II SAMUEL – XXIII – JULGAR, COMPETÊNCIA DO SUPREMO JUIZ

0

noviembre 21, 2016 by Bortolato

O homem alcançou a Lua, e vai indo para novas descobertas.    Algumas coisas que não se podiam fazer há anos atrás, vão sendo feitas hoje, devido ao brilhantismo e ao empenho de pessoas que se esmeraram por consegui-lo.   Com isso, pensam alguns que tudo pode ser descoberto, conhecido e controlado, mas ignoram a vastidão do universo, a limitação humana e a impossibilidade de vasculharmos todo o Cosmo, tanto quanto o universo microscópico.

Há muitas coisas que não entendemos nesta vida.   Mistérios que não desvendamos. Perguntamos:  – “por quê?” – e a resposta não nos é dada prontamente.   Algumas delas jamais o saberemos.

Há inocentes que pagam por crimes de pecadores, e há catástrofes, guerras, e muitas coisas terríveis acontecendo que deixam muitas mentes transtornadas.   Como iremos assimilar tantos casos que nos causam desconforto em nossos corações?

Para início de conversa, um grande problema é diagnosticar a causa de certas desgraças, e daí nem temos elementos disponíveis à mão para julgarmos se o castigo foi justo ou não.   Os fatos chegam como que despencando tempestades, e não há como impedi-los.

Uma questão que nos atinge sem que o percebamos, é a nossa parcela de participação dos atos de uma nação.   Até que ponto adquirimos responsabilidades, quando os rumos desta são conduzidos por algumas poucas pessoas?   Até onde chega a culpa de uns e de outros?

Temos de considerar que elegemos nossos governantes, e os aclamamos, damos a eles todo poder para executarem atos importantes que atingem ao povo em geral, em várias áreas da vida, como saúde, educação, segurança, economia, etc..  Quando estes erram (e todos erram, diga-se de passagem), e não protestamos, com isso tacitamente consentimos com os seus erros.

Pensamos qual seria a atitude correta a ser tomada por uma nação.   Existem várias situações neste mundo cheio de confusões, mas não devemos confundir certas coisas.   O peso de responsabilidade espiritual que recai sobre um grupo sempre acaba sobrando sobre as pessoas individualmente, quer queiram ou não.

Por outro lado, falando-se da responsabilidade coletiva, também há diferentes pesos.   Uma delas cabe aos líderes de governo, e outra é a de seus respectivos povos.   Um líder pode ser bom, e seu público, mau – e vice-versa;  a recíproca também é verdadeira.

Tenhamos em foco o caso do rei Davi e de seu povo Israel.   II Samuel, capítulo 24 nos diz que o Senhor enfureceu-Se contra Israel (outra vez), e incitou àquele monarca a executar um ato que trouxe sérias consequências para o povo.

Deus é soberano, e o Juiz Supremo de toda a Terra.  Ele julga as nações e estas podem ser condenadas ou absolvidas.   Havia um peso sobre a nação de Israel.   Algo que não temos o condão de analisar com precisão, mas algo que desagradou profundamente ao Justo Juiz.

Ninguém diga que de Deus é tentado, conforme Tiago – mas na Sua posição de Soberano, Rei e Juiz do Universo, nada Lhe permanece desconhecido, e ninguém está acima de Seu cetro.

A Bíblia é omissa em apontar a(s) causa(s) do incidente.   Deus tampouco nos concedeu recebermos com detalhes a revelação que nos explicasse os motivos, mas o fato é que o povo de Israel caiu em desagrado perante a justiça divina.

Os homens são muito suscetíveis a pensar que estão acima da forte mão do Senhor, quando então sentem-se enganosamente na confortável posição de dominadores, mas isto não é bem assim.

Na época do reinado de Davi, Israel estava firmado no Oriente Médio como um império que fez várias nações por ele dominadas como seus submissos tributários.   Davi as submeteu a tributos e colocou guarnições militares em várias delas.   O povo de Israel pôde sentir-se até com certo orgulho de serem os privilegiados “senhores” daquele pedaço do globo terrestre.

O perigo de cair no laço do orgulho está bem aí – sentir-se superior aos demais, ao ponto de cometerem atos de injustiça, principalmente na área social.   É aí onde muitos povos pecam, julgando-se algo como uma “raça superior”.

