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QUEM É JESUS (Parte II)

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junio 26, 2012 by Bortolato


O Messias dos Judeus:
   O verbete “Mashiah” está no particípio, e significa “Ungido”.   Ora, o “Ungido de Yaweh” nos remete ao rito da unção real, como aconteceu em I Sam. 9:16 e 24:6.
   A unção do Senhor, porém, não se restringe só ao rei – havia uma unção para o sacerdote (Êx. 28:41), e também a unção do profeta que foi derramada sobre Eliseu.   Até mesmo Ciro, o persa, em Is. 45:1, foi chamado de “Ungido”.
   De um modo geral, desde o período monárquico, o rei tem caráter divino, e a expressão “Ungido de Yaweh” geralmente aponta pra o rei.
  Em II Sm. 7:12-16 Deus havia prometido a Davi que o seu reinado duraria para sempre.     A história de Israel, porém, parece uma desilusão que apaga a esperança como se fora uma mentira.
   Desde o Cativeiro babilônico (626 a. C) até o período dos Macabeus, esta esperança ficou abafada dentro dos corações dos judeus.   Depois, vieram os romanos que, no ano 70 D.C. literalmente destruíram Jerusalém, e os restantes do povo judeus fugiram em debandada geral, espalhando-se pelas diversas nações, por onde pudessem escapar.   De lá até 1947 d.C., os judeus nem sequer constituíam politicamente uma nação.
   Isso tudo não desfez a esperança escatológica no sentido de que não se perdeu, no meio dos judeus, a esperança de que haverá, ainda, uma realeza terrena, neste mundo, para trazer a salvação futura (Sl. 89:3-ss).
   Desde o exílio começou-se a projetar a esperança de um rei terreno, mas de forma definitiva (Jer. 30:8-9).  Em Ezequiel 37:21-28 também promete a Palavra de Deus que os reinos de Israel e de Judá, as duas nações juntas, serão unidos e o cetro de Davi reinará eternamente sobre elas.
   Zacarias 9:9-ss. Nos mostra que o rei de Israel viria a Jerusalém de forma pacífica, humilde, montado num jumentinho, não se utilizando de armas de guerra, proclamando a paz às nações, e dominando de mar a mar.
   Por outro lado, alguns Salmos, principalmente os imprecatórios, já nos revelam um Messias que, cingido com poder, aniquila os tiranos ímpios e purifica a Jerusalém da presença dos gentios, castigue os pecadores, reúna um povo santo ao qual governe com eqüidade.   Tal rei inauguraria uma época que já não se faz presente hoje, mas projeta-se para o futuro.   Assim, o Messias é um Rei escatológico por natureza.
   Resumo do caráter do Messias:
1. Ele cumpre sua missão em um plano puramente terreno.
2. Ele inaugura o fim do nosso tempo, e dá início a um outro período da história.
3. Ele é o rei político de Israel, seja seu caráter pacífico ou guerreiro.
4. Ele é da casa de Davi, e porisso também leva o título de “Filho de Davi”.
O Segredo Messiânico:
   Temos de considerar, contudo, que, quando Pedro disse: – “Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo”, Jesus começou a lhes falar que Ele mesmo teria que passar por muitos sofrimentos, morrer e depois ressuscitar.
   A reação de Pedro mostra como divergia a esperança do seu coração e o que Jesus realmente faria como Messias.
   O diabo, já desde o seu batismo, queria que Jesus aceitasse ser um Messias, rei de toda a terra, à sua maneira, frise-se bem.
   Logo após o seu batismo, Satanás ataca na tentação do deserto.  Jesus estava, já, convicto de sua posição de Servo do Senhor, Ebed Yaweh, e de seus sofrimentos, e é contra isso que o diabo se lança prontamente – por compreender que a realização desta missão por Jesus, isto significaria o fim do seu próprio reinado.
    Ao mesmo tempo, o inimigo já sabe de sua outra faceta, a de Messias-Rei político (o inimigo também conhece as profecias das Escrituras) – e se Jesus aceitasse esse cargo NAQUELE MOMENTO, então o Filho de Deus seria feito um servo obediente ao reino das trevas.
   A tentação de Jesus, no final, foi também uma tentativa de Satanás de fazer Jesus passar para o seu lado – e com uma oferta tentadora, jamais dada a qualquer rei deste mundo.
   A oferta que Satanás faz, por incrível que pareça, é exatamente aquilo que o judaísmo oficial esperava do Messias!
