XIV – I CRÔNICAS – MUDANÇA DE HÁBITO

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junio 12, 2019 by Bortolato

Hábito é algo que se faz por força de rotinas costumeiras. Hábito é, em outro sentido, um tipo de veste clerical que traz, no seu visual, embutida uma mensagem: a de que a pessoa que a veste, exceto outros raros motivos, tem algum compromisso ou voto junto a Deus.

Este tipo de indumentária era muito comum ver-se pelas vias públicas há alguns anos atrás. Os padres, freiras e noviças o vestiam por força de uma imposição do clero católico romano ou ortodoxo.

Não se viam tais clérigos sem o seu costumeiro hábito, andando pelas ruas das cidades. Eram verdadeiros estandartes da igreja junto a qual serviam como seus adeptos consagrados. Eles tinham que andar com aquela roupagem peculiar por onde quer que fossem.

Dentro dessas pessoas havia um momento histórico em que elas passaram a mostrar-se publicamente dessa maneira. Elas haviam dado sua palavra de que assim se portariam. Fizeram votos perante Deus, e isto é muito sério.

Em Eclesiastes, capítulo 5º, lemos que não se deve pronunciar votos que não possamos cumprir. Se não tivermos condições de cumpri-los, então que não os façamos, pois Deus não se agrada da tolice dos tolos.

Havia muitos desses monges e freiras que se viam vestidos de vestes talares, mais comumente em tecido preto, dependendo da ordem da igreja, mas, em geral, quando tinham que se lançarem aos serviços religiosos, tais como as tradicionais missas, eles apareciam todos em branco, com algumas estampas douradas, vermelhas e outras cores.

Isto lhes foi imposto por muitos anos pela igreja à qual eram ligados, mas em chegando um novo tempo em seus ministérios, eles foram desobrigados de se mostrarem dessa maneira quando em alguns momentos tais como em lazeres, nos quais podiam ficar mais descontraídos.

Ora, isto passou a acontecer à medida em que julgaram desnecessário usar os seus hábitos quando fora de serviço.

Quando lemos também em I Crônicas, capítulo 23, que os membros da tribo de Levi foram convocados a se apresentarem perante o rei Davi, que lhes anunciou algo que mudaria não tanto as suas vestimentas, mas também o seu trabalho.

Com o que então, isto é, depois de alguns anos, já não mais haveria aquele antigo Tabernáculo, protótipo feito especialmente para o deserto, durante as peregrinações do povo de Israel, ocasião em que houveram muitas mudanças de locais para outros locais. E em chegado o tempo de Davi, a Tenda da Congregação foi fixada em Jerusalém. Logo o trabalho de desmontagem e a montagem daquela Tenda já não seria mais necessário (23:26).

Com esta alteração que envolveu toda a Casa de Deus, os levitas passaram a ter mais tempo, e puderam prestar-se à execução de outras atividades. Isto dá a entender que houve mudanças de hábitos e hábitos, de vestes e de práticas.

Os deveres dos levitas eram vários, sempre prestando ajuda aos seus irmãos de tribo, os sacerdotes, que todos os dias ministravam os sacrifícios dos holocaustos e ofertas diversas, além de outros aos sábados, nas luas novas, e nas festas sagradas. Isto também é algo profundo, porque todos nós, levitas ou não, devemos prestar nosso trabalho para o Grande Sacerdote da ordem de Melquisedeque, o Senhor Jesus, o Cristo, o qual ofereceu-Se a si mesmo como a grande oferta aprazível ao Senhor Yaweh, em favor de milhares e milhões.

Alem disso, os levitas deviam sempre prestar serviço de guarda da Tenda da Congregação e do Santuário, além de guarda junto aos sacerdotes em seu ministério (23:32).

Uma outra atividade foi designada aos levitas, que I Crônicas 23:30 nos conta, e esta nos acende a luz para que todos os homens façam o mesmo:

E para estarem em pé cada manhã para louvarem e celebrarem ao Senhor, e semelhantemente à tarde”.

Depois dessa medida adotada por Davi, houve o surgimento de muitos levitas que ficaram famosos, e chegaram a compor salmos, como foi o caso de Asafe, Hemã o ezraíta, Etã, Jedutum, e talvez outros que não chegaram a ser identificados como autores de hinos e poesias dedicadas ao Senhor.