A Lei do Senhor permitia a Israel irem às guerras porque não havia outra solução.   Uma vez atacados ou seriamente ameaçados, somente as armas poderiam fazer valer a força que lhes ofereceria o livramento.

Contudo, a própria Lei defendeu os direitos dos estrangeiros que não constituíam ameaça ao povo de Deus; até mesmo aos egípcios, outrora seus antigos opressores.

Então Davi, como o representante do povo de Yaweh, decidiu levantar um censo militar.   Ele parecia orgulhoso de seus exércitos, esquecendo-se de que a milícia não era propriamente sua – ele era apenas um mordomo intermediário, ali colocado para bem administrar aquele contingente das tropas de Seu povo.

A quem, afinal, pertenciam os homens de Israel?    Enquanto temessem a Deus, estes faziam parte dos exércitos do Senhor.

Quais os números desse exército?   São incomensuráveis.   Inúmeros, impossível contá-los todos.   Considere-se que existem, paralelamente, os anjos guerreiros do Senhor, que lutam em favor do povo dEle.   Diga-se de passagem, que a milícia angelical é muito mais numerosa e mais forte do que a dos homens a serviço de Yaweh.   Na verdade, se as legiões celestes não interferissem nesta Terra, muitas e muitas vezes as batalhas de Israel teriam sido perdidas, e os israelitas já teriam sido exterminados de há muito, desde os tempos de Jacó, Moisés e Josué (Salmo 68:17; Apoclipse 5:11).

Mas Davi quis levantar o tal censo militar…  confiando que o Senhor conta imprescindivelmente  com o número de homens falhos, pecadores, jactanciosos dos feitos que jamais poderiam ser realizados sem a mão dos exércitos celestiais, como se os números fossem decisivos para obterem as almejadas vitórias.

Até Joabe e os demais comandantes de Davi perceberam o erro cometido, e tentaram contra-argumentar com o rei, mas em vão.   A mente de Davi estava fechada para diálogos, e ele insistiu na mesma tecla, até fazer valer a sua palavra.  E assim foi feito.

O censo percorreu cidades de norte a sul, e durou nove meses e vinte dias.  Joabe nem chegou a contar os levitas e benjamitas, isto é, nem terminou direito a sua tarefa.   A conta chegava na cifra de mais de um milhão de homens habilitados para a guerra – um número extremamente considerável, um verdadeiro absurdo, considerando-se os atuais contingentes de grandes nações.

Davi então caiu em si de sua loucura.   Seu ato foi uma desconsideração para com tudo o que Yaweh havia feito através de suas mãos meramente humanas, no decurso das guerras.   De repente, o seu coração o acusou, e ele inquietou-se e passou a orar.   Confessou a sua falha.  Reconheceu haver-se portado loucamente e pediu perdão ao Senhor.

O perdão o Senhor lhe concedeu, mas havia uma pendência que pesava sobre o povo.  O pecado individual do rei foi relevado, mas o do povo continuava pesando sobre a balança da justiça divina.

Logo, então, pela manhã, o Senhor já havia falado com Gade, o profeta, enviando um recado ao rei…

Uma sentença recaiu sobre o povo.   Três opções foram dadas a Davi para este escolher:

  1. Três anos de fome na terra de Israel
  2. Três meses de constante fuga dos adversários em seu encalço
  3. Três dias de praga na terra.

Em todas essas alternativas, a vida de Davi seria poupada, mas o povo sofreria sérias baixas.

Pensando bem, era difícil fazer-se uma escolha, a estas alturas.   No fundo, o Senhor enfim dizer essas palavras a Davi foi até uma concessão privilegiada, pois Ele, via de regra, envia Seus juízos a este mundo sem aviso aos infiéis.   A Davi, porém, lhe foi dada a possibilidade de escolha.

Davi mal pôde concluir uma opção.  O caso era de difícil decisão.   Ele apenas teve tempo para avaliar as perdas, pensando no que poderia ser menos danoso.

Pela primeira opção, três longos anos de fome debilitariam o seu povo aos poucos, levando parte deste à morte por desnutrição e inanição – isto faria com que toda a nação perdesse a confiança no governo de Davi.   Por certo atribuiriam a ele a culpa dessa desgraça, mas ele fora apenas alguém que não teve capacidade de perceber o erro em levantar aquele censo – e a capacitação é dom que vem de Deus.    Se se confirmasse este quadro, os povos adjacentes, que foram conquistados, se sentiriam vingados e refeitas as suas forças para uma possível revolta contra Israel.

