QUEM É JESUS? (Parte III)

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julio 21, 2012 by Bortolato

TÍTULOS QUE DENUNCIAM A PREEXISTÊNCIA DE JESUS:

 

     A divindade dos títulos que se aplicam a Jesus é algo que serve para enriquecer o nosso conceito a respeito da sua pessoa.

 

Vimos que o título «Kyrios» (traduzido do grego por: Senhor) pode ser estendido  retroativamente até a obra da Criação (I Cor. 8:6 e Heb. 1:10-ss), mas o seu enfoque principal fica atido à obra presente que Ele realiza nesta terra.

 

 

JESUS, O LOGOS:

 

 

Este título é de suma importância para se conhecer algo mais sobre Cristo.

Marcos começa o seu evangelho apresentando o seguinte prólogo: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.

Ora, este prólogo introduz-nos ao início da história de Jesus desde o momento em que apareceu João Batista batizando junto ao rio Jordão.    Não porque Marcos estava querendo dizer que a vida de Cristo começou ali, mas sim, porque o seu ministério teria tido início às margens do rio Jordão, sendo batizado pelo Batista.

João, porém, já valorizou a pré-existência de Cristo.   Desejando melhor comunicar Quem é Jesus, ele aproveitou o ensejo, e começou escrevendo:

“No princípio era o Logos (a Palavra / o Verbo)… todas as coisas foram feitas por Ele…”.

 

Repare-se bem que semelhança vemos com Gn. 1:1:

“No princípio criou Deus os céus e a terra”.

 

João está escrevendo um novo Gênesis que nos apresenta à luz do início de uma nova Revelação.   Ele, porém, faz uso de um termo, o Logos, uma idéia pré-cristã que era corrente na época, porque via em Jesus a realização, o cumprimento do que significava essa palavra.

 

 

 

O LOGOS NO MUNDO GREGO:

 

   Muito conhecido no meio helenista, era o chamado “Logos”.
   Na filosofia grega de Heráclito, e também dos estóicos e platonistas, era apenas uma lei suprema do mundo, que rege o universo, e também está presente na razão humana.   Trata-se de um conceito abstrato, e não de uma Pessoa.  Na filosofia grega, pois, era inconcebível que se dissesse: – “O Logos se fez carne”.
   Certamente que o Evangelho de João não extraiu do universo de idéias populares das quais se derivou um conceito cristão, mas submeteu todas essas concepções à inspiração divina que se apoiava unicamente na revelação de Deus em Cristo.    Quaisquer influências externas foram totalmente reformadas, para dar lugar a um novo Logos, o qual se impôs sobre o mundo gentílico, pela força da graça e do poder de Deus por meio de Jesus de Nazaré!

 

 

NO JUDAÍSMO:

 

Temos duas idéias distintas:

1)    Ele é uma pessoa, um mediador, segundo a tradição hebraica (Targum).

2)    Em Gênesis 1, o Verbo de Deus era entendido, às vezes, como uma pessoa divina.

No Antigo Testamento há uma vasta gama de citações da “Palavra de Deus” que, se não é personificada, podemos entender como uma entidade independente, com grande poder de ação entre os homens.

Notamos, primeiramente, em Gênesis 1 que Deus usava muito da Palavra para executar a Criação.   Várias vezes vemos ali: – “Disse Deus”: – “haja… haja… haja…”, repetindo-se com constância – e as coisas foram surgindo do nada, só porque a Palavra de Deus o disse.

Lemos em Salmo 33:6:

“Os céus foram feitos pela Palavra de Yaweh”.

 

Mesmo depois da criação, a Palavra do Senhor faz vir a existir vida onde antes nada havia.

Salmo 107:20 nos mostra a Palavra de Deus como um mediador: –

“Enviou-lhes a sua Palavra, e os sarou”.

(não simplesmente falou ou proferiu)

   Isaías 55:10-ss. nos mostra mais claro a personificação da Palavra:

“Assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não voltam sem que sem que primeiro reguem a terra, a fecundem e a façam brotar para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a Palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei”.

 

Assim, para a tradição judaica, o Logos é um mediador divino personificado (conf. Filon de Alexandria).

 

No cânon do Antigo Testamento também sentimos a personificação da Palavra.