Vamos agora viajar até os primeiros dias da criação do homem. Eis que ele tinha sempre, todos os dias, um encontro com Deus, pela viração do dia, isto é, quando a noite se vai e chega a luz do dia, e quando o dia se finda, e dá início à noite. Adão tinha o privilégio de encontrar-se com o Senhor, e com Ele conversar face a face, duas vezes por dia – e isto, com toda certeza, nunca deixava de ser oportunidade para que o nosso Criador fosse louvado. Eram momentos de troca de muito amor, através de palavras e derramamento de bênçãos.

Este foi o princípio do relacionamento com Deus, da maneira que Lhe agradava, em contínua prática programada, e sem faltas.

Houve, porém, o incidente da entrada do pecado na Criação, através do homem, e algumas coisas mudaram. O distanciamento entre ambos teve de acontecer, para que nenhum pecado se apresentasse a Deus impunemente, e o pecado foi aquela semente que germinou e passou, como um vírus, para toda a descendência daquele primeiro homem.

Louvar a Deus, no entanto, continua a ser possível, para aqueles que se arrependem de seus pecados, de forma que hoje vemos que o Senhor aceita alguns tipos de louvor, e outros não. Por que uns sim e outros não? Porque alguns se afastaram muito dos padrões de Deus.

Veja-se os dois primeiros filhos de Adão: Caim e Abel. Abel apresentava seus sacrifícios de louvor ao Senhor, e o Senhor sempre ou quase sempre lhe respondia de alguma forma, testificando que Ele aceitava aquela devoção de seu filho. Era uma forma de restauração daquela comunhão perdida por seus pais.

Caim, porém, queria apresentar a Deus as suas ofertas sacrificiais, mas não recebia a mesma resposta vinda do Céu – e isto veio a lhe incitar inveja e ciúmes de seu irmão, em vez de procurar saber o que estaria impedindo Deus de lhe aceitar.

O próprio Deus tentou interferir naquele processo pernicioso que passou a se desenvolver dentro da alma de Caim, porque este também era Seu amado, e eis que o Senhor falou-lhe que se aquele primogênito de Adão se houvesse bem, ele também seria tratado da mesma maneira com que Abel o fora.

Em vão foi aquela atenciosa orientação divina, dirigida cuidadosa e seletivamente a Caim, especialmente a Caim. Isto porque o pecado estava arraigado dentro de sua alma, e não houve paz para ele. Ele já não mais podia olhar para Abel sem que o ódio o dominasse. Chegou ao ponto de planejar a morte do próprio irmão, possivelmente com o objetivo de, antes de tudo, apagar aquela imagem do irmão bem sucedido perante Deus, o que o lembrava sempre do seu fracasso, o que fazia Caim remoer-se por dentro; e também chegar a assassiná-lo, pensando que isto o vingaria perante Deus, uma retaliação, como que pressionando ao Criador por haver sido discriminado durante as suas ofertas.

Pensando bem, ambos os irmãos tinham cada qual o seu rebanho, e, portanto, ambos poderiam oferecer a Deus o sangue de cordeiros, prefigurando o sacrifício de Jesus na cruz. Caim não quis apresentar nenhum animal perante Deus, mas apenas os frutos de seu trabalho no campo. Ora, os levitas sacerdotes também apresentavam a Deus as ofertas de manjares, frutos do trabalho no campo, além dos holocaustos e ofertas de animais. Então vemos que Deus se agrada quando colocamos tudo o que temos diante de Sua presença, e não apenas parte.

Não menos importante também são os motivos que nos levam a apresentar nossos sacrifícios. Será que O louvamos de todo o nosso coração, ou apenas alçamos nossas vozes a Ele? Em I Coríntios capítulos 13 lemos que se não tivermos amor dentro de nós, seremos apenas como um gongo que soa, ou um sino que retine; logo, estaremos só fazendo barulho que não chega a passar do teto, e Deus não nos ouvirá.

Vemos aqui mais pontos, que foram decisivos para aquele final infeliz ter-se desfechado daquela maneira:

1 – Muito embora o pecado já tivesse causado graves danos nas vidas dos descendentes de Adão (a morte física foi um desses), o Senhor ainda tinha um caminho aberto para tantos quantos quisessem de fato, e estivessem plenamente determinados a reunir condições para retomar àquela comunhão que se perdeu no Jardim do Éden. Logo, não é porque simplesmente o pecado causou aquela separação inicial, que devamos nos acomodar ao estado de degradação que foi precipitado sobre nossa raça humana. Caim facilitou as coisas para o tentador aproveitar-se de sua negligência em buscar sinceramente a Deus.

