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NÚMEROS – XVII – RETOMANDO O CAMINHO DA CONQUISTA

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junio 4, 2014 by Bortolato

Peregrinação pelo Deserto

Estamos ansiando pelo momento em que haverá uma vitória há muito esperada.  Quando deverá chegar a “hora da virada”?   Não há nada que caia tão gostoso ao coração do que vermos bem próxima a nossa tão almejada conquista.  É quando esfregamos as mãos e um espírito de louvor e de obediência a Deus vai preenchendo nossas almas; até o nosso corpo se levanta, otimista, já exultante, chegando às raias da euforia, antecipando pela fé o gozo das bênçãos divinas que estão às portas.

Em Números 21:14-15, Israel, que passara pelos limites entre os territórios de Edom e de Moabe, no vale do rio Zerede, também chadado de Jaboque, caminha mais para o norte, e chega então aos limites de fronteiras entre Moabe e os amorreus, no Vale do rio Arnom.

O Senhor não lhes prometeu dar parte alguma das porções de terra que estavam ocupadas por descendentes de Esaú, Moabe e Amom (estes dois últimos eram filhos de Ló), mas quanto à  terra dos amorreus, os hebreus sentem que estão perto de seu prêmio divino.

Os amorreus eram descendentes de Cam (Gênesis 10:15-20) e o Senhor, já havia muito, estava desgostoso com estes, desde a época de Abraão (Gênesis 15:16) – e disso, os líderes de Israel já sabiam.

Israel, depois de quarenta anos vagueando pelo deserto, então já havia aprendido a agir de forma a não desagradar a Deus.

Mesmo em Obote (hebr. = odres), lugar desértico, em lá chegando, em vez de murmurarem como vinham fazendo até Cades, e fizeram em Mara e em Meribá, eles demonstraram fé, escavando um poço – e enquanto este era cavado, os israelitas alçaram um cântico, o “Cântico do Poço” (Números 21:17-18).

O Senhor dissera a Moisés que ali se ajuntassem, e eles creram, cantaram com fé, confiando nEle, e água se lhes brotou daquele chão.   A menção da abertura daquele poço com o cetro, com bordões dos nobres do povo, em muito se assemelha ao ato de Moisés ter de estender o seu cajado para saírem águas das rochas.

Rumaram, então, mais ao norte, e chegaram ao vale do Arnon,que faz divisa entre Moabe e os amorreus.

Moisés bem sabia que aquelas terras poderiam ser conquistadas como um adendo à Terra de Canaã, mesmo sendo ali do lado leste do rio Jordão.   À sua maneira, maneira do homem mais humilde de seu povo, limitou-se a enviar mensageiros ao rei Seom, cuja sede de governo se assentava em Hesbom.   Seu pedido foi apenas para concederem uma estrada para poderem passar.   Estavam a caminho de Canaã.

Os números do povo de Israel preocupariam e assustariam a qualquer nação vizinha, mas a tentativa de Moisés, com diplomacia pedindo apenas passagem por suas terras, era uma forma de revelar que o povo de Deus não foi arrogante e nem desafiador, pois estavam apenas buscando encontrar uma passagem para um território onde pudessem assentar-se pacificamente.  Seu alvo principal era a Canaã de além Jordão, mas as nações vizinhas não entenderam assim.  Os edomitas não o permitiram, mas não o atacaram, apenas ficando na retaguarda, vigiando suas fronteiras.   Israel então o ladeara, quase insinuando uma volta ao deserto, rumando depois na direção setentrional.   Esta deve ser a atitude correta dos servos de Deus: buscar a Deus, e evitar a guerra.   Aliás, toda a conquista da Terra Prometida não foi uma busca precipitada ou afoita em busca dos espaços.   Ao povo hebreu não lhes foi dada a liberdade de julgarem-se os “indestrutíveis”, ou os “intocáveis”, mas antes, deviam estar sempre em comunhão com Deus, para receberem dEle a direção antes de tomar quaisquer medidas.   Quando os israelitas se sentiram poderosos o suficiente par conquistar a cidade de Ai, por exemplo (Josué 7), tiveram que voltar-se aos pés de Javé, depois de um fracasso surpreendente e desapontador.  Também quando fizeram um pacto de não agressão, de boa vizinhança com os gibeonitas (Josué 9), não tiveram precaução e sabedoria suficientes para, antes disso, consultar a Deus – e depois tiveram de arcar com as consequências.

Chegou, então, a resposta de Seom, que se posicionou armado, em pé de guerra, pronto para destruir a Israel.   Seom, decerto, não acreditava que os israelitas passariam por suas terras como “bons meninos comportados”, e ousou ir-lhes ao seu encontro.   A malícia subiu ao coração do rei Seom e seus concidadãos, e tomaram o pedido de passagem como uma armadilha sutil, e um insulto à sua soberania, e uma tentativa de invasão “às boas maneiras”.

Como em Negueve, defrontando-se com o rei de Harede, os israelitas se viram diante de um povo irado, belicoso e assassino, disposto a praticar uma chacina e a beber o sangue de Israel.   O povo israelita, por sua vez, ainda um povo sem muita experiência em campos de batalha, mas munido de um espírito preparado para lutar, poderia temer, se não tivesse aquela fé, alimentada pelo seu Deus, durante quarenta anos, de que Ele lhes seria seu defensor.

