de Canaã, onde notamos que houve o estabelecimento de nações tais como a Pérsia (Elão), a Síria, o Líbano, a Assíria, Babilônia (que hoje entendemos ser no território do Iraque), e outros povos intitulados com o sufixo de “quistão” (Paquistão, Cazaquistão, etc.).

Nada se comenta na Bíblia especificamente a respeito do aparecimento das raças negra e amarela, uma vez que esses povos se distanciaram razoavelmente do Oriente Médio, longe da região que se circunscreveu em torno da História Sagrada, de forma que nem sequer houvera falar-se sobre suas características inerentes às mesmas.

Este fato não é para se estranhar, pois que a Bíblia fala que dentre os cananeus e os filisteus se desenvolveu uma certa raça de gigantes, os anaquins e os refains, os quais se crê que tenham sido atingidos pela extinção; contudo, estes foram mencionados à medida que representaram os grandes desafios para a conquista da Terra Prometida e a subsequente defesa das suas divisas.

Explica-se isto porque a Bíblia não se prende à História Universal enquanto esta última tem caráter investigativo de alcance mundial. A ótica bíblica recai em geral sobre a descendência de Abraão, e, de forma seletiva, especialmente ao seu mais importante descendente, que é Jesus, o Cristo, o Filho de Deus que veio a este mundo para buscar e salvar o que se havia perdido. Demais detalhes sobre a genealogia perderam-se no tempo, mas ainda hoje servem para testificar a veracidade dos detalhes acontecidos no relacionar-se de Deus com os homens.

A fim de não mostrar APENAS a genealogia semita e abraâmica, outros povos também são rapidamente mencionados, os quais tiveram alguma participação relacionada com o povo que Deus escolheu: os ascendentes do Senhor Jesus, o Cristo.

Dos próprios filhos de Jacó também se mencionam com certa rapidez aqueles que deram origem às doze tribos, mas o autor dos livros de Crônicas enfim mostra aonde quis chegar: ao reino de Davi, com ênfase à dinastia da tribo de Levi, de onde saíram os levitas, guardas do Templo, os cantores, e os sacerdotes, e tudo quanto é ligado à prática de adoração ao Senhor dos Exércitos.

É plausível pensar-se que o autor desses dois livros, que se presume ter sido o sacerdote Esdras, não tinha em mente direcionar a obra para a vinda do Messias, fato que se depreende do seu estilo histórico, mas subliminarmente é notada nele a certeza de que um dia haveria de despontar um Rei da descendência de Davi, o qual haverá de reinar sobre o trono de Jerusalém eternamente e governará com paz sobre o Seu reinado (I Crônicas 17:11-14).

Mesmo que de maneira muito sutil, então se nota que Cristo, o Messias, estava sendo esperado, e este seria um descendente do rei Davi, das entrelinhas das genealogias de I Crônicas, o que é considerado e complementado no primeiro capítulo do Evangelho de Mateus, e assim podemos ver o grande e constante tema que une toda a Escritura Sagrada: o Rei Jesus!

Ao que é, que era, e que há de vir, toda a glória Lhe seja dada para sempre!


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