São idéias compatíveis, mas ainda não se completaram ao ponto de descobrir-se que o Verbo veio a este mundo na forma de carne, para viver conosco.   Esta idéia precisou, pois, amadurecer mais.

 

 

COMO CONCLUIR QUE JESUS É O LOGOS?

 

 

Este título revela a Jesus preexistente antes de sua encarnação, seus feitos maravilhosos em carne e mostra-nos a Sua relação com Deus.

 

Assim como o título de Kyrios, o Logos se identificou e foi divulgado como tal, somente após a morte e ressurreição do Senhor, com uma diferença: – o Kyrios se faz sentir presente nos cultos cristãos, e sua percepção é imediata, mas o Logos é fruto de uma revelação divina que se descortina à medida que se medita no seu significado teológico.

Preliminarmente diremos que a palavra pregada por Jesus se mostra, no Evangelho de João, que quase a identificamos com o próprio Jesus.   Como?   João o testifica: – Jesus não somente traz a revelação, mas Ele é a Revelação (1:14).  Ele traz a luz e Ele é, ao mesmo tempo, a Luz (1:5-9); Ele nos dá a vida, e é a própria Vida; Ele anuncia a verdade, e Ele é a Verdade (14:6).

 

O fato é que, cada vez que anunciamos Jesus a alguém, a palavra falada, no final, irá se materializar nos corações dos ouvintes que atentarem e receberem-na com alegria.   Não estaremos somente falando uma “palavrinha”, mas estaremos transmitindo o próprio Senhor Jesus, o Logos.

 

Basta notar-se que Jesus, pela Sua palavra, ordenava aos discípulos: – “Dai-lhes vós de comer” (Mt. 14:16; João 6:10-11), e, em seguida, cinco pães e dois peixinhos se multiplicaram maravilhosamente para alimentar uma multidão.   A sua palavra se materializava, operando milagres.   Na seqüência, Ele ensinava que “Eu sou o pão da vida” (João 6:35).

Em João 9, lemos a respeito de um cego de nascença que foi curado.    Jesus fez da sua saliva na terra um lodo e o aplicou nos olhos do homem que era cego.   O homem ouviu então uma palavra: – “Enquanto estou no mundo, Eu sou a luz do mundo” (João 9:5) e mandou o homem lavar-se no tanque de Siloé, para notar que ele encontrou a luz do mundo.

Em João 11, Ele disse a Marta: – “Eu sou a ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá, e quem vive e crê em mim não morrerá eternamente… (João 11:25-26). Em seguida, com sua palavra, ordenou que Lázaro saísse do túmulo, para tornar à vida”.

Jesus é a Palavra de Deus, o Verbo Vivo atuante, cheio de poder materializador, que faz coisas surgirem do nada, e faz transformar aquilo que era impossível de ser mudado.

A Palavra de Cristo não mente, não falha, não muda, e basta ser dita para que seja liberado o poder de Deus, e mais uma glória seja vista.   Que Palavra!   O que Jesus diz, Ele faz acontecer, e o que Ele faz é o que Ele mesmo o é!

A Palavra de Deus, sua revelação particular em Cristo é chamada de “Palavra da Cruz” (I Co. 1:18) ou “Palavra da Reconciliação” (II Cor. 5:19) – e aí também o Logos nos mostra a Revelação mais pura, perfeita, completa e definitiva de Deus.

Vejamos Hebreus, no seu prólogo:

 

“ Depois de haver (Deus) falado aos nossos pais pelos profetas, Deus, nestes últimos tempos, nos tem falado pelo Filho”

 

Seguindo-se a mesma frase, dentro do mesmo trecho das Escrituras, o autor de Hebreus diz que foi por meio do Filho que foi feito o Universo, e trata-O como “reflexo da glória de Deus”.

 

O fato é que existe uma linha contínua da maneira como Deus falava no A.T. até a sua revelação completa e perfeita que é através do Seu Filho, reflexo da Sua glória.

 

Adão          Noé               Moisés                Jesus ……………..nós

Sete          Abraão              Profetas

 

 

Assim, a Palavra de Deus é reconhecida como a Sua ação, que estabelece um vínculo com a Sua Palavra criadora, pela qual já se revelou “no princípio”.

 

O título “Logos”, pois, levou o apóstolo João a uma profunda reflexão sobre a vida de Jesus, como uma revelação terrivelmente grande e central de Deus.   João não temeu usar um termo helênico-hebraico, pois sabia que estava anunciando algo totalmente novo.

