JÓ – XII – UMA QUEDA DE BRAÇO

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agosto 6, 2020 by Bortolato

Jó capítulos 25 a 27

É o que também chamamos de “braço de ferro”, um jogo também qualificado de esporte, que não é muito apreciado pela coletividade, não é uma modalidade de luta, não é praticado em equipes, não consiste em arremesso e nem em levantamento de pesos.

Queda de braço é uma disputa entre duas pessoas que sentam-se defronte uma da outra, cara a cara, junto a uma pequena mesa bem firme, e medem forças fixando seus cotovelos, cada qual em um ponto sobre a mesa, juntam e envolvem seus punhos de forma a entrelaçá-los e envidam suas forças opondo-se ao outro, tentando fazê-lo ceder, e quem conseguir baixar o antebraço do outro até tocar na superfície da mesa, será o vencedor.

Durante a disputa é comum vermos que, ora um e ora o outro disputante, alternam-se fazendo oscilar seus antebraços como pêndulos, para a direita ou para a esquerda, conforme a aplicação das forças que cada um põe em jogo, mas então aquele que parecia estar sendo vencido se desdobra, reage e faz com que seu braço obrigue ao outro vacilar e retroceder.

Assim, uma disputa dessas pode demorar algum tempo, alternando-se a posição de vantagem, ora favorecendo a um lado, ora a outro, aumentando a tensão, até que, após a insistência de um deles ou de ambos ser levada à exaustão, de repente um antebraço cede, vai à superfície da mesa, e fica definida a questão.

Este tipo de jogo é bastante conhecido entre os homens, e quando é travado, chama a atenção, pessoas param para observar, curiosas para saber de quem será o prêmio da vitória.

Esse termo “queda de braço” porém pode também ser aplicado a disputas que ocorrem ao nível apenas de palavras, de ideias e de questão moral, e isto é mais popular do que o é no sentido de medição de forças físicas.

Nos capítulos 25 a 28 do livro de Jó vemos algo desse gênero.

Bildade, um dos amigos implacáveis de Jó, pela terceira vez toma a palavra. Das outras vezes, encetou discursos que julgava que deixaria Jó vencido, mas este reagiu, e conseguiu refutá-lo em ambas ocasiões. Desta feita, no entanto, parece já cansado de argumentar as mesmas ideias e encurta o seu discurso, mas não deixa de aplicar o seu “carimbo” identificador.

Sua ênfase recai sobre a grandiosidade do poder e domínio de Deus, que o exerce sobre a Sua Criação e tem nas Suas mãos um numerosíssimo exército de anjos e de astros do espaço sideral sob o Seu comando.

Assim faz Deus com que a Sua luz espiritual incida sobre quaisquer trevas, iluminando-as e prevalecendo sobre estas vitoriosamente.

Em assim fazendo, todos os pecadores – dentre os quais Bildade insere Jó dentro desta classe de criaturas – não teriam condição alguma de pretender entrar em juízo com Seu Criador, como este tanto alegava que pretendia.

Então Bildade faz uma colocação:

  • Como pois seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?”

Bildade esbarra em alguns erros, ao tecer este comentário. Senão vejamos:

1 – Segundo o Salmo 37:29 são os justos que “herdarão a Terra e nela habitarão para sempre”.

2 – Jó nunca disser que era um homem perfeito, puro, isto é, sem absolutamente nenhum pecado em sua folha curricular, do jeito que Bildade o havia interpretado em suas manifestações erguidas em defesa própria.

3 – Apesar de ter executado um hino de louvor a Deus, o que traz louváveis verdades em seu bojo, Bildade o faz, sugerindo que Jó seria um verme, um gusano. Esse termo pejorativo, empregado de modo a estigmatizar o amigo sofredor de forma depreciativa, sugere que Jó seria um hipócrita, um arrogante pecador que tapa os olhos para sua condição de condenado, e recusa-se a entender sua posição decaída, mesmo debaixo da sua repreensão e dos outros amigos.