   Mais interessante ainda é notar que Jesus poderia, ainda, ser alguém que curasse enfermos, multiplicasse pães e peixes, exercesse poder sobrenatural sobre a terra, mas não poderia ser o nosso Salvador que é hoje, muito embora possuísse poder e autoridade (debaixo do poder de Satanás).
   Essa tentação era muito particular para Jesus, pois que ele sabia que Ele haveria, um dia, de reinar, de governar sobre o seu povo – e Satanás estava lhe oferecendo essa coroa, desde que se desviasse do caminho da cruz!
   A reação de Jesus diante dos discípulos, quando da repreensão de Pedro (Mc. 8:33) foi bastante severa: – “Para trás de mim, Satanás!” Pois Ele em conhecia o “sonho secreto” que agitava os corações dos seus discípulos: – a esperança de vê-lo assumir a função gloriosa de um Messias político.
   Os discípulos viviam dias de grande expectativa, e Jesus acabara de dizer que a revelação messiânica dada a Pedro, foi dada pelo Espírito Santo de Deus.  Isto era admitir ser o Messias – e seus feitos maravilhosos o confirmavam assim.  Que mais faltava para que Jesus fosse coroado Rei de Israel?  Seus corações saltitavam dessa esperança.  Para eles, fazer parte dos amigos íntimos do Rei poderoso, o Messias, era algo muito excitante, que fazia a pressão sangüínea se elevar pela tremenda ilusão que aquela idéia lhes produzia (Vd. O pedido dos filhos de Zebedeu quanto aos lugares de honra no reino futuro – Mc. 10:37).
   Quando viram a Jesus sendo humilhado e maltratado por mãos de ímpios, gentios, puseram-se em fuga, mostrando que não só eram débeis humanamente, mas também que se desiludiram ao ver que Jesus não correspondia, daquela maneira, com a imagem judaica do Messias Rei.
   Jesus, assim, olhava com reservas aquela idéia de “ser o Messias dos Judeus”.  Mais do que isto, via-a como idéia diabólica, tentativa do diabo de distorcer os planos do Pai para a sua vida.
   Ele nunca recusou o título de Messias, fique bem claro isto, mas trabalhou no sentido de aperfeiçoar aquela esperança que fervia o peito de cada judeu, rejeitando as distorções que o inimigo havia plantado nas suas mentes.
   Ele aceitava, contudo, ser aquela pessoa assim intitulada.   Ele de fato e de direito é o Messias!  Nunca o negou!   E quando reservadamente inquirido, o confirmou!   Conservava-o em segredo perante o público – para não evitar a cruz – mas sempre foi, é e será o Messias!  O Rei de Israel!
   O problema estava na maneira que Deus usou e usará para fazê-lo Rei.   Assim, Ele nunca se autoproclamou Messias.   Preferia o título “Filho do Homem”, que inclui a esperança escatológica e exclui as idéias nacionalistas dos judeus.
O Filho de Davi:-
   Qualifica este título o Messias, através de sua origem, sua genealogia.
   Não temos, nas genealogias de Mateus 1 e de Lucas 3 os mesmos nomes, e alguns dizem que a de Mateus 1 contou a genealogia de José e a de Lucas 3 considerou a ascendência de Maria (teoria de Annius de Viterbe, c. 1490 d.C.) – e assim, Jesus seria descendente de Davi por ambos os lados, mas esta é uma tese de difícil comprovação, e porisso não vamos nos aprofundar neste campo.
   O importante é que Jesus mesmo se autodesignou como o “Filho de Davi” (Mc. 12:35-ss), citando as palavras do Salmo 110.    O certo é que o Messias, a quem Davi chama de “meu Senhor”, é maior do que o rei Davi.  Logo, Cristo deve sua origem, não a homens, mas a Deus.
   Para maior clareza, passemos a analisar o trecho de Mc. 12:35-37: –
“Ensinando no templo, Jesus perguntou: – Como os mestres da Lei dizem que o Cristo (o Messias) é o filho de Davi? O próprio Davi, falando pelo Espírito Santo, disse”:
  Disse o Senhor ao meu Senhor: – Assenta-te à minha direita até que ponha os teus inimigos debaixo de teus pés.
    O próprio Davi o chama Senhor.   Como pode, então, ser ele seu filho?”“.