 

Como já vimos, quando João fala do Logos, pensa, sem erro, em Jesus, o Cristo, encarnado.  “O Verbo se fez carne” e a Sua vida humana vivida entre nós foi a revelação definitiva de Deus ao mundo.     Fora do cristianismo, não há concepção semelhante, ainda que outras religiões possam empregar o mesmo termo para lhe dar outro significado.

 

Nota: – Jesus fala, e sua Palavra, com o seu poder, logo se materializa a seu tempo, e assim Ele nos mostra Quem Ele é.   Ele é o Logos de Deus,  O Logos, ou ainda O Logos da Vida.

Quando oramos em nome de Jesus, ele nos ouve, e se Ele diz o “sim”, logo veremos a materialização dessa Sua resposta.

Ele disse uma vez:

“Sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5)

Mas repetiu por sete vezes em João 14 a 16, que… tudo que pedirmos em Seu nome, Ele o fará.

(Leia: João 14:13, 14;  15:7, 16;  16:23, 24, 26-27).

Ao dizer “sim” às nossas petições, Jesus está ainda, como no seu ministério terreno, fazendo materializar-se a Sua Palavra, e nós somos assim participantes de Sua Graça e da Sua Glória, neste mundo.

Nada somos sem Jesus, mas com Ele somos filhos de Deus, seus servos, seus amigos, sua família, e podemos dizer em coro com Paulo:

“Tudo posso nAquele que me fortalece” (Fp. 4:13).

 

 

Porisso não há confusão com o Logos estóico, abstrato, nem com o platônico, nem com o mitológico.   O Logos se fez homem, e por esta razão, é denominado simplesmente “O Logos”.

O caráter universal tributado ao Logos não tem fundamento nos elementos extracristãos ou mesmo pagãos em João 1, mas sim, prova que ele tomou conscientemente temas estrangeiros para dar-lhes um enfoque cristão.

A essência do Logos é a concomitante ação de Deus.     Agindo, Deus se revela.

Cabe aqui também esclarecer sobre a preexistência da Palavra.   Não podemos aceitar a tese dos unitaristas, como que se o Logos fosse um deus, ao lado do Deus Altíssimo.   O Verbo estava com Deus, isto é, sempre esteve.    Não foi criado do nada e nem é uma emanação.  Tampouco o Logos é um subordinado (como se fosse um anjo), e nem justaposto como um segundo ser.  Para evitar dúvidas, João ainda escreve: “Ele estava no princípio com Deus,… e o Verbo era Deus”.

 

Como seria isto?   Estava com Deus e era Deus?

 

Ele estava desde o eterno princípio com Deus, e sempre foi, é e será Deus.   Não se pode querer que este mistério seja desvendado por simples mentes humanas, decaídas pelo pecado e limitadas.

João se limita, sim, a dizer que “O Pai e o Filho são um” (João 10:30).   Importante notar que essas afirmações não foram criadas somente do pensamento joanino.   Houve uma memorização fotográfica de certos discursos de Jesus, de modo que João apenas repete aquilo que Jesus falou (Veja-se João 17:5 – “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.).

Diz também João que “o Pai é maior que o Filho” (14:28).   Logicamente Deus pode ser imaginado independente dos atos pelos quais Ele Se revela, o que não é o caso para o Logos, mas tampouco se pode imaginar Deus fora da revelação Bíblica, pois esta sempre nos mostra Deus voltado para a Sua Revelação.

Logicamente, essas afirmações não surgiram da imaginação fértil de João, mas ele as transmite conforme as ouviu da própria boca do Senhor Jesus.

“Todas as coisas foram feitas por Ele, e nada do que foi feito sem Ele se fez”.

 

Deus se revela primeiramente na Criação, e no N.T. revela-se na Redenção.

 

Quando a Bíblia fala que o “Logos se fez carne”, está dizendo que o Logos, o antigo mediador da Criação (por meio de quem tudo se fez), aparece nos últimos dias como mediador humano.   Toda Revelação é, pois, uma obra de Deus em Cristo.

Esta unidade entre a Criação e a Redenção é notada também em Paulo, em I Cor. 8:6; Col. 1:16, em Apoc. 3:14 e Heb. 1:2, mas o evangelho de João foi que captou a idéia de Logos em toda a profundidade.   Jesus vive a Palavra de Deus e ao mesmo tempo em que a anuncia, Ele mesmo é a Palavra de Deus.

