SALMOS – FORÇA EM TEMPOS DE FRAQUEZA

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abril 26, 2021 by Bortolato

Salmo 41

Quando nos encontramos em estado de vulnerabilidade, sentimos que necessitamos de amigos solidários, a fim de podermos saber que estamos cercados do companheirismo e do carinho de pessoas que nos compreendam.

Sim, porque quando chegam tempos de enfermidades, ou quaisquer outros tipos de debilidade, tal como as decorrentes de convalescença, ou da velhice, coisas que estes nos trazem, vemos que as nossas obrigações e tarefas decorrentes do dia a dia ficam prejudicadas ou proteladas, ou lançadas para um segundo plano. A vida fica mais difícil de ser levada, por causa das limitações que se nos impõem. Nesses momentos sentimos que carecemos da ajuda de alguém ao nosso lado.

Sim, porque é nessas horas que dificuldades inesperadas surgem, como que saindo do nada, para dar ensejo a que pessoas não bem intencionadas se aproveitem dessa situação.

Esta foi a circunstância em que o rei Davi se achava, já nos seus últimos anos de reinado, quando pôde compor as palavras do Salmo 41, escrevê-las e entregar ao mestre de canto que se encarregava do louvor a Deus durante os cultos. Jedutum, Asafe ou os filhos de Coré eram destes, que aperfeiçoavam as melodias, adicionavam algumas notas musicais e o resultado era entregue aos levitas, que também ministravam ao povo e os auxiliavam nessa sagrada tarefa.

É dessa maneira que as coisas aconteciam na vida do salmista, e acontece indistintamente, também a todos, nos dias de hoje.

Um certo acontecimento da vida real nos dá uma ideia mais acurada a respeito disso.

Certa vez, em 7 de setembro de 1997, um famoso atleta, ex-piloto de Fórmula Um e da Fórmula Indy estava praticando voo livre em ultraleve, e com ele ia o seu filho de 6 anos, quando o aparelho sofreu uma pane, perdeu altura, e caiu sobre um brejo, onde ambos ali ficaram bom tempo, cerca de onze horas, até que fossem socorridos pelo resgate da Polícia Militar.

Emerson Fittipaldi é o seu nome; ele quebrou uma perna e teve um corte em sua testa. Seu filho teve apenas ferimentos leves. O aparelho caiu de uma altura de cerca de cem metros.

Depois da queda, as horas foram-se passando e, enquanto eles não tinham sido socorridos, Emerson se acomodou como pôde sobre as asas do ultraleve, e após algum tempo, eles viram que um urubu pousou ali perto, ao que tudo indicava, visando a tirar proveito da imobilidade em que ele se achava. O tempo passava, e a ave não saía daquela marcação junto aos dois acidentados.

Foi quando o piloto então pediu ao seu filho que, se ele viesse a ficar com sono ou desacordado, não permitisse que aquela ave negra viesse e pousasse sobre o seu corpo ferido.

Assim acontecem os acidentes de percurso na vida. Quando caímos enfermos, sem condições de nos levantarmos normalmente com nossas próprias pernas, esperamos contar com a ajuda de algum bom samaritano, mas então é também nesses momentos que se aproximam inimigos, como abutres, predadores, em busca de se prevalecerem da situação, para nos atacarem no momento em que estivermos mais indefesos, com a guarda baixa. Não é assim que acontece?

O rei Davi estava nessas condições: enfermo, idoso, não tendo mais as forças juvenis de que outrora dispunha com tanta exuberância, e por isso não podia cumprir todos os deveres que a coroa real lhe exigia, e aquela foi a ocasião, na qual o seu próprio filho Absalão aproveitou para executar um plano de usurpação do trono. Aliás, um plano parricida.

Absalão começou ventilando para o povo que seu pai não mais atendia a todos, não dava mais atenção para as contingências de necessidade de justiça pública, e insinuava que aquela seria uma excelente oportunidade para ele mesmo tomasse o poder em suas mãos.

A sutileza daquele príncipe, filho do rei, foi pouco a pouco fermentando sentimentos na população, mormente entre os líderes que vinham de outras tribos da sua nação a Jerusalém, até que ele julgou ser a hora de extravasar oficialmente aquela pressão, aplicando um golpe de Estado, autoproclamando-se rei sobre Israel.

Logicamente ele não poderia fazer “aquilo” sozinho, e pôde contar com o apoio de várias pessoas, e uma delas foi Aitofel, um dos principais conselheiros, dos mais íntimos do rei, a quem Davi tinha em alta conta.

Foi de repente, então, para surpresa do rei Davi, que ele teve que saber que Aitofel tinha sido um falso amigo, que o visitava em seu leito de dores, fingindo ser solidário, quando estava apenas sondando, procurando saber como andavam as coisas, e quando seria, mais cedo, ou mais tarde, a mais propícia hora da morte do velho rei – fato que estaria aguardando com muita expectativa e avidez.

Realmente, temos que tomar cuidado. Inimigos têm a sutileza de se aproximarem, oferecendo amizade, mas seus corações acariciam em oculto seus interesses mesquinhos. Às vezes são tão bem sucedidos em sua arte de encenação, que não damos conta da verdade, até que surge o instante em que as suas máscaras caem, e o oculto é revelado.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso. Quem o conhecerá?” (Jer. 17:9)

Depois de ficar ciente de toda aquela trama que armaram e executaram com toda astúcia, Davi suspirou, buscando inalar o ar que pudesse atenuar com sua tensão interior. O seu coração volta a bater, palpitar, procurando analisar as causas primárias daquela situação.