   Embora pareça, à primeira vista, que Jesus estaria, aqui, negando sua origem davídica, este tipo de enfoque, na verdade, estaria indo contra o que os apóstolos, inclusive Mateus, acreditavam (Mat. 1:1).   Jesus não negou seu parentesco segundo a carne, com sua família.   O fato, porém, é que Mc. 3:31-ss. nos mostra que Ele dava maior importância em pertencermos à sua família, não pelos laços da carne, mas pelos laços espirituais.
   Mais uma vez, então, vemos que Ele, Jesus, não recusou diretamente o título de “Filho de Davi”, porém recusou-se a aceitar a conotação de realeza política embutida nesse título.  Veja-se como Jesus não repreendeu o cego de Jericó, que bradava em alta voz esse seu título: – “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
Quanto à sua realeza, Ele mesmo respondeu a Pilatos: – “ O meu reino não é deste mundo – se fosse, meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem, mas agora o meu reino não é daqui”.  (João 18:36)
CONCLUSÃO:
   Nenhum dos títulos que Jesus recebeu se impôs ao ponto de permanecer ligado para sempre ao nome dEle, como aconteceu com o título de “Messias”.
   Devido ao caráter do ministério que Ele, Cristo, desenvolveu na terra, esta associação ao nome de Jesus, afinal, comprova mais uma vitória dos planos de Deus: – o título de Messias ficou despojado de sua característica nacionalista e política.
   Após a sua morte e ressurreição, então se viu mais claramente quem realmente era Jesus, e daí para a frente a igreja não teve mais receios de proclamar que Ele é o Messias, transformando o sentido da idéia para o conceito cristão, à luz do cumprimento das profecias, da seguinte forma:
1º) Jesus apareceu na terra como o Filho de Davi;
2º) Ele vive, e é o Rei sobre os seus fiéis hoje;
3º) Ele virá como o Messias no fim dos tempos.
O FILHO DO HOMEM:
Este é o único título que Jesus usou para denominar-se a si mesmo.  Os demais títulos eram admitidos tácita ou silenciosamente.    Algumas vezes se vê nos evangelhos Sinóticos, mais que em qualquer outro livro da Bíblia.
   Cremos que até intencionalmente Jesus trocava o termo “Messias” pelo “Filho do Homem”, conforme já temos visto do título anterior.
No Judaísmo:
   Ao mencionar-se como “Filho do Homem”, Jesus evoca uma certa idéia que esse título carregava no meio do povo judeu.
   Tratava-se de um conceito difundido em outras religiões, que Jesus adotou como características diferentes.
   Apesar da origem ser estrangeira, a época em que Jesus viveu foi tal que a cultura judaica  vivia “bombardeada” de influências externas.   Basta ver que a Galiléia era chamada  “Galiléia dos Gentios” (Mt. 3:15), e assim, produziu-se, em terras judaicas, certo contato com a figura de um “homem celeste”, um paralelo semelhante ao filho do homem dos pagãos.
   O título “Filho do Homem” era, pois, conhecido no mundo grego (=tou uiou theou), nas línguas hebraica (=bar Adam) e aramaica (=barnascha).
   Cremos que Jesus foi buscar este termo dentro da literatura judaica, segundo a qual o “Filho do Homem” apontava para um salvador escatológico, um mediador especial que estaria por aparecer n final dos tempos.
   Em Daniel 7:13 já vemos esta expressão “Filho do Homem” vindo das nuvens do céu, alguém que se dirigiu ao Ancião de Dias, e foi conduzido à Sua Presença, foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino; todos os povos, nações e de todas as línguas o serviram; o seu domínio é eterno, e o seu reino não será jamais destruído.    Este Filho do Homem aqui, pois, seria alguém que representaria o povo judeu.   Este personagem seria visto também na literatura dos livros apócrifos de Enoque, 4º Esdras, e outros, onde, no fim dos tempos viria um ser celestial sobrenatural, um soberano celestial e não um rei deste mundo, o que difere de um Messias político que venha para destruir os inimigos de Israel em guerra terrena, para estabelecer um reino terreno.
   Dessa forma, o Filho do Homem, sob a forma de um ser celestial que permanecia oculta aos judeus da época de Jesus, apareceria no final dos tempos, sobre as nuvens, com o objetivo de julgar o mundo e realizar os sonhos do povo santo.
   Em Marcos 2:27-28, Jesus admite ser o Senhor sobre o sábado, a ponto de ter autoridade para liberar seus discípulos para colher espigas num shabbatt.
   Outras passagens em que Jesus aplica o título de “Filho do Homem” a si mesmo: Mt. 12:31, 33;  Lc. 12:10, etc.