Os três reputam que as desditas que caíram sobre a vida do amigo seriam, na verdade, meras advertências que o Todo-Poderoso estava disparando sobre a vida do impenitente pecador, com vistas a fazê-lo retroceder e mudar o seu modo de agir no seu dia a dia.

Assim, Jó foi exortado a reconhecer a grandeza de Deus, que, ao ver de todos os três, acionara a vara da disciplina com rigor, a fim de acabar com a hipocrisia de um reles “ator teatral” que se arvorava ser “justo e puro”aos olhos do povo, e, o que era o pior, ousava pensar que o Altíssimo se deixaria ser enganado, como todos os demais o foram, levando o seu caso até a uma querela judicial.

Este modo de pensar que permeava sobre Bildade, se analisado superficialmente, parecia ser piedoso, além de simples e sucinto, mas deixou uma marca um tanto desumana, porque ele não estava tratando de um prisioneiro ou de um réu destinado à sentença final de condenação.

Jó, no capítulo 26 do livro, versos 1 a 4, ressente-se deste novo ataque à sua fidelidade a Deus, e qualifica as palavras do amigo tácita e ironicamente de inúteis e desapropriadas para consolá-lo e ajudá-lo naquelas circunstâncias difíceis em que a vida o encerrou.

Os versículos 5 a 14 deste capítulo, embora sejam um tanto problemáticos para uma análise lógica do texto, estes são geralmente considerados como palavras de Bildade, que interrompe as de Jó, suspendendo as colocações deste, que continuariam a partir do capítulo 27, acentuando assim essa queda de braço moral.

Nesta passagem se denota que o autor dessa poesia sacra é conhecedor da narrativa da Criação, mas de forma um tanto épica e apócrifa. Ele menciona parte de uma lenda antiga, na qual o monstro Leviatã, ou Raabe, (3:8) representava as forças do mal, a qual tinha o poder de engolir o sol, mas Deus o perseguiu e o matou.

De qualquer forma, qualquer que seja o autor esse trecho dos versos 25:5-14, elas são proferidas de modo a caracterizar demonstrações de uma sabedoria antiga, em estilo poético sem igual.

Em 26:5-14 lemos que Deus tem completo conhecimento daquilo que se passa no Sheol, o destino dos mortos, mas lembrando sempre que a vida de além-túmulo não era reconhecida pela maioria dos que viveram naquela época. Assim, é admirável vermos que o autor entende que o Senhor El-Shadday tem seus olhos presentes, ciente de tudo o que se passa ali, muito embora alguns pensem que no inferno haja uma completa ausência de Deus. Desta maneira chegamos à conclusão de que houve um lampejo de luz nesta passagem bíblica, um tanto avançado para a sua época.

Jó, capítulo 26:7-9 nos mostra que o Senhor estendeu a Sua alta morada no Céu, onde está o Seu trono, que é encoberto aos olhos dos homens, coberto pelas nuvens. Tal conceito se encaixa perfeitamente com outras passagens bíblicas, tais como Êxodo 19:9; II Crônicas 6:1; Êxodo 40:34 e II Crônicas 7:1.

Por que Deus então se deixaria ser encoberto por uma cortina de névoa? Em Levítico 16:12-13 diz-nos que se uma nuvem não encobrisse o propiciatório que estava sobra a Arca da Aliança, Arão morreria, ao ali adentrar. Isto se deve à terrível santidade que se prende ao rosto do Senhor. Moisés quis vê-Lo face a face, mas Ele não o permitiu, apenas o facultou a vê-Lo, sim, quando Yaweh passasse no momento em que Moisés estaria com o seu campo visual limitado por estar dentro da fenda de uma rocha – e então Deus estendeu a Sua mão sobre a fenda para não ser visto por Moisés, até que tivesse passado, e então o servo do Senhor pôde vê-Lo pelas costas (Êxodo 33:20-23).