 

 

ORAÇÃO: Senhor Deus e Pai, ficamos maravilhados ao perceber quantos mistérios encerra a Tua Pessoa, e que o Senhor, como um só com Cristo e em Cristo se manifesta a nós, homens falhos e carentes da Tua Glória.  Que venhamos a nos aproximar mais de Ti, a fim de que a Tua obra e a Tua glória se façam presentes e atuantes bem dentro de nosso ser, anulando toda falha, imperfeição e pecado humanos, e tornando-nos semelhantes a Cristo, tal e qual Tu sempre planejaste, desde os dias da eternidade.  Em nome de Jesus, amém.

 

“Crede que estou no Pai e que o Pai está em mim. Crede ao menos por causa das mesmas obras” (João 14:11).

 

O título Filho do Homem contrasta com o de “Logos” porque o primeiro nos traz a idéia de que Jesus Cristo, enquanto homem, nos traz a redenção, mas na noção do segundo, Ele é a própria glória divina, cuja manifestação estava vinculada, até então, ao culto de Jerusalém (conf. II Crôn. 7:1-3), e que se tornou visível na pessoa de um homem. (João 1:51; 4:21; 1:14).

 

 

 

JESUS, O FILHO DE DEUS:

 

 

 

Temos visto que o título “Filho do Homem” ressalta a natureza humana de Cristo, mas deixando transparecer perfeitos traços de soberania (Dn. 7:13).

Já o título “Filho de Deus” ressalta a natureza divina, mas deixa-nos subentendida a obediência de Cristo a seu Pai, como sinal de sua humildade.

 

No Oriente, sabe-se que os Faraós eram tidos por “filhos de Rá” (o deus sol). Alguns povos admitiam que seus monarcas eram filhos de algum deus.

 

No mundo grego, porém, gente de toda classe, a quem se atribuía forças divinas, era chamada “filho de Deus”.   Alguns até arrogavam a si mesmos esse título, bastando que tivessem convicção de possuírem “forças divinas”.    É, portanto, uma idéia bem diferente do que encontramos no N.T., haja vista a pluralidade de deuses no meio pagão.

 

No Judaísmo encontramos três maneiras diferentes de se empregar o termo:

1º) Israel, como povo, é chamado filho de Deus. Em Êxodo 4:22-ss Moisés recebe ordem de dizer ao Faraó: “Israel é meu filho, meu primogênito”.

Em Oséias 11:1 diz o Senhor: – “E do Egito chamei o meu filho”.

Isaías 1:2 e 30:1 – os israelitas são chamados de “filhos”.

Outras citações neste sentido: – Jer. 31:20; Is. 45:11; Sal. 82:6; Mal.1:6.

 

2º) O rei também.

II Sam. 7:14 – rei é chamado assim por Deus: – “Eu serei para ele um pai, e ele me será por filho”.

 

3º) Certos comissionados especiais de Deus, tais como os anjos e também o Messias.   Os anjos, por exemplo, levam esse título.  Mat. 16:16 e Mc. 14:61 indicam que o Messias é Filho de Deus.

 

JESUS  e O TÍTULO DE FILHO DE DEUS:

 

Como Jesus recebeu esse título, se o título de “Messias” lhe parecia tão violento, forte demais, ao ponto dele procurar evita-lo?

Há alguns que querem crer e sugerir que Jesus era “filho” de Deus assim como Israel o era, e assim como cada um de nós.

Inicialmente, diremos que o título “Filho de Deus” aplicado a Jesus deve expressar o que há de único, de incomparável, na sua relação com o Pai.

O fato é que Jesus não é considerado da mesma maneira que se considera outros profetas que veicularam milagres.   Não podemos compara-lo, em essência, com os profetas que vieram antes dele.

As diferenças para se comparar podem ser visualizadas nas seguintes passagens:

a)   Marcos 1:11 – a voz do céu que dizia por ocasião do seu batismo:

“Tu és meu filho amado em quem me comprazo”.

b) Na história da tentação no deserto, que veio logo após seu batismo.  Segundo Mateus, as primeiras tentações começam com a frase: – “Se tu és o Filho de Deus… (Mt. 4:3, 6, conf. Lucas 4:3, 9)”.