Ele se lembrava de Mefibosete, o filho coxo de Jônatas, seu grande amigo. Davi recebera o jovem em seu palácio como se fora seu filho, e o tratou dignamente durante anos… e assim tantos outros a quem socorrera nas necessidades destes… ele procurara ser justo e benigno para com todos, e a Lei do Senhor era a pauta que seguira para haver-se como um bom rei, de modo que, dentre seus erros e acertos, o povo bem poderia ponderar melhor e não devia ser-lhe tão ingrato.

Ele então olha pra o Senhor Yaweh, o Deus de justiça e de amor, que tudo vê, e que conhece o seu coração, e proclama:

Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal”. (Salmo 41:1)

Davi não se julgava um justo irrepreensível, pois sabia que havia tropeçado ao tratar do caso de Bate-Seba, e aquilo deixou-lhe uma indelével marca em seu coração. O arrependimento o abatia, mas por outro lado, confiava no Senhor.

Este é um ponto importante.

Por mais que um pecador tenha desagradado ao Senhor, sempre é deixada aberta a porta da reconciliação com o Céu para os que se arrependem (Isaías 1:27), pois em caso contrário, caso não houvesse mais chance alguma para pecadores, o mundo já teria há muitíssimo tempo sido completamente destruído, sem sobrar ninguém para contar como foi a história.

Voltando-se para a questão dos inimigos que se levantaram contra ele de forma tão traiçoeira e caluniosa, levando o salmista a uma situação vexatória, e ter que sair chorando de dentro de sua própria casa, e de dentro da cidade de Jerusalém, aqueles maus elementos queriam vê-lo morto, para se assenhorearem de sua coroa e do reino, naquela cobiça incontida e desalmada.

É lamentável tomarmos conhecimento de que amizades cultivadas durante anos, e até laços de família sejam bruscamente quebrados por pessoas que não se importam que seus interesses escusos os levem até a desejar que sejam destruídos os benfeitores.

A História Sagrada nos conta de muitos episódios em que filhos de Deus sofreram ao verem seu caráter denegrido por mexericos sussurrados ao pé do ouvido, de pessoa para pessoa, abrindo um leque que mais se parece com um efeito dominó. Este é um mal que ainda permeia sobre a Terra, de forma a fazer com que muitos tenham de passar por maus momentos, cortantes e afiados pela maldade dos lábios ferinos de homens que não medem suas palavras.

Basta vermos que mesmo o Senhor Jesus, o Filho de Deus, santo, puro e imaculado, o maior paradigma para os fiéis a Deus, um dia foi obrigado a ter que suportar terríveis afrontas até a morte, a partir de um ato infiel de um traidor que saiu da fileira dos mais achegados dos discípulos – um dos doze mais próximos, que comeu do pão dado em sua boca em sinal de grande gentileza da parte do Mestre; traidor que mesmo tendo recebido aquela posição de grande honra e responsabilidade, não poupou a vida dAquele que muito o amava.

Oportunamente não devemos nos deixar abater demais se formos caluniados ou traídos. O exemplo de Jesus se repetiu por muitas vezes, levando tormentos e até a morte para homens muito fiéis, verdadeiros baluartes da fé, pessoas muito melhores do que os que temos sido para o Seu Reino.

Então, qual seria a nossa melhor opção, ao sermos surpreendidos em algo semelhante?

O salmista nos propõe duas coisas, senão três, unidas uma à outra, tais e quais chaves que são inseridas no mesmo molho.

A oração encabeça esta sequência.

Oremos a Deus. Ele sabe de tudo, e também saberá como interagir conosco em em nosso favor.

Tu, porém, compadece-Te de mim, e levanta-me …” (verso 10)

Esta é a petição, simples e sintética.

Então, em meio a esta fórmula tão rápida e abreviada, Davi usa da outra chave, a fé que se expressa assim:

Quanto a mim, Tu me sustentas na minha integridade e me pões à Tua presença para sempre” (verso 12)

Percebe-se aí que houve uma passagem de um nível humano, sensível a dores e ao sofrer, para o nível do espírito, que se encontra com o Deus único Verdadeiro, que nos faz promessas e as cumpre. É o momento da visitação do Senhor, dando-nos a entrada a uma esperança profética, que paralisa o processo atordoante do pecado dos homens, superando as más expectativas dentro das nossas almas, e fazendo-nos sentir que a vitória daquele que crê é certa, que esta logo despontará ao nível da nossa vida material, a fim de que todos poderem vê-la, para servir de testemunho.

Não é para se abrigar mais dúvida alguma: Deus promete, e cumpre, porque Ele é verdadeiro, e não mente.

Chega-se então no ponto e que o exército dos verdadeiros adoradores de Deus transmitem a sua gratidão. O Senhor lhes antecipa o que fará em seu benefício, e essas felizes criaturas explodem em louvores, alegria sobre alegria de saberem que serão salvos por Quem tem todo o poder no Céu e na Terra. Espírito, alma e corpo se mostram unidos para prestarem cultos de louvor a Ele, o grande autor das câmaras mais felizes do Reino de Deus nesta Terra.

E assim Davi encerra sua oração, e a composição deste Salmo:

Bendito seja o Senhor Deus de Israel de século em século. Amém e amém.”


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