Há, porém, dois sentidos nos quais Jesus assume ser o “Filho do Homem” :
1. reportando-se à sua obra escatológica a ser realizada no futuro (Mt. 24:27-30, 37:  Mc.16:13).
2. referindo-se à sua missão terrena (Lc.17:22;  Mt. 16:13)
   Por ocasião do Advento – a 2a. vinda do Filho do Homem, sua função essencial será, antes de tudo, a de Juiz (Mt. 25:31-46).  Ele é quem vai pronunciar a “separação de ovelhas dos bodes”.
   Em Mc. 8:38, porém, vemo-Lo exercendo o papel de Testemunha contra aqueles que dEle se envergonharam.
  Ele surgiu como homem entre homens, e porisso mesmo assumiu a função de Servo do Senhor (Ebed Yaweh) e é, ao mesmo tempo, o Filho do Homem que há de julgar o mundo.
   Sabemos, ademais, que a obra do juízo está estreitamente ligada à obra expiatória do Servo de Deus (Rm. 8:1).
   Quanto à obra terrena do Filho do Homem, Jesus, esta foi uma adaptação à revelação de Dan. 7:13, onde se vê a vinda dEle.    Ocorre que Jesus, alterando um pouco o conceito judaico do termo, Ele aplicava o aspecto escatológico já para os seus dias nesta terra, porque, na sua concepção, a sua 1a. vinda já significava o começo do fim dos tempos (Mt. 11:4-6), ainda que não tenha descido das nuvens do céu para a terra.
   Este título também expressa a humilhação, relacionando assim o termo com o título do Servo do Senhor (Ibdt Yaweh) Mc. 10:45; 8:31, associando-se assim ao seu sofrimento e morte.   Ambos os títulos já eram conhecidos no judaísmo, mas Jesus uniu ambos, referindo-se, em ambos, à sua pessoa, muito embora fosse humanamente impossível que pudessem compreender antes de sua vida de morte que ambos os títulos apontavam para uma e a mesma pessoa.
   Certamente que a sua preferência por autocognominar-se de “Filho do Homem” foi para escapar da idéia judaica de “Messias”, para unir ao “homem celestial”, e a sua paixão pelas almas conduzirem-no ao suplício da cruz.   Era isto o que Ele queria por em relevo – a sua humilhação.   O título “Filho do Homem” é o mesmo que intitulá-lo de simplesmente “Homem”, e, portanto contrasta com sua natureza divina, e isto se confirma em Mt. 8:20: –
– “ As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a sua cabeça.”
O  sentido etimológico de “homem” por oposição a Deus, não pôde ser totalmente suplantado pelo sentido de “ser celestial”, porque significa, antes de tudo, humanidade, e não divindade, apesar das tradições judaicas enaltecerem tal personalidade.  Não podemos ignorar que as passagens do A.T., particularmente dos Salmos, a expressão “bem Adam” (filho do homem) indica debilidade, e a precariedade do homem perante o poder de Deus.
Filipenses 2:5-11:
Neste trecho, Paulo nos mostra Jesus como:
a) o Filho do Homem;
b) Servo de Deus
c) Senhor (Kyrios)
Este texto é muito rico, pois:
   Primeiramente, se vê que Jesus se despojou.
   Fp. 2:6 nos diz que Ele, sendo (em forma de) Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devesse se apegar (NVI).    A New International Version traduz os termos sublinhados por “na verdadeira natureza de Deus”.
   A tradução da linguagem de hoje reza:
   “Ele sempre teve a mesma natureza de Deus”.
   Cremos que muito nos ajuda a tradução de J.F.Almeida, Ed. Revista e Corrigida:
“O qual, subsistindo em forma(gr.: MORFÊ) de Deus, não considerou ser igual a Deus, coisa a que deva se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”
   A “forma de Deus” era a forma da sua existência, antes de vir a assumir uma forma de homem.  Tal é a sua forma, sua aparência (e também a sua essência),   e assim, Jesus é o Filho do Homem – o ser celestial, preexistente, que é Deus, a pura imagem de Deus.
   Vemos aí um paralelo de contrastes:  Ele é Deus, mas também é homem, porque assim Ele se fez, igual a um de nós.
   Conveniente notar a frase:  – “não julgou como usurpação (não considerou) ser igual a Deus”.  Para compreendermos bem esta passagem, pensemos na promessa da serpente no Éden: –
– “Assim que comerdes sereis como Deus” (Gn.3:5).