2 – Um abismo chama outro abismo, e fazem mais profunda a queda. Caim viu que suas atitudes não agradaram a Deus, enquanto Deus se agradara das de seu irmão. Só isto já denota que ele precisaria achar um meio de consertar-se dianta do Senhor, seu Criador, e isto ele não fazia. O passo seguinte foi cair na amargura que logo o levou à inveja. Depois da inveja haver-se alojado em seu coração, veio a indignação contra aquela diferença que Deus fazia entre eles. Ao assumir a indignação, sinal de falta de humildade em reconhecer seus erros, ele caiu em uma falta de controle tal, que dirigiu a ira contra quem não tinha nenhuma culpa do que estava acontecendo: seu irmão Abel. Aquela raiva incontida o arrastou a planejar o mal contra alguém. Tal como Satanás faz, já que não se pode aniquilar a Deus, ele traçou planos para matar ao seu irmão. Tal como uma serpente faz com sua presa, ela vai enlaçando cada vez mais a vítima, até matá-la, assim o inimigo das nossas almas fez com Caim, e Caim fez contra Abel, da maneira que achou conveniente para si.

3 – O que poderia Caim ter feito para escapar dessa peçonha mortal, que o levou ao crime? Uma coisa seria fazer um profundo exame de consciência. Nisto, certamente que o Espírito de Deus o ajudaria a diagnosticar profundamente, e a apontar as medidas cabíveis para o escape daquela situação perigosa que já estava em pleno desenvolvimento.

Uma outra alternativa seria observar a vida e o proceder de Abel, além da possibilidade de pedir conselhos a seu irmão, com vistas a agradar ao Deus que merece todo o nosso louvor, e toda a dedicação de nossos corações. Fizesse isto, ainda que parecesse humilhante, pelo menos teria um aliado que era sangue de seu sangue para lutar contra aquele processo de perdição de sua alma.

4 – Uma vez que Abel havia logrado agradar a Deus, isto significava que havia um caminho para se alcançar a comunhão com o Criador, e este ainda estava aberto, mesmo apesar do pecado haver atrapalhado um bocado aquela feliz ligação sagrada. E este caminho não poderia ser sem o derramar de sangue, o que levou Abel a sacrificar animais. Os animais: ovelhas, bois, cabras, cavalos, etc, consistiam em riquezas para seu dono, e quando se dedicava algum desses para o Senhor, era um sinal de desprendimento do ofertante, que os devolvia para quem tinha todos os direitos de posse sobre os tais: Aquele que os criou.

O sangue desses animais não poderiam remover toda a culpa pelos pecados, mas prefiguravam o sacrifício único que o Senhor aceitou um dia sobre a cruz, em Jerusalém: o sacrifício de Jesus, e este sangue sim, é o sangue que caiu no perfeito agrado do Senhor dos Céus e da Terra. Este foi o caminho que Deus preparou para nós desde antes da preparação da criação deste mundo. Por terem imagens visuais de cor, liquidez, viscosidade e qualidades nutrientes, o sangue dos animais trouxe, durante os dias do Antigo Testamento, uma encenação da reconciliação e da paz que o sangue de Jesus nos traz, coisa que nem Abel, e nem Caim sabiam de todo, mas o Espírito Santo assim conduziu homens e mulheres a assim procederem, e isto foi um fator decisivo para haver uma justificação dos que usaram deste meio para buscarem sinceramente a Deus e lograrem alcançar misericórdia.

Agradar a Deus é, pois, a grande pedida, a melhor opção que temos em nossas vidas. Louvá-Lo será uma constante, em todo o tempo, durante a vida eterna. Assim os anjos O louvam, sem cessar.

Enquanto estamos nesta Terra dos viventes, muito embora o clima muitas vezes não seja dos mais propícios, isto não nos impede de que o façamos várias vezes, não apenas duas, mas várias vezes por dia, pois o rei Davi o fazia sete vezes, cada dia (Salmos 119:164), e ainda prometia mais que isso (Salmo 71:14) – e ele foi um homem que buscou aproximar o seu coração ao coração de Deus, segundo as Escrituras.

Louvai ao Senhor! Com palavras, atos, gestos, com canções, com obediência à Sua santa vontade, com o sacrifício de nosso ego, mas principalmente, com amor em nossos corações. Ele Se agrada de nossos louvores, isso não é uma vaidade dEle, mas sim, um ato de reconhecimento de que Quem é realmente digno dos mais altos louvores deve, precisa, tem que recebê-los. Negarmo-nos a isto é comportamento desapropriado, não fica bem para nós.

Por estes motivos, e por tudo de bom que Ele é, louvemos ao Senhor!


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