É notável como Jesus recusa-se a ser um “milagreiro” perante o diabo, pois a investida não é contra a sua confiança na capacidade de produzir milagres em favor do Pai.   O inimigo tenta, sim, é provocar a desobediência do Filho.  Tenta, desafia-o a fazer milagres que não são compatíveis com a Sua missão de Filho de Deus.

Os evangelhos sinóticos são unânimes em mostrar que Jesus não é o Filho de Deus por ser um “milagreiro”, mas porque Ele realiza a sua missão com obediência, mesmo em detrimento de sua própria vontade, como quem aceita o sofrimento como sua marca especial, acima de títulos outros que os homens e o diabo queriam lhe dar.

 

A confissão de que “Jesus é o Filho de Deus” é empregada tanto por João, como por Paulo, como pelo autor de Hebreus.   Marcos começa o seu evangelho intitulando-o de “Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.

O próprio Senhor Jesus teria admitido sê-lo, à medida que reconhece que Deus é o seu Pai (João 17, Mt. 11:27).

Vemos também várias pessoas lhe atribuindo esse título:

–          Pedro, na confissão messiânica (Mt. 16:16): – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

–          Marcelo Gaio, o Centurião que executou a crucifixão (Mc. 15:39).

–          Os discípulos no batel, quando o viram caminhar por sobre as ondas do mar.

–          O próprio Pai no seu batismo (Mt 3:16-17), e na transfiguração (Mt. 17:5).

–          Por incrível que pareça – os demônios, Mc. 3:11; 5:6.

 

Já temos visto que Jesus evitou, sem recusa-lo diretamente, o título de Messias.   Preferiu o de Filho do Homem – este último o mencionava freqüentemente.

Quanto ao título de Filho de Deus, Ele não vacilou em aplica-lo a Si mesmo, mas raras são as vezes em que o emprega.   Não houve um “segredo do Filho” como o “segredo messiânico”.

Outra vez, porém, o termo era, se não evitado, ao menos pouco usado, em parte pelos mesmos motivos que o levaram a evitar ser chamado de Messias.

“Filho de Deus” contém uma grande carga de majestade, soberania, e de dignidade divina excepcional, e Jesus sempre pensava, agia e falava com os olhos fixos na obediência, na humildade, e no dia do seu próprio sacrifício.

Somamos a este motivo, o desejo que Ele possuía de estar sempre em harmonia com o coração, desejo e os planos do Pai.  Isto estava muito profundamente na consciência de Jesus.   Como negar que Ele e o Pai têm grandes coisas em comum?   Que Ele tem grande amor pelo Pai e o Pai por Ele?   Isto é algo que nem é preciso que Ele fale: – os que com Ele conviveram o sabiam, porque o Pai mesmo o revelava!   Pedro, os discípulos no batel, o Centurião romano junto à cruz, e mesmo os demônios o testificaram!

Jesus, só muito raramente fala de si mesmo como sendo o “Filho”, e quando o faz, não permite haver ampla publicidade disso.   Deixava, porém, que o “descobrissem” discretamente.   Vejam que situação: – uma pessoa pode fazer muitos milagres, mas só o fato dela afirmar ser o “Filho de Deus”, isto já dá ensejo a que o interpretem de maneira indevida.   Isto poderia ser visto como uma auto-exaltação, ou como um sinal de problemas mentais, e a sua reserva quanto a isso o poria a salvo dessas críticas tão severas.

Justamente por ser Filho, ele não podia ser um “milagreiro” para quem não teria nenhuma dificuldade em operar esse tipo de transubstanciação como a de transformar pedras em pães, em um dia de jejum.    Exatamente por ser o Filho de Deus, Ele não deveria lançar-se do pináculo do templo para baixo, e cometer o mesmo erro que Adão cometeu: o de tentar “raptar” a igualdade com Deus.

 

O quarto Evangelho, porém, parece ignorar a discrição quanto à unidade total que o Pai e Jesus mantinham e mantêm entre Si.

João, plenamente convicto que o Parácleto o conduz a lembranças despercebidas nos Sinóticos, e escreve coisas ensinando pelo Consolador (João 14:26)  verdadeiros discursos da autoria do Senhor.  Algumas coisas os discípulos não podiam suportar (16:12).  Até a revelação de que o Pai detinha para si do conhecimento da data da “Vinda do Filho do Homem” que veio como uma “bomba” para atribuir ao Pai uma condição mais enaltecida que ao Filho (Mc. 13:32).