   Adão, tentado pelo diabo, quis ser como Deus – este foi o seu pecado, e foi assim que ele perdeu aquilo que de mais precioso possuía:  a sua semelhança com Deus!
   O Homem celestial, por outro lado, não quis “raptar”, ou arrebatar esta condição que foi antes cobiçada pelo primeiro homem.   O Homem celestial permaneceu firme no seu propósito, fiel à vocação de imagem de Deus.
   O fato de ser ter “despojado” era assumir a condição humana no ponto em que Adão a deixou: – decaída da semelhança de Deus.
   O texto estupendo de Filipenses 2:6-11 trata também da condição de Servo e de Homem.   Diríamos que, para que pudesse ser o Servo (Ebed Yaweh), Ele teve que se fazer, primeiramente, homem.
   Assim, vemos Jesus, o Ser celestial,reunindo sua natureza celeste com a forma humana, abraçando “como uma luva” o conceito de Filho do Homem.
   Mais adiante comentaremos também o título de Senhor, que também se vê nesta passagem:
“ Todo joelho se dobre, … e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”  (Fp 2:10-11).
TÍTULOS REFERENTES À OBRA PRESENTE DE JESUS
JESUS, O SENHOR
   Jesus, após ter sido  elevado à presença de Deus e de interceder agualmente pelos homens, voltou a receber a Sua Glória.
  O título dado, Hó Kyrios, foi pelos primeiros cristãos, pra significar que Ele não pertencia somente ao passado da história da salvação, e nem era só objeto de esperança futura, mas também vivendo o presente.
   Os crentes hoje podem, porisso, invoca-lo, clamar por Ele, adora-lo, para que Ele, vivo como está, prossiga a Sua obra.   O Senhor Jesus Cristo, outra vez agora com toda a sua glória, continua agindo e intervindo pelos seus nesta terra.
   Mas o que significa o título Kyrios ?
   Primeiramente, este termo foi usado no mundo helenista, não somente para designar crenças religiosas, mas também para o uso geral:  – “dono”,  “proprietário”, ou ainda um uso corrente, como simplesmente se diz “senhor” hoje em nossa língua.
   Nas religiões helenistas orientais do Império Romano, a palavra Kyrios é empregada como sinônimo de “Deus”.  Certamente que existia muitos “senhores” naquela época, mas no mundo helenístico, quando se dizia “o” Kyrios, dizia-se sempre de uma divindade.
   Ao ser espalhado para além das fronteiras do mundo judaico, o cristianismo primitivo teve que se deparar e confrontar com a existência de culto a diversos “kyrioi” (senhores).  Os pagãos os cultuavam à dúzias, mas Paulo mesmo dizia, em I Cor. 8:5-6, desses outrora chamados “deuses” e “senhores”, mas há um só Deus Pai e um só Senhor, Jesus Cristo.
   Um fator importante ocorreu durante a exixstência do Império Romano: – exigia-se o reconhecimento da soberania do Imperador.   A princípio, o título imperial de Kyrios tinha um sentido político e jurídico.
   No Oriente, muito antes da época romana, os soberanos eram honrados como deuses.   Recebiam cultos religiosos, porque lhes eram tributados ascendência e natureza divinas.
   No meio romano, essa influência oriental foi, com o tempo, sendo bem recebida, e começou-se a adorar somente aos imperadores mortos.   Com o tempo, os imperadores vivos perceberam que poderiam tirar proveito disso, para obterem maiaor unidade no império, e mais fidelidade de seus súditos, e porisso foi feito todo um esforço o sentido de que os imperadores vivos também fossem adorados, e cultuados (eram até intitulados de “divino César”).
   Logo, pois, os imperadores romanos passaram a ser chamados de “kyrios”, para significar:
a) poder político de um lado;
b) honras devidas a um deus.
Não somente cristãos, mas também os pagãos atribuíam ao termo o sentido religioso e absoluto.
   Este fato foi a causa de muitos martírios que, tanto judeus como cristãos, tiveram que sofrer durante a duração do poder romano.
No Judaísmo:
   O título grego Kyrios era traduzido por “Adonai”, no hebraico, e por “Adon”, no aramaico.
   Assim, pois, foram traduzidas as palavras “Adonai” e “Yaweh”(O tetragrama sagrado JHVH) pelos autores da tradução grega Septuaginta (LXX) do Antigo Testamento, como “Kyrios”.