Na segunda opção, uma terrível sensação percorria a alma de Davi.   Ser perseguido por inimigos.   Isto significava sentir-se fragilizado diante de forças mortíferas.   Perda de parte de seu exército tão numeroso, que o levou a orgulhar-se de seu braço humano (Jeremias 17:5), mas o que mais feriria o seu ego, dentro dessa alternativa, é que todos os israelitas veriam o seu rei fracassado, sendo perseguido por alguém mais forte do que ele, colocando a sua cabeça em perigo – pois isso também causaria grande tristeza, decepção e apreensão geral ao povo.   Davi conhecia bem esse estágio, pois que Saul assim fez com ele por anos a fio.   E a revolta de Absalão?   Não e não!   Esta opção estava fora de cogitações, dentro da alma de Davi.   Ele ainda lamentava o havido com Saul, com Absalão e com Seba.  Este tipo de ferida era muito grande, e já o havia sensibilizado demais, dentro de seu ser.

A terceira parecia ser a menos traumática, mas não muito menos danosa, pois mataria mais gente em menos tempo.   Uma peste fulminante, assolando durante três dias.

Essas pestes foram a causa da extinção de muitas tribos, clãs e civilizações do mundo.  Senaqueribe, o rei assírio que se ufanava de haver prendido a Ezequias em Jerusalém, como se este último fosse um pássaro dentro de uma gaiola, perdeu 185.000 soldados em uma só noite, devido a uma suposta peste, que teve a espada de um anjo exterminador por trás dessa tragédia.

Pestes são ameaças terríveis.   A peste bubônica, ou a provocada pelo vírus Ebola, por exemplo, foram doenças muito contagiosas, e fulminantes.   Diante destas, ninguém se sentiria seguro, a salvo.  Ninguém sabe quando uma peste começa a ser deflagrada, e muito menos quando seria estancada, pois o número de mortos vai-se multiplicando assustadoramente em progressão geométrica.   As pessoas pensam: — “Será que conseguirei salvar-me? E minha família?  Os meus filhos?  Netos?  Pais e irmãos?”  – e a morte vai colhendo vidas preciosas, dantes conhecidas de toda a vizinhança.

Davi dizia: -“Caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias, mas não quero cair nas mãos dos homens” (24:14).   Esta não foi uma resposta objetiva à pergunta que Gade dirigiu a Davi, mas algo ficou subentendido nas entrelinhas…

A última opção foi aquela que, por exclusão, restou a Davi.   Três dias de praga caindo sobre a terra.

O Senhor então acolheu a última opção, pois entendeu que esta era a que menos feria a Davi.   As pessoas foram  morrendo, umas após outras.  Terrivelmente o medo se espalhava.  Foi semelhante àquilo que o Egito sofreu na noite em que o anjo exterminador ia passando com sua espada, naquela primeira Páscoa.

Morreram 70.000, de norte a sul de Israel.

Davi detestou-se a si mesmo por isto, pois foi a partir de seu pecado que se apertou o botão “start” do juízo divino e se deflagrou tal peste.   Quis ele colocar-se no lugar do povo – que ele e sua família fossem mortos, pois foi ele quem derramou a gota que transbordou o cálice da impaciência de Deus – mas isto não foi aceito, pois tampouco foi o que foi proposto pelas palavras do Senhor.   Remorsos não atingem e nem manipulam a ação do Altíssimo.

A peste que percorreu a terra veio à cidade real; estava ameaçando, já, a ser uma epidemia sobre Jerusalém.   O Senhor então ordenou ao anjo exterminador que parasse.   O anjo parou, mas ficou ali, em pé, sobre o ar da cidade, com uma espada na mão, pronta para ferir a cidade do rei.

Davi, então, viu o anjo sobre a eira de Araúna, com a espada na mão a estender-se sobre a cidade, e, admirado, disse a todos o que viu.   Foi um alarde.   Todos da corte, então, vestiram-se de luto, e prostraram-se com os seus rostos em terra (I Crônicas 21:16).