É de impressionar notarmos que os amorreus de Hesbom entoavam um cântico de vitória, como que carregando um troféu, desdenhando aos seus inimigos, desde que tinham conquistado aquelas terras das mãos dos moabitas, anos antes.   Atribuíam a seus deuses o fato de terem obtido aquele feito, desbancando a honra e o poder do deus de Moabe – Quemós.   Seu ânimo estava em alta, eles estavam muito bem instalados em seu território, e não admitiriam quaisquer intrusos, principalmente em se falando de um bando de ex-escravos fugidos do Egito vindo para querer abalar-lhes o seu conforto em suas propriedades.   Fossem quem quer que fossem, e quaisquer que fossem os deuses do povo hebreu, Seom julgou juntamente com seu povo que, assim como os moabitas foram derrotados, desta vez nada seria diferente – mas errou em seus cálculos, pois o Deus de Israel era o Deus dos deuses, o Senhor dos senhores, o Todo Poderoso El-Shadday, Criador do Universo!  Aquele que abriu o Mar Vermelho, e derrotou ao exército de Faraó com a força de sua poderosa mão!

Dito e feito.   O confronto foi inevitável, os dois exércitos foram ao embate, mas a vitória foi dada àqueles que tinham a Jeová por seu Deus.   Estratégias, treinamento e organização militares foram apenas detalhes necessários para poderem posicionar-se melhor para o combate, mas não imprescindíveis para definir-lhes o triunfo.  De qualquer forma, os israelitas estavam ganhando experiência, debaixo da melhor das condições: com o Senhor ao seu lado.

Como desfecho deste incidente, o Deus de Israel novamente ajudou ao Seu povo, e venceu aos seus inimigos (Números 21:27-30), mas desta vez fê-lo usando as mãos armadas dos israelitas.

Esta se torna uma lição que o povo de Deus deveria aprender para sempre!   Nunca nos presumirmos superiores ou nos gloriarmos ao ponto de menosprezar aos inimigos, nem mesmo ao mais vil e pertinaz, Satanás.   Não devemos lançar-lhes o menosprezo, mas também não ignoramos que, a qualquer momento, poderemos ser obrigados a entrar em guerra, e desferir-lhes drásticos golpes de batalha.  Nossa batalha espiritual demanda, muitas vezes, jejuns, orações, cânticos de guerra, determinação e firmeza, combatividade total, até a expulsão das hostes do inferno – assim como para os israelitas significou viverem de batalha em batalha, até que a vida chegasse ao termo final, ou a vitória cabal – diligentes, disciplinados e preparados como soldados, prontos para o confronto, sem nenhum temor, pois, como disse um dia o apóstolo S. Paulo: “… se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31)

Foi assim que Israel encontrou o seu caminho para a vitória, e é assim também que o encontraremos, se andarmos fiéis na luz do Senhor, e seguindo sempre aquela separação e dedicação exclusiva a Ele, que também se pode chamar de santificação.

Devemos, outrossim, considerar que a ordem de Deus para a conquista da terra de Canaã pelos hebreus, expulsando outras nações, foi um caso à parte, único na história sagrada, que mais adiante, comentando os versos 33 a 35, tentaremos explicar as razões, para melhor esclarecermos.   Não se dê o caso, pois, de cobiçarmos o que a outrem pertence, pois isto é concupiscência, não raramente ligada em estreita relação com a inveja, pecados que precisam ser evitados.   O que Israel fez bem foi conquistar aquilo que Deus lhes deu como terra de suas conquistas – isto, sim, é o que podemos e devemos fazer, nos nosso dias, mas isentos da cobiça dos olhos.

Seguiram, pois, os israelitas, tendo conquistado todas as terras entre os rios Zerede e Arnom.   E isto foi apenas um começo.   Eles teriam que muito batalhar, ainda, para poderem melhor se assentarem na Terra que Deus lhes prometera.

Aí reside um segredo:  Deus nos promete coisas que nos parecem, às vezes, algo muito alto e sublime.   Quando entendemos que a promessa nos é dirigida individualmente a nós, ficamos como os que sonham.   Pensamos que o amor de Deus é muito grande mesmo, para nos preparar tamanha vitória, e não há dúvidas sobre isto.   O que não sabemos, por nossa própria natureza limitada, é o quanto teremos de lutar para lograrmos obter, na plenitude, a total extensão da promessa divina.   Pensamos, talvez, que não haverá dificuldades, já que Deus mesmo foi quem nos falou – mas isso não significa que poderemos então cruzar nossos braços, e comodamente só aguardar.

Certamente que há situações em que nada poderemos fazer, senão esperar, sendo esta espera até mesmo uma prova de fé.   A remissão dos nossos pecados, por exemplo, a salvação de Cristo, já nos foi dada e consumada quando Ele morreu na cruz.   Mas em outros casos, na maioria das vezes o que nos espera é uma série de lutas e chances para guerrearmos para vencermos.

Que saibamos discernir os momentos de nossas vidas, quando teremos que esperar quietos pela manifestação do braço forte e poderoso do Senhor Javé, e quando teremos de ir ao confronto, à batalha, armados pela armadura de Deus,  com coragem e destemor.


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