   É sempre bom lembrar que o tetragrama sagrado não era lido em voz alta, por ocasião das leituras audíveis, pois no seu lugar, os judeus liam “Adonai”, em reverência ao nome do Santo Senhor.  Leve-se isto em conta, que os tradutores da LXX escolheram a palavra  “Kyrios” para fazer a versão para o grego desse tetragrama sagrado.   Isto nos revela o quanto o termo grego passou a carregar em termos de conotação religiosa de reverência, temor, veneração e adoração.
No Cristianismo da Igreja Primitiva:
   Temos de admitir que somente após a morte e ressurreição de Jesus é que a Expressão “Senhor Jesus” passou a receber o seu sentido pleno.
   Depois da Sua glorificação, Jesus passou a ser pregado como Ele mesmo tinha determinado aos seus discípulos:
“O que Eu vos digo às ocultas, proclamai-o sobre os telhados”.
   Foi assim que Pedro, no dia de Pentecostes, alçou a voz para falar que Deus fez de Jesus “Senhor e Cristo” (At.2:36), e que graças à sua obediência que Ele foi “mais do que elevado”, e nas palavras de Paulo, “Deus lhe deu este nome, nome de Kyrios, que está acima de todo nome” (Fp. 2:9).
   Muito poucas foram as vezes em que Jesus aplicou este título a si mesmo, na Bíblia, mas vemo-lo em:
a) Marcos 11:3 – “dizei-lhe: o Senhor precisa dele (do jumentinho)”.
b) Mateus 7:21 – “os que ME dizem: – Senhor, Senhor!”
   O fato é que os primeiros discípulos de Cristo esperavam então, após aquela Páscoa cruciante, que Ele, o Filho do Homem futuro iria voltar em breve para junto deles, mas a ressurreição de Cristo já havia inaugurado o fim dos tempos.   Se Jesus já ressuscitou dentre os mortos, a morte já está vencida;  a passagem do “século presente” para o “século vindouro” já é uma realidade.
   Ele não era somente o Filho do Homem que havia de vir, mas o Soberano Senhor (At.2:36; Rm. 1:3-5) que está presente.
   Nos seus cultos, onde ser partia o pão “com alegria” (At.2:46), a presença de Cristo era vivenciada, vez após vez, repetidamente sem fim, uma realidade.   As “ceias de aparição” devem levar a comunidade a experimentar repetidamente a presença do Senhor, mesmo que não sejam, então, de maneira tão palpável e direta como foi manifesta durante aqueles 40 dias após a ressurreição.
   Daí a necessidade da igreja viver em comunhão com o Ressuscitado.   O fato é que Ele não é apenas um Rabbi judaico.   O fato é que, quando Ele nos liberta do mundo, do pecado e do mal, compra-nos com o seu sangue (que é a Sua própria vida, afinal!), muda completamente o rumo de nossas vidas, já não temos controle dos planos para nós, porque o poder controlador de nossos passos está em suas mãos, é porque Ele se tornou o nosso Senhor, e o senhorio sobre nós já escapou das nossas mãos.
   A oração “Maranatha” antiga, escrita originalmente em aramaico, significava, para aqueles que o pronunciavam, ao mesmo tempo:
• Senhor, vem a nós no fim dos tempos estabelecer o teu reino!
• Vem agora, já, enquanto estamos reunidos para a ceia!
   O Cristo é Senhor da nossa pequena comunidade, que representa o seu Corpo na terra e é a partir daí que exerce a sua soberania sobre o mundo inteiro.   A igreja aparece, pois, como o centro da soberania universal de Cristo.
   Dentre os documentos da época da igreja primitiva existe uma carta do Governador Plínio para o imperador Trajano, onde lemos sobre alguns procedimentos levados a efeito contra os cristãos.   Os cristãos seriam obrigados a confessar:  – “Kyrios Kaisar” (César é Senhor!) e oferecer um sacrifício à estátua do imperador.    Como se não bastasse isso, os cristãos acusados deviam, além disso (como se isso fosse pouca coisa), ainda maldizer a Cristo, no início do II século D.C.
   Já nos dias de Paulo, os judeus acusaram-no e a seus companheiros de participar de atos contra os editos de César “dizendo que existe um outro rei, Jesus! (At. 17:7).
   No “Martírio de Policarpo” (8:2), um funcionário romano diz a Policarpo: – “Que há de mal em dizer que César é o Senhor, e fazer o que a respeito está prescrito (amaldiçoar a Jesus)”?