Na passagem de Jó 26:12-13 vemos uma possível referência que o autor deixou denotar do seu conhecimento acerca da abertura de passagem pelo Mar Vermelho, quando Deus abateu a Faraó, o homem que se havia feito Seu adversário (Êxodo 13:21-29). Teria sido assim, pois, que aqueles contemporâneos dos dias de Moisés tomaram ciência dessa grande operação do poder de Deus, e o incorporaram dentro de sua teologia.

Então no verso 26:14 se desprende uma humilde declaração de reconhecimento de que a grandeza de Deus não está ao alcance do nosso poder de dimensioná-la, pois é incomensurável.

Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!”

No capítulo 27, verso 1º, se anuncia que Jó retoma a palavra e a seguir ele faz a afirmação de que jamais faltaria com a justiça e a integridade moral, malgrado toda a amargura de sua alma, a qual Deus permitiu que por certo tempo pudessem, tanto Jó como seus amigos, pensarem que Ele, o Senhor, fosse o executor daquela trágica série duros infortúnios.

Nos versos 13 a 23 do capítulo 27 temos outra vez a inserção de palavras que destoam com a defesa que Jó vinha fazendo perante os seus amigos. Mais uma vez creem muitos que esse trecho teria sido uma intromissão que truncou o discurso de Jó, desta vez da autoria de Zofar, embora o texto hebraico não mencione o seu nome. Teria sido mais um lance de queda de braço entre Jó e seus amigos. Por acaso ou de propósito, Zofar não é anunciado que tenha proferido seu terceiro discurso, mas poderia ser o seu autor dentro destes versículos.

De qualquer maneira a autoria dessa prédica destaca mais uma vez que a sorte dos ímpios, os perversos, e de sua descendência está fadada a ser extinta, e as suas riquezas a serem empossadas pelos justos.

Como, pois, entender a justiça de Deus?

Jó a contestou veementemente, alegando sua inocência e que deve ter havido algum erro no uso da vara da disciplina de Deus, embora jamais se ufane de ser totalmente perfeito.

Os seus amigos atribuíram tais castigos penosos, que surgiram à sua vista, um desprender da ira divina, que não poupa os pecadores.

O fato é que Deus não tolera o pecado, e cada deslise de um pecador não deixa de receber a chegada de suas próprias consequências. A questão que resta, porém, é: Quando? Quando, pois, seria o tempo em que os pecadores receberiam o retorno por seus pecados?

A longanimidade divina se estende tanto aos bons quanto aos maus. O sol nasce para todos e as chuvas também (Mateus 5:44-45).

Quando os bons caem enfermos e penam duramente até serem recolhidos de seus leitos pela mão divina, pergunta-se: – Por quê?

Por outro lado, quando os maus vivem abastados e prósperos por longos dias e depois são também recolhidos sem grandes sofrimentos, pergunta-se: – E onde estaria a Justiça de Deus?

A resposta a essas perguntas não está claramente visível sobre a face da Terra, ao menos por ora, mas a Bíblia é patente em algumas afirmar que existe um Juízo Final, quando tudo haverá de ser revelado e julgado.

Não podemos nos apegar ao nosso relógio, quando cogitamos sobre esta área. Por mais sábios que sejam os homens, ninguém detém um cabedal de conhecimentos capaz de saber quando a Justiça Divina será exercida sobre todos, com o justo e completo rigor.

Os nossos olhos, porém, precisam deter-se mais demoradamente sobre quatro pontos cardeais da Suprema Justiça: duas ressurreições farão a divisão das águas no final, e dois objetos muito representativos lhe darão a senda e o acabamento que podem definir o nosso futuro final: a Cruz e o Livro da Vida.

A primeira ressurreição acontecerá quando Jesus vier sobre as nuvens para buscar os Seus, os vivos e os mortos de então. Estes irão encontrá-Lo no céu, e depois disso Cristo reinará por mil anos. Depois desse milênio, haverá uma segunda ressurreição, daqueles que estiverem no Hades (Apocalipse 20:11-15), quando os mortos dali serão julgados segundo as suas obras.