 

 

O TESTEMUNHO DA IGREJA PRIMITIVA:

 

Após a ressurreição e o dia de Pentecostes, os discípulos já não tinham mais aquele espírito de acanhamento e medo com que estavam no dia da morte do Senhor.    Na verdade, eles queriam de fato anunciar: – “Jesus é o Filho único de Deus”.

Esta foi a confissão de Pedro

Esta também foi a do Eunuco da rainha Candace, da Etiópia.

A 1a. Epístola de João (I Jô. 4:15) atesta que…:

“Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus”.

João, em sua 1a. epístola, faz guerra contra o docetismo, e enfatiza a necessidade de confessar.  (Qualquer que nega o Filho, não tem o Pai) (I Jô. 2:23).

O autor da epístola aos Hebreus exorta a seus leitores a permanecer firmes na confissão (4:14) de fé no Filho de Deus.

 

Esse titulo aparece nas fórmulas mais antigas de oração da Parte da Igreja Cristã.

O evangelho de Marcos todo traz aquela discrição inerente ao próprio Senhor, mas encontramos a sua apresentação apontando que Jesus é o Filho de Deus, dentre outras passagens semelhantes (Mc.15:39).

 

Lucas e Mateus buscam demonstrá-lo, mencionando que Jesus nasceu de Maria quando esta era ainda virgem, concebido sem um pai humano –grande indício de que era íntimo com o Pai, no decorrer dos anos.

 

Muito embora Marcos e João não se tenham detido quanto ao milagre da conceição supernatural de Jesus, são exatamente estes evangelistas que melhor o apresentam como o Filho de Deus, pelo que já temos visto.

 

Nota 1: – João se detém mais em enfatizar a relação entre o Pai e o Filho, e ainda o aponta como o “único” ou “bem amado” (gr: monogenês), que corresponde ao hebraico “unigênito” (Jô. 1:14, 18; 3:16, 18 e I Jô. 4:9).

Nota 2:  – Acrescente-se também que a linguagem joanina aplica tal adjetivo que se traduz por “saído do Pai” ( Jô. 7:28,29).   Na língua original grega, usa a preposição  ÉK, enquanto que para os outros enviados, era empregada a preposição  APÓ ou PARÁ (Jô. 16:28; 8:16;  16:32).

 

De qualquer maneira, a unidade de Jesus com o Pai nos é provada pela participação na obra da Criação, na criação da vida (obras do Pai por excelência), no ressuscitar mortos (Jô. 11:41), na sua disposição tão especial para, ungido pelo Pai e a Ele unido, sofrer e morrer, como no seu ensino jô. 8:28; 7:16 cf. tb. 14:16b).

 

O Pai é maior que o Filho somente enquanto o Filho, portador da revelação, vem do Pai e ao Pai volta, senão vejamos:

 

“Eu e o Pai somos um” (Jô. 10:30).

“O Pai está em mim e Eu nele (Jô. 10:38)”.

“Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jô. 8:56).

“Vós dizeis: tu blasfemas! E isto porque eu disse: Sou Filho de Deus. (Jô. 10:36)”.

 

O autor de Hebreus (4:14) diz que “… porque temos um sumo sacerdote… Jesus, o Filho de Deus, permaneçamos firmes em nossa confissão de fé”.

Essa epístola estabelece um vínculo dualista sobre a pessoa de Cristo: Ele é o Sumo Sacerdote e é, ao mesmo tempo, o Filho de Deus”.

 

Hebreus 1:1:

“Depois de haver, em outro tempo, em muitas ocasiões e de diversas maneiras falado a nossos pais pelos profetas, Deus, nestes últimos tempos, falou-nos pelo Filho”.

 

O referido autor mostra-nos que o Filho está acima de todas as criaturas, até mesmo sobre os anjos, Moisés e outros.   Ele só é comparado a Melquisedeque, rei misterioso que surge de repente no passado, sem genealogia, “sem pai e sem mãe” – a filiação humana carece de importância: Jesus nasceu de Deus!

O Filho de Deus, afinal, é Deus auto-revelando-se ao mundo.

 


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