Observação: Policarpo foi um dos principais discípulos feitos por João, o apóstolo, chegando a ser o bispo de Esmirna, Ásia Menor, durante o seu ministério.
   O Estado Romano não podia entender por que os cristãos preferiam morrer a ceder neste ponto.   Acontece que a confissão “Cristo é o Senhor” (Kyrios) perderia o seu valor e o seu sentido, se houvesse ao seu lado um outro Kyrios.   Em Apoc. 17:14, João escreve que o Cordeiro é Senhor dos senhores, e Rei dos reis.  Isto é uma afirmação muito forte que significa:  – Jesus é o Senhor (Kyrios), e não o imperador!
   Temos de ressaltar, contudo, que, além do Senhorio de Cristo já se estender sobre os nossos corações, Ele também o estende à Sua igreja.    A sua igreja é, pois, o Corpo de Cristo nesta terra, no período que vai se desenrolando desde que Ele mesmo declarou:
“Todo poder me foi dado nos céus e na terra.  Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo…”  (Mateus 28:18-19)
   A experiência da presença de Cristo que os primeiros cristãos tinham em seu culto testificava muito bem claro que Ele, vencedor sobre a morte, sobre o pecado, sobre o mundo e sobre o reino das trevas, que com seu sangue comprou-nos para Deus, Ele tem toda a autoridade para ser reconhecido, respeitado, honrado e adorado como o Senhor sobre o seu povo.   Ele se tornou referencial, a “bússola” que orienta e dirige os passos da sua igreja.
   A Sua soberania, entretanto, não se restringe apenas no âmbito de seu povo, a comunidade dos seus discípulos.      Os primeiros cristãos eram unânimes em confessar sem cessar que Ele é também o Senhor do mundo.
   O Reino de Deus na terra ainda virá na sua forma final visível, mas quanto ao senhorio de Cristo, este já foi iniciado.   Deus já nos tem transportado para o reino do Filho do seu amor. (Colos. 1:13).
   É certo, porém, que esse reinado de Cristo aconteça até que Ele tenha destruído todo domínio, autoridade e poder, “pois é necessário que Ele reine até que todos os seus inimigos sejam colocados debaixo de seus pés”.
   Logo, estamos vivendo no tempo em que o senhorio de Cristo é exercido de maneira particular sobre a sua igreja, diferente da forma com que o restante do mundo lhe está sujeito.   Na verdade, a igreja, o Corpo vivo de Cristo, está submetida, ou melhor, submissa (enquanto igreja fiel) à Cabeça, que é Ele mesmo.
   A igreja de Jesus Cristo na terra está consciente de que este senhorio existe e é operante – mas o restante do mundo ainda não o reconhece.
   Romanos 13:1-2 nos diz que até mesmo os poderes políticos deste mundo seriam membros do senhorio de Cristo, de um modo muito indireto (pois não conheceu o papel que lhes é dado, fazendo parte da estrutura que compõe o senhorio de Cristo) – e com isto, até um Estado pagão pode desempenhar a sua função dentro deste senhorio, sem saber que faz parte dele.
   Porisso, a resistência dos cristãos ao Estado não pode se justificar só pelo fato de ser Estado pagão, como foi o de Roma (I Tim. 2:2).   A resistência ao Estado se justifica somente quando este, distorcendo o papel que Deus lhe deu para exercer, tenta ultrapassar os limites que o Senhor lhe traçou (como por exemplo, quando um imperador se deifica).
   Temos que considerar também o que foi dito por Tomé, que antes duvidara, mas quando percebeu que o fizera por falta de confiança nas palavras e no poder de Cristo, ajoelhou-se e, num gesto de súdito do Reino de Deus, confessou: –  “Senhor meu e Deus meu!”    As palavras de Jesus: – “Bem-aventurados os que não viram e creram!” é uma exortação para os futuros leitores da Bíblia a crerem:  Jesus Cristo é o Senhor!
Conclusão:
   Vemos, pois, que a importância do título Kyrios é enorme e ocupou uma posição estratégica, para o posicionamento da igreja primitiva.
   Diferentemente do “Filho do Homem” ou do “Servo do Senhor” (Ebed Yaweh), o Kyrios se reporta à Obra presente (e em parte também à futura) de Jesus, apontando para a fé na sua ressurreição.
   Assim, este título pressupõe a certeza da ressurreição do Senhor e a convicção de que a Sua Obra salvadora não ficou interrompida entre a ressurreição e a Sua próxima vinda que está para se manifestar.