E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap. 20:15)

Quando falamos de Hades e do lago de fogo, as pessoas tremem. Ninguém sabe ao certo, com todos os detalhes, o que isto significa, mas entende-se muito bem que se trata, em linhas gerais, do horrível destino dos ímpios. Deveriam, então, pensar em como escapar de tal sorte – ou melhor, de tal azar.

Então aqui chegamos ao ponto chave, do interesse de todos, tanto justos como injustos: o que fazer para se obter de Deus o favor de ter o nome inscrito no Livro da Vida?

É aí que chegamos ao monte Calvário, ao pé da Cruz, onde Jesus foi crucificado. Ele morreu ali, o justo no lugar dos injustos, para que todo aquele que nEle cresse, tivesse a vida eterna – logo, estes teriam os seus nomes inscritos no Livro da Vida, o que significa: a vida eterna com Deus.

Muitos dirão na segunda ressurreição: – “Senhor, dá-me mais uma chance!” Quem, porém, não foi ressuscitado por ocasião da primeira ressurreição, estando morto, no caso, sofrerá o julgamento do Trono Branco, que avaliará as obras de cada um – mas agora temos que entender uma coisa: a salvação que Cristo dá não procede das nossas obras , mas sim, é um dom de Deus, OK?

Ninguém se glorie de ser salvo por meio de suas boas obras. As nossas justiças diante do Senhor têm a semelhança de trapos imundos. Ninguém será salvo pelas obras, mas sim, pela fé.

Ora, a fé é fruto do Espírito Santo. Em Hebreus capítulo 11 temos a exposição do autor do livro, mencionando uma galeria de heróis da fé, que lograram grandes feitos, porque a fé lhes abriu o caminho de suas vitórias.

Para exemplificar melhor, citamos o caso de Raabe, a mulher que em Jericó era uma prostituta. Ela creu em Deus, no Deus de Israel, e que sua cidade com toda certeza seria invadida e destruída debaixo do poder do Altíssimo, e, ao topar com os espias, fez uma aliança na qual ela os protegeria e os deixaria ir em paz, e eles a poupariam, a ela e sua família, da iminente destruição estava por vir. Qual foi a obra de Raabe? Sua vida a comprometia, mas ela recebeu a graça de crer no Senhor Deus Yaweh, e nEle colocou-se de corpo e alma, de Quem a poderia aceitá-la e dar-lhe uma nova vida.

E quanto ao ladrão da cruz? Semelhantemente, este não tinha boas obras para citar em seu favor, mas ao reconhecer seus pecados e que Jesus poderia salvá-lo da condenação final, pediu humildemente que o Senhor se lembrasse dele ao entrar no Seu reino. Naquele mesmo dia recebeu a resposta positiva no Paraíso de Deus.

A fé, porém, precisa ser operante. Não deve ser apenas uma convicção, mas algo que impele-nos a sermos diferentes, mais semelhantes Àquele que tem o poder de nos salvar. Jesus tem este poder, garantido pelo Seu sangue derramado em nosso lugar.

Crê isto, assim? Quem crer e for batizado será salvo.

Precisamos abrir os nossos corações inteiramente, o que nos leva ao arrependimento, para que a fé neles se abrigue, e seja uma âncora que se prende ao amor de Deus.

Eis aí a receita da vida eterna: creia no Senhor Jesus, e será salvo. Isto, na verdade, é um milagre, porque pecadores são assim transformados, mudados, e recebem o dom da vida eterna.

Eu era um pecador que se arrependeu, creu e continuo crendo no Senhor Jesus. Não posso e nem devo voltar atrás. Receba você também este mesmo dom, e um dia nos encontraremos com Jesus no Reino do Seu amor.

Até lá.


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