Gade recebe então outro recado, outra palavra vinda do céu.   O Senhor pede que seja construído um altar na eira de Araúna, o jebuseu.    Araúna mesmo viu o Anjo do Senhor ali, quando trilhava o trigo, e procurou esconder-se juntamente com seus filhos.   Ele ficou atemorizado.

Na sequência, Davi vem chegando àquela eira.   Araúna, todo abalado pelas circunstâncias tão especiais, vai-lhe ao encontro, e prostra-se com o rosto em terra, sem saber qual seria o motivo daquela ilustre visita.

Davi então lhe pede o lugar da eira para edificar uma altar ao Senhor, e promete pagar-lhe o devido preço.

Araúna entende perfeitamente que aquilo seria necessário para que cessasse aquele mal que sobreveio a Israel e então chegara a Jerusalém.   Compungido em seu coração, ele dispõe-se a oferecer toda a eira, a madeira dos trilhos do arado para fazer o altar e queimar os bois, os quais seriam destinados ao sacrifício.   Davi, porém, embora estivesse apreciando muito aquele espírito altruísta do jebuseu, diz que era ele, e não Araúna, quem devia arcar com os custos daquele momento, a fim de prestar um culto de adoração ao Senhor.

Davi pagou então cinquenta ciclos de prata pela eira, os trilhos e os bois.   O altar e os sacrifícios foram assim usados e caíram no agrado do Senhor, que ordenou ao anjo que cessasse o castigo.   “Basta!”  disse Yaweh ao anjo.  Este foi o poder do sangue vertido.

Deus olhou aquele sangue derramado sobre o altar, e, em Sua onisciência, olhava para o futuro, quando o sangue de Seu Filho Jesus, o Cristo, estaria ali presente, naquele mesmo lugar.   O sangue de Jesus tem um tremendo poder, até incrível aos olhos humanos.   Aplacou a ira de Deus.   De repente, cessou a praga.  Pararam as mortes.  O drama da cruz que veio a ocorrer cerca de mil anos após, fez-se presente ali, trazendo um poder maravilhoso diante do Pai, apagando todas as culpas, desfazendo o poder da morte sobre pecadores arrependidos, e dando a estes novamente a oportunidade de viverem e serem felizes.   Graças a Deus pelo sangue de Seu Filho Jesus!    Foi dramático, mas concedeu-nos vida.

Alcançado o favor de Deus ali, houve uma interação de amor nos corações.  Deus e os homens se reconciliaram.   A justiça e a paz se harmonizaram.  O castigo da Lei foi superado pela Graça de Jesus.

A compra da eira de Araúna, então, deu ensejo para que Davi desejasse ter naquele lugar não apenas um altar de sacrifício.

Aquele lugar passou a ter um valor muito especial, pois foi ali que o Senhor agradou-Se de Seu povo.   Até então, pertenceu a um jebuseu, mas aquela propriedade toda passou a fazer parte de uma visão espiritual.   Davi não teve dúvidas: ali mesmo deveria levantar-se um templo.   Aquele templo que o Senhor disse a Davi para que ele mesmo não edificasse, mas que deixasse para seu filho aquela construção.

O coração de Davi apegou-se àquele lugar, pois foi ali que Deus concedeu misericórdia para o Seu povo, e houve uma aproximação maior com o Altíssimo.  Ele logo então se abriu diante de Araúna, e manifestou sua vontade de comprar toda a propriedade.   E foi o que ele logrou fazê-lo.   Pagou seiscentos siclos de ouro, e aquele sítio passou a ser o lugar do futuro templo.

Davi ofertou o melhor do que tinha, e o Senhor o aceitou, e fez daquela oferta um investimento maravilhoso: um lugar onde Ele mesmo passaria a habitar, congraçando-Se com um povo em experiências inéditas e admiráveis.

Quando ofertamos o nosso melhor para Deus, com os corações abertos, então Ele nos aceita, e nos dá o Seu melhor.  Deus deu o Seu próprio Filho, o Rei dos Reis, para ser sacrificado em nosso lugar, mostrando-nos um favor e uma graça sem igual neste mundo.

Que os nossos corações ofertem o melhor a Ele, e estejam abertos para receberem, de graça, a vida e a presença de Jesus, o que será indubitavelmente a nossa maior alegria.


0 comments »

Lo siento, debes estar conectado para publicar un comentario.

Comentarios recientes

    Fatos da História

    Evangelho