   Aliás, é sempre oportuno frisar – a função salvadora de Jesus jamais se separa da essência de Sua Pessoa.   Ele, Jesus, é Deus, além de ser o Senhor.   Em Hebreus 1:10 o autor bíblico fala de Jesus, citando o Salmo 102:25-ss:
“No princípio, Senhor (Kyrios), firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos”.
E assim, Jesus é o Criador dos céus e da terra.
   Os primeiros cristãos, sem rodeios, depois da morte de Jesus, transferiram-lhe aquilo que o A.T. fala a respeito de Deus.
   A atribuição a Jesus do título Kyrios tem outra conseqüência: – todos os títulos dados a Deus, podiam, a partir da Sua ressurreição, ser atribuídos a Jesus, com exceção do nome de “Pai”.
   Um “nome que é sobre todo nome”, isto significa conferir-lhe os mesmos nomes de Deus:  Senhor–Kyrios, Adonai–Kyrios.
   Trataremos mais adiante a questão da divindade de Cristo, mas até agora se percebe que o título “Senhor” está mito próximo e intimamente ligado ao título “Deus”.
*   *   *   *
JESUS, O SALVADOR
   No A.T., mais preponderantemente nos Salmos e no livro do profeta Isaías, Deus é chamado de “Salvador”.    Outros livros também o confessam, com menor freqüência.
   No Pentateuco, Moisés, e no livro de Juízes, Otoniel e Eúde (Jz. 3:9, 15) também são chamados de salvadores, e por conseguinte, o Messias também é tido pelo “Salvador que virá”.
   No A.T., os salvadores certamente que eram pessoas que traziam uma libertação político-militar, devido às situações transitórias de opressão que por vezes sobrevinham ao povo, da parte de algum povo vizinho.
   Interessante e digno de se frisar é que, no mundo helenístico, havia também alguns tipos de salvadores:
– um certo Asclépio, no mundo grego, é chamado de salvador, por trazer cura à enfermidade.
– A divindade que salva do poder da morte.
– A divindade que conferia imortalidade aos homens.
– Ainda existe o emprego mais comum ao título “Salvador”, que se refere ao soberano divinizado, o que representaria, nos cultos ao imperador, uma variante do título Kyrios.
      A atribuição do título de Salvador a Jesus, pois, vem a se sobrepor a este conceito helênico que visualizava o seu possuidor como um portador da provisão divina.
   Certamente que os cristãos primitivos tomaram estes conceitos para si, quando desejavam se referir a Jesus, em seus diálogos de evangelismo junto aos gentios.
   Vemos, no entanto, que a antiga idéia de “Deus Salvador” do A.T. se aperfeiçoa em Cristo, que também satisfaz e preenche com vantagens as mais profundas aspirações que os gentios tinham por um grande Salvador, expurgadas as imperfeições pagãs.
   No final das contas, porém, quase em todas as passagens em que Jesus é chamado “Salvador”, os temas são exclusivamente cristãos.
• Tito e Timóteo são concordes em apresentar a Deus como Salvador (I Tm.1:1; 2:3; 4:10; Tt 1:3; 2:10; 3:4).
• Lucas também assim (Lc. 2:11).
• Judas usa a mesma fórmula: Deus é nosso salvador por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.
• Mateus explica que Jesus nos salvará dos nosso pecados (1:21) e Timóteo complementa: do pecado e da morte! (II Tm. 1:10).
• João  o chama de “Salvador do mundo” (João 4:42 e I Jô. 4:14).
Convém notar ainda que, se este título se agregasse ao nome de Jesus, isto envolveria algumas dificuldades, pois que o seu próprio nome já possuía o significado de Salvador.   Assim, se aplicado este título, teríamos que repeti-lo.   Seria como que passar a chamá-lo de “Salvador Salvador”, ou Ioschua Ioschua (Heb).   E se aplicássemos a expressão Sotér Sotér (gr.), isto poderia dar um sentido indesejável ao termo pagão (aplicado duplamente a um judeu!!!) no sentido de “Salvador”.    Daí, teria havido muita confusão sobre os momentos em que o chamavam pelo Seu Nome, com os momentos em que lhe estariam atribuindo o título.
   Na era apostólica, porém, esse título foi associado com outros atributos de Jesus, tomando-se as primeiras letras da palavra “peixe” (em gr., Ichthys) – para glorifica-lo, deixando insinuada uma proclamação:  Jesus Cristo é o Filho de Deus e